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Compra, tio?

Propagandinha dessa nova Bizz, especialmente porque é minha primeira matéria de capa. Barba, cabelo e bigode: escrevi o artigo sobre o programa do SBT “Ídolos” (“American Idol”, no original), fiz com o Pedro Só a entrevista com o Miranda (jurado, produtor e eminência parda) e ainda mandei colaborações – não sei se saíram – para uma seção chamada Merdas Acontecem (esse nome, esse nome…), que são comentários curtos sobre o noticiário musical – de fevereiro, mal do jornalismo mensal. Comprem porque se vender mal serei pessoalmente responsabilizado. Abaixo, trechos.

Ídolos:

Vivemos em um tempo em que o ídolo do povão é o Lula, o do Flamengo é o Obina e o da molecada é o Chorão. “Triste é o país que precisa de heróis”, ainda mais com essa safra. Mas o panorama desalentador não parece intimidar os realizadores de Ídolos. O programa do SBT (em sua segunda temporada desde março) escolhe entre 20 mil vítimas da moda um sujeito para gravar um CD e encarar o cruel mercado musical – que constantemente dá lições a vencedores de reality shows sobre a verdadeira realidade. Que o digam os ganhadores do programa correlato da Globo, Fama – puxando pela memória só me lembro daquela mina gorda, alguma coisa Jackson.

(…)

Em BH cheguei depois da fase da fila, já com os concorrentes reduzidos aos que iriam encarar os jurados. Confinados em uma sala do hotel e só podendo sair para ir ao banheiro em turnos similares aos de banhos de sol em presídios, os candidatos exultavam toda vez que alguém da produção abria a porta para anunciar mais um nome aprovado. Imaginava que não encontraria muita gente interessante, porque se em Salvador o povo notoriamente expansivo ficou um tanto retraído nas entrevistas, achava certo que em BH o povo notoriamente retraído seria, definitivamente, lacônico. Estava errado.

Às vezes me identifico com o programa: também sou o maior pára-raio de maluco. Um cara ao meu lado levanta e começa a tocar flauta; percebo que está sem crachá de concorrente. Antes que consiga me dar conta, o sujeito estende a ponta de uma faixa, que seguro por reflexo, e se afasta para abrí-la: tem algo escrito sobre o apocalipse – e um número de 0800. Trechinho do discurso dele que gravei enquanto ajudava a mostrar a faixa para o auditório: “…nós como seres divinos, e o planeta como um todo, está crescendo. O sol não está atendendo os nossos pedidos e então o câncer está fazendo uma limpeza em nosso planeta, isso é um conceito da física quântica…”. O 0800 deve ficar ocupado direto.

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Entrevista com Miranda:

Arnaldo – Quando começou a surgir a cena do rock gaúcho?

Eu queria fazer uma cena, pensava: “vou fazer umas 13 bandas aqui, chamar mais uns loucos para fazer”… e nessa história encontrei um dia com o Carlos Gerbase, queria saber se era verdade que ele estava fazendo uma banda punk chamada Replicantes com o Wander Wildner, que era o cara mais hippie da parada (risos). Isso era em uma loja chamada Free Discos, e na mesma hora, véio, aparece um molequinho, estranho da porra, querendo um disco do Madness que era pra mim. Fui falar com ele e o cara se apresenta “meu nome é Edu K, tenho 15 anos, estou vindo de Foz do Iguaçu morar aqui”. Aqueles momentos que tu fala, porra, a vida é louca.

Pedro – Aí começou o movimento.

Aí, velho, somos o movimento do rock gaúcho, e começamos a marcar show… tu olhava no jornal e tinha show pra caralho – e colou o movimento. E em 82 aparece a Blitz, Lobão… aí eu, caralho, finalmente, véio, e aí comecei a me mexer, vim em julho para o Rio e vi Barão Vermelho, Papel de Mil, Zé da Gaita, voltei pra Porto e falei: “é agora que a gente vai agitar o bagulho” – e o primeiro fruto disso foram os nossos antagonistas, os Engenheiros do Hawaii (risos)! A gente ficou com raiva porque começou a tocar na rádio e o Gerbase: “Por que esses merdas, essa música merda toca na rádio?” (risos). No primeiro show do Engenheiros eu e o Edu K estávamos na platéia, cheirando cola, e me deram um microfone ligado, fiquei dando uns berros no microfone no meio do show (risos), os caras não sabiam de onde vinham.

Notícias comentadas:

07/02 – Pedrinho Mattar morre aos 70 anos.

Uma perda irreparável para a família Mattar e para colunistas com tentação pelo trocadilho. Os fãs de velha data, como Dorinha Duval e Lindomar Castilho, terão saudade de Mattar.

13/02 – Robbie Williams se interna em clínica de desintoxicação no dia de seu aniversário.

Drogas sempre foram uma constante na carreira de Robbie, que começou aliciando adolescentes em uma boy band. Neste aniversário resolveu limpar o organismo dos abusos cometidos em estúdios de gravação e presentear o público com sua ausência, nada é perfeito, temporária.

15/02 – O Daily Variety anunciou que uma cinebiografia da dupla Milli Vanilli está sendo pré-produzida em Hollywood.

O sósia da dupla, Toni Garrido, que também atua como cantor em uma banda que alega tocar reggae, poderia compor o elenco.

26/02 – Gilberto Gil declara, em entrevista na Espanha, que seu trabalho como ministro não lhe deixa com tempo para compor.

Ganha força a campanha por um terceiro mandato, mas a oposição suspeita de manobra para justificar o lançamento de mais um disco de covers.

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I goth you babe

Trechinho de texto que fiz para esse número da Bizz, com o mote góticos (pauta sugerida pela redação, como todas até agora, prefiro assim). A capa é, jeez, Evanescence. Me pediraram para dar conselhos a um ex-gótico sobre o que fazer com o figurino recém-aposentado e a pose angustiada de seu passado negro. Assim:

Deixou de ser gótico e não sabe o que fazer com a indumentária preta e os acessórios perfuro-cortantes? E o que dizer das sobras de pó compacto, lápis preto e rímel? São condizentes com sua aspiração de ser um heterossexual clássico? Sugestões para aqueles que descobriram que nunca é tarde para desenvolver senso do ridículo.

Trabalho:

Quem disse que os anos que você passou violando sepulturas ao invés de estudar foram desperdiçados? Você pode usar seu conhecimento sobre escritores atormentados que morreram de tuberculose para lecionar literatura. É só estudar os escritores que faltam, basicamente aqueles que nasceram depois da descoberta da penicilina.

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E parece que continuo angariando antipatias na minha breve carreira como repórter musical. A chamada no site da Bizz para a seção de cartas diz: “Indignação com Arnaldo Branco”, devem ser os fãs da Ivete. Nem leio essas porras, de analfabeto funcional já chegam os que dão as caras por aqui de vez em quando. Mas não curto muito esse papel de Edson Santana (necrófilos dos anos 80 estão ligados), vou pedir para cobrir um show da Tiazinha para pelo menos poder elogiar o (na real a falta de) figurino.

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Gostosona mas ordinária

Nessa nova Bizz – quase nas bancas – tem resenha sobre aquele show da Ivete Sangalo de que falei antes. Um pedaço aí embaixo. Pena que usaram minha segunda opção de título (“Macumba para nativo”) ao invés da que preferia: “Coitus Interruptus”. Enjoy.

“Eu sou muito apaixonada por vocês!” – Ivete Sangalo, dezembro de 2006, Maracanã.

“O nosso amor é tão bonito / ela finge que me ama / e eu finjo que acredito” – Nelson Sargento.

Ela é a última representante da era de ouro (em valores movimentados) das gravadoras, quando, apostando no axé, gênero de que Ivete Sangalo é rainha, emplacavam vendagens similares com cantoras sem um décimo do seu carisma. Natural que ganhasse essa festa de aniversário tardia (fez 34 anos em maio) digna de uma filha predileta. E que o palco fosse o estádio até pouco conhecido como “Maior do Mundo”.

O Maracanã, onde times cariocas simulam um campeonato de futebol, foi o lugar perfeito para Ivete fingir fazer um show ao vivo. Porque não era bem um show – era, como lembrou várias vezes o sujeito escalado para ensaiar com a “galera” uma música inédita (“sha lá lá lá lá”, dizia o primeiro de uma série de refrões em sílabas da noite), “a gravação de um DVD”. Ao que o público respondeu: “Arerê-ê, estou na gravação do DVD, ê-ê”.

Mais: mandou que todos erguessem os braços para a foto da capa sem nem ao menos um playback para dar um clima. E fez várias recomendações para garantir que quando Ivete subisse ao palco não houvesse nenhum defeito na empolgação – exemplo, pediu que as pessoas reagissem com o mesmo “oh!” de surpresa se algum artista convidado tivesse que voltar para cantar a música de novo. Meu sangue gelou, Alejandro Sanz estava na lista…

Isso mesmo, as músicas seriam repetidas – como em um filme pornô, as cenas poderiam ser interrompidas para que a ação ficasse mais fotogênica na sala de edição. Além disso, para que o tempo quente e o suor não prejudicassem a beleza natural da cantora, maquiador e cabelereiro tinham acesso livre ao palco . Torci bastante pela entrada do depilador.

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A piada mortal

Coluna da Bizz, atualizada.

Falando na revista, este mês tem matéria minha (fotografando Matias Maxx) com a cobertura de um show dos Raimundos no interior de São Paulo. Antes que você pergunte qual o propósito, saiba que o texto é justo sobre isso – Raimundos ainda, qual é o propósito? - Rolou o pacote todo: ônibus, hotel, apresentação – litros de cerveja, um churrasco, uma facada (isso mesmo, alguém ferido por arma branca), uma série de impropérios que certamente esquentaram os ouvidos do Rodolfo e uma falta de vergonha absurda dos entrevistados em expor os problemas do que restou da banda que já foi a mais popular do país. Me lembrou aquele documentário do Metallica, “Some Kind of Monster” pela sinceridade um tanto desfavorável pros caras. Sugiro.

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Sobre a polêmica da vez, só uma pergunta: quem é o assessor de imprensa dessa mina? Como diria o Fausto Silva nos nem tão good ol’ days, mais incompetente que o anjo da guarda da família Kennedy.

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Buzz

Duas materinhas nessa nova Bizz, as duas no caderno de verão. Uma delas essa da foto com o Matias Maxx, testando a reação dos banhistas do Piscinão de Ramos a músicas estranhas ao ambiente de praia. Fomos xingados quando tocou Pelvs, dou razão à turba…

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E um textinho com dicas de verão para quem odeia a estação. O verbete “Ivete Sangalo” diz:

Ivete Sangalo – Não há distância razoável dentro do território nacional para se fugir do fenômeno – especialmente com o lançamento do DVD ao Vivo no Maracanã, casa de espetáculos infelizmente sujeita à ação predatória do campeonato carioca. Se você é daqueles que acha que o ritmo sensual e contagiante dessa mulher está sendo mal aproveitado na área musical, sugerimos o confinamento em um banheiro com isolamento acústico e alguma revista com fotos da artista. Forma é conteúdo.

Infelizmente não pude seguir meu próprio conselho: fui escalado para cobrir a Ivete, melhor dizendo o tal show dela no Maracanã agora dia 16. Quero ver todo mundo de mãozinha pra cima!! Se essa mina fosse tira podia coordenar a maior revista policial da História…

E de lambuja, o cartum que saiu na revista do mês passado:

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Vacation Report

Continuo atualizando a coluna lá no site da Bizz. Trechinho:

Sempre quis ser um Homem da Renascença, assim tipo um Miguel Falabela. Ah, escrever, desenhar, atuar. Atuar não, tive educação católica.

E também estou nesse projeto da Época, “300 Filmes para ver antes de morrer” (particularmente sugiro “O Guarani” da Norma Bengell, inclusive porque ajuda no processo – e porque diante dele, nenhuma vida parece realmente desperdiçada), com minibios espirituosas que graças a Deus foram tesouradas para coibir algumas viagens. Exemplos:

Sean Connery
25 de agosto de 1930

Descoberto para o mundo junto com o biquíni branco de Ursula Andrews em “007 contra o satânico Dr. No” (1962), Sean Connery é de Edimburgo, Escócia, e um dos raros casos de atores cinematográficos que conseguiram se livrar de papéis de heróis de seriado. Depois de seis filmes como o agente James Bond seguiu brilhante (e versátil) carreira em filmes como “O homem que queria ser rei” (1975), “Uma ponte longe demais” (1977), “O nome da rosa” (1986) e coroada com um Oscar por seu papel em “Os Intocáveis” (1987) – curiosamente votado em uma pesquisa o pior sotaque irlandês jamais levado às telas. Nada mal para um ex-leiteiro.

Oliver Stone
15 de setembro de 1946

Quando se aposentou, a implacável crítica Pauline Kael escreveu: “pelo menos não serei mais obrigada a ver mais nenhum filme de Oliver Stone”. O exagero da resenhista tem justificativa – os exageros do próprio diretor. Caso clássico de ame ou odeie, filmou com variáveis graus de arrojo sua obsessão chatinha pelo Vietnã em “Platoon” (1986), “Nascido a 4 de julho” (1989) e “Entre o Céu e a Terra” (1993); suas teorias da conspiração em “JFK” (1991) e “Nixon” (1995) e suas platitudes metidas a profundas em “The Doors” (1991) e “Um Domingo Qualquer” (1999). Mas emplacou no imaginário das platéias cenas antológicas como o fuzilamento do sargento Elias (Willem Dafoe) em “Platoon”.

E aqui um abraço para o JP Cuenca que me deu uma moral no blog dele n´O Globo.

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