30 de junho de 2010 às 10h08
The joker is wild
Mais uma coluna da Monet (mosquei e deixei de publicar um tempo, acho que essa é de março). Sempre é demais lembrar, mas nunca desnecessário, a coluna se chama Histórias INVENTADAS da Televisão.
Sabemos que os críticos reclamam do uso de clichês nos humorísticos – loura burra, homossexual afetado, pobre sem noções básicas de português – mas poucos lembram que sempre foi assim, e que em uma determinada ocasião tentaram produzir uma atração de comédia sem estereótipos, para agradar os detratores.
Foi em uma época ancestral, quando se acreditava que a crítica podia ter efeito deletério sobre a audiência. Os diretores da TV Rio (eu disse que era ancestral) encomendaram para os roteiristas um programa politicamente correto avant la lettre, sem piadas depreciativas sobre nenhum grupo social. Mas com uma ressalva do Walter Clark: “Não façam o troço comunista demais”.
Apesar dessa recomendação, o programa se chamou “A Praça é de Todos” e tinha o Francisco Milani como apresentador. Ele recebia convidados no banco, todos eles usando trajes civis e falando normalmente, sem entonação ou sotaque esdrúxulos. A própria praça tinha um visual sóbrio (um projeto paisagístico do Burle Marx).
Por exemplo, uma das personagens femininas era uma secretária bilíngue – que, apesar de toda a tentação para os autores usarem os preconceitos associados à profissão, era inteligente e se vestia com recato. Seu bordão era “Por que não estudei administração de empresas?”
Outro personagem que fugia dos clichês era um português muito inteligente que contava piadas de brasileiro, ressaltando os nossos defeitos e fazendo graça das nossas mazelas. Uma delas: “Sabe o que o Brasil tem mais do que Portugal? Índice de analfabetismo…” Havia também um papagaio erudito que fazia stand up comedy, usando material traduzido de humoristas como Mort Sahl e Woody Allen.
Advogado honesto, sogra gente boa, toda reversão de expectativa era bem vinda nos scripts do programa, que foi um sucesso de crítica desde a primeira exibição. Infelizmente o público, que só se reconhecia na caricatura, rejeitou “A Praça…”. O cenário foi reaproveitado em um outro programa, que ficou bastante famoso.
6 Comentários








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30 de junho de 2010 às 10h52
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1 de julho de 2010 às 7h25
Outro dia estavam exibindo trechos antigos do programa “A Praça da Alegria”, do pai do Carlos Antônio de Nóbrega na Rede Record. O velho deve estar se revirando no túmulo até agora com o que o filho transformou o programa…
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1 de julho de 2010 às 20h48
oi Arnaldo, sou assíduo (tanto quanto possível) leitor do teu blog e um grande admirador dos teus insights gráficos; esta é a primeira vez que posto um comentário aqui e (sorry) é off-topic.
acabei de ver isto no CBR
http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=26971
eu gostaria de saber tua opinião a respeito, se não for abusar muito da tua boa vontade
um abraço
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2 de julho de 2010 às 3h57
aff, coluna chata da porra
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4 de julho de 2010 às 10h51
Arnaldo, você viu isso aqui: http://www.marijuanamancomic.com/ ?
Absurdo!! Vai processar?
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4 de julho de 2010 às 11h02
Pessoal, super-herói maconheiro não é bem uma idéia original. Por exemplo, tem aqueles Bluntman e Cronic do Kevin Smith, o Juca tem o Kebezão… o que o Preza tem de único é o super poder de ter sempre um em cima, que deu a cara pra ele e pros parceiros. Tomara que, diferente da música do Ziggy, o Marijuanaman preste.
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