13 de junho de 2011 às 19h03
Talking funny
Entrevista para matéria sobre humor da revista d’O Globo, para Mariana Filgueiras. Pra tentar mais uma vez retomar esse abandonado sítio virtual :P
Qual é o seu limite? Você tem um, ou acha que o humor deva ter? Quais temas você não faz piada sobre?
- Meus limites são a graça e o bom senso, duas noções subjetivas, admito, mas você pode verificar facilmente quando a primeira não foi alcançada ou a segunda foi ultrapassada: 1) se ninguém ri 2) se algum grupo de defesa das minorias te processa. Não tenho tema proibido, apenas tomo alguns cuidados na abordagem.
Como o humor incorreto pode ser engraçado?
- Sendo mais engraçado do que incorreto. Dá para o humorista sair impune com uma boa sacada – a Sarah Silverman tem várias piadas sobre estupro que fazem a platéia gargalhar de prazer culpado.
Há um limite entre piadas politicamente incorretas e ofensa?
- Há. Humor é elaboração, ofensa é instinto. Ofensa pura e simples aproxima seu trabalho do senso comum, do inconsciente coletivo. Por exemplo, a frase sobre estupro do Rafinha nem pode ser chamada de piada, é uma associação de idéias que qualquer sujeito sem noção pode fazer (a mulher feia é sexualmente frustrada; sexo a força é melhor que sexo nenhum etc). Não precisa de um humorista para formular.
A internet (twitter, principalmente) infla(ma) mais os ânimos neste debate?
- A internet acelera o debate. Antigamente tínhamos que esperar sair o Segundo Caderno pra acompanhar a polêmica da vez. Mas a internet serve pra diluir também: todo dia tem uma polêmica nova, rapidamente a indignação do povo já está ocupada com outro tema.
O público está mais mal-humorado? Encaretou e agora se ofende à toa? Qual sua avaliação sobre a recepção do humor atualmente?
- Não acredito que o público se ofenda a toa: acho que nossos humoristas é que gostam de culpar o público quando seu humor não é eficaz – eles não são diferentes dos políticos que, quando são acusados de alguma coisa, reclamam de perseguição política. Tem muito piadista ruim botando culpa no politicamente correto.

































