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Litteratura

Mundinho!

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Sir Mix-A-Lot

Matéria n’O Globo (Megazine) sobre essa onda de mash-ups entre clássicos da literatura e criaturas de histórias de terror (“Orgulho, Preconceito e Zumbis”, “Razão, sensibildade e monstros marinhos”). Me pediram para fazer um cruzamento entre monstros e um autor brasileiro consagrado, escolhi Nelson Rodrigues. Clique.

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Escala Richter

Mundinho!

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A pequena arte

http://www.oseminaristaolivro.com.br/

Mais um livro que mandam pela Frog (alô pessoal) para dizer o que achei. Sou fã do velho Rubem, mas dessa vez não desceu muito bem. Mas é aquilo, leiam e me digam.

Ars longa

Sou do tempo dos vilões sem pretensões intelectuais. Enquanto apertavam o torniquete na cabeça do herói, a única coisa sobre o que falavam era seu plano de dominação mundial. Não sei de quanto tempo para cá começaram a recitar Shakespeare e deixar subentendidos traumas psicológicos que justificam sua vilania.

Rubem Fonseca também é desse tempo, mas seus personagens, heróis ou vilões, sempre tiveram pendores eruditos. Seus delegados, ladrões e psicopatas geralmente têm expertise em alguma área: são enólogos, exadristas, literatos. O ex-seminarista do seu último livro, que também é um assassino profissional arrependido (dos assassinatos, não do seminário), sabe muitas frases de pensadores católicos em latim.

Esse cacoete literário nunca me incomodou. Mesmo seus personagens mais violentos sempre estiveram no limite do cômico, da caricatura, e os diálogos didáticos e sem nenhuma concessão ao coloquial servem para sublinhar o absurdo de cada situação. E ademais suas tramas bem urdidas quase sempre compensam essa minúcia, a verossimilhança (sem ironia aqui). Mas neste livro específico, hum, não sei não.

A história: pistoleiro de aluguel quer se aposentar, mas ainda tem algumas arestas para acertar em um dos últimos contratos que aceitou. Acaba tendo um caso com a filha de seu contratante no mundo do crime, intermediário de empregadores que não conhece, um sujeito que ressuscita sem maiores explicações depois de levar dois tiros na cara. Como numa trama noir clássica, todos começam a morrer ao redor do protagonista, embora hoje existam câmeras de segurança que não atrapalhavam os bandidos do Raymond Chandler; também surge um mcguffin para justificar a jornada do herói: um CD-r com dados que incriminam um empreiteiro.

Talvez porque nada no livro convença como motivação (lembrei do disco de dados com “spy shit” do filme “Queime depois de ler”) ou contexto (o matador, um pobre diabo, parece ter amigos em qualquer meio que seja conveniente para a narrativa), a construção rasteira dos personagens tenha ficado mais evidente. Aqui, ela não serve a nada, nem à trama, nem a uma comicidade que “O Seminarista” não tem.

O estilo econômico de sua escrita também não ajuda. Quando usado nas boas cenas de seus romances e livros de contos mais inspirados, dá um ritmo cinematográfico, de edição precisa, ao texto. Aqui, só deixa o fraco argumento desamparado.

P.S.: A cena de abertura, com o assassinato do Papai Noel, parece tirada de uma continuação ruim de Desejo de Matar.

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Ars gratia vagina

Minha coluna para a Zé Pereira, Vaidade Autoral.

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“‘A Banda’ é insuportável!’ – Jaguar

http://www.osomdopasquim.com.br/

O Mini propôs meu nome para escrever sobre um livro, em uma ação de marketing misturada com meme, e indicou “O Som do Pasquim”, que já saiu tem um tempinho. Sei que vou levar chamada de uns e outros que não curtem esse tipo de ingerência neste espaço, mas bicho, é livro. Livro é que nem pizza, quando é ruim é bom – no mínimo vai te ajudar a fixar pontos de ortografia, se o escritor mandar mal mas o revisor for craque. Portanto, eis minhas impressões sobre esse relançamento (a primeira edição é dos anos 70, da editora do próprio Pasquim, a Codecri – Comitê de Defesa do Crioléu).

O tempo da indelicadeza

Nos anos 60 e 70 a cana era dura, mas temos a impressão que a vida era  mais leve. Hoje se pode falar de tudo mais abertamente – e o pessoal do funk proibidão (maneira de dizer) aproveitou a deixa – mas naquele tempo o compositor popular tinha que se virar com uma sutileza compulsória que deixava o cidadão bolado: aquela letra elíptica seria uma crítica social ou alusão ao ato sexual? Os decodificadores do duplo sentido devem ter ficado maluquinhos com a entrada em cena do Djavan – menos mal que hoje em dia estamos ligados que ele não queria dizer porra nenhuma mesmo.

Mas na hora das entrevistas, que diferença. Se agora todo mundo é amiguinho e cada uma das aspas arrancadas de um artista contemporâneo equivale a um ritual de beija-mão, naquele tempo, mermão, o couro comia. Depois de ler “O Som do Pasquim”, coletânea de conversas entre os jornalistas daquele hebdomadário e uma carrada de músicos de várias procedências, você vai entender o uso da expressão Anos de Chumbo.

Não se pode dizer aquela frase clássica sobre o remake de “O Som do Pasquim”, que esta é uma edição revista e ampliada – antes é uma edição revista e reduzida: limaram as entrevistas da Maria Bethânia, Ângela Maria e Roberto Carlos. Elas e ele não quiseram assumir o que disseram sob efeito do álcool (passivo que seja, o povo do Pasquim bebia paca) e da inconsequência da juventude – quer dizer, a Ângela Maria (1928) não tinha essa desculpa. A proibição do Roberto só faz sentido por conta de sua personalidade paranóide, porque sua entrevista é a mais inócua da edição original, mas Bethânia sabe onde está pisando: gasta quase duas páginas da sua descrevendo um briga (física inclusive) com o empresário Guilherme Araújo.

Mesmo assim a nova edição é um festival de, como dizia Nelson Rodrigues, rútilas patadas. Waldick Soriano: “Não gosto da música do Gil, nem do Caetano, nem da Gal, nem da Bethânia, nem de ninguém”. Moreira da Silva: “Paulinho da Viola é sofrível e Caetano é uma porcaria, um chato”. Agnaldo Timóteo foi (paradoxo) macho de deixar a entrevista como a concedeu, mas pela lista de pessoas para quem escreveu uma nota se desculpando, dá pra ter idéia de quantas ofendeu: Caetano Veloso, Maria Alcina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim – curiosamente, não pediu desculpas a João Gilberto, de quem também falou mal.

Mas também se falou bem, duplo sentido aqui: o Ivan Lessa chega a citar o poema Kubla Khan, de Coleridge, para comentar uma resposta do Chico Buarque. Muito bom ver o Lupicínio Rodrigues se declarando não artista, mas boêmio – e reclamar, para acabar com a dúvida dos entrevistadores relapsos, que era sim o autor de “Felicidade” e que escrevera o hino do Grêmio, não o do Internacional. E Tom Jobim, respondendo porque voltou para o Brasil depois de sua temporada americana: “Voltei para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% dos brasileiros que pagam imposto de renda. Voltei porque nunca saí daqui”.

A teoria do homem cordial de Sérgio Buarque de Hollanda, pai do entrevistado Chico, não ganha exatamente uma base de sustentação com esse livro. Mas o leitor ganha muito.

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Esforço intelectual

Quando escrevi que o CQC era – digamos – acusado injustamente de fazer humor inteligente, muitas pessoas vieram dizer que não existe humor inteligente ou burro, mas engraçado ou não. Quem dera. No Brasil, pelo menos, predomina um humor que não é inteligente nem engraçado.

Nos EUA é diferente. Embora também exista a variante gringa de humor com trocadilho e piadas semiautomáticas geradas quase que por osmose através do inconsciente coletivo (ex: todas essas associando a gripe suína a gente gorda, Palmeiras ou Míriam Leitão), sabemos que existe uma tradição de tentar fazer rir através do engenho, da sacada, daquilo que ninguém percebeu – no lugar de devolver o óbvio para o espectador.

Exemplo, os cartuns da New Yorker. Apesar de algumas acusações de hermetismo – como no episódio de Seinfeld em que um editor da revista é obrigado a admitir que um deles não faz sentido – são fáceis de entender se o leitor tiver um mínimo universo referencial. O problema é que esse tal mínimo universo referencial é considerado elitismo no Brasil, onde a palavra intelectual é xingamento e o termo trash é selo de qualidade.

Para tentar reverter esse quadro, a Desiderata lançou três compilações desses cartuns, por tema: Gatos, cachorros e analistas, três espécimes do reino animal com características bem particulares. Uma pena que parte da seleção tenha ficado a cargo do corpo editorial da revista e por isso não haja trabalhos de James Thurber e do Saul Steinberg (um de cada, abaixo). Mas os que o Sérgio Augusto traduziu/adaptou para o português são excelentes.

E não tem nenhuma piada com porcos, um alívo nesses dias.


James Thurber



Steinberg

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Sweet smell of success

Minha coluna Mal Necessário para a Zé Pereira: Fatalismo em arte.

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Estreitando laços

Mundinho Animal da semana, clique na imagem.

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Vender livro pra burro

E minha versão e do Gabriel Góes em HQ para O Beijo no Asfalto, do Nelson Rodrigues, foi comprada pelo MEC para ser adotada em bibliotecas de escolas. Graças a um contrato draconiano em favor da família do Nelson, não vamos ganhar grandes coisas além da culpa pela má formação de algum aluno da rede pública ;) Mas o que vale é a intenção. Get rich or die trying, por enquanto dando coluna dois.

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O Mito de Fausto

Update: o Portal Literal publicou nossa entrevista com o Fausto.

Minha história favorita do Fausto Wolff era a o do marinheiro sueco que ele derrubou em um demorado duelo de birita, para depois virar para a platéia: “agora vamos beber socialmente”.

Lembro de quando li uma coluna do Verissimo – há quase (ou mais de?) duas décadas – sobre um encontro particularmente festivo de cartunistas e escritores em um bar na Cobal do Leblon. Nem guardei lembrança se o FW estava presente (tinha Millôr, Jaguar, acho que Rubem Braga), mas recordo o que pensei: “azar da grana, minha ambição profissional é poder sentar nessa mesa”. Nunca obtive o gabarito, e mesmo que me deixassem puxar uma cadeira por caridade, a reunião hoje estaria desfalcada, por morte ou desavença. Ficou a idéia dessa mesa ideal (a minha nem teria exatamente a escalação do Verissimo) em que não saberia que conversa paralela acompanhar, por total admiração. Mas eventualmente consegui ter alguma idéia de como seria beber com o panteão. Com o Fausto foi uma delas.

Encontrei o velho algumas vezes com o Allan e o Leo, geralmente em missão de entregar a revista F. da vez – virou uma espécie de ritual a cada edição. Além da chinfra de beber com o Pelé do uísque, ouvíamos idéias sensacionais, como a do programa de televisão com o Fausto de âncora, envolvendo verdades indizíveis e uma garrafa de scotch cenográfica com um rótulo enorme escrito “chá”. Até que finalmente fomos entrevistá-lo, levando o Dahmer e o João para filmar.

Fiquei com o trabalho de corno de transcrever as fitas, e é lindo ver no fast foward a imagem de três garrafas de uísque sendo consumidas em três horas de conversa – com cada vez menos gelo, porque o congelador não deu conta do ritmo. Lembro do Dahmer impressionado com o tamanho das mãos do gigante (1,92 m, parecendo mais por causa da largura) e mesmo assim arriscando provocar a homofobia gaúcha dele: “por que você nunca deu o cu, Fausto?” – maior silêncio significativo que já testemunhei, temi mesmo pelo nariz do meu amigo. Lembro do nosso entrevistado repetir várias vezes “não vou pedir pra ler essa entrevista!”, uma das várias mentiras sensacionais (comeu a Brigitte Bardot e a Dóris Giesse etc) que nos contou: pediu pra ler sim, e reescreveu tudo, mudando inclusive as falas dos entrevistadores para levantar a bola para suas novas respostas, fazendo o Allan abrir perguntas com coisas como “segundo estatísticas do IBGE, o Brasil é um país que…”. Impensável.

É claro que não aceitamos a nova versão, e publicamos uma edição bastante reduzida da nossa conversa – por questões de espaço e, em alguns casos, temor de processo. Ficamos na expectativa, achando que termos desrespeitado sua vontade poderia provocar a ira do Lobo, mas depois de alguns meses relaxamos, já que não soubemos de nenhuma reação adversa. Até que recebemos um telefonema quando estávamos indo para sua festa de aniversário: era melhor não comparecer, porque o Fausto finalmente tinha decidido ler a bruta – de uma maneira bem dele, em forma de discurso para os convidados – e queria nos matar.

Depois que começou a ouvir elogios pela entrevista corajosa, perdoou os moleques. Era assim: tinha rompantes de raiva e ternura, queria o crédito por tudo, era mitômano e ególatra e principalmente genial. Quem conhece a obra sabe que ela reflete o autor.

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Enough about us, let’s talk about me

Mundinho da semana, pressione o cursor contra a figura.

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Escrita marginal

Opa, o Mundinho Animal da semana. E o lance das tiras do Flamengo explico amanhã…

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Os males do Brasil são

Mundinho Animal, bom proveito.

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Nada além da verdade

A Simone Campos escreveu esse texto excelente sobre literatura e umbiguismo pro Le Monde Diplomatique Brasil. Leiam agora, assinaria embaixo e enviaria por e-mail para minha lista de contatos se isso não fosse considerado de mau tom, levemente repulsivo e passível de queixa-crime.

Falando no prestígio das obras confessionais em detrimento das ficcionais, voltei a ter TV a cabo e finalmente fui apresentado à explosão dos programas sobre gente comum fazendo nada em particular. Sabia que era a tendência, mas não imaginava que a coisa tivesse chegado a esse ponto de quase monopólio da grade. Mudou meu conceito do que é o considerado bad television (no sentido que os diretores empregam: aquilo que consideram comercialmente inviável) – é a vitória da premissa do Seinfeld, só que totalmente levada ao pé da letra.

Mas o que realmente não entendo nesse exagero de programas com câmera escondida, de reality shows, de sujeitos com problemas de extroversão abordando gente na rua é que os roteiristas dos humorísticos parecem estar abrindo mão de uma das raras formas de pagamento que não atrasam: a vaidade autoral. Você liga a câmera e espera que algum idiota faça o trabalho por você, e todo esforço intelectual vai para a sala de edição. Pra mim esses caras que trabalham em programas “vida como ela é” são tão espectadores quanto o público.

Mas pensando bem, lembrando de quando nossos roteiristas trabalhavam com material próprio – se fosse eles também praticaria o desapego.

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What’s new

Mundinho Animal no G1.

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E continua a cobertura mandrake do Festival do Rio na Zé Pereira.

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Preza Press

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A Liv escreveu uma matéria muito sagaz sobre o livro do Capitão Presença no Almanaque Virtual – e de lambuja fez uma entrevista bastante esclarecedora (explanadora seria mais correto) com o Preza. A menina botou nosso herói nas cordas, obrigando o cara a exercitar a esquiva…

Saíram notas legais na Época, n´O Globo (em uma matéria sobre a La Cucaracha) e em vários jornais pelo país também. Algumas bizarramente empolgadas com o alto teor canábico do livro, está rolando alguma greve de Editores-Chefe ou algo assim? Só li uma notinha contra (“Supererrado”), na Tribuna da Imprensa – viro straight edge se esse cara leu o livro. Beijos nos corações.

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“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos”

Ontem saí pra uma cerveja com o Matias Maxx (que está prestes a fazer história no Rio de Janeiro com um empreendimento GIGA sobre o qual não sei se posso falar e no momento estou com preguiça de perguntar se posso) e o grande Pedro Só, sujeito com várias horas extras por receber de duzentas redações a que prestou serviços por aí. Consegui embebedá-lo a ponto de ganhar na faixa o seu livro (em parceria com o também jornalista Edmundo Barreiros) “1985 – o ano em que o Brasil recomeçou”.

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Não costumo fazer isso, e nem acho que o cara esteja precisando dessa “força”, mas corram atrás desse livro. Não consigo parar de ler – e olha que estou lendo outro livro que não consigo parar de ler, “Cão come cão”, do Edward Bunker – , engraçado demais, uma análise política e cultural de uma época, mas sem análise: só os fatos e a sua bizarrice inerente. Finalmente o revival dos anos 80 deu em alguma coisa decente…

Ediouro, 209 págs.

Trecho:

A primeira cena do filme (“Senta no meu que eu entro na sua”, de Ody Fraga, N. do B.) é impagável, resume 1985 de forma lapidar. Um homem pega o jornal para ler a respeitável Folha de S. Paulo. Na primeira página, aparece a manchete “Tancredo reafirma fé nos ideais de 1964″. O homem exclama: “Puta que o pariu! Tamos fodidos!”

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