22 de março de 2007 às 16h27
Compra, tio?
Propagandinha dessa nova Bizz, especialmente porque é minha primeira matéria de capa. Barba, cabelo e bigode: escrevi o artigo sobre o programa do SBT “Ídolos” (“American Idol”, no original), fiz com o Pedro Só a entrevista com o Miranda (jurado, produtor e eminência parda) e ainda mandei colaborações – não sei se saíram – para uma seção chamada Merdas Acontecem (esse nome, esse nome…), que são comentários curtos sobre o noticiário musical – de fevereiro, mal do jornalismo mensal. Comprem porque se vender mal serei pessoalmente responsabilizado. Abaixo, trechos.
Ídolos:
Vivemos em um tempo em que o ídolo do povão é o Lula, o do Flamengo é o Obina e o da molecada é o Chorão. “Triste é o país que precisa de heróis”, ainda mais com essa safra. Mas o panorama desalentador não parece intimidar os realizadores de Ídolos. O programa do SBT (em sua segunda temporada desde março) escolhe entre 20 mil vítimas da moda um sujeito para gravar um CD e encarar o cruel mercado musical – que constantemente dá lições a vencedores de reality shows sobre a verdadeira realidade. Que o digam os ganhadores do programa correlato da Globo, Fama – puxando pela memória só me lembro daquela mina gorda, alguma coisa Jackson.
(…)
Em BH cheguei depois da fase da fila, já com os concorrentes reduzidos aos que iriam encarar os jurados. Confinados em uma sala do hotel e só podendo sair para ir ao banheiro em turnos similares aos de banhos de sol em presídios, os candidatos exultavam toda vez que alguém da produção abria a porta para anunciar mais um nome aprovado. Imaginava que não encontraria muita gente interessante, porque se em Salvador o povo notoriamente expansivo ficou um tanto retraído nas entrevistas, achava certo que em BH o povo notoriamente retraído seria, definitivamente, lacônico. Estava errado.
Às vezes me identifico com o programa: também sou o maior pára-raio de maluco. Um cara ao meu lado levanta e começa a tocar flauta; percebo que está sem crachá de concorrente. Antes que consiga me dar conta, o sujeito estende a ponta de uma faixa, que seguro por reflexo, e se afasta para abrí-la: tem algo escrito sobre o apocalipse – e um número de 0800. Trechinho do discurso dele que gravei enquanto ajudava a mostrar a faixa para o auditório: “…nós como seres divinos, e o planeta como um todo, está crescendo. O sol não está atendendo os nossos pedidos e então o câncer está fazendo uma limpeza em nosso planeta, isso é um conceito da física quântica…”. O 0800 deve ficar ocupado direto.

Entrevista com Miranda:
Arnaldo – Quando começou a surgir a cena do rock gaúcho?
Eu queria fazer uma cena, pensava: “vou fazer umas 13 bandas aqui, chamar mais uns loucos para fazer”… e nessa história encontrei um dia com o Carlos Gerbase, queria saber se era verdade que ele estava fazendo uma banda punk chamada Replicantes com o Wander Wildner, que era o cara mais hippie da parada (risos). Isso era em uma loja chamada Free Discos, e na mesma hora, véio, aparece um molequinho, estranho da porra, querendo um disco do Madness que era pra mim. Fui falar com ele e o cara se apresenta “meu nome é Edu K, tenho 15 anos, estou vindo de Foz do Iguaçu morar aqui”. Aqueles momentos que tu fala, porra, a vida é louca.
Pedro – Aí começou o movimento.
Aí, velho, somos o movimento do rock gaúcho, e começamos a marcar show… tu olhava no jornal e tinha show pra caralho – e colou o movimento. E em 82 aparece a Blitz, Lobão… aí eu, caralho, finalmente, véio, e aí comecei a me mexer, vim em julho para o Rio e vi Barão Vermelho, Papel de Mil, Zé da Gaita, voltei pra Porto e falei: “é agora que a gente vai agitar o bagulho” – e o primeiro fruto disso foram os nossos antagonistas, os Engenheiros do Hawaii (risos)! A gente ficou com raiva porque começou a tocar na rádio e o Gerbase: “Por que esses merdas, essa música merda toca na rádio?” (risos). No primeiro show do Engenheiros eu e o Edu K estávamos na platéia, cheirando cola, e me deram um microfone ligado, fiquei dando uns berros no microfone no meio do show (risos), os caras não sabiam de onde vinham.
Notícias comentadas:
07/02 – Pedrinho Mattar morre aos 70 anos.
Uma perda irreparável para a família Mattar e para colunistas com tentação pelo trocadilho. Os fãs de velha data, como Dorinha Duval e Lindomar Castilho, terão saudade de Mattar.
13/02 – Robbie Williams se interna em clínica de desintoxicação no dia de seu aniversário.
Drogas sempre foram uma constante na carreira de Robbie, que começou aliciando adolescentes em uma boy band. Neste aniversário resolveu limpar o organismo dos abusos cometidos em estúdios de gravação e presentear o público com sua ausência, nada é perfeito, temporária.
15/02 – O Daily Variety anunciou que uma cinebiografia da dupla Milli Vanilli está sendo pré-produzida em Hollywood.
O sósia da dupla, Toni Garrido, que também atua como cantor em uma banda que alega tocar reggae, poderia compor o elenco.
26/02 – Gilberto Gil declara, em entrevista na Espanha, que seu trabalho como ministro não lhe deixa com tempo para compor.
Ganha força a campanha por um terceiro mandato, mas a oposição suspeita de manobra para justificar o lançamento de mais um disco de covers.












