5 de agosto de 2010 às 14h42
Ração Humana
Mais uma coluna Histórias (Inventadas) da Televisão para a Monet.

Ilustração: Fernando de Almeida.
Alimentação saudável e programas de culinária estão na moda, mas não pela primeira vez. Houve uma atração televisiva que foi a primeira a exaltar as vantagens da comida natural, ensinando a prepará-la, e que fracassou por conta dos exageros de seu idealizador.
O programa “Não me coma, sou um ser vivo” surgiu no início dos anos setenta, na rebarba do movimento hippie que chegou aqui com atraso. Seu apresentador, um sujeito já um tanto entrado em anos para falar em nome da revolução jovem e com poucos cabelos para ornar com flores, se chamava Florêncio Silvestre. Ele mudou para algo que soava mais flower power, Flor Silvestre, o que lhe rendeu muitas piadas nos corredores machistas da TV Excelsior.
Tudo era muito radical. Era filmada em externas, e todos os objetos de cena eram tirados da natureza. A mesa era um tronco de árvore, os utensílios quase da pedra lascada; os produtores reclamavam que Flor levava o dobro do tempo de uma dona de casa média para picar salsinha. O patrocinador de “Não me coma…” era o Ceasa.
As receitas não pareciam muito apetitosas, mas ficavam em segundo plano em relação aos discursos de Flor contra os hábitos carnívoros. Ele fazia questão de apresentar o programa cercado de pequenos animais silvestres que interferiam comendo ingredientes. Os esquilos não raro o atacavam.
As únicas imagens feitas em estúdio, inseridas em um bloco entre duas etapas da receita do dia, eram vídeos educativos mostrando as verdades sobre o preparo de pratos convencionais: porcos sendo estripados, gansos vivos recheados por um funil inserido no tubo digestivo, o que criava o estranho efeito de um show de culinária que fazia perder o apetite.
A ruína de Flor foi o churrasco de confraternização da emissora, no fim do ano de 1972. Apesar de ter levado sua marmita de berinjela e uma braçadeira de luto pelos animais abatidos, sua pouca resistência a bebida fez com que se atracasse, delirando de prazer, com alguns quilos de picanha sanguinolenta. As fotos vazaram para a imprensa e a sua credibilidade foi a zero.
Depois entrou para a política, onde isso não faz diferença.
12 Comentários








5 de agosto de 2010 às 15h09
Mesmo sendo vegetariano, não pude conter o riso! Genial!
Responder
Pingback por Twitter Trackbacks for Ração Humana - Mau Humor - OESQUEMA [oesquema.com.br] on Topsy.com
5 de agosto de 2010 às 15h12
[...] Ração Humana – Mau Humor – OESQUEMA oesquema.com.br/mauhumor/2010/08/05/racao-humana.htm – view page – cached OESQUEMA: portal dos jornalistas Alexandre Matias (Trabalho Sujo), Arnaldo Branco (Mau Humor), Bruno Natal (URBe) e Gustavo Mini (Conector) Tweets about this link [...]
5 de agosto de 2010 às 15h33
hahahahahaha
Responder
5 de agosto de 2010 às 15h58
Oi Arnaldo, desculpa a insistencia pois já mandamos uns 3 emails pra vc. Por acaso vc recebeu?
Responder
5 de agosto de 2010 às 16h10
Ué, não.
Responder
7 de agosto de 2010 às 21h59
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!
Responder
8 de agosto de 2010 às 19h59
nunca vou perdoar o fernando por ter me transformado num velho hippie careca fu manchu.
nunca, compreendes?
Responder
9 de agosto de 2010 às 10h51
Pergunta aleatoria: Voce assistiu a mesa do Crumb pelo telao, de casaco de couro, tweetando do seu celular e olhando a sua volta a todo momento?
Responder
9 de agosto de 2010 às 14h00
Era eu mesmo, e na real foram 2 tweets, demoro pra digitar like hell.
Responder
9 de agosto de 2010 às 15h00
haha, so checando. E que infernal aquela traducao simultanea no volume maximo!
Responder
9 de agosto de 2010 às 23h55
A Excelsior faliu em 1970. Para um programa ambientado no “início dos anos 70″, a Tupi seria uma opção mais realista.
Responder
9 de agosto de 2010 às 23h58
Sua queixa será encaminhada ao departamento de pesquisa ;)
Responder