Categoria: Cinema


terça-feira, 23 de fevereiro, 2010

99 problems

Mundinho!

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quinta-feira, 21 de janeiro, 2010

Compensação

Aquela coisa, não é? Mundinho.

Postado por Arnaldo Branco às 16:16 | 1 Comentário | Permalink

segunda-feira, 21 de dezembro, 2009

Choice of words

Mundinho Animal.

Postado por Arnaldo Branco às 20:22 | 1 Comentário | Permalink

terça-feira, 15 de dezembro, 2009

Carreira promissora

Mundinho, oras.

Postado por Arnaldo Branco às 15:31 | 2 Comentários | Permalink

terça-feira, 24 de novembro, 2009

Alienação

Mundinho da semana.

Postado por Arnaldo Branco às 6:51 | 7 Comentários | Permalink

quarta-feira, 18 de novembro, 2009

Despistando

Postado por Arnaldo Branco às 11:22 | 8 Comentários | Permalink

segunda-feira, 9 de novembro, 2009

Gênio maluco

Minha coluna Mal Necessário da semana: É sobre a Rússia.

Postado por Arnaldo Branco às 10:50 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 28 de outubro, 2009

“Em caso de guerra, eu sou refém”

Fiz este desenho:

Para esta mostra imperdível:

Postado por Arnaldo Branco às 9:09 | 2 Comentários | Permalink

quarta-feira, 21 de outubro, 2009

Piada com spoiler

Não clique aqui se você ainda não viu o último filme do Tarantino.

Postado por Arnaldo Branco às 13:30 | 2 Comentários | Permalink

terça-feira, 20 de outubro, 2009

“This might be my masterpiece”

Minha coluna Mal Necessário na Zé Pereira: O A e o Z.

Postado por Arnaldo Branco às 14:20 | 2 Comentários | Permalink

sexta-feira, 16 de outubro, 2009

Por onde andei

Estive atarefado essas duas últimas semanas, e abandonei um pouco o blog. Mas foi por uma boa causa: para nunca mais abandonar o blog. Just watch me now. Desculpem pelo post com todas essa tralha - também prometo que é o último.

Colaboração com o Movimento Seinfeld, um site sobre  nada: aqui falo do episódio The good samaritan.

Os Mundinhos das duas últimas semanas.

Os Seja na Terra das duas últimas semanas.

A coluna Mal Necessário para a Zé Pereira: Indignação pautada.

Postado por Arnaldo Branco às 8:37 | 4 Comentários | Permalink

quarta-feira, 7 de outubro, 2009

Promovendo

Opa: tem essa promoção da Olympikus para dar uma força para talentos do audiovisual, esse meio tão carente de novos valores. Funciona assim: você bola um vídeo de um a cinco minutos com o tema “Inspire-se” (sobre esporte, mas o mote é bastante elástico na minha opinião) e inscreve o tal no hotsite da campanha até o dia 31 deste mês - link direto pro regulamento aqui. O prêmio: um ano bancado pela Olympikus (transporte, hospedagem, the works) em dez festivais de cinema e vídeo para exibir toda sua proficiência como cineasta. Também rola uma preza do pessoal do Curta o curta.

Além disso, depois de inscrever a bagaça no hotsite, você pode voltar no Mau Humor e botar o link pro vídeo para minha avaliação e de minha senhora - ambos com soberana palavra de lei. Os dois que nós escolhermos (um pra cada blog) vai levar um kit de produtos da Olympikus.

Mostra aí o que você tem, fera.

Postado por Arnaldo Branco às 21:18 | 13 Comentários | Permalink

quinta-feira, 1 de outubro, 2009

Enculers du cinema

Já está rolando a cobertura do Festival do Rio 2009 na Zé Pereira. Aqui o meu arrazoado sobre o remake involuntário de Werner Herzog para Bad Lieutenant, de Abel Ferrara.

Postado por Arnaldo Branco às 1:25 | 1 Comentário | Permalink

quarta-feira, 26 de agosto, 2009

Vai clicando

Mundinho Animal,

Seja na terra, seja no mar,

e minha coluna Mal Necessário para a Zé Pereira: Chega de perdão.

Postado por Arnaldo Branco às 11:06 | 6 Comentários | Permalink

sexta-feira, 24 de julho, 2009

Mega teaser multiplus

Já falei desse roteiro de curta metragem (que pretende dar origem à série) que o Dahmer bolou e eu desenvolvi; é uma paródia de novela que está pronta há uns três anos e sempre rodou nesses editais de incentivo à cultura - muito justo, porque é um puta desestímulo à mesma. Mas agora deve sair, na munheca e em animação (elenco mais barato). A apresentação dos personagens e o trecho incial.

MAR DE PAIXÃO

Uma novela de Arnaldo Branco e André Dahmer

Personagens:

Clara Sabatini Viegas – Rica viúva e herdeira de 8.000 poços de petróleo, a boazinha e piedosa dona da Petrolífera Natureza está sempre preocupada com os pobres, mas sofre confusos sentimentos de piedade e culpa oriundos de sua enorme riqueza. Manipulada em sua empresa pelo inescrupuloso diretor Carlos Renato Godoy e em sua família pela alienada filha Maria Eduarda, que ambiciona ficar com sua fortuna. Ainda é mãe da dócil Lelê, a filha adotiva “especial”.

Lelê – Com sérios problemas de fala, usa aparelho odontológico “freio de cavalo” e um de surdez, além de um colete cervical e óculos de grossas lentes. Está entrevada numa cadeira de rodas desde o nascimento, fruto de uma grave doença degenerativa. Tem quinze anos e só enxerga o lado bom da vida. No encosto de sua cadeira de rodas estará escrito “COTA”. Em suas cenas, Lelê aparece em campanhas politicamente corretas e vai trazer todo o tipo de minorias para a novela, como por exemplo, o homossexual negro e judeu Afonso, que salvou a vida de Lelê quando ela era uma criança.

Maria Eduarda Sabatini Viegas – A bela e rica filha de Clara Sabatini Viegas sempre teve tudo do bom e do melhor na vida, mas é atormentada por um trauma que marcou sua infância: foi ao primeiro dia de aula na Escola Americana com meias brancas, quando a norma é o uso de meias azuis em dias de chuva. Faz par romântico com o belo, pobre e limitado Ernesto Fidel Bastos, um modelo fracassado que empresta sua imagem em bailes de formatura no subúrbio e festas de 15 anos.

Giancarlo Bastos – Professor de sociologia do estado, ainda acredita no socialismo como solução para a humanidade. Tem barba grande, boné, casaquinho de Ziraldo e broche socialista na lapela. Alcoólatra, sofre com o comportamento hedonista e egoísta de seu filho Ernesto. Quando bebe, desabafa com o amigo Jurumá, um índio que usa short Adidas e que tem em suas costas a inscrição “COTA”.

Ernesto Fidel Bastos – Filho de Giancarlo Bastos, é um narcisista por natureza. Odeia livros e discussões políticas. Ernesto será interpretado por um ator de 20 anos que nada entenda de interpretação, mas seja extremamente bonito de rosto e corpo. A idéia é botar na trama alguém realmente ruim para este papel, sempre em cenas na praia, banho, ou academia, quando pode exibir seus dotes físicos. As cenas em que ele aparece são sempre precedidas de duas ou três cenas de tentativas de gravação da própria cena, em que ele erra o diálogo ou faz sua interpretação de maneira muito ruim. Quando chora ou ri é sempre de maneira caricata e a idéia é o público perceber claramente que um péssimo porém belo ator foi escalado para a novela.

Arlete, a Bá – Negra e obesa, tem nas costas de seu uniforme uma inscrição em que se lê “COTA”. É má e chantagista. Rouba periodicamente objetos da mansão de Clara Sabatini, onde trabalha como doméstica. Ajuda Maria Eduarda nos planos de ficar com a fortuna de Clara Sabatini e tenta destruir a saúde da já fragilizada Lelê. Será demonizada durante toda a trama, em contraste com sua patroa, a rica, branca e boa Clara Sabatini.

Carlos Renato Godoy – Diretor inescrupuloso da Petrolífera Natureza, só existe na trama para enganar a boa e ingênua Clara Sabatini e fazer todo o tipo de marketing acintoso em cena, de diferentes produtos ou um fictício. Quando está na praia, um barco passa ao fundo com uma propaganda. Quando entra em uma lanchonete, senta para comer em frente a um enorme painel de anúncio da loja e elogia a comida. Quando anda pela rua, está sempre em frente aos painéis com propaganda. Quando é filmado de baixo para cima, passa um avião com propaganda de um produto. Este personagem serve para transmitir ao espectador a idéia da propaganda “encaixada”, sempre presente em novelas da atualidade. O ideal seria que fossem fechados contratos com produtos reais, se possível. Mas pode ser o tempo inteiro um produto fictício, o concorrente da empresa, de nome Petrolífera Amigos da Ecologia.

ROTEIRO

[Imagem do Taj Mahal. É a casa de Clara Sabatini Viegas, onde moram também sua filha Maria Eduarda e a filha adotiva Lelê, além de Arlete, a Bá, empregada.
Close de colher entrando repetidas vezes na boca de Lelê. É Arlete, a Bá, quem está lhe dando comida na boca com certa má vontade e impaciência. Clara Sabatini Viegas desce sua imensa escadaria de mármore branco e está um tanto aflita.]

Clara Sabatini – Bá, você sabe da Maria Eduarda?

[Bá para de dar cominda a Lelê e antes que responda, Maria Eduarda aparece, de biquíni com os peitos explodindo e uma canga.]

Clara Sabatini – Já de pé, Maria Eduarda? Achei que você tinha ido ontem na rave.

Maria Eduarda - Acabei de voltar, só vim aqui trocar…

Clara Sabatini - De roupa?

Maria Eduarda - Não, ainda estou com a roupa que usei ontem. Vim trocar de carro.

Clara Sabatini - O Lamborghini está lavando, lindinha.

Maria Eduarda - Ia mesmo usar o Porsche, o Ernesto é simples, não repara nessas coisas. (pausa) O que é muito irritante.

Clara Sabatini - Vai a praia com o Ernesto? Ah, que bom. Gosto muito dele, ele é… (como se procurasse a palavra) pobre.

Maria Eduarda - Whatever, mami. (sai)

[Clara Sabatini suspira vendo a filha sair. Depois se vira para Lelê, a filha adotiva entrevada.]

Clara Sabatini – Lelê, estou de saída. Volto para o jantar e Arlete vai ficar cuidando de você. Então, faça tudo que a Bá mandar.

Lelê – Tudo que a Bá mandar. (Balbucia palavras, incapaz de falar de maneira clara e compreensiva).

Clara Sabatini – Bá, você viu um perfume num vidro azul no meu closet? Não acho ele de jeito algum…

Arlete, a Bá – Vi não, dona Clara. Mas vou dar uma procurada para a senhora.

[Bá passa a mão no rosto da patroa e olha com um leve e terno sorriso bem nos olhos dela. Por segundos, Clara Sabatini fica hipnotizada e ouve uma voz em off da Arlete, a Bá:
- A Arlete é fiel! A Arlete vai achar o perfume!]

Clara Sabatini – Está bem, Bá. Estou atrasada… Lelê, um beijinho. (Beija Lelê e sai da sala e de cena, batendo a porta. Entra uma cena de filme de ficção científica, uma nave deixando uma plataforma espacial).

Arlete, a Bá – (segura Lelê com força pelo queixo, toca uma música de vilão) Está vendo, aberração? Tudo que eu mandar você vai fazer. Segura a onda aí. (coloca a colher suja na cabeça de Lelê e corre para o quarto dos empregados).

[Lelê fica na sala e sorri com a colher na boca, pois é incapaz de entender ou escutar a maioria das coisas, muito menos remover a colher da própria cabeça. Fecha os olhos e uma chuva de imagens bonitas correm em sua cabeça: velhinhos se abraçando, casais correndo na praia, crianças brincando, golfinhos saltando...

Arlete chega ao quarto, em que se lê "criadagem", local que se assemelha a um estábulo, em contraste com o resto da rica mansão. Muito feno no chão. Nas costas de Arlete agora se lê claramente a inscrição "cotas" impresso no uniforme. Em uma bolsa de supermercado, pega o vidro de perfume que estava desaparecido. Rouba um pouco para outro pote e batiza o resto com água. Quando volta para sala e começa a preparar uma dose no bar, Lelê derruba a colher que estava em sua cabeça no chão.

AQUI ENTRA A ABERTURA DA NOVELA, UMA ANIMAÇÃO 3D BEM CAFONA, MEXICANA, NÍVEL GLOBO ANOS 80.

Carlos Renato Godoy está dirigindo. De repente o sinal fica vermelho. Ele para, pega o celular no banco do carona. Close na mão que segura o celular, ênfase na marca.]

Carlos Renato Godoy - Leveza e praticidade.

[Ele disca um número. Enquanto fala ao telefone, vemos pela janela uma dessas garotas que entregam propaganda de empreendimentos imobiliários segurando um dos panfletos e, bem evidente, a marca da construtora. Depois vemos Carlos Renato Godoy de costas e pelo pára-brisa dianteiro vemos um avião puxando uma faixa com anúncio de banco.]

Carlos Renato Godoy - Alô, Aparício? Peguei um sinal fechado. Ligue para o diretor do Detran e diga que tomei como ofensa pessoal.

Postado por Arnaldo Branco às 11:05 | 28 Comentários | Permalink

quarta-feira, 22 de julho, 2009

I <3 RIO

A Zero Hora e O Globo brincaram de imaginar roteiros de cinema para o Woody Allen filmar no Brasil. O Mini fez o dele também, e agora que confirmaram a visita do velho ao Rio, entro na roda.

Um cineasta/humorista americano que já viu melhores dias aceita dinheiro para fazer um filme numa cidade tropical que idem ibidem. Lá enfrenta um périplo de programas de TV e entrevistas para cadernos de cultura em que lhe perguntam o que acha da música e cinema locais, totais desconhecidos para ele. Cita en passant alguns baluartes dessa cultura exótica sobre os quais leu por acaso no New York Times, e com isso satisfaz a sanha dos repórteres.

É apresentado a comediantes nativos, que praticam um tipo de humor rasteiro que já criticou em seus filmes, mas ninguém parece se dar conta. Sofre com o clima, com a bajulação ritual e com a obrigação de usar atores residentes que mexem demais com as mãos e quase nada com o rosto.

Acaba fazendo um filme com o mesmo tipo de personagem que usou nos outros, onde a cidade faz figuração e não tem a menor função na trama, embora seja interpretado como um hino de louvor ao lugar - pela imprensa do lugar. Final feliz: ele volta para sua amada Nova York, onde seus filmes são ignorados, mas onde pelo menos sabe responder sobre a cultura local.

Postado por Arnaldo Branco às 11:45 | 18 Comentários | Permalink

terça-feira, 21 de julho, 2009

Know how

Mundinho Animal, vai lá.

Postado por Arnaldo Branco às 7:56 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 2 de junho, 2009

Plotting against

Quatro roteiros possíveis (I mean it, registrados na Biblioteca Nacional e tudo) para blockbusters de Hollywood - e da Projaquelândia mesmo. Enjoy.

- Guerra nas estrelas contra Chantagem Atômica

Um filme sobre a Guerra nas Estrelas, não aquela famosa franquia com ursos de pelúcia espaciais e terapia familiar, mas uma comédia sobre projeto militar dos EUA durante a corrida armamentista nos anos 80, e que muitos consideram o melhor blefe jamais orquestrado por uma grande potência, uma tacada de mestre que ajudou a quebrar a economia soviética. Uma espécie de Dr. Fantástico encontra Jogos de Guerra. Imagine Clint Eastwood como Ronald Reagan e Philip Seymour Hoffman (+ efeitos especiais e maquiagem) de Brejnev, Andropov, Chernenko e Gorbachov.

- There are places I remember

Um estudante de ciências de uma pequena cidade do Leste Europeu é obcecado por Beatles e inventa uma máquina do tempo para transportar sua bandinha de covers no tempo para 1960, antes dos quatro rapazes de Liverpool estourarem, para ganhar o crédito pela autoria das músicas, e em consequência, o sucesso mundial e o lugar na História. Problema: a banda se materializa exatamente na mesma cidadezinha distante, e com os recursos da época - é um longo caminho para o topo se você quer viver do rock’n'roll, principalmente para uma banda do Leste Europeu sem myspace. E enquanto isso, em Liverpool…

- Garbagemen

No futuro, uma epidemia vai contaminar toda a humanidade, matando bilhões - só alguns bilionários sobreviverão em bunkers. Quando voltarem, vão descobrir que os lixeiros, com sua famosa resistência a todo tipo de bactéria e substância tóxica, passaram incólumes pelo período de disseminação da doença. Agora eles é quem mandam, e lembram muito bem do tempo em que serviam os ricos sem ouvir um obrigado. Uma distopia em que você vai torcer para os opressores.

- Not Another Favela Movie

Uma comédia sobre o tráfico na linha de Todo Mundo em Pânico e semelhantes, com paródias de todos os traficantes e policiais que já apareceram na tela nas produções crimexploitation que caracterizam o que os jornais chamam, como se fosse um movimento vanguardista, de Retomada. Claro que vai ter a mesma tonelada de sangue, funk carioca e elenco desconhecido e barato descolado nos grupos de teatro da comunidade mesmo. Atividade!

Postado por Arnaldo Branco às 11:02 | 9 Comentários | Permalink

quinta-feira, 21 de maio, 2009

“I think I can just slip away”

Clique na imagem para assistir, não rola a opção de <embed>.

Esses dois textos abaixo são do LUIS FERNANDO VERISSIMO, em caps para evitar as confusões de sempre acerca da autoria, de 1999, na semana seguinte à entrega de um prêmio honorário da Academia para o diretor Elia Kazan. Acho que servem para comentar a polêmica dos comentários no texto abaixo porque de certa forma trata de um caso oposto ao do Simonal - Kazan foi mesmo um delator (no Comitê para Atividades Antiamericanas que perseguiu os simpatizantes comunistas de Hollywood nos anos 50) e quem não quer anistiá-lo, mesmo anos depois de sua morte, é a esquerda americana. Não consigo ver Nick Nolte, Ed Harris e outros que cruzam os braços em protesto no vídeo acima sem uma certa antipatia, porque a indignação deles parece absolutamente artificial, e simula um envolvimento no caso que suas idades não permitem. De qualquer forma, o abraço do Scorsese tem a dimensão do reconhecimento dos gênios.

POMBAS E POMBAS

O Escritor Bud Schulberg, que também entregou gente para a Comitê de Atividades Antiamericanas, e o diretor Elia Kazan fizeram a apologia da delação no filme Sindicato de ladrões. Marlon Brando denunciava a corrupção no sindicato de estivadores para investigadores do governo e também era incompreendido. Era chamado de stool pidgeon, a pomba isca que atrai as outras para a armadilha. Alguém disposto a protestar com alguma criatividade pelo Oscar especial que deram ao Kazan no domingo poderia ter atirado uma pomba morta aos seus pés, como fizeram com Brando no filme.

A analogia de Schulberg e Kazan não funciona - afinal, as pessoas que eles delataram, e que não puderam mais trabalhar no cinema, não eram criminosos - mas Sindicato de ladrões é um grande filme. Até que ponto a mensagem e o mensageiro podem ser julgados separadamente? T.S. Eliot era um carolão anti-semita que fez a poesia essencial do século. Ezra Pound era fascista. Louis-Ferdinand Céline, do Viagem ao fim da noite, era fascista. Jean Genet era um marginal. Heidegger foi um entusiasta do Führer. Hemingway, dizem, era dado a maldades, e não só contra bichos.

Norman Mailer esfaqueou a mulher. Hoje, felizmente, interessa menos o que o Nelson Rodrigues escreveu sobre a ditadura militar do que sua genialidade escrevendo sobre qualquer coisa. Você não precisava concordar com, por exemplo, o Gustavo Corção, ou com o Merquior, para apreciar seu texto - como não precisava concordar com o Roberto Campos para admirar o dele. Tese: a direita sempre escreveu melhor, no Brasil. Talvez porque sempre pôde escrever sobre o que quis e teve mais prática. Hoje quem decide o que vai ler na imprensa dependendo da maior ou menor simpatia do autor com o Éfe Agá pode estar se privando de alguns grandes textos. Na minha opinião, não se mata o portador da má notícia nem em pensamento.

POMBAS E POMBAS (2)

Lillian Hellman escreveu um livro sobre a caça às bruxas vermelhas de Hollywood pelo Comitê de Atividades Antiamericana do Congresso Americano que acabou com a vida profissional (e em alguns casos com a vida mesmo) de delatados e sujou a biografia de delatores, como o diretor Elia Kazan, que ganhou um Oscar honorário neste domingo. O título do livro de Hellman é Scoundrel Time, ou Tempo de patifes. Um dedo-duro, nos Estados Unidos, é uma stool pidgeon, aquela pomba que serve de isca e atrai as outras para a armadilha. No filme que Kazan fez para justificar a sua delação, Sindicato de ladrões, Marlon Brando cria pombos. Depois que ele entrega os diretores corruptos do sindicato para investigadores federais, encontra todos os seus pombos mortos e é chamado de stool pidgeon. O que ele fez, segundo os autores do filme, foi livrar o sindicato dos bandidos para benefício da maioria. No fim, Kazan e o roteirista Bud Schulberg, que também foi pomba, até transformam Brando numa espécie de Cristo, sobrevivendo ao martírio de uma surra para liderar os estivadores liberados de volta ao trabalho.

Infelizmente, Kazan e Schulberg foram pombas do primeiro tipo, sem fatore atenuantes. Deram nomes de colegas e de ex-companheiros políticos só para expiarem sua culpa por um dia terem tido idéias erradas e para continuarem a trabalhar no cinema. Lillian Helman disse ao Comitê que responderia todas as perguntas sobre suas atividades e convicções, mas se recusava a informar sobre a dos outros. Os críticos de Hellman disseram que seu livro mostrava pouca compaixão com as vítimas do clima daquela época, que incluíam os delatores, e que ela mesmo foi prudente ao depor, pois sabia que arriscava, no máximo, ao ostracismo, mas ganharia uma estrutura moral rentável a longo prazo. Como aconteceu. Mas Hellman tinha todo o direito de lembrar que, na hora em que não faltavam desculpas para isto, ela não esteve entre os patifes. Elia Kazan não pensou a longo prazo.

Mas Sindicato de ladrões é um grande filme, e nem é o melhor filme dele.

(Em tempo. O senador Joseph McCarthy deu nome à histeria anticomunista da era, mas não fazia parte do comitê na ocasião da investigação de Hollywood. Veio depois. Quem fazia parte era Richard Nixon. Outro patife.)

Postado por Arnaldo Branco às 14:48 | 16 Comentários | Permalink

terça-feira, 19 de maio, 2009

Mazelas

Minha coluna para a Zé Pereira: Rota de fuga cheia de encantos mil.

Mundinho Animal, vai conferir.

Postado por Arnaldo Branco às 9:09 | 6 Comentários | Permalink

terça-feira, 12 de maio, 2009

Fim de papo

Mundinho, hoje com um teste de memória.

Postado por Arnaldo Branco às 11:00 | 26 Comentários | Permalink

terça-feira, 7 de abril, 2009

Dia do jornalista

Earl Williams: You don’t have to answer this, Mollie, but is it true what they said in the papers?
Mollie Malloy: Is what true?
Earl Williams: That you were going to marry me on the gallows.
Mollie Malloy: Well, if it’s in the papers, it must be true. They wouldn’t print a lie.

Em homenagem à data, e porque também estou revendo comédias para fazer um trabalho (mais sobre isso outro dia), um pequeno post em homenagem a “The front page”, peça de Ben Hetch e Charles MacArthur que teve várias versões filmadas em Hollywood - a melhor delas com Adolphe Menjou em 1931; e a de maior bilheteria, com Cary Grant, o sexo de um dos personagens principais trocado e outro título (”His girl friday“, aqui “Jejum de amor”, 1940). O vídeo acima é o trailer do remake de Billy Wilder (1974) com Walter Matthau e Jack Lemmon, muito bom apesar de ter ficado mais com cara de teatro filmado.

A história é simples: na Chicago dos anos 20, um grupo de típicos jornalistas-urubus esperam na sala de imprensa da prefeitura pela execução de um simpatizante comunista acusado de matar um policial. Um dos repórteres quer se aposentar, casar e mudar para Nova York contra a vontade de seu editor, um escroque, mas uma série de acontecimentos de vaudeville que põem à prova seu apetite por manchetes adiam seus planos. E com isso se faz o retrato mais alucinado, embora fiel, da profissão mais equivocadamente romantizada do mundo. Pauline Kael dizia que o texto influenciou Orson Welles e defendeu em seu ensaio “Criando Kane” que a obra-prima de Orson era a consagração de uma tradição de comédias sobre o jornalismo (da qual “The front page” era a jóia mais preciosa), mas descarnada do humor.

E, para mim, a peça (e as versões cinematográficas) tem a melhor frase de encerramento da dramaturgia ocidental: “O filho da puta roubou meu relógio”. Vale a pena conhecer o contexto para saber porque.

Postado por Arnaldo Branco às 18:09 | 5 Comentários | Permalink

segunda-feira, 16 de março, 2009

Tributo

Mundinho da semana, vai nessa.

Postado por Arnaldo Branco às 15:31 | 14 Comentários | Permalink

terça-feira, 10 de março, 2009

Mundo Encantado

Mundinho Animal, clique.

Postado por Arnaldo Branco às 8:30 | 5 Comentários | Permalink

segunda-feira, 16 de fevereiro, 2009

Seek and destroy

Mundinho Animal, chequem aí.

Postado por Arnaldo Branco às 18:27 | 12 Comentários | Permalink







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