OEsquema

Arquivo: Entrevista

Esqueci de linkar aqui

1) Entrevista sobre humor para a revista Continente

2) Para o G1: os Transformers brasileiros

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Prosa

A Pira > Sei que voce é um defensor do humor de texto, das boas tiradas, do diálogo ácido, e etc. Sei até de relatos de que voce é fã de Gilmore Girls. Já eu acho que aquele tradicional close no rosto do Lucio Mauro vale por 50 tiradas do Woody Allen. É o fim do humor da careta? Existe uma hierarquia no humor?

Arnaldo Branco > Não sou defensor ferrenho, só que ainda estamos na pré-história de humor de texto aqui. Queria muito que primeiro fabricássemos nosso Groucho Marx para depois negá-lo, gostaria de viver em um país em que o trash fosse apenas mais um dos subgêneros, ao invés de ser a única opção. E ademais, quem é o novo Lucio Mauro, o novo Costinha?

O Gas me deu uma prensa no blog dele, A Pira.

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Arnaldo’s tumblr

A Ideafixa fez uma entrevista comigo, a regra era responder só com imagens achadas na internet. Curti bastante.

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Violência!

Matéria que saiu na Rolling Stone de dezembro de 2008, acho…

Coração Selvagem

Infelizmente Jaime Gil da Costa, o Gil Brother, não tem GPS. “O cara grava aqui em São Paulo, volta para Petrópolis e sempre perde o celular. Sinto muito, não tenho como dar o contato dele” diz por telefone Fausto Fanti, titular absoluto do humorístico da MTV “Hermes e Renato” sobre seu contratado mais exótico. Resta pegar o ônibus rumo à cidade serrana do Rio de Janeiro, terra da Família Real e de Santos Dumont, e tentar a sorte.

Gil é um case de sucesso bizarro – e relativo: não é tão fácil quanto se imagina achar o ex-lavador de carros que virou comediante na pequena Petrópolis. Nenhum taxista na rodoviária sabe do que se trata (“Herpes e Renato”?), e quem consegue o endereço da figura (em Espártaco Banal, fora dos limites da cidade) é um rapaz no Centro de Informações Turísticas – só porque sua tia é vizinha.

Quando finalmente encontro o Brother em sua modestíssima casa (três cômodos, nenhum móvel intacto), ele explica: “Porra! Poucos me conhecem aqui porque negozinho tem que pagar duzentos conto pra ter MTV. Aqui é tudo assalariado, mas se você pergunta do Gil Brother pros bacanas eles sabem tudo”. E o que há pra saber sobre o Brother? Ele foi descoberto pelos caras do “Hermes e Renato” lavando carros e imitando James Brown – é egresso do movimento Black Rio nos anos 70, um excelente dançarino – e aproveitado no esquete “Mataram meu passarinho”, onde lançou o bordão “Away!” que lhe valeu o segundo nome artístico: Away (escreve “Auê” nos autógrafos) de Petrópolis. O ano, 2003.

A partir daí, mais bordões viriam: “tua cara tá derretendo”, “seu pinto tá um cotoco”, “vou rasgar a sua boca”, todos consagrados no quadro “Drops Away News”, em que comentava tópicos como o uso de anabolizantes e pedofilia, sempre com uma faca na mão, prometendo vingar as mazelas da sociedade. Hit instantâneo, campeão de buscas na internet, Away se gaba: “Porra, eu não posso nem andar a pé em São Paulo, morou? É igual ao Michael (Jackson, presumido), uma correria do caralho, dou autógrafo, tiro foto, o personagem está bombando!”

Que personagem? Fica evidente que o maior trabalho da direção do programa com o Away é ligar a câmera. Aos 51 anos, fala e se comporta como o doidão da tela, com a desvantagem, para o repórter, da chuva de perdigotos na experiência ao vivo: “Eu que escrevo os roteiros, eu atôo (sic), eu apresento! O artista aqui é bom!”. Gil fica satisfeitíssimo com a entrevista para a Rolling Stone: “É um passo para a fama internacional (gargalhada sinistra)!” e prova adorar o reconhecimento – apesar de ter sido surpreendido pela chegada sem aviso da reportagem, tira do bolso (!) uma edição já amarelada do Jornal do Brasil com um artigo sobre seu sucesso.

E esse sucesso dá dinheiro? “As pessoas que tão fora acham que é mar de rosa, só na festividade, comendo as mulher por hora, gramour (sic)… mas você sabe que artista não ganha muito”, manda o Brother, que investe seu dinheiro na casa – nenhuma evidência aparente – e guarda algum “na caixinha lá”. Tem uma grande bronca da concorrência, a quem acusa de imitar seu novo programa na MTV, “A cozinha do Away”, onde ensina a fazer pratos como o Docinho de Talco e o Estrombelete de Cabeça de Sardinha. “Outro dia na Bandeirantes tinha uma mulher fazendo igualzinho! Faz a tua idéia, morou?!”. Gil acha que se outros programas humorísticos – citou nominalmente Casseta & Planeta – passassem no horário da “Cozinha”, iam levar um traço de audiência na testa.

O que o Away acha de ser colega de profissão do Chico Anysio? “Eu estive batendo um papo com o empresário dele quando o Chico veio fazer um show em Petrópolis e o cara queria puxar assuntozinho de eu ir pra Globo”. O Brother se exalta como se estivesse no esquete em que diz que vai dar soco no coração dos pedófilos: “Maluco, só se a Globo me pagar caro, morou? Pra ficar nisso mesmo eu fico lá onde eu estou. A Globo é uma parada de peidão! Televisão de velho, porra, como é que pode a gente já no ano 3000 e eles fazendo uma televisão dos anos sessenta? A juventude quer ação! O jovem quer pular, o jovem quer ver porrada, o jovem não quer amorzinho, o jovem quer violência!”

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“‘A Banda’ é insuportável!’ – Jaguar

http://www.osomdopasquim.com.br/

O Mini propôs meu nome para escrever sobre um livro, em uma ação de marketing misturada com meme, e indicou “O Som do Pasquim”, que já saiu tem um tempinho. Sei que vou levar chamada de uns e outros que não curtem esse tipo de ingerência neste espaço, mas bicho, é livro. Livro é que nem pizza, quando é ruim é bom – no mínimo vai te ajudar a fixar pontos de ortografia, se o escritor mandar mal mas o revisor for craque. Portanto, eis minhas impressões sobre esse relançamento (a primeira edição é dos anos 70, da editora do próprio Pasquim, a Codecri – Comitê de Defesa do Crioléu).

O tempo da indelicadeza

Nos anos 60 e 70 a cana era dura, mas temos a impressão que a vida era  mais leve. Hoje se pode falar de tudo mais abertamente – e o pessoal do funk proibidão (maneira de dizer) aproveitou a deixa – mas naquele tempo o compositor popular tinha que se virar com uma sutileza compulsória que deixava o cidadão bolado: aquela letra elíptica seria uma crítica social ou alusão ao ato sexual? Os decodificadores do duplo sentido devem ter ficado maluquinhos com a entrada em cena do Djavan – menos mal que hoje em dia estamos ligados que ele não queria dizer porra nenhuma mesmo.

Mas na hora das entrevistas, que diferença. Se agora todo mundo é amiguinho e cada uma das aspas arrancadas de um artista contemporâneo equivale a um ritual de beija-mão, naquele tempo, mermão, o couro comia. Depois de ler “O Som do Pasquim”, coletânea de conversas entre os jornalistas daquele hebdomadário e uma carrada de músicos de várias procedências, você vai entender o uso da expressão Anos de Chumbo.

Não se pode dizer aquela frase clássica sobre o remake de “O Som do Pasquim”, que esta é uma edição revista e ampliada – antes é uma edição revista e reduzida: limaram as entrevistas da Maria Bethânia, Ângela Maria e Roberto Carlos. Elas e ele não quiseram assumir o que disseram sob efeito do álcool (passivo que seja, o povo do Pasquim bebia paca) e da inconsequência da juventude – quer dizer, a Ângela Maria (1928) não tinha essa desculpa. A proibição do Roberto só faz sentido por conta de sua personalidade paranóide, porque sua entrevista é a mais inócua da edição original, mas Bethânia sabe onde está pisando: gasta quase duas páginas da sua descrevendo um briga (física inclusive) com o empresário Guilherme Araújo.

Mesmo assim a nova edição é um festival de, como dizia Nelson Rodrigues, rútilas patadas. Waldick Soriano: “Não gosto da música do Gil, nem do Caetano, nem da Gal, nem da Bethânia, nem de ninguém”. Moreira da Silva: “Paulinho da Viola é sofrível e Caetano é uma porcaria, um chato”. Agnaldo Timóteo foi (paradoxo) macho de deixar a entrevista como a concedeu, mas pela lista de pessoas para quem escreveu uma nota se desculpando, dá pra ter idéia de quantas ofendeu: Caetano Veloso, Maria Alcina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim – curiosamente, não pediu desculpas a João Gilberto, de quem também falou mal.

Mas também se falou bem, duplo sentido aqui: o Ivan Lessa chega a citar o poema Kubla Khan, de Coleridge, para comentar uma resposta do Chico Buarque. Muito bom ver o Lupicínio Rodrigues se declarando não artista, mas boêmio – e reclamar, para acabar com a dúvida dos entrevistadores relapsos, que era sim o autor de “Felicidade” e que escrevera o hino do Grêmio, não o do Internacional. E Tom Jobim, respondendo porque voltou para o Brasil depois de sua temporada americana: “Voltei para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% dos brasileiros que pagam imposto de renda. Voltei porque nunca saí daqui”.

A teoria do homem cordial de Sérgio Buarque de Hollanda, pai do entrevistado Chico, não ganha exatamente uma base de sustentação com esse livro. Mas o leitor ganha muito.

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“O jovem não quer amorzinho, o jovem quer violência!”

Enquanto transcrevo o áudio de entrevista com Gil Brother, o Away de Petrópolis, dois toques:

1) No ar a coluna desta semana na Zé Pereira: Ridendo Castigat Mores?

2) Mais tiras do Sr. Gambá & Sr. Peixe e mais um porrilhão de textos no blog O de sempre nunca, um oferecimento Bavária Premium.

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O Mito de Fausto

Update: o Portal Literal publicou nossa entrevista com o Fausto.

Minha história favorita do Fausto Wolff era a o do marinheiro sueco que ele derrubou em um demorado duelo de birita, para depois virar para a platéia: “agora vamos beber socialmente”.

Lembro de quando li uma coluna do Verissimo – há quase (ou mais de?) duas décadas – sobre um encontro particularmente festivo de cartunistas e escritores em um bar na Cobal do Leblon. Nem guardei lembrança se o FW estava presente (tinha Millôr, Jaguar, acho que Rubem Braga), mas recordo o que pensei: “azar da grana, minha ambição profissional é poder sentar nessa mesa”. Nunca obtive o gabarito, e mesmo que me deixassem puxar uma cadeira por caridade, a reunião hoje estaria desfalcada, por morte ou desavença. Ficou a idéia dessa mesa ideal (a minha nem teria exatamente a escalação do Verissimo) em que não saberia que conversa paralela acompanhar, por total admiração. Mas eventualmente consegui ter alguma idéia de como seria beber com o panteão. Com o Fausto foi uma delas.

Encontrei o velho algumas vezes com o Allan e o Leo, geralmente em missão de entregar a revista F. da vez – virou uma espécie de ritual a cada edição. Além da chinfra de beber com o Pelé do uísque, ouvíamos idéias sensacionais, como a do programa de televisão com o Fausto de âncora, envolvendo verdades indizíveis e uma garrafa de scotch cenográfica com um rótulo enorme escrito “chá”. Até que finalmente fomos entrevistá-lo, levando o Dahmer e o João para filmar.

Fiquei com o trabalho de corno de transcrever as fitas, e é lindo ver no fast foward a imagem de três garrafas de uísque sendo consumidas em três horas de conversa – com cada vez menos gelo, porque o congelador não deu conta do ritmo. Lembro do Dahmer impressionado com o tamanho das mãos do gigante (1,92 m, parecendo mais por causa da largura) e mesmo assim arriscando provocar a homofobia gaúcha dele: “por que você nunca deu o cu, Fausto?” – maior silêncio significativo que já testemunhei, temi mesmo pelo nariz do meu amigo. Lembro do nosso entrevistado repetir várias vezes “não vou pedir pra ler essa entrevista!”, uma das várias mentiras sensacionais (comeu a Brigitte Bardot e a Dóris Giesse etc) que nos contou: pediu pra ler sim, e reescreveu tudo, mudando inclusive as falas dos entrevistadores para levantar a bola para suas novas respostas, fazendo o Allan abrir perguntas com coisas como “segundo estatísticas do IBGE, o Brasil é um país que…”. Impensável.

É claro que não aceitamos a nova versão, e publicamos uma edição bastante reduzida da nossa conversa – por questões de espaço e, em alguns casos, temor de processo. Ficamos na expectativa, achando que termos desrespeitado sua vontade poderia provocar a ira do Lobo, mas depois de alguns meses relaxamos, já que não soubemos de nenhuma reação adversa. Até que recebemos um telefonema quando estávamos indo para sua festa de aniversário: era melhor não comparecer, porque o Fausto finalmente tinha decidido ler a bruta – de uma maneira bem dele, em forma de discurso para os convidados – e queria nos matar.

Depois que começou a ouvir elogios pela entrevista corajosa, perdoou os moleques. Era assim: tinha rompantes de raiva e ternura, queria o crédito por tudo, era mitômano e ególatra e principalmente genial. Quem conhece a obra sabe que ela reflete o autor.

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You can talk the talk, but can you walk the walk?

Entrevista para a revista Wave.

No “Mundinho Animal”, do G1, que eu acho fantástico, sua proposta é tirar sarro da nossa classe artística. O mais interessante é que você expõe geralmente o ridículo do artista anônimo, daqueles que procuram um lugar ao sol. O que você acha que acontece com o país? Os novatos são patéticos realmente ou não existem condições de se criar arte decentemente no país?

Na verdade, falo de todo tipo de artista, os em ascensão, os em queda, os do panteão e os ancorados ao solo, que nunca irão a lugar nenhum. Talvez a confusão seja porque não nomeie os consagrados diretamente. Não acho que aqueles que estão buscando lugar ao sol sejam melhores ou piores por definição, só acho que o talento nunca é pré-requisito para o reconhecimento aqui no Brasil – e o encontro dele com o sucesso é um evento bissexto. Que não há condições, isso é óbvio. Nosso mercado editorial é ridículo, a indústria do cinema inexiste, nem vou falar de teatro, que, se não é um anacronismo, aqui é tratado como um, entretenimento para a terceira idade. Funcionando mesmo temos a TV, que nivela por baixo por uma questão de sobrevivência, isso nem é uma crítica.

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Avós da experiência

“Sou cartunista, mas do segundo Exército.”

Segunda e terceira parte do vídeo da entrevista com o Jaguar e Nani.

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Honor Thy Father

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Jaguar + Nani na última ceia do Mistura Fina. Apóstolos presentes: Allan, Leonardo e moi. Cortesia Portal Literal.

Aqui, primeira parte do vídeo.

Aqui, texto integral.

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Jornalismo embaranga

Rough cut da entrevista com o Xico Sá que sairia na F#5. Não está editada, acho que só fiz uma primeira revisão, tem os intervalos entre as trocas de fita discriminados e tal. Portanto tem quase tudo que a gente conversou. Pra ser honesto com vocês tirei um parágrafo porque não sei se o Xico queria que fosse em off e tal. Apesar do que digo lá no final do papo, acho que essa superou a do Fausto. Presentes o corpo editorial da F e a Marsílea, nossa gloriosa faz-tudo. Conversa gravada no bar Mangue Seco, com muitas cachaças e caranguejos, 10/06/2006.

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Allan – E aí Xico, fale-me sobre cactos e bananeiras.

Xico – Cara, eu demorei muito pra conhecer mulher na minha vida, é por isso que hoje eu gosto tanto assim.

Allan – Mas demorou quanto?

X- Eu fui comer… a seqüência foi: vegetais que era mais fácil, não tinha trabalho… normalmente era bananeira. Eu era um otário rural na categoria, no meu universo. Meus primos eram foda, comiam porcas por exemplo. E dizem que porca é uma das maiores fodas da história. Nego rola na lama, e o cu da porca é apertado. E eu era um otário rural da pior espécie, eu era mais magro, faltava força física pra encarar, aí eu pega seres inanimados, uma bananeira, era melhor palma – que é aquele cacto que comem em seca. Nêgo vai com uma peixeira, tira os espinhos e tem uma baba que é igual a de uma buceta mesmo, de verdade. A bananeira também tem uma parecida, mas essa palma, você tira os espinhos e vem uma baba que é melhor… supera a buceta em viscosidade. É infinitamente superior a buceta.

Marsílea – Mais saborosa?

X- É… você nunca vai ter uma decepção, por exemplo, de cheiro nem nada. É 100% garantia de um bom cheiro. Enquanto meus primos botavam pra fuder de verdade.

Leo – Mas a bananeira não dá nódoa?

X- Na roupa, na roupa sim. Se tiver com cacho pinga. Tem que preferir bananeira sem babana, sem filho pra não dar trabalho. Mas era uma merda, se pingar na roupa fudeu. E sempre pinga na roupa. Mas tem uma técnica, tem um preparo de pegar a faca e deixar vir uma resina, aí tem que esperar. Uma imagem que era foda, quando eu via meus primos, eu era menor e ainda não comia bananeira, quando eu via a porra de um bananal – qual é o coletivo de banana? Um harém?… Aí eu via de longe só uma se mexendo, não tinha vento pra nada, porque lá não tem vento nem nada, e uma se bolindo assim… Era alguém comendo, era algum primo comendo. Mas era uma imagem foda, tudo parado e de longe você via uma única bananeira se mexendo, era uma imagem linda, de cinema iraniano (risos). Dá pra fazer um filme, ” A bananeira”. Tem o mamão papaia também… isso antes de comer a bananeira… antes de virar homem… eu meio viado gostava muito da imagem do cinema iraniano…

Leo – Mas então, bananeira, cactos.. teve alguma outra etapa antes?

X- Depois veio cabra, caprino, porque eu era um otário. Os caras comiam porca, égua. E cabra é um bicho meio terno, que fica meio quieto no canto, esperando.. você passa a mão na cabeça e ela vem, não tinha muito trabalho. Eu era contra isso de sexo que tinha que suar e ter um trabalho da porra. Eu comia essas coisas que não davam muito trabalho, bananeira, cabra. Por isso que eu não comia mulher, que dava um trabalho da porra (risos). Eu fui comer uma mulher com 15, 16 anos, eu digo mulher conquistada com minhas próprias forças, porque eu comi puta depois. Foi bananeira, cabra e puta. Mulher foi quarta instância (risos).

Arnaldo – E troca-troca, rolou?

X- Claro que rolou. Tinha uma coisa escrota do troca-troca que nego fazia … o grande drama do troca-troca é quem vai comer primeiro. Claro que quem come primeiro vai embora (risos). Não tem a menor chance de não ir embora, mas rolou pra caralho. Isso era num lugar chamado Sítio das Cobras – o nome é foda, emblemático- isso é perto do Cariri, perto do lugar em que nasci. Meu registro está todo errado, está como se eu tivesse nascido no Crato em 1964, e eu nasci em 1963. E eu não nasci no Crato, nasci em Santana do Cariri, nesse Sítio. Meu pai foi me registrar com 9, 10 anos de idade. Só quando foi me botar pra escola, aí errou tudo, hora, data….. Graças a Deus eu não posso fazer mapa astral (risos), me livrei da merda que alguém pode me dizer. Mas tá tudo errado, nego não ligava…. não tinha bolsa família. Agora tem que fazer o registro no dia seguinte ao nascimento, pra pegar esmola federal.

Arnaldo – O recenseamento nem chegava lá?

X- Tinha mas não importava… meu pai mora nesse mesmo sítio até hoje, ele nem tem carteira de identidade. Fomos morar em Juazeiro, mas ele não se adaptou um segundo da vida lá. Foi com a gente pra que pudéssemos estudar, largou minha mãe sozinha… ele dizia: “eu vou pra um lugar que chega conta pra mim?”. Meu pai nunca pagou uma conta, velho.

Allan – Gênio!

X – É, mas vai dizer pra minha mãe que meu pai é gênio…. minha mãe o acha um escroto filho da puta.. são as razões dela, de mulher. Ele nos deixou em Juazeiro e eu tive que cuidar da porra toda quando completei 18 anos. Ela o acha um escroto, mas eu acho ele um gênio.

Allan – Você é o mais velho?

X- Sou. Tive que cuidar dos meninos, fui vender cereais e odiava isso. Até hoje eu odeio cereais brutos, aquelas sacas de pesar pra vender. E aquela porra de embrulhar? Eu odiava essa porra.

Marsílea – Quantos irmãos?

X – Sete. São seis e mais um menina que minha mãe criou.

Arnaldo – Se fosse mais um homem seria lobisomem, é isso?

X- É, seria….

Arnaldo – E você começou a trabalhar com jornalismo sendo consultor sentimental?

X – Comecei numa rádio de Juazeiro, chamada Rádio Vale do Cariri, que era um cara vizinho meu, um locutor, chamado Jevan Siqueira. O cara tinha um programa chamado “Temas de amor” às 22horas. Eu tinha 14/15 anos.

Leo – Mas isso foi depois da cabra, da puta? Quando foi isso?

X – Nessa época eu morava em Juazeiro, mas voltando ao sítio – que eu vou até hoje, porque rola uma afetividade foda. Isso foi antes da mulher, na puta, antes da mulher.

Leo – Quando você era conselheiro?

X – De 14 pra 15 anos eu fazia essa porra, mas eu não sabia o que era uma mulher e aconselhava homem com mulher. Apesar de nunca ter uma mulher na minha frente… Se fosse ” Conversa com as cabras” (risos) … “Temas de amor”, mas amor de quem? Homem com bananeira? Homem com cabra? Eu não tinha a menor moral, era ficção pura. Na verdade eu fiz um poema, tinha uma mulher vizinha a nossa casa na rua Santa Luzia, em Juazeiro, chamada Conceição. Eu fiz o poema e mandei pro cara da rádio. Essa mulher era daquelas balzacas de interior que não dá pro cara, segura a buceta assim, 50 anos… Era o Nonato, um cara pedreiro que queria comer ela e ela não dava nem fudendo. Eles namoraram duzentos anos, aqueles namoros de interior. E eu fiz uma croniqueta, uma crônica, sobre a história de Conceição e Nonato no sofá. Como eu era vizinho do cara, eu falava em ajuda-lo no programa. Eu era doido pra comer a filha dele, Rosângela, que era gostosa. Depois ela abriu uma boate em Juazeiro chamada “dancing days”, e a mulher dançava pra caralho e era muito gostosa. Tinha um irmão meio louco. Acho que tinha um filho dele querendo comer minha irmã. Era um incesto moral de interior. Mas essa família me interessava muito.

Arnaldo – Foi a primeira vez que você trabalhou com jornalismo então? Esse foi o link?

X – Foi, começou nessa história. Aí fui pro Recife porque nessa região do sul do Ceará, na minha geração, nego não tinha nenhuma relação com Fortaleza. Eles iam pro Recife. Era uma questão de afinidade e tinha uma coisa histórica, que em 1914 o padre Cícero brigou com o governo do Ceará e o sul do Ceará, o Cariri ficou meio uma Catalunha louca. Até hoje nego bota bandeira na porta defendendo a independência da região. Hoje nego também vai pra Fortaleza, mas tinha uma coisa…. Você pega os caras de Miguel Arraes, e todo mundo ia pra Recife e não pra Fortaleza. Juazeiro tem 70% da população não-cearense. É pernambucano, que é da minha família. Meu avó foi pra lá porque tinha uma briga em Floresta, de Novaes e de Ferraz e ele não queria que continuasse a merda com os filhos, então os levou pro Cariri.

Arnaldo – Eram duas famílias, Novaes e Ferraz?

X – É, eu sou Novaes. Meu avó levou a família para não continuar a merda. Aí teve que entrar a bosta de honra escrota de machismo ridículo, aí teve que voltar pro lugar. Deixou os filhos lá e voltou pra dizer que é homem. Essas coisas escrotas e que rolam mais ou menos até hoje. Hoje um dos meus maiores amigos é Kéops Ferraz. Nos encontramos um vez em São Paulo e comentamos que se tivéssemos lá teríamos nos matado sem saber. É meu maior amigo, só pra mostrar a imbecilidade dessa porra.

Arnaldo – E você começou num jornal de lá?

X- Não. Comecei a escrever essas porras de programa rádio…. Lá nego quer andar também, que é a melhor coisa do mundo, sair do lugar em que nasceu. Aí fiquei lá em pensão, depois fui pra casa de estudante. Melhor quando eu fui estatizado, tudo bancado pelo governo federal, virei um “Xicobrás”. Era bandejão público, tinha bolsa na faculdade. Eu tinha uns 18 canos e era do caralho porque eu era um cidadão estatizado. A gente invadia a reitoria quando a comida piorava, era uma guerra fodida e do caralho, que nego hoje deixou isso muito barato. Quando o cara é preso não cobra uma regra de civilidade? Porque também na hora de educar, né? Hoje nego mata qualquer um e quando tem ficha na polícia já é desculpa pra matar. É uma escrotidão de Estado assassino filho da puta. Eu peguei, pelo menos, um Estado bancando meus peidos, meu pão com ovo de manhã, minha escola, minha existência. Só fui pra faculdade graças a essa porra, e era o mínimo que se cobrava na época. Hoje nêgo é cuzão, basta o cara roubar um galinha que já justifica ser morto. Uma escrotidão sem limite. Então graças ao Estado eu tive esse “Xicobrás” e foi do caralho. Pude estudar e beber cachaça com os caras interessantes. Porque a faculdade era uma merda, mas o encontro foi do caralho. Era Comunicação, mas eu também quis fazer Sociologia.

Marsílea – E quem era essa galera?

X- Bom, de quem está vivo… estudei com o Fred 04, que era da mesma turma, Renato L., que era do caralho, e um bocado de vagabundo assim… Meu grande ganho era na hora de beber cachaça, fumar maconha e andar com os caras e as meninas foda pra um cara que vinha matuto do interior. Em termos técnicos não aprendi porra nenhuma, mas tive uma história do caralho com pessoas foda. Bebia, fumava, mas pensava e lia coisa boa, e tirava onda. Fazia um jornal na época que se chamava “A peta”, que é mentira num português arcaico. E era foda. Era um jornal de quadrinhos e textos doidos, esse foi o grande ganho, essa história de convivência. Não é a porra de Iluminismo, de faculdade de ter aprendido com o cânone, com a academia.

Arnaldo – Mas aí você virou um jornalista investigativo…

X- De merda inicialmente pra ganhar a vida. E ainda sou vez ou outro, ou quase sempre. Eu virei qualquer coisa do que tem que virar pra ganhar a vida.

Leo – Você foi direto pra redação?

X- Eu era um homem estatizado, eu era um “Xicobrás”, então tive que pagar um pouco do cu público. Trabalhei um pouco na assessoria da universidade, na biblioteca… roubava livro pra caralho (risos)…. Era aquela vida de bolsista de faculdade, aquela roubalheira, aquela coisa, meio pagando, meio consciente disso. No jornal da universidade encontrei uns caras bons pra caramba, bacanas. E depois fui ser revisor numa gráfica. Quando cheguei no Recife fui revisor numa gráfica chamada “Comunicarte”. Foi quando eu adquiri esse pára-brisa aqui (aponta os óculos, risos), revisando coisa em corpo 6, balanço de usina em corpo 8. Primeiro isso, depois fui para um jornal de esportes chamado “Tablóide esportivo” que era uma puta de uma experiência legal, que era uma cooperativa dos caras mais antigos com cinco moleques, eu na época, mais cinco caras que tinham uma grana. Eu fiz uma história bacana, eu assinava a coluna chamada “Mamadu Bobó”, que era um jogador africano. Era meio que tirando onda com o jogador. Me lembro do Betão, que jogou na lateral do Inter. O nome dele era Roberto Taylor (risos), que o pai era louco por Hollywoody, aí eu fazia essa coluna que era meio de tiração de onda com o jogador. Eu era setorista, cobria o Náutico, o Sport.

Arnaldo – E qual era o seu time?

X- Na verdade eu só torço pelo Santos, mas como eu mudei muito de cidade, em cada lugar que eu chego eu vou muito pra estádio, sou Sport no Recife, Casa em Juazeiro. Mas meus tios foram embora pro litoral paulista nos anos 60, então sou Santos. Eu odeio futebol, eu gosto do Santos, mas odeio Copa do Mundo, acho uma escrotidão. Eu odeio tudo que não seja o Santos, nem vejo os outro times. Acho ridículo os embates de futebol, Copa do Mundo.. gosto ou meio várzea ou Santos, não consigo gostar de outra coisa.

Arnaldo – E depois do jornalismo esportivo…

X – A polícia do “Jornal do Comércio”.

Arnaldo – E naquela região é sinistro, né?

X – É uma bosta… como eu já tinha a viadagem da literatura, procurava ver Nelson Rodrigues e tal. Eu já tinha lido os caras, então já ia com esse filtro escroto e vagabundo, do classe medismo de ver uma certa arte. Mas tomar no cu a minha arte! Também tinha as matérias de comer gente, voltando o assunto. Era melhor dizer pra menina “é, Nelson Rodrigues fez polícia…”, mas era um H do caralho, era um caô sem tamanho. Funcionava, mas era fraude pura. Eu devia ter uns vinte e poucos anos, acho que era pré-Miguel Arraes, antes dele voltar do exílio. Mas nada disso com precisão. Aí vocês vão ter que pesquisar no Google. Alias, foda-se o Google! Não me venham com essa senão eu não posso mentir, ô viado (risos)! Só dou essa entrevista com a permissão livre da mentira. Eu sou um homem flexível, minto pra caralho.

Arnaldo – Depois você virou um cara…

X – Virei um idiota (risos). Tive uns acertos de matéria por sorte e cachaça. Mas eu não tinha essa obsessão jornalística, eu queria ser um escritor, nunca quis ser um repórter.

Leo – Mas mesmo nessa época você continuava escrevendo, você tinha coluna em algum lugar, produzia alguma coisa?

X- Mas nego vai roubando sua alma quando você vai entrando pro mundo.. você vai vendendo sua alma, até com a própria desculpa da sobrevivência, não tem jeito, você vai sendo levado. É um idiota e burro, e tá numa redação. Porque jornalismo é a arte de emburrecer o homem e a mulher. É a arte de enfeiar a mulher e emburrecer o homem. Então essas meninas lindas chegam na redação e com dois ou três pescocinhos elas estão horríveis, cara (risos). Mata qualquer possibilidade de existência mais ou menos inteligente e de gostosura (risos). E não é a coisa física de estar gordo, isso não tem a menor importância. É o olhão de emburrecimento de redação. Notícia, plantão… Isso é uma idiotice. Por isso eu não quero ter filho, se for pra virar jornalista eu mato ele antes. É sério! Os caras se acham os fodões, mas são os mais burros da humanidade. Eu falo porque gastei minha alma da redação.

Marsílea – Mas você sentia isso no inicio?

X- É igual a cachaça, você sabe que derruba mas vai indo… É escrota a pretensão, o moralismo do jornalismo, a forma como acha que vai resolver o mundo. Não tem nenhuma qualidade no jornalismo, talvez seja a única coisa sem qualidade, velho. Eu tenho um primo que conseguiu enriquecer com merda, aqueles limpa-fossa. E todo mundo tirava onda com ele. E eu tô escrevendo uma novela, um romance, tomara que um dia eu consiga, querendo ser um Charles Dickens dos pobres, uma coisa assim, o cara ia na boléia com o cara e o pai metia o suga-merda lá. E o lindo é que a mãe dele tinha prisão de ventre (risos). E o cara enriqueceu com a bosta. Eu tô escrevendo uma coisa a partir dessa história do meu primo.

Leo – Você lê jornal?

X- Eu leio pra enganar os próprios jornais, mas eu não aconselho pra nenhuma família (risos)… afaste o seu filho da faculdade de jornalismo porque é emburrecedor. É melhor ser Marcola do PCC do que ser um jornalista. O jornalista não vai ter uma grande narrativa, não vai ser um escritor. Também não vai poder contar uma grande história, não vai poder porque o dono não vai deixar. Ele vai ser merda.

Allan – O mais escroto dos jornais é a pretensa imparcialidade…

X- Nunca houve isso, cara. Você escreve o que o dono quer, em qualquer lugar. No Pharol de Petrolina, na Vanguarda de Caruaru, na Folha de São Paulo, na Folha, no Estadão, Veja, você escreve o que o cara quer. Aí tem as brechas, quanto mais importante você é, mais você escreve o que o patrão quer. Por isso eu resolvi ser mais merda, depois de duzentas demissões, eu tenho o caminho mais confortável hoje que é ser menos importante para os jornais. Ou como uma tira, é menos importante, mas acaba dizendo mais do que quer. Ou faço uma crônica espremida no caderno dos esportes e acabo dizendo mais da minha vida e existência… porque você é mais livre. Quando você é mais importante, que é a ilusão de quem é editor, não sei o quê, você vai tomar no cu e escrever o que nego quer e diz. Carlos Heitor Cony escreve o que mandam, velho. Ou então levam pito e deixam de escrever.

Arnaldo – Quando você foi para o jornalismo já tinha uma singularidade literária e tal, e boa parte dos seus ídolos, Graciliano, etc, também tramparam em jornal. Graciliano fazia revisão…

X- É um cara que gosto pra caralho.

Arnaldo – Como você conciliou isso, trabalhar no jornal e ter os ídolos muito mais independentes?

X- Não tem escolha é meio entre a cachaça e a pobreza, você vai. Não tem trajetória. É lindo depois que morrer ler a biografia, mas não tem escolha porra nenhuma. Não é nada glamouroso, é uma merda.

Arnaldo – Não tem nenhum orgulho dessa época, das coisas que você conseguiu?

X- Claro que não.. mas me fez ganhar dinheiro. A entrevista com PC Farias…mas nada disso serve pra nada. Sabe o que vale nessa porra de existência? É a narrativa de aventura, é o Gulliver que sobra, é quando você espreme tudo e tem uma narrativa de aventura da vida, aí é Caninos Brancos de Jack London, é você perdido numa selva qualquer, não é objeto de um jornalista. No tempo de PC Farias eu fui pra Maceió e cheguei a ficar quatro meses lá. Aí, tava ali no Othon… a minha missão era para a Folha de São Paulo…

Leo – Não tinha uma coisa de ficar meio dischavado, pra não despertar muita atenção, como era?

X – Como eu tinha acesso ao cara, por razão louca de cachaça…

Leo – Conta primeiro a história, como você conheceu o cara?

X – Eu conheci porque quando a imprensa ficava atrás de advogado, de fulano Oficial de Justiça, eu fui pra Maceió e me enturmei com o mordomo. Diziam que eu comia o mordomo, Joel. Porque ele tinha uma motocicleta e eu passeava com ele em Maceió, o cara me falando na brisa ao vento… (risos). Dizem que ele virou maître num hotel em Brasília… o que é a merda do repórter de hoje, é que eles desprezam esse oitavo escalão. Eu colei nesses caras lá, nos guardas, nos cachaceiros que moravam perto do PC, nas lavadeiras, faxineira que trabalhava com ele. Chegar no Joel foi um salto, o mordomo…. a Folha mandava não sei quantos mil caras pra Londres, eu poderia ter sido oportunista e pedir pra ir também, alegando que PC estava lá, ou pedir pra ir não sei pra onde… eu tive missão também pra Tailândia e Bangcoc, as terras da massagem de doze mulheres… tentei ir do aeroporto para o hotel e foi a coisa mais difícil da minha vida. Eu falando o inglês do Crato (risos), os caras sem falar inglês nenhum… aí eram dois irmãos taxistas e eu tentando ir pro hotel, e os caras me levando pra putaria. Até uma hora em que eu tive que dar uma olhadinha, né? Não tinha como não comer gente.. era o único lugar que não tinha como não comer gente. Tudo que Crato não me deu, Bangcoc deu, velho (risos).

Arnaldo – Mas e o PC?…

X- Eu tava falando dessa coisa de não acreditar em fonte, hoje é só Google e banco de aspas. Ninguém gasta sapato, ninguém vai pra rua. E se você chega contando história da rua, nêgo não dá bola. Os editores idiotas perguntam o que isso tem a ver com a realidade, quando é a realidade que foi esquecida. De verdade, eu acho que o jornal vai acabar, eu torço por isso. Antes do papel higiênico eu limpei muito cu com jornal. Eu torço pra que o jornal acabe porque não tem mais sentido… Você pega os portais.. a não ser Allan, Adão, Laerte e o horóscopo, não tem mais nada… A notícia tá no dia anterior e a capa, a foto, é a mesma. Ou o jornal encontra um meio de contar história, que ele perdeu a vontade de contar história, de botar o repórter pra viajar. Hoje jornalismo é de agenda, o cara que vai ser ouvido na CPI às 16 hs. É projeto de agenda, não tem nada que signifique a vida real de nenhum de nós, é agenda.

Arnaldo – Aí você começou a se juntar com o pessoal do mangue beat e aí todo mundo começou a ter mais projeção pro resto do Brasil…

X- Não, não.. nem eu nem eles. Isso foi porque eu morava em São Paulo e os caras iam na minha casa. Eu ajudava, no que podia, na assessoria de imprensa. Eram amigos, eles chegavam lá em casa pra ficar lá. Minhas namoradas ficam putas porque a gente não podia mais fuder direito.

Leo – Mas você já os conhecia antes?

X- Fred, o Chico eu conhecia um pouco e depois… era do mesmo conglomerado do crime.. na boa, eu caí no jornalismo porque não tinha outro jeito de ganhar dinheiro, mas eu queria ser um escritor louco. Eu queria ser um Henry Miller, pra dizer o mínimo. Jornalismo era o caminho, mas eu não tenho uma construção de carreira jornalística, eu não acredito nisso, caí nisso, e ganhei dignamente, comprei uma casa pra minha mãe lá em Juazeiro, me agradece até hoje, isso foi do caralho. Comprei muito ácido por conta de bons salários, mas nunca foi a minha… até hoje, voltando lá pra consultoria de rádio, eu escrevo conselho pra revista UMA, pra revista de mulher, pra ganhar dinheiro, mas não é jornalismo. Se eu pudesse ter um reencontro com o jornalismo eu mandava tomar no cu. Pobre tem duas profissões literárias no Brasil, jornalista ou advogado. Mas escolha, nunca. Eu queria ser Henry Miller e me fodi. Você acha que eu queria estar em plantão na casa do PC ou na porta da polícia federal esperando não sei o quê? Não.. eu queria escrever “Trópico de câncer”. As biografias são editadas e limpas, mas a vida é só angústia e frustração, velho. Aí vem um filho da puta como o Ruy Castro e deixa todo mundo lindo e gênio. Mas é tudo escrotidão e cachaça. A vida é confusão, é merda, é Pimenta Neves. Aí depois vem as edições, o calendário e resolve qualquer bosta, as histórias ficam lindas. Isso serve pra todo mundo. Não há biografia boa, ela é salva.

Arnaldo – Aquele Nova Geografia da Fome é do caralho, mostrou pro jornal que você pode fazer uma matéria investigativa, barata…

X – Tem dias em que só me sinto bem quando acabo de trabalhar e vou tomar minha cerveja tranqüilo, olhar uma mulher… Eu não tenho orgulho da escrotidão. Tem hora que eu acerto uma frase, e é do caralho. Normalmente bêbado e de madrugada, de manhã eu já acho uma bosta. Todo homem é gênio de madrugada. O único momento de gozo, velho, é quando uma mulher toca uma punheta ou esse segundo de auto engano bêbado, depois vai ser uma bosta e ninguém vai ligar. Mas eu acho lindo essa hora da merda, por isso comecei a acreditar mais no auto-engano, escrevendo algo às quatro da manhã, bêbado achando que aquilo é a História da Infâmia do Universo, aí no dia seguinte você vê que é uma merda. Tudo nessa gana de achar que é genial e depois desconstruir, porque é você ou um outro que vai fazer isso. Eu acho que não tem engano mesmo, é tudo angústia e aflição, a vida vai ser sempre isso. Salvo o quê? Buceta, puteiro, cachaça. Aí a merda, a existência é tão filha da puta que não dá corpo pra você segurar isso para o resto da vida. Aí você não vai mais atrás da buceta, da cachaça porque tem artrite. Eu gosto muito de um anúncio de artrite que é um tiozinho balançando uma criança no parque, aí num momento ele sente a perna. A vida é isso, um anúncio de artrite, velho.

Allan – Eu li uma entrevista que você estava transando com uma menina que dada ao contorcionismo e numa câimbra ela achou que você era um acrobata…

X- Eu acho que a grande novidade do mundo hoje é falta de potássio e broxada. Que novidade há na grande foda? E essas meninas novas, fazem tudo que elas reclamavam da gente, deixam toalha molhada em cima da cama, fazem uma bosta geral no seu quarto. Mas nesse dia aí eu tava com uma câimbra monumental, aí levantei a perna e desci como naquele filme do Hitchcock, “Intriga internacional”, e aí foi a consagração, mas o que era..

Leo – ..você gritando de dor…

Arnaldo – E aquela cena genial do Beto Brant no cinema, do filme “Um Crime Delicado”…

X- É velho, aquilo eu gostei muito de fazer. Eu virei o homem-baga do cinema nacional, né? Os amigos chamam, vamos beber…

Arnaldo – Você é amigo de todos esses caras que estão fazendo um puta cinema agora….

X- É.. agora eu fiz um punheteiro, dessa eu gostei. Eram uns dez punheteiros e nenhum levantou o pau, inclusive eu (risos)…

Allan – Era pra bater punheta mesmo?

X- Era, a gente tentava… mas ninguém conseguiu. Era uma cena, e o Cláudio Assis, que é um ignorante…. O filme é o “Baixio das Bestas”, é a história de uma menina de um posto de gasolina que o avô vende pros caminhoneiros baterem uma punheta pra ela (risos). Ele cobra um real…. Pô linda, depois até bati uma punheta para ela, já em casa, mas na hora porra nenhuma. Era eu e mais uns nove animais lá do Recife e a gente tentando e envergonhado, com a mão dentro da calça, mas sem querer mostrar o pau, maior merda, velho. E a mulher lá, linda, linda, gostosa… E era no quintal de uma Igreja. Agora veja o animal, colocou a menina lá no.. no nordeste chamamos de oitão da Igreja, nua, linda. Quando ela tirou o roupão, uns peitos da porra, buceta, tudo direitinho e os dez lá… a gente lá… já tinha bebido pra caralho… dez e nenhum…

Arnaldo – Aquela piada do Adão, “falência múltipla dos órgãos”….

X – Na ficção a gente tava pagando ao avô dela pra pagar punheta, erámos dez… e nada….

Leo – Mas essa cena ficou no filme?

X- É, vai rolar uma punheta frustrada. Mas é linda… não se engane com o que sair no cinema (risos), eram dez homens broxas com uma mulher gostosa da porra, muito gostosa… Veio da Paraíba. O problema é que a gente é amigo do pai dela, eu e Claudão. De madrugada ligamos pra ela nos desculpando, dando a nota fúnebre, venho por meio desta, dizer que não foi culpa de vossa senhoria a broxada monumental em público (risos)… Foi a pior coisa que eu fiz depois de 8 ½ de Fellini (risos).

Arnaldo – E o blog (“O Carapuceiro”), você manda todo dia… você acha legal essa coisa?

X- Tento que é pra recuperar o tempo da bananeira perdida..

Arnaldo – É lugar pra comer mulher então?

X- Não, essa coisa de comer mulher não é tão objetivo assim. É que eu sou tão feio que quando eu como uma mulher vira notícia (risos). Se um cara lindo come uma mulher é um rodapé de página, mas se o feio come uma mulher e ela é linda, aí é manchete.

Arnaldo – Você já comeu alguma celebridade, alguma mulher que seja assim…

X- Comi porra nenhuma. Eu odeio celebridade… E dá azar comer uma mulher pra quem você já bateu uma punheta antes (risos)… eu nunca fiz uma punheta pré-crime, porque dá um azar da porra.

Arnaldo – Li que você gosta de namorar…. você é um cara pra casar?

X- Eu caso, mas eu não sei explicar…

Leo – Mas você fala que é pra casar, diz que quer convivência… casamento tem futuro?

X- Tem no sentido de eu gosto de você pra caralho, vamos fuder e beber cachaça junto no boteco, ler umas coisas….

Leo – Mas até que a morte nos separe não existe?

X- Não…

Allan – Você teve um momento, começou aquela coluna Macho na Folha e aí …

X- Essa coisa de eu no jornalismo é um engano duplo, de quem me contratou e de quem eu fui servir, porque eu nunca fui um jornalista de verdade. Eu caí nesse mundo e aceitei, mas eu nunca quis ser um repórter, um jornalista. Quando eu vim de Juazeiro eu queria ser apenas um filho da puta, escroto e bebedor e que exista de forma humana. Acho que no jornalismo os caras que adoram ser denuncistas… esses caras não têm moral pra porra nenhuma. Eles roubam uma nota e são tão escrotos quanto o Lula.

Arnaldo – E jornalistas que você acha exemplares?

X- Tarso de Castro que já morreu, Fausto Wolff, esses caras honrados, e claro que falando isso você não vive, tendo quarenta e poucos anos. Nêgo desconfia, mas como eu tô cheio de trabalho pra fazer, foda-se. Mas eu acho que esses caras são foda. Eu sempre fui um bundão, de uma certa maneira, de quando no estado de miséria, eu negociei a vida inteira… Mas eu invejo esses caras que dão porrada. Eu já escrevi pra revista de cachorro, gay, mulher, doido, menino… Mas tem uma hora em que se você pudesse não escreveria. Hoje mesmo eu acordei numa ressaca miserável e tive que mandar a porra de uma crônica da Copa pra Folha. Eu não sabia que porra ia escrever. Eu tinha dado uma volta com o Mário Bortolotto, tinha encontrado o filho da puta lá no Planeta, lá embaixo.. aí eu não me lembrava como tinha encontrado com ele, então vi uma porrada de bandeira do Brasil e escrevi: “a pátria de shortinho verde-amarelo” … É uma merda ganhar a porra dessa existência e os escrotos não falam. O grande épico da humanidade, o grande Ulisses é não encaretar, essa é a maior dificuldade do mundo, porque a gente cai numa cilada. Primeiro você se acha louco, acorda e se dá conta que mal consegue escrever o texto… Mas ao mesmo tempo o que me move, o que me faz escrever de alguma forma é toda essa putaria. Então a gente vai morrer disso, desse dilema escroto. Uma Quinta eu escolhi não beber, que é um momento raro durante séculos, aí mandei meio Lexotan e já tinha mandado uns quartinhos – porque eu acho que o bom da droga é você ir pras drogas menores – pra não beber. A gente tem q respeitar nossas próprias agonias, nossas próprias angústias, e é muito difícil respeitar e ter coragem pra isso, porque implica outra pessoa, filho, existências… é uma merda.

Arnaldo – Você inclusive falou que é contra o Viagra…

X- Se a mulher não me respeitar pela broxada ela vai me respeitar porquê (risos)? Existem mulheres malas pra caralho, nada que uma grande broxada não resolva também (risos). Uma broxada monumental resolve muita coisa pra sua vida, você manda embora muita coisa que você não quer. Queria agradecer a vocês por recuperarem minha memória. Tô virando meio Proust, meio gay…

Allan – E aquela história de dar pra traveco e sentir os peitos nas costas..

X- Eu nunca dei, nunca deixei o pau entrar, mas deixei enconstar. Mas é lindo velho, peitinho aqui é lindo. Olha, o maior travesti do mundo, o mais lindo de todos se chama Marcinha, da praça Roosevelt. Ela tá na Alemanha agora, me mandou um mail dizendo isso. Essa é a mulher mais linda do universo. O que rola é a falta de medo, a diversão. Passar perto e ela mostrar os peitos, uma coisa de amor, até porque ela precisa ganhar a vida.

Arnaldo – E aquela cena do “Crime Delicado” foi com um travesti…

X- Os caras falaram que eu sou um cara da noite e que meu personagem ouve as meninas e vai pro bar…

Arnaldo – Porque nego te tira de machista, mas você, pelo contrário…beija a mão total..

Leo – É um esquema Bukowski, tudo para elas abaixarem as calcinhas?

X- Dizer isso ficou meio caricato, né? É apenas um cara que demorou a chegar nas mulheres e depois que chegou quer tirar o atraso. O sudeste em geral fala que o nordeste pega muito subsídio, eu quero o meu em bucetas. É uma escrotidão o que os caras falam, porque o sudeste também fode o nordeste, e somos escrotos, a FIESP é uma escrota, a Firjam é uma escrota, e se tem subsídio eu quero o meu em buceta.

Arnaldo – E você já foi ameaçado, já teve uma treta foda com um poderoso?

X- Tem nego que é mais poderoso, mas é anônimo. O que é perigoso de fazer matéria investigativa: empreiteiro, que não seja de grande empreiteira, que não é burro. Você pode esculhambar com o ACM por duzentas horas, não acontece nada.

Leo – Você não falou da suruba com o PC…

X- O PC, velho, que era o inimigo número um do Brasil, o cara tava lá fora, naquela coisa fudida. Mas quando eu ganhei o cara pra ter a entrevista dele, foi tomando whisky. Primeiro na cidade de São Paulo, eu cheguei e ficamos tomando whisky até às quatro da manhã, e depois disso, tanto faz ser PC, como Allan Sieber, Lou Reed, Nick Cave, virou bosta a humanidade, qualquer porra, nivela, vira a mesma coisa. A existência é isso! O que eu achei extremamente humano nele, e lindo é que num puteiro em Curitiba, eu tava atrás dele, e ele escolheu a mulher mais feia. Eu tava com duas mulheres no colo, dias galeguinhas lindas da porra, era uma morena e uma loira, pra ser meio projeto Benetton (risos). E PC, velho, pega a mulher mais feia do puteiro, rouba o Brasil e é generoso na hora de colocar uma mulher no colo, velho. Genial! A mulher toda largada.. ele me ganhou nesse dia. Há uma generosidade no fim da linha. Por isso que eu odeio jornalista, porque nunca julga a existência interna, são os caras filhos da puta com as mulheres, na rua, roubam onde puder… Mas achei de uma humanidade linda colocar uma mulher aparentemente baranga – porque não existe baranga – colocar no colo e ser feliz.

Arnaldo – Aí tem aquela frase, de que o poder é o maior afrodisíaco…

X- O poder do mundo é a buceta, velho.

Arnaldo – Inclusive, como foi aquela sua matéria no puteiro da Jeanne Marie Corner, como foi essa porra?

X- Eu tive sorte, porque a mulher é do Crato, ela podia ser minha tia, mas não é. Quando eu falei que era do Crato abriu-se a porta, o mundo. Contou muito eu ser do Crato.

Arnaldo – Você comeu as meninas?

X- Acho que todo jornalista, todo repórter é idiota, inclusive eu naquela matéria, mas o bom do jornalismo é você mostrar que por vias totalmente transversas pode narrar mais a história do que um “disse ontem o presidente..” tomar no cu, porra! É burrice ter de narrar o mundo por isso. Não é bom pra vender jornal, não é bom pra nada. Nem o caretismo gosta. Outro dia vi uma matéria do Fernando Henrique encontrando com o Serra, e o Alckmin, aqueles escrotos da Opus Dei. Eles foram a um daqueles restaurantes fodidos em que você paga R$900 por um conhaque. Quem fez a matéria não disse o que eles comeram, só estavam ali para dizer a escrotidão que eles estavam provocando, que político escolhe aquele lugar pra jantar. Aí já se mata a existência, e pode ser pra Lula, pra qualquer um. Porque você colocar essa simbologia dos lugares que as pessoas freqüentam que é a bosta, é nisso que está a história. Nem que tenha o lado careta, mas que tivesse ao Domingo uma matéria que contasse a crônica da semana de um lugar. Mas é só “disse ontem”. Velho, nenhum entrevistado vai se confessar. Eu odeio essa matéria de Brasília pra Trip, eu não entrevisto ninguém, ou eu tô de lado ouvindo… entrevistar gente, você já gera a frase dele. Velho, cola na mesa vizinha e vai beber. Eu odeio entrevistar gente, eu prefiro mentir.

Arnaldo – Eu achei que nego fosse te dar porrada porque…

X – Os caras mandaram uma porrada de coisa horrorosa, mas tem uma coisa muito clássica em São Paulo que é mandar uma carta com merda. Isso eu recebi nessa matéria. Isso é um clássico, existe em São Paulo há vinte anos no mínimo. Você pode até descobrir quem é, né? Pega uma impressão digital de cu… isso é homossexualismo em estado livre. Eu amo homossexualismo, desde que eu não dê, porque no interior quem come não é viado.

Arnaldo – Mas e agora, você tá escrevendo alguma coisa pra publicar?

X- Tô tentando dar um truque, mas com muita dignidade.

Marsílea – E o seu trabalho na Editora do Bispo?

X- Eu sou sócio, não capitalista. Eu sou sócio na parte do trabalho.

Marsílea – E do conteúdo?

X- Que conteúdo? Do trabalho. Eu chego tão ressacado que nem sei se aquilo é conteúdo. Pela primeira vez na vida eu tô trabalhando com a única mulher que entende minha ressaca, eu chego seis horas da tarde ressacado e ela diz, “vamos beber mais”. Essa é a mulher de verdade. Nossa história só existiria assim… Senão não teria sociedade. E ela é a coisa mais monstruosa no sentido de entender minha ressaca…

Marsílea – Vocês se conheceram num trampo?

X – Eu namorei a filha dela. A única pessoa que me deu alguma coisa na vida, uma mulher do caralho. Eu chego lá na hora em que eu quiser, essa mulher sabe o que é um homem ressacado, do fundo do coração dele.

Allan – E a gaveta do Peréio?

X- Aliás eu vou pedir ajuda pro velho. O livro é tão louco, vamos fazer algo juntos, velho. Ele (aponta o Allan) desenha.

(…)

Arnaldo – A gente brigou com o Fausto na última F. E foi uma merda, você chegou a dar uma olhada na revista?

X- Todos nós somos uns bostas de uns viados. Fausto Wolff tem um passado mais glorioso, ele tem mais razão de brigar com vocês. O cara é alguém que eu respeito, que acho …. o cara é muito foda, velho.

Leo – Mas ele tava meio amargurado com a parada do jornal…

X- Mas todos nós somos, velho. Se tocarmos a sanfona do ressentimento, velho, ela toca por duzentas horas.

Arnaldo – Mas você tem alguma bronca de algum lugar em que você trabalhou, você gostaria de falar aqui, publicamente?

X- Eu acho isso pequeno pra esculhambar com os patrões… claro que eu vou falar, com muita dignidade, se algum amigo meu me chama pra testemunhar na Justiça do Trabalho, é claro que eu vou falar, mas não vou me arvorar. Eu me acho muito mais importante que esses caras, eu como mais mulher sendo mais feio, mais pobre. Não me interessa, cara. Mas acho que ele tem razão. Dono de jornal sempre vai ser escroto porque querem ser Deus, querem o vento a favor deles, mas não é isso que acontece. O vento, velho, é a favor de qualquer um. Eles querem ser donos do vento, querem comprar a brisa.

Arnaldo – E quem são seus ídolos? Vale qualquer um..

X- Marcola do PCC, Lampião. São caras que movimentam a história, seja pro bem ou pro mal. Eu amo esses caras que mostram que a história está viva, seja os estudantes lá da França, seja o Bruno Maranhão. Esse é um grande homem, fez uma quebradeira filha da puta. Esse é um doido da Casa Grande, da burguesia que vai lá e bota fogo no Congresso. Eu amo esses caras que mostram que a História está viva.

Arnaldo – E o governo Lula?

X- Eu acho que é uma merda pro que esperavam, mas eu quero que a Opus Dei geral do Alckmin tome no cu.

Arnaldo – Mas rola uma decepção grande?

X- Rapaz, nunca um homem no Brasil fez uma campanha limpa. César Maia é o maior ladrão, Garotinho…

Leo – Você vota?

X- Eu já votei umas duas ou três vezes na vida… Eu votei no Lula no primeiro turno e no segundo não porque eu tava trabalhando. O Lula é uma merda, mas nunca direi que é um escroto. Entre ele e Alckmin…. essa Dona Daslu, voto Lula sem nem crítica, sem pensar. Eu sei que político é uma bosta. Minha crítica foi nos anos 80.

Leo – Alguma coisa salva o Lula no seu conceito?

X- Não, nada. É apenas igual a Fla X Flu, eu quero que Geraldo Alckmin se foda, só por ser por honra, pronto. Eu sei quem são meus inimigos, e esse cara não é do meu mundo, é da Opus Dei.

Leo – O Alckmin foi quem deu proteção aos seqüestradores da filha do Silvio Santos. Ele deu garantia de vida e o cara morreu duas semanas depois, no presídio.

X- Cara, vamos colocar a história do Alckmin na roda, eu tenho um cuidado da porra com o moralismo….

Leo – O Collor era um desses casos de playboy, tinha caso até de estupro..

X- Nesse caso eles seguram até hoje. Mas pra não ser moralista é isso, quando é fodido botam no cu do cabra, quando é autoridade aí tem o maior cuidado.

Arnaldo – Tem um tempo que você fala o que pensa. Em alguma oportunidade você já achou que falou demais?

X- Hoje em dia não mais, velho. Eu arrumo confusão hoje em porta de bar com segurança, às vezes os caras são até amigos, mas não é meu objetivo. Não saio de casa pensando nisso. Eu tenho uma coisa insuportável que é a tese, por exemplo, eu adoro falar que o Chico Buarque é um compositor de merda, literatoso e num lirismo chinfrim que não é muito bom. E as meninas ficam nervosas. Tenho tese da semana, das estações, eu tiro onda, velho. Eu uso óculos, não brigo fácil (risos). Já arrumei muita confusão, já apanhei muito e nem sabia se estava batendo. Nunca tive um soco autoral (risos). Em confusão de noite eu já briguei pra caralho, é um clássico da minha existência. Mas eu saio de casa pra vingar a bananeira, eu sou que nem terra de cemitério, gosto de comer gente, velho (risos).

(…) MUDANÇA PARA 3ª FITA.

X – Não quero ler nada, velho. Eu quero que você me melhorem até.. se puder radicalizar ali, me fazer mais merda ainda… Isso aqui não existe velho. Só um otário diz essa porra.

Arnaldo – Só não pode ser melhor que a do Fausto…

X- Fausto é meu ídolo… Eu amo o cara, velho…

Leo – Às vezes que a gente foi conversar com ele foram do caralho. A gente ligou o gravador.. aquele dia mais pesado… rolou uma parada mais amarga mesmo…

X- Aquela entrevista é linda, velho.. Eu li todas as entrevistas…

(…)

Marsílea – A gente queria te levar para o apartamento, mas achou que podia ficar chato.

X- Tudo bem…. filhos da puta… P.S.: fui injustiçado. Bota um P.S., vocês gostam mais do Fausto do que de mim… não, eu amei.. a seqüência é o medo e o amor pelo cara, velho. É um dos maiores jornalistas que eu admiro no Brasil, velho… Eu amo esse filho da puta, eu li tudo o que esse homem escreveu, velho….

Arnaldo – Nesse dia foi muito bom…

Allan – Foi complicado…

Arnaldo – Foram 3 garrafas de whisky… Muito bom você ver ele acelerado…

Leo – Uma pergunta que a gente não fez na entrevista, mas onde você estava quando Chico Science morreu?

X- Eu estava em Recife, eu tava com Lula no apartamento dele, perto do cara mais feio do mundo… bebendo… O Chico tinha virado um bosta porque é humano, o sucesso… vai pro estrangeiro e tal.. mas ele tinha feito as pazes com a gente, porque a gente tava muito puto com ele, e tinha tocado uma noite linda de jungle… ele era viado e gostava de jungle, eu me amarro em jungle, velho… mas a gente tava muito puto com ele, porque em Recife ninguém tem bom humor com ninguém, a gente guarda ressentimento.. a vida.. todo mundo é Fausto Wolff em Pernambuco.

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Mucho work, minus play

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Começo este mês a escrever na UM (Universo Masculino). A revista está na mão de feras como André Forastieri e Marco Lopes e parece que a idéia é fazer uma espécie de Esquire brasileira – não sei muito bem como me encaixo em um projeto desses, mas sure as hell fiquei lisonjeado com o convite. Se o Gay Talese daqui é assim, imagina o da Jamaica.

Minha estréia é com um perfil do fotógrafo e ladies man Antonio Guerreiro, recordista nos anos 70-80 do troféu Pussy of the Year: Sônia Braga, Silvia Falkenburg (Bandeira), Denise Dumont, Sandra Bréa… um trecho:

E como a linha da vida profissional de Guerreiro é um cordão de auges com pequenas diferenças de gradação, começou no Rio mais uma fase espetacular: montou um estúdio no segundo andar do lendário bar Zeppelin. Eram os anos da Swinging Ipanema e o fotógrafo estava instalado em um dos quartéis-generais do charme local. Quando nada parecia poder superar isso em termos de qualidade de vida, o editor Adolpho Bloch ligou para saber se Guerreiro gostaria de trabalhar com moda em Paris – e não era uma pergunta retórica. O ano, 1972.

Em Paris aproveitou sua expertise na arte de fazer amizades em prol do ofício. Enturmado com os grandes costureiros, tinha permissão para fotografar as coleções antes do lançamento – e aproveitava para publicá-las nas revistas da editora Bloch no Brasil. Em depoimento a João Carrascoza explicou o motivo da despreocupação dos mestres franceses: “Porque era para o Brasil. Eles pensavam: Ninguém vai ver essa merda lá, mesmo…”

Também escrevi uma coluna para a seção “contracorrente”. Alguns vão reconhecer o tema – a falsa fama de bem-humorado do brasileiro – de outras colunas, mas o Marco pediu mesmo para bisar o assunto. Outro trecho:

Ficaria rico se ganhasse um centavo por cada entrevista em que li o clichê “o importante é saber rir de si mesmo”, mas raras vezes vi um concidadão fazendo isso sem ajuda de entorpecentes. Só rimos de nós mesmos quando esquecemos de vestir a carapuça e não entendemos que a gracinha é conosco – e para isso basta o interlocutor disfarçar o verdadeiro sujeito da piada. “Estavam no avião um americano, um alemão, um francês e um habitante de um país em desenvolvimento…”

Olavo Bilac escreveu que somos a flor de três raças tristes, mas acho que ele quis dizer sérias. De Gaulle estava errado.

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Eu tenho tanto pra lhe falar

1) Mal Necessário da semana.

2) Entrevista sobre O Beijo no Asfalto no site do Sidney Rezende (saiu ontem, não estranhem a convocação para o lançamento – que foi do caralho, se alguém tiver fotos favor mandar) e outra para o Quadro Mágico.

3) Já que o pessoal gostou do roteiro de animação abaixo, mais um projeto que não vai ser realizado por pura preguiça mental e física do idealizador. O programa de TV “Suicídio Comercial”, que ao contrário de todo programa para jovens, parte da premissa correta – a de que o jovem é débil mental.

Seria apresentado pelo Roberto Maya – quer dizer, pela imagem dublada do Roberto Maya apresentando o Documento Especial (o ideal é que fosse dublado pelo próprio Roberto Maya mas não se pode ter tudo) com o nome de Hunter Thompson (só pela psicodelia da coisa). Ele apresentaria os quadros e faria comentários a respeito dos assuntos em pauta.

Rolariam quadros como o Jornalismo Preguiçoso, onde um carinha chamado Enviado Especial ao Google passaria adiante todas as informações mal apuradas que se consegue através dessa maravilhosa ferramenta de busca. E um talkshow em que o entrevistador e o entrevistado fossem obrigados a beber (quantidade em hectolitros pré-estipulada) antes – com legendas, claro. Seria o conceito Jackass aplicado a uma grade inteira de programação. Enfim, trechinho da introdução abaixo.

Episódio do Dr. Kildare dublado – Dr. Kildare conversando com acompanhante de uma paciente.

- Doutor, o problema cerebral dela é grave?

- Sim. É caso de amputação.

- Mas doutor, ela vai conseguir viver sem o cérebro?

- Sim, mas vai precisar de uma programação de TV especialmente adaptada.

Fade. Roberto Maya, do Documento Especial, dublado.

- A MTV diz que não trata o jovem como débil mental. Mas na minha opinião, o jovem ainda tem que fazer por onde. Eu sou Hunter Thompson e vocês estão assistindo “Suicídio Comercial”.

Vinheta de abertura.

Roberto Maya, dublado.

- O maior comentarista social no nosso tempo não é a Fernanda Young. É o diretor de elenco da MTV. Sendo um profundo conhecedor do ser humano, escolheu…

(começaram a aparecer na tela uma série de VJs – novos e antigos – por ordem de retardo mental, fico na dúvida se a sequência deve acabar com o Marcos Mion, o Rafa ou o Edgar. A narração continua em off)

…entre os nossos jovens indivíduos representativos do material humano disponível nos dias de hoje. Percebe-se um padrão em sua crítica dos valores de nossa sociedade pela escalação de perfeitos exemplos da figura que melhor simboliza a juventude: o zé ruela.

E segue assim, com os quadros e tal. Acho que vou precisar de um gaveteiro novo…

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A verdade dos fatos

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Foto – Fernando Quevedo Legenda – Arnaldo: “o negócio é distorcer”

Saiu um artigo hoje na Megazine chamando Allan, Dahmer, Leo e eu de Los Nuevos 3 Amigos, o que é uma injustiça com os 3 Amigos originais (que, como nós, são na real 4) e com o termo “Nuevo” – o mais novo tem 32 anos e pulmões e fígado comprometidos.

O repórter ficou chocado com o que viu e ouviu e tentou salvar nossa barra com uma matéria perfunctória, mas é preciso restabelecer a verdade dos fatos. Eis o que se disse na noite fria e abjeta:

Allan – Estou nessa pelo dinheiro, esse lance de ideais é muito anos 60.

(…)

Arnaldo – O problema com o Chico Caruso é a certeza da impunidade, e o do Miguel Paiva é a sensação de impotência diante da situação.

(…)

Dahmer – Não deixo meu alcoolismo interferir no meu trabalho, mas confesso que não tenho feito o mesmo pelo meu casamento.

(…)

Leonardo – Quero ser reconhecido pelo meu esforço intelectual, e não pela minha beleza interior. Na atual conjuntura está difícil.

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Bonus extended superplus megamix track

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Isenção alcóolica – Matias e Arnaldo entrevistam Rogerman (foto de Gilvan Barreto)

Essa é a extended version da matéria da Bizz sobre o Abril Pro Rock, sem aquela separação em episódios como saiu, e sem o erro de trocar o Santa Cruz pelo Náutico (mal aí, Lucio). Como deu pau nos comentários por esses dias, alguns tinham ficado por aprovar. Aqui, o direito de resposta da artista plástica citada na matéria (dê um scroll na página), que basicamente diz que nos vingamos nela porque não comemos ninguém. Também queria dizer para a Natália, que me chamou de mané porque não sabia do fim da Soparia do Rogê: infelizmente esse tipo de coisa não dá manchete no resto do país.

Eu, que vivo em uma cidade recordista em mistificação em outros estados, não consigo entender como alguém pode se sentir pessoalmente ofendido quando você não diz que o lugar onde ela mora é o paraíso na terra – que é mais ou menos como vejo Recife, e imaginava ter deixado claro na matéria.

Do diário de viagem: “Estávamos em algum lugar perto de Olinda, na fronteira do Recife Velho, quando a moqueca começou a fazer efeito…”

Vamos rebobinar a fita, ou voltar ao menu de cenas selecionadas no DVD. Arnaldo Branco, repórter da Bizz e desenhista de quadrinhos – criador do personagem Capitão Presença, o herói dos malacos que fazem uso daquele cigarro que passarinho não fuma – e Matias Maxx, repórter e fotógrafo da Bizz, inspirador do Capitão, estão chegando a Recife para cobrir o Abril Pro Rock 2007. A terra prometida dos maconheiros e seu lendário festival, que ajudou a projetar bandas como Los Hermanos e Cachorro Grande, parecem ser garantia de diversão para dois penetras bons de bico.

Mas a festa não é mais a mesma. A missão da dupla, além de dar um conferes na programação do festival (a propósito, bandas emo em excesso) para justificar o credenciamento, é se jogar em Recife atrás do que sobrou do Mangue Bit, das baladas pós-shows e dos frutos do mar para contar a quantas anda, ou se arrasta, a cena local – por uma ótica carioca-maloqueira-entorpecida. Com uma mala carregada de livros e camisetas do Capitão Presença, além de quilos da Tarja Preta, revista editada por Matias onde saem as tiras do super-anti-herói, tudo isso para garantir a grana dos aditivos, Arnaldo e Matias empreenderam uma viagem ao coração do sonho pernambucano.

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Com uma pauta dessas, levantar para uma entrevista coletiva em plena sexta-feira de sol, às dez da manhã, há de se convir. Mas como disse Matias, bêbado, no trecho da fita em que deveriam estar gravadas as impressões de Arnaldo sobre o show de Lee “Scratch” Perry (a grande atração do último dia de festival): “Zornalismo! Temos um compromizo com a realidade, com a verdade, com… whatever!”

Na coletiva, quase empate por WO: não aparecem os Mutantes e parte substancial da imprensa. Lúcio Maia e Jorge Du Peixe, que acordaram cedo apesar do atraso no vôo que os devolveu a Recife alta madrugada, reclamaram da falta de perguntas: “ah, não, agora vocês vão nos entrevistar, isso aqui tá parecendo a vez que a gente foi no Serginho Groissman junto com o Babado Novo, ninguém da platéia sabia o que perguntar pra gente…”. Fala, garoto! Alguém quer saber se eles já têm casa própria. “Não, a gente não é um fenômeno de vendas”. Outro insinua que eles têm bastante espaço na mídia. “Se aparecer na TV fosse garantia de sucesso, o Max de Castro…”, deixa no ar. Outro mártir do compromisso foi Marky Ramone, que bateu ponto para dizer que, comparado a “shitty bands” de glamour metal como Mötley Crüe, o emo parece até heterossexual.

A dupla de reportagem volta para o hotel, que tem serviço britânico, da parte da Escócia – graças a um numeroso grupo de adolescentes disputando uma olimpíada de matemática que faz lembrar o esquete “Todo espermatozóide é sagrado” do Monty Phyton. Não é a toa que o controle da natalidade ganha cada vez mais entusiastas. A demora na recepção para conseguir pegar a chave do quarto dava ganas de incorporar Borat, forçar um sotaque e perguntar em voz alta pelas mundialmente famosas prostitutas de 14 anos. Mas foi bom ter segurado a grosseria, breve estariam nos braços da hospitalidade pernambucana – para cariocas por natureza desconfiados, é difícil crer que este povo não receba algum incentivo monetário pra ser tão gente boa.

O almoço à base de peixe (a reportagem de Bizz adotou a dieta dos golfinhos durante a estadia) e cerveja serve para traçar o esquema de cobertura do Festival: vender quadrinhos e camisetas do Capitão Presença para garantir uma reportagem com um mínimo de isenção alcóolica. Dali direto para o Centro de Convenções infelizmente a tempo de pegar Os Canivetes (PE), a primeira de uma série de bandas de sarau que foram a tônica do palco 3, um puxadinho do Abril Pro Rock consagrado ao amadorismo.

Tudo pela arte, e alguma coisa pelo mico jornalístico. No primeiro rolé pelos bastidores, Arnaldo é atacado por uma artista plástica que o mete em um saco idem. Helio Oiticia faz escola, e seus alunos, pastiche. O festival segue com: O Quarto das Cinzas (performance teatral, herança maldita do rock progressivo, com vocalista gata, tendência de mercado), Bonnies, de Natal (volte até o trecho sobre os Canivetes), Moptop (RJ, boquete firme nos Strokes, os carinhas na platéia com o mesmo corte de cabelo gostaram), Ronei Jorge (BA, sugestão: dosar o experimentalismo). Agora, a diversão!

O mítico Capitão Presença e seu biógrafo são admitidos no camarim da Nação Zumbi, onde por razões óbvias o herói é bem-vindo – mas, em nome de sua lenda é triste dizer, absolutamente desnecessário. Deve ter um concorrente à altura em Recife… o tempo muda de velocidade até a hora do show dos caras. A Nação é o time da casa em excelente fase e jogando um amistoso – não conta ponto mas a torcida não quer nem saber, incentiva do mesmo jeito, com senso de humor inclusive: muitos cantam a versão pornô de “Meu maracatu pesa uma tonelada”: (“Pra comer seu – deduzam – falta uma polegada…”). E olha que tentaram desagradar: não tocaram nenhuma da fase Chico e mandaram (Lúcio) o hino do Santa Cruz, time em baixa e com torcida em inferioridade numérica.

Depois, Os Mutantes. A impressão é que Zélia Duncan aproveita a comoção das pessoas assistindo o esforço do Arnaldo Baptista para sair impune, mas funciona. Ficou ruim pra carreira solo da Rita Lee, que está fazendo hora extra desde mais ou menos 1979. O som é excelente e o repertório tipo Eurocopa, só clássico: “Top top”, “Ando meio desligado”, “Batmacumba”; passa a faixa amarela em torno da cena do crime, não há mais nada para se ver aqui. Fim do show, direto para o hotel curar o jet lag e poder aproveitar o sol no dia seguinte.

Dezessete cervejas antes do almoço é muito bom – pra quê não se sabe. A dupla de reportagem exagera à beira da piscina, enquanto troca impressões sobre edições passadas do festival, ênfase nas festas. Um das evidências da queda de importância do evento é a falta de uma programação pós-show. Ninguém sabe dizer qual é a boa depois das apresentações – nem o experimentado jornalista da concorrência que divide o almoço (caldeirada) com o bonde da Bizz. É hora de estudar o adversário, que afirma estar ali para uma cobertura tipo standard do Festival, a confirmar na próxima edição, pode ser blefe.

Perdida a conta das cervejas consumidas, Matias e Arnaldo chegam daquele jeito, e quatro shows atrasados, para o dia dos camisas pretas – nenhuma comemoração nostálgica da milícia fascista, só o balaio de gatos de hardcore, emo e metal da segunda noite do Abril Pro Rock. O tempo das tretas é passado remoto, estabelecidos novos recordes de convivência pacífica. Do palco 1, João Gordo fala mal “dessas bandinhas que neguinho fica chorando, tá ligado?”. Do outro lado do Centro de Convenções, sentados de costas para o Palco 2, carinhas de rímel e franjinha acham graça.

Depois do show, tentando uma entrevista, Matias é confundido com um traficante por João Gordo; o que não é de se estranhar – seu cavanhaque ralo e as camisas havaianas traem uma vocação inexplorada. Apesar disso, ou talvez por isso, ele consegue entrar com o gravador no camarim do Ratos, transcrição desse trecho da fita: ” ‘E aí, Gordo, falou mal das bandas emo no palco…’ ‘É, acho uma merda… ó a artista plástica aí, meu’ (a mina do parangolé conceitual fazia vítimas indoors). ‘Você foi ensacado também?’ – ‘É, fui’. ‘O que você acha de neguinho que baixa música na internet?’ – ‘Não’ (?). Clique, voz do Matias: ‘O Gordo não está cooperando’”.

Arnaldo assume o gravador para registrar o inacreditável vocalista do Udora: “Essa música é sobre o suicídio do meu paaaaaiiii!!!!”, antes de sair pulando (!) pelo palco, expondo toda sua angústia em inglês. Terapia de grupo já teve sua voga, agora é a terapia de banda. Chega, geração emo, não nos conte os seus problemas. Vamos logo às atrações principais.

Na coletiva, Marky Ramone respondeu a provocação de um jornalista dizendo que continuava a tocar Ramones porque “as músicas valem a pena”. Podia passar um abaixo-assinado no Abril Pro Rock, pogaram emos, punks e metaleiros em seu show com o genérico Tequila Baby. Depois disso, o Sepultura, também bastante desfalcado, cumpriu tabela – mas a essa altura a equipe de reportagem já está mais interessada em uma dica quente sobre a balada depois do encerramento do show.

Nosso heróis se metem depois no bar Garagem, que, como muitos avisaram bastante excitados, é uma oficina mecânica de meio período em um estabelecimento caindo aos pedaços. Na verdade é muito parecido com uma escola pública carioca média, mas a dupla finge um diplomático espanto. Lá dançava a atriz-sensação Hermila Guedes, que Matias ignorava até ouvir o relato das cenas em que a mina interpreta uma profissional da cama, à caráter, em “O Céu de Suely”. Quem diria que essa viagem fosse despertar no cara o interesse pelo cinema nacional, foi na hora trocar uma idéia. Em tempo, troca justa: Hermila ganhou uma Tarja Preta, Matias não conseguiu o telefone.

No dia seguinte somos levados pelo fotógrafo Gilvan para o que batizamos Turnê Cadê Rogê: uma volta pela cidade atrás dos pontos turísticos da história do Mangue Bit. A primeira parada é ao lado do hotel, a Soparia que foi marco zero e quartel general do Estado Maior manguetrônico; agora é uma oficina de motos. No soup for you! Seguimos para Olinda, para almoçar (adivinhem o que) e conversar com uma das eminências pardas do movimento, Rogério, ex-Edie e hoje no excelente Bonsucesso Samba Clube. Ele acha que o mangue cumpriu sua função em abrir os ouvidos do Brasil para o som vindo de outras praças, embora nunca tenha emplacado como campeão de vendas. E melhor, mesmo que tenha gerado várias bandas que tentaram entrar na onda contratando um sujeito para tocar alfaia (na viagem sentimos um certo enfado dos pernambucanos com os diluidores do legado de Chico Science), a valorização dos ritmos regionais expulsou definitivamente a axé music do carnaval de Olinda.

No dia mais eclético (mais na moda dizer flex) do festival, compasso de espera para o show do Lee Perry. Teve hip hop (Êxito D’Rua), rock´n´roll básico (Monomotores), forró (Mestres do Forró), banda-ruim-de-nome-grande-com-vocalista-Avril-Lavigne-wannabe (Canto dos Malditos da Terra do Nunca), banda-ruim-de-nome-pequeno-com-vocalista-Brian-Molko-wannabe (Valentina). Ainda rolaram as atrações – nome inadequado, os quiosques de cerveja atrairam mais gente – internacionais: o Moptop francês The Film e o argentino Los Alamos, que tocaram um blues – do delta do Prata? – que parecia perfeito para um bar temático e não para um show situado nos anos 2000. Ah, se toda banda de country raiz tivesse antes que estagiar em um campo de algodão, menos e melhores blues.

The Playboys ofereceram alívio cômico em um festival de tantas bandas angustiadas. Piada interna recifense, fizeram campanha durante anos para tocar no Abril Pro Rock, além de uma música dedicada ao organizador do festival, “Paulo André não me ouve”. Tocam com instrumentos de brinquedo rock básico (punk, 50´s, surf music) e deram uma sensacional sacaneada nas bandas que misturam eletrônico e maracatu com a paródica “Monólogo aos ouvidos dos imitadores”, imitando a misancene de Chico Science. Ah, ainda rolou Rebeca da Matta – Pior cover de Vapor Barato, e olha que a concorrência não é fraca não. Ou o correto é dizer o contrário?

Arnaldo Branco: sou obrigado agora a narrar em primeira pessoa. O Matias bebeu ou fez alguma outra coisa em excesso – não devemos desprezar as reações metabólicas causadas pelo camarão – e ficou impraticável. A partir desse ponto a cobertura do show do Lee Perry é prejudicada pela minha saga para mantê-lo vivo diante da ação hostil de seguranças e de meninas pouco compreensivas. O inevitável acontece: tenta invadir o palco dançando e é expulso pela equipe de apoio. Agora calculem: se um cara naquele estado sente vontade de dançar, imagine o público que pagou e esperou pra isso – apresentação memorável. Uma carona salvadora nos deixa a salvo no hotel para a volta no dia seguinte.

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“Arnaldo Branco e Matias Maximiliano! Arnaldo Branco e Matias Maximiliano! ÚLTIMA CHAMADA!”.

A voz da mina do sistema de som do aeroporto dá a entender que a última chamada foi precedida de várias outras. Lúcio Maia, recostado no balcão do bar em frente ao portão de embarque ri apontando para a dupla retardatária correndo com as bagagens de mão.

Adeus, Recife, e obrigado pelos peixes!

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Compra, tio?

Propagandinha dessa nova Bizz, especialmente porque é minha primeira matéria de capa. Barba, cabelo e bigode: escrevi o artigo sobre o programa do SBT “Ídolos” (“American Idol”, no original), fiz com o Pedro Só a entrevista com o Miranda (jurado, produtor e eminência parda) e ainda mandei colaborações – não sei se saíram – para uma seção chamada Merdas Acontecem (esse nome, esse nome…), que são comentários curtos sobre o noticiário musical – de fevereiro, mal do jornalismo mensal. Comprem porque se vender mal serei pessoalmente responsabilizado. Abaixo, trechos.

Ídolos:

Vivemos em um tempo em que o ídolo do povão é o Lula, o do Flamengo é o Obina e o da molecada é o Chorão. “Triste é o país que precisa de heróis”, ainda mais com essa safra. Mas o panorama desalentador não parece intimidar os realizadores de Ídolos. O programa do SBT (em sua segunda temporada desde março) escolhe entre 20 mil vítimas da moda um sujeito para gravar um CD e encarar o cruel mercado musical – que constantemente dá lições a vencedores de reality shows sobre a verdadeira realidade. Que o digam os ganhadores do programa correlato da Globo, Fama – puxando pela memória só me lembro daquela mina gorda, alguma coisa Jackson.

(…)

Em BH cheguei depois da fase da fila, já com os concorrentes reduzidos aos que iriam encarar os jurados. Confinados em uma sala do hotel e só podendo sair para ir ao banheiro em turnos similares aos de banhos de sol em presídios, os candidatos exultavam toda vez que alguém da produção abria a porta para anunciar mais um nome aprovado. Imaginava que não encontraria muita gente interessante, porque se em Salvador o povo notoriamente expansivo ficou um tanto retraído nas entrevistas, achava certo que em BH o povo notoriamente retraído seria, definitivamente, lacônico. Estava errado.

Às vezes me identifico com o programa: também sou o maior pára-raio de maluco. Um cara ao meu lado levanta e começa a tocar flauta; percebo que está sem crachá de concorrente. Antes que consiga me dar conta, o sujeito estende a ponta de uma faixa, que seguro por reflexo, e se afasta para abrí-la: tem algo escrito sobre o apocalipse – e um número de 0800. Trechinho do discurso dele que gravei enquanto ajudava a mostrar a faixa para o auditório: “…nós como seres divinos, e o planeta como um todo, está crescendo. O sol não está atendendo os nossos pedidos e então o câncer está fazendo uma limpeza em nosso planeta, isso é um conceito da física quântica…”. O 0800 deve ficar ocupado direto.

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Entrevista com Miranda:

Arnaldo – Quando começou a surgir a cena do rock gaúcho?

Eu queria fazer uma cena, pensava: “vou fazer umas 13 bandas aqui, chamar mais uns loucos para fazer”… e nessa história encontrei um dia com o Carlos Gerbase, queria saber se era verdade que ele estava fazendo uma banda punk chamada Replicantes com o Wander Wildner, que era o cara mais hippie da parada (risos). Isso era em uma loja chamada Free Discos, e na mesma hora, véio, aparece um molequinho, estranho da porra, querendo um disco do Madness que era pra mim. Fui falar com ele e o cara se apresenta “meu nome é Edu K, tenho 15 anos, estou vindo de Foz do Iguaçu morar aqui”. Aqueles momentos que tu fala, porra, a vida é louca.

Pedro – Aí começou o movimento.

Aí, velho, somos o movimento do rock gaúcho, e começamos a marcar show… tu olhava no jornal e tinha show pra caralho – e colou o movimento. E em 82 aparece a Blitz, Lobão… aí eu, caralho, finalmente, véio, e aí comecei a me mexer, vim em julho para o Rio e vi Barão Vermelho, Papel de Mil, Zé da Gaita, voltei pra Porto e falei: “é agora que a gente vai agitar o bagulho” – e o primeiro fruto disso foram os nossos antagonistas, os Engenheiros do Hawaii (risos)! A gente ficou com raiva porque começou a tocar na rádio e o Gerbase: “Por que esses merdas, essa música merda toca na rádio?” (risos). No primeiro show do Engenheiros eu e o Edu K estávamos na platéia, cheirando cola, e me deram um microfone ligado, fiquei dando uns berros no microfone no meio do show (risos), os caras não sabiam de onde vinham.

Notícias comentadas:

07/02 – Pedrinho Mattar morre aos 70 anos.

Uma perda irreparável para a família Mattar e para colunistas com tentação pelo trocadilho. Os fãs de velha data, como Dorinha Duval e Lindomar Castilho, terão saudade de Mattar.

13/02 – Robbie Williams se interna em clínica de desintoxicação no dia de seu aniversário.

Drogas sempre foram uma constante na carreira de Robbie, que começou aliciando adolescentes em uma boy band. Neste aniversário resolveu limpar o organismo dos abusos cometidos em estúdios de gravação e presentear o público com sua ausência, nada é perfeito, temporária.

15/02 – O Daily Variety anunciou que uma cinebiografia da dupla Milli Vanilli está sendo pré-produzida em Hollywood.

O sósia da dupla, Toni Garrido, que também atua como cantor em uma banda que alega tocar reggae, poderia compor o elenco.

26/02 – Gilberto Gil declara, em entrevista na Espanha, que seu trabalho como ministro não lhe deixa com tempo para compor.

Ganha força a campanha por um terceiro mandato, mas a oposição suspeita de manobra para justificar o lançamento de mais um disco de covers.

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Admirável Mundinho Novo

Mundinho Animal, breve em livro, deixa só eu escolher a editora… clique na imagem.

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Ah, atulizei lá no site da Bizz.

Opa, e aqui me situo no mundo dizendo qual é o meu papel na “blogoesfera”.

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Questão de ordem

Pergunta de uma entrevista para um fanzine, salvei o txt mas não consegui achar
o e-mail.

Como você mesmo diz, quadrinhos sobre maconha tem um “índice de rejeição”. Muita gente acha que o sucesso do Capitão Presença se deve ao tema polêmico e não à qualidade do material. Quem você está querendo atingir? Provavelmente muito cara que não curte quadrinho vai comprar só pela capa…

Primeiro: quanto mais livros conseguir vender para desavisados que olhem para a capa e só consigam pensar “hey dude! Tem uma folha de maconha, quanto custa?!”, mais contente vou ficar – como nas palavras de W.C. Fields, “é imoral deixar que um otário conserve a sua grana”.

Caras que curtem quadrinho mas não compram o livro porque estou “apelando” para o tema – com esses não tem discussão; nunca ocorre a essas antas que muitas pessoas escrevem sobre certos assuntos porque a incidência deles na vida do autor é banal, ou mesmo porque o autor desconsidera o potencial para a polêmica deles, uma vez que lhes são indiferentes. Todos esses caras que reclamam que a mídia apela muito para o sexo: fazem pouco. Espero que seja um público residual, como seus neurônios.

Caras que curtem quadrinhos mas acham que o tema é limitado, que me repito e tal. Bem, talvez… mas parte desses gostam de quadrinhos de super-herói, e quem tem alguma familiaridade com o gênero (eu tive, até meus 16 anos) sabe que tudo neles é preâmbulo para a cena em que os dois antagonistas vão se porrar, como os diálogos nos filmes pornôs são pretextos mambembes para as cenas de ação. Sei lá, Sargento Tainha massacrando o Zero, Bob Cuspe cuspindo, Charlie Brown errando a bola… quadrinho de humor é meio eterno retorno.

Ademais, em hq underground o que mais deve ter é personagem maconheiro, e nem todos (principalmente no Brasil) conseguiram a repercussão do Preza. Algum grau de originalidade ele deve ter. Gimme a little credit, will ya?

E quanto mais conseguir desagradar leitores que gostam de uma determinada classe de quadrinho adulto de cunho poético quase todo narrado (ao invés de nos balões de diálogo) nas legendas de pensamento do protagonista – geralmente um tipo urbano esperando o telefonema da mina que ele ama em vão; provavelmente como o autor da história, um sujeito solitário igualzinho porém menos magro; ufa, melhor.

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Mais do mesmo

A tal entrevista na Simples, que não vai sair na íntegra – só um perfil e uma foto em que finjo (como de hábito) desenhar…

1 – Sou um gênio do mal! Ou um retardado do bem…

34 anos, torcedor do Flamengo.

Apesar de formado em jornalismo e trabalhar como webmaster, me apresento (e sou mais conhecido como) cartunista, profissão que não convence nenhuma mãe. Trabalho na Bizz, na Sexy, edito a revista F. (junto com Allan Sieber e Leonardo – na revista saem vários personagens meus) e acabo de lançar o livro “As aventuras do Capitão Presença” – esses dois últimos empreendimentos são publicados pela editora Conrad.

2 – Posso dizer que o Capitão Presença nasceu em laboratório: conheci Matias Maxx, observei seu superpoder de ter sempre unzinho em cima e o personagem estava criado, com o cavanhaque ralo do Matias e tudo. Isso foi em 2003, e juro que depois de duas piadas achei que a idéia estava esgotada – até começar a receber histórias do Presença desenhadas por outros cartunistas e perceber que o Preza, diferente dos Zumbis e do Alckmin, tinha vida própria. Então continuei a desenhar o Capitão para a revista – “Tarja Preta” – que o Matias lançou compilando as HQs do Preza de vários colaboradores que recebemos.

3 – Depois que o sucesso do Presença pegou mesmo, o Matias veio me dizer: “cara, já cobri turnê do Planet Hemp – em todo lugar que eles passavam ganhavam presença o tempo todo. Depois que vc inventou esse personagem, acontece o contrário comigo: os caras vivem me pedindo, é um saco”.

4 – Foi meio pedreira, porque a Conrad me procurou depois de uma entrevista no Estadão em que eu dizia que estava produzindo um álbum – mas era mentira, só tinha prontas as 30 tiras publicadas nos quatro números da Tarja Preta e na F#3. Tive que correr, porque tenho um emprego de 9 as 6 e o prazo era só de seis meses para um livro de 150 páginas.

5 – Tem bem mais histórias inéditas, comecei com muito pouco material – e ainda bolei uns passatempos do Presença, rascunhos, e uma coisa inédita em um álbum de quadrinhos, páginas bônus com os “erros de gravação”…

6 – Ele já era open source mesmo antes d´eu conhecer o conceito. Sem combinar nada, depois que postei as primeiras tiras no meu blog www.gardenal.org/mauhumor, vários cartunistas (inclusive alguns ídolos de adolescência – portanto ídolos até hoje – que não conhecia pessoalmente, como o MZK e o Schiavon) se apossaram do personagem. A idéia do Creative Commons é perfeita, transforma em direito uma situação que já acontece de fato, que é a interação de outros artistas com a sua obra. O sampler é isso, as intervenções urbanas… ao invés de estabelecer uma relação paranóica tipo o Lars “meus fãs estão me roubando” Ulrich, o bacana é liberar o personagem para que o público, reproduzindo sua imagem por aí em criações próprias, te ajudem a divulgá-lo.

7 – O livro tem 20 páginas de histórias de vários colaboradores.

8 – Lendo “Breve história do espírito”, do Sérgio Sant´anna, pra mim o melhor escritor do Brasil, e em matéria de filmes e música estou indo fundo no baú: o último filme que vi foi “Rififi” (1955, de Jules Dassin) e tenho ouvido muito dub dos anos 70, tipo Tapper Zukie.

9 – Escritores geralmente ficam ricos escrevendo sobre a época em que eram pobres, como Henry Miller, George Orwell e Bukowski – com os cartunistas é parecido, sem a parte de ficar rico depois. O mercado editorial parece desconhecer as leis trabalhistas, ou esteja tomando a iniciativa de modificá-las para poupar esse trabalho às autoridades constituídas. Portanto, se uma garota quer – mesmo contra a vontade de seus pais – namorar um cartunista, deve estar preparada para uma rotina de comida congelada e muitas reclamações.

10 – Webmaster de um site de notícias, mas estou tentando parar…

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It´s alive!

Almirante Nelson – Meus ancestrais navegantes ficavam muitos meses no mar, para fazer a Rota da Seda e trazer o produto da Ásia. Hoje o usuário encontra seda em qualquer loja de conveniência, a dois minutos de casa. A modernidade matou o romantismo – ou é tudo vã nostalgia deste velho lobo do mar?

Capitão Presença – Pois é , Marco Pólo devia ser canonizado, trouxe para o ocidente a seda e o Miojo, Top 1 Larica de Todos os Tempos. Esse era preza. Eu prefiro facilidade, saca, vida de maconheiro já tem muito perrengue. Andar com o Mané Bandeira já é aventura suficiente – e na real sou a favor da legalização até para poder impressionar as gatas na seção de Importados do super… imagina as estantes: Jamaica, México…

Mais uma entrevista com o Capitão Presença, desta vez pelo Almirante Nelson (alterego do imediato Nelson Moraes) em seu mundialmente famoso Ao Mirante, Nelson! Esse Preza está muito saidinho – tipo o Amigo da Onça, que ficou tão famoso que levou seu criador (o cartunista Péricles Maranhão) ao suicídio. Ha, mato esse puto antes…

Clique na imagem abaixo e veja uma página colorida da versão de Lost (“Without”) do livro do Preza.

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Clash of Titans

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Quadrinho da história em que Joe Pimp se encontra (quer dizer, mais ou menos) com o Capitão Presença – desenhada pelo Leo, você vai ler na já mítica Tarja Preta #5. Falando em Presença, mais uma entrevista, no portal Comunique-se, por Tiago Cordeiro. Íntegra nos comments, já que nem todo mundo vai ter paciência para se cadastrar.

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Lente da verdade

Entrevista para o Pedro de Luna, do Bigorna.

1) Vivemos numa sociedade onde muito se fala em liberdade de expressão. Mas sabemos que a repressão ainda existe. Você nunca se preocupou ou nunca aconteceu algum tipo de censura, ameaça ou coisa do tipo com vc e o Capitão Presença? Por exemplo, todo mundo da sua família, do prédio, etc agora sabe que voce gosta muito da planta…

Liberdade de expressão… cara, um país em que existe o ditado: “quem fala o que quer acaba ouvindo o que não quer” só pode ser um país de censores enrustidos. Sempre achei que falar o que se quer e ser obrigado a ouvir o que não se deseja (ou concorda) fosse a base da democracia. Temos alma de síndico de prédio, estamos sempre reprimindo, dando palpite sobre o que fulano ou sicrano devia fazer ou dizer. Então já estou acostumado, o Presença é o de menos.

Bem, há o risco de ser enquadrado por apologia, mas essa lei é tão cheia de buracos e aberta a tantas alternativas de interpretação que acredito que um advogado do naipe do que cuidou do caso das vítimas do Palace II me livre dessa, se rolar acusação. Aliás, quer ver apologia de verdade? Pergunta sobre a erva para um paciente de glaucoma com permissão médica para se tratar com canabis…

Tem outra coisa nesse país: somos recordistas em analfabetismo funcional, não conseguimos entender claramente o que lemos e ouvimos – confundimos o personagem com o ator, achamos que um roteiro é improvisado na hora por quem declama as falas… então eu poderia (atenção para o futuro do pretérito) ser abstêmio para criar o Presença; meu super-poder é o da observação. Mas como disse, estou acostumado (aposto que você também) a ser mal-interpretado, então não me importo…

2) Vc prefere desenhar sóbrio ou chapado?

Sóbrio, sou profissional em relação a meus vícios, não deixo que nenhum hobby idiota como desenhar quadrinhos atrapalhe nenhum deles.

3) a coletanea que forma o livro foi toda tirada de material ja publicado na F e na net ou tem uma parte inedita?

A maior parte das minhas coisas (cento e blau páginas) é inédita, quando a Conrad encomendou o álbum eu só tinha tipo umas trinta tiras e duas histórias de duas páginas prontas. Tive que correr, porque me deram seis meses de prazo – com um trabalho de 9 às 6, mais tiras diárias e cartuns para a Bizz e para a Sexy para fazer, te asseguro que não foi fácil… mas me esmerei, meu objetivo era deixar a parada engraçada a ponto de fazer o delegado responsável pela minha prisão rir – e consequentemente, pegar mais leve comigo.

4) O Sieber que é teu parceiro não pensou em fazer o desenho animado ou o curta do Capitao Presença?

O Sieber vive atolado nos projetos dele, nem teria cara de botar o Preza na fila da Toscographics. Na real dá pra fazer com outros caras, eu é que sou preguiçoso demais.

5) qual o melhor fumo que ja te apresentaram? Foi o Matias quem botou?

Não lembro, na real – e não sei distinguir essas coisas muito bem, bebo muito no processo, saca? Sou bagaceiro de berço, pra mim chocolate suíço e Prestígio tinham o mesmo gosto.

6) dá pra ver que vc não se preocupa muito com técnica. O traço é simples, beirando o tosco, e vc só pinta no micro o necessário. A idéia é essa mesmo ou na verdade vc é mais um roteirista que um desenhista?

Odeio desenhar e odeio aprender. Quer dizer, odeio aprender da forma clássica. Por exemplo, no caso do texto: leio muito e vejo muitos filmes por prazer, e claro que isso vai fazendo a diferença na hora de bolar minhas coisas – costumo dizer que o segredo da originalidade é não lembrar direito onde foi que você já leu aquilo. Mas a técnica de desenho se aprende ou frequentando um curso ou desenhando bastante, e não gosto das duas coisas. Mas claro que gostaria de desenhar bem como o Crumb, o Angeli, o Sieber, o Leonardo, o Zimbres, o Jaca. Se pudesse fazer um download de traço, como em ‘Matrix’…

7) e por fim, gostaria de saber por que vc acha que a lei dos quadrinhos (ainda em votação lá em Brasilia) não é uma luta sua. O que pensa a respeito? És um anarquista? hehehe

A única política que apóio para a Cultura é a Condescendência Zero, em todos os setores. Talvez nem tivesse pudor em botar a mão em qualquer subsídio, trabalho com carteira assinada há dez anos e tenho toneladas de contracheques com o registro das mordidas mensais em casa – ia me sentir mais ressarcido do que culpado. Mas acho que ninguém pode se fiar nisso pra construir uma carreira artística – pra esses sugiro o funcionalismo público, forchrissakes.

E sobre as cotas para quadrin(h?)istas nacionais em publicações impressas, fala sério: um quadrinho que realmente cative o público, ou tenha qualidades evidentes, acaba chegando a um veículo ou outro através do boca-a-boca. A internet está aí, foi o caso dos Malvados, por exemplo. O critério tem que ser qualidade sempre (ou interesse do público – se uma tira de valor contestável atrai leitores, bem, há que se suportar essas franquias do Ziraldo e do Miguel Paiva). Preferia ver mais gente como Peter Bagge, Johnny Ryan e Kaz nos jornais brasileiros, por exemplo, do que um cartunista sem muito engenho – mas, vejam só, nascido em Quiprocó da Serrinha, brasileiro da gema…

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Preza Press

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A Liv escreveu uma matéria muito sagaz sobre o livro do Capitão Presença no Almanaque Virtual – e de lambuja fez uma entrevista bastante esclarecedora (explanadora seria mais correto) com o Preza. A menina botou nosso herói nas cordas, obrigando o cara a exercitar a esquiva…

Saíram notas legais na Época, n´O Globo (em uma matéria sobre a La Cucaracha) e em vários jornais pelo país também. Algumas bizarramente empolgadas com o alto teor canábico do livro, está rolando alguma greve de Editores-Chefe ou algo assim? Só li uma notinha contra (“Supererrado”), na Tribuna da Imprensa – viro straight edge se esse cara leu o livro. Beijos nos corações.

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Zona de rebaixamento

Entrevista – vai virar uma matéria para O Popular, de Goiânia (como neguinho se liga em quadrinho lá, cara, bacana). Sim, estou sem material para vocês e a idéia aqui é encher lingüiça – não é crime ainda, não?

1. HQs são chamadas por muitos como a 9ª Arte. Você concorda? Você acha que esse trabalho goza desse status hoje em dia?

Nona arte… costumo dizer que estamos na zona de rebaixamento – e fico especulando qual seria a oitava arte, pintura em porcelana? Mas é uma discussão deveras subjetiva.

John Steinbeck dizia que Al Capp, com seu “Ferdinando”, merecia o Nobel de Literatura. O Millôr Fernandes acha o cartunista e artista gráfico Saul Steinberg maior do que Picasso (sem intenção de trocadilho), porque este trabalhava dentro do conceito abstrato de arte e aquele com idéias – a que Millôr atribui maior valor (“uma imagem vale mais que mil palavras, tente dizer isso sem palavras”).

O reconhecimento disso é complicado, porque a formação do cânon não depende de gente sensata como Millôr ou Steinbeck – enquanto aquelas paródias meia-boca de quadrinhos do Roy Lichtenstein correm o mundo em exposições, um gênio evidente como George Herriman (“Krazy Kat”) é uma nota de pé de página, uma curiosidade no livro da História da Arte.

2. Como foi que começou sua carreira? Quando você se descobriu desenhista, cartunista?

Começou tarde, mas eu sabia desde cedo que poderia ser uma opção, depois de rockstar. Sempre desenhava nos meus cadernos (Graúnas, personagens do Angeli, etc). Só fui voltar a desenhar aos 26, 27 anos para um jornal da comunidade de Vigário Geral (uma tira chamada “Blackmen in Black – Os Pretos de Preto”).

3. Até que ponto a tecnologia influencia nesse trabalho? Ela chega a ter um papel preponderante?

Pra mim a ferramenta baldinho de tinta do Photoshop é a maior invenção da humanidade. Antes usava métodos para colorir as tiras que prefiro não comentar, por vergonha. Mandar os trabalhos por e-mail – e publicá-los em sites e blogs – também me parece mais eficiente do que esperar a) um office boy vir buscar e b) o trabalho das rotativas.

4. Ainda há algum tipo de preconceito em relação a esse trabalho?

Claro. Muitos jornalistas ainda abrem suas matérias sobre quadrinhos explicando que existe um segmento de quadrinhos para adultos, como se a notoriedade de artistas como Angeli e Laerte não dispensasse o articulista deste tipo de introdução. Isso quando sai alguma coisa a respeito, perdemos em espaço nos periódicos até para, meu Deus, artistas performáticos…

O preconceito também se manifesta na hora de combinar salários com os orgãos de imprensa – algumas das ofertas te dão nostalgia dos tempos anteriores à Revolução Industrial…

5. Em qual tipo de trabalho é possível soltar mais a criatividade? Em gibis, tiras, em quê?

Se você tem talento, em todos os meios. O que você pode fazer a mais em uma revista ou fanzine próprio é ser mais contudente – o que não quer dizer, necessariamente, mais criativo.

6. O cinema também influencia, de alguma maneira, o trabalho que você desenvolve, já que as HQs não param de ganhar adaptações para a tela grande?

No meu caso, completamente. Mesmo que meu trabalho seja mais de tiras, de piadas de três quadrinhos (nas palavras do Laerte “um competidor de tiro curto”), gosto de pensar no desenvolvimento e conclusão da piada como um diálogo de cinema. Acho que roteiristas como Billy Wilder, Ernest Lehman, David Mamet e Woody Allen me influenciaram mais que muitos quadrin(h?)istas.

Agora, sobre essas adaptações de quadrinhos para cinema, tenho um tanto de pé atrás. Um bom personagem de quadrinho se basta nesse meio, e a sanha de Hollywood em ir atrás das HQs me parece mais fruto de um esgotamento criativo – e da monocultura sazonal de gêneros (filmes-catástrofe, terror asiático, comédias colegiais) – do que de um interesse genuíno pelo “valor artístico” da tal nona arte.

7. E o que você vislumbra para o futuro nessa área? Quais as inovações que você prevê para a arte em quadrinhos?

Vejo um pouco como o destino da humanidade em “O Exterminador do Futuro” – o mundo dominado por máquinas e os desenhistas de quadrinhos vivendo debaixo da terra, tocando uma arte morta por força do hábito… brincadeira, nada tão sombrio. Pelo contrário, acho que o interesse por quadrinhos vai crescer – como cresceu com o advento da internet, que ajudou muita gente a descobrir novos – e velhos – autores. O número de artistas atrás de um lugar ao sol também deve aumentar – mas também como em “O Exterminador do Futuro”, os fortes devem sobreviver.

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“Minha vida é um livro aberto que conta histórias de um deserto”*

Respostas a uma entrevista do Diego Assis para a revista da Volkswagen. A matéria é sobre humor na internet e ficou excelente. As perguntas estavam em um e-mail separado e fiquei com preguiça de copiar, mas dá pra sacar do que estou falando.

34 anos, Rio de Janeiro, sou formado em jornalismo mas só trabalhei com internet (webmaster, hoje inclusive trabalho dentro de uma redação) e em vários subempregos: balconista, vendedor, estagiário – que é um escravo com status de boy).

Publico o Mau Humor desde o final de 2002. A de audiência é de 700 visitantes por dia, média que acho baixa se comparada com a do Dahmer ou a do Allan, for instance.

Mais de um cara já comentou que eu sou tipo o “humorista dos humoristas”, pq outros quadrin(h?)istas estão sempre falando de mim mas meio que continuo um segredo bem guardado. O que me lembra o que o Larry David disse uma vez sobre quando fazia stand up comedy e tinha essa fama, de só ter outros cômicos na platéia: “isso quer dizer que eu era uma merda”.

Eu só gosto de humor com algum grau de inteligência, um dos motivos porque nunca gostei de palhaços é que quando moleque pensava: “cair de bunda no chão… essa merda eu também sei fazer”. É, eu era um moleque chato assim.

Dito isso, acho Hermes e Renato, South Park, irmãos Farrelly – caras que a princípio parecem só apelativos – sagazes pra caralho. E, claro, Allan Sieber, Leonardo (meus parceiros de F.), André Dahmer, Bennett, Chiquinha, Rafael Sica – só ficando com a nem tão nova geração de quadrin(h?)istas.

O Capitão Presença foi meio como descobrir plutônio por acaso. Em uma conversa com o Allan Sieber ele chamou um amigo nosso, a mítica figura de Matias Maxx, de Capitão Ganja – porque o cara parece estar abastecido mesmo em situações que nem os falcões ousariam, if you know what i mean. Na hora bolei o personagem, com a cara do Matias e o poder de ter sempre uma presença em cima, “salvando” o povo despossuído desse meu Brasil.

E, como sou uma péssima Mãe Dinah, fiz duas tiras e disse: “Ok, esse personagem já cumpriu o seu ciclo – é IMPOSSÍVEL fazer mais piadas sobre um sujeito com um uniforme verde e uma capa que leva bagulho para gente pra quem o produto está em falta”. Botei essas tiras no meu site www.gardenal.org/mauhumor e saí de férias. Quando voltei, vários cartunistas tinham desenhado histórias com o Capitão e me enviado por e-mail. Foi aí que percebi que carisma não se compra em farmácia e que o personagem ia render muito ainda.

Vai sair um álbum pela Conrad, está na boca (no bom sentido) de sair. Tem tiras inéditas, textos, jogos e passatempos.

Joe Pimp foi apelação total. Eu queria fazer um personagem que fosse total na contramão desses personagens que foram criados para gigolar a crise da mulher de trinta anos, da Radical Chic à Maitena. Queria um monstro machista que batesse (literalmente) de frente com esse tipo de humor a favor que a Maitena faz em causa própria e o Miguel Paiva provavelmente pra ganhar minas na base da bajulação. Aí foi só me inspirar nos clips cheios de mulheres gostosas de rappers dessa geração bling-bling pra quem a revolução sexual e o feminismo vingaram tanto quanto o comunismo ou a escova de dente elétrica. Fiz o cara como cafetão pra deixar claro que sexo é o nome do jogo.

Não sei desenhar, claro que gostaria, mas para parecer que estou acima dessas questões mundanas, digo que pincel, ecoline, gramatura, essas porras, são coisa de metrossexual. Ademais, sempre gostei mais do texto do que da arte. Você não gasta muito tempo apreciando o desenho do Wolinski (cartunista francês tosco – na real subproduz seu traço, porque sabe desenhar bem), por exemplo, mas guarda as piadas pra sempre.

Estou publicando na Tarja (Capitão Presença e Tarja Preta, os remédios do mal), editando a F. (Futebol-Força Futebol Clube, Entrevistas em Quadrinhos, Joe Pimp e Presença também), fazendo uma tira pro Diário da Manhã de Goiânia (de nome “Mau Humor”, com todas essas séries que citei + Mundinho Animal, que sai também no site www.tonto.com.br), publicando uma coluna na Bizz (“O mau humor de Arnaldo Branco”) e fazendo a série “A Ilha de Sexy” – paródia para a revista Sexy da “Ilha de Caras” – dividindo os pincéis (no meu caso a caneta Futura) com o Allan Sieber e o Leonardo, meus parceiros de F.

* – Pra homenagear o Guilherme de Brito, vai nessa véinho.

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