Arquivo: Rascunhos ’
24 de julho de 2009 às 11h05
Mega teaser multiplus
Já falei desse roteiro de curta metragem (que pretende dar origem à série) que o Dahmer bolou e eu desenvolvi; é uma paródia de novela que está pronta há uns três anos e sempre rodou nesses editais de incentivo à cultura – muito justo, porque é um puta desestímulo à mesma. Mas agora deve sair, na munheca e em animação (elenco mais barato). A apresentação dos personagens e o trecho incial.
MAR DE PAIXÃO
Uma novela de Arnaldo Branco e André Dahmer
Personagens:
Clara Sabatini Viegas – Rica viúva e herdeira de 8.000 poços de petróleo, a boazinha e piedosa dona da Petrolífera Natureza está sempre preocupada com os pobres, mas sofre confusos sentimentos de piedade e culpa oriundos de sua enorme riqueza. Manipulada em sua empresa pelo inescrupuloso diretor Carlos Renato Godoy e em sua família pela alienada filha Maria Eduarda, que ambiciona ficar com sua fortuna. Ainda é mãe da dócil Lelê, a filha adotiva “especial”.
Lelê – Com sérios problemas de fala, usa aparelho odontológico “freio de cavalo” e um de surdez, além de um colete cervical e óculos de grossas lentes. Está entrevada numa cadeira de rodas desde o nascimento, fruto de uma grave doença degenerativa. Tem quinze anos e só enxerga o lado bom da vida. No encosto de sua cadeira de rodas estará escrito “COTA”. Em suas cenas, Lelê aparece em campanhas politicamente corretas e vai trazer todo o tipo de minorias para a novela, como por exemplo, o homossexual negro e judeu Afonso, que salvou a vida de Lelê quando ela era uma criança.
Maria Eduarda Sabatini Viegas – A bela e rica filha de Clara Sabatini Viegas sempre teve tudo do bom e do melhor na vida, mas é atormentada por um trauma que marcou sua infância: foi ao primeiro dia de aula na Escola Americana com meias brancas, quando a norma é o uso de meias azuis em dias de chuva. Faz par romântico com o belo, pobre e limitado Ernesto Fidel Bastos, um modelo fracassado que empresta sua imagem em bailes de formatura no subúrbio e festas de 15 anos.
Giancarlo Bastos – Professor de sociologia do estado, ainda acredita no socialismo como solução para a humanidade. Tem barba grande, boné, casaquinho de Ziraldo e broche socialista na lapela. Alcoólatra, sofre com o comportamento hedonista e egoísta de seu filho Ernesto. Quando bebe, desabafa com o amigo Jurumá, um índio que usa short Adidas e que tem em suas costas a inscrição “COTA”.
Ernesto Fidel Bastos – Filho de Giancarlo Bastos, é um narcisista por natureza. Odeia livros e discussões políticas. Ernesto será interpretado por um ator de 20 anos que nada entenda de interpretação, mas seja extremamente bonito de rosto e corpo. A idéia é botar na trama alguém realmente ruim para este papel, sempre em cenas na praia, banho, ou academia, quando pode exibir seus dotes físicos. As cenas em que ele aparece são sempre precedidas de duas ou três cenas de tentativas de gravação da própria cena, em que ele erra o diálogo ou faz sua interpretação de maneira muito ruim. Quando chora ou ri é sempre de maneira caricata e a idéia é o público perceber claramente que um péssimo porém belo ator foi escalado para a novela.
Arlete, a Bá – Negra e obesa, tem nas costas de seu uniforme uma inscrição em que se lê “COTA”. É má e chantagista. Rouba periodicamente objetos da mansão de Clara Sabatini, onde trabalha como doméstica. Ajuda Maria Eduarda nos planos de ficar com a fortuna de Clara Sabatini e tenta destruir a saúde da já fragilizada Lelê. Será demonizada durante toda a trama, em contraste com sua patroa, a rica, branca e boa Clara Sabatini.
Carlos Renato Godoy – Diretor inescrupuloso da Petrolífera Natureza, só existe na trama para enganar a boa e ingênua Clara Sabatini e fazer todo o tipo de marketing acintoso em cena, de diferentes produtos ou um fictício. Quando está na praia, um barco passa ao fundo com uma propaganda. Quando entra em uma lanchonete, senta para comer em frente a um enorme painel de anúncio da loja e elogia a comida. Quando anda pela rua, está sempre em frente aos painéis com propaganda. Quando é filmado de baixo para cima, passa um avião com propaganda de um produto. Este personagem serve para transmitir ao espectador a idéia da propaganda “encaixada”, sempre presente em novelas da atualidade. O ideal seria que fossem fechados contratos com produtos reais, se possível. Mas pode ser o tempo inteiro um produto fictício, o concorrente da empresa, de nome Petrolífera Amigos da Ecologia.
ROTEIRO
[Imagem do Taj Mahal. É a casa de Clara Sabatini Viegas, onde moram também sua filha Maria Eduarda e a filha adotiva Lelê, além de Arlete, a Bá, empregada.
Close de colher entrando repetidas vezes na boca de Lelê. É Arlete, a Bá, quem está lhe dando comida na boca com certa má vontade e impaciência. Clara Sabatini Viegas desce sua imensa escadaria de mármore branco e está um tanto aflita.]
Clara Sabatini – Bá, você sabe da Maria Eduarda?
[Bá para de dar cominda a Lelê e antes que responda, Maria Eduarda aparece, de biquíni com os peitos explodindo e uma canga.]
Clara Sabatini – Já de pé, Maria Eduarda? Achei que você tinha ido ontem na rave.
Maria Eduarda – Acabei de voltar, só vim aqui trocar…
Clara Sabatini – De roupa?
Maria Eduarda – Não, ainda estou com a roupa que usei ontem. Vim trocar de carro.
Clara Sabatini – O Lamborghini está lavando, lindinha.
Maria Eduarda – Ia mesmo usar o Porsche, o Ernesto é simples, não repara nessas coisas. (pausa) O que é muito irritante.
Clara Sabatini – Vai a praia com o Ernesto? Ah, que bom. Gosto muito dele, ele é… (como se procurasse a palavra) pobre.
Maria Eduarda – Whatever, mami. (sai)
[Clara Sabatini suspira vendo a filha sair. Depois se vira para Lelê, a filha adotiva entrevada.]
Clara Sabatini – Lelê, estou de saída. Volto para o jantar e Arlete vai ficar cuidando de você. Então, faça tudo que a Bá mandar.
Lelê – Tudo que a Bá mandar. (Balbucia palavras, incapaz de falar de maneira clara e compreensiva).
Clara Sabatini – Bá, você viu um perfume num vidro azul no meu closet? Não acho ele de jeito algum…
Arlete, a Bá – Vi não, dona Clara. Mas vou dar uma procurada para a senhora.
[Bá passa a mão no rosto da patroa e olha com um leve e terno sorriso bem nos olhos dela. Por segundos, Clara Sabatini fica hipnotizada e ouve uma voz em off da Arlete, a Bá:
- A Arlete é fiel! A Arlete vai achar o perfume!]
Clara Sabatini – Está bem, Bá. Estou atrasada… Lelê, um beijinho. (Beija Lelê e sai da sala e de cena, batendo a porta. Entra uma cena de filme de ficção científica, uma nave deixando uma plataforma espacial).
Arlete, a Bá – (segura Lelê com força pelo queixo, toca uma música de vilão) Está vendo, aberração? Tudo que eu mandar você vai fazer. Segura a onda aí. (coloca a colher suja na cabeça de Lelê e corre para o quarto dos empregados).
[Lelê fica na sala e sorri com a colher na boca, pois é incapaz de entender ou escutar a maioria das coisas, muito menos remover a colher da própria cabeça. Fecha os olhos e uma chuva de imagens bonitas correm em sua cabeça: velhinhos se abraçando, casais correndo na praia, crianças brincando, golfinhos saltando...
Arlete chega ao quarto, em que se lê "criadagem", local que se assemelha a um estábulo, em contraste com o resto da rica mansão. Muito feno no chão. Nas costas de Arlete agora se lê claramente a inscrição "cotas" impresso no uniforme. Em uma bolsa de supermercado, pega o vidro de perfume que estava desaparecido. Rouba um pouco para outro pote e batiza o resto com água. Quando volta para sala e começa a preparar uma dose no bar, Lelê derruba a colher que estava em sua cabeça no chão.
AQUI ENTRA A ABERTURA DA NOVELA, UMA ANIMAÇÃO 3D BEM CAFONA, MEXICANA, NÍVEL GLOBO ANOS 80.
Carlos Renato Godoy está dirigindo. De repente o sinal fica vermelho. Ele para, pega o celular no banco do carona. Close na mão que segura o celular, ênfase na marca.]
Carlos Renato Godoy – Leveza e praticidade.
[Ele disca um número. Enquanto fala ao telefone, vemos pela janela uma dessas garotas que entregam propaganda de empreendimentos imobiliários segurando um dos panfletos e, bem evidente, a marca da construtora. Depois vemos Carlos Renato Godoy de costas e pelo pára-brisa dianteiro vemos um avião puxando uma faixa com anúncio de banco.]
Carlos Renato Godoy – Alô, Aparício? Peguei um sinal fechado. Ligue para o diretor do Detran e diga que tomei como ofensa pessoal.
22 de julho de 2009 às 11h45
I <3 RIO
A Zero Hora e O Globo brincaram de imaginar roteiros de cinema para o Woody Allen filmar no Brasil. O Mini fez o dele também, e agora que confirmaram a visita do velho ao Rio, entro na roda.

Um cineasta/humorista americano que já viu melhores dias aceita dinheiro para fazer um filme numa cidade tropical que idem ibidem. Lá enfrenta um périplo de programas de TV e entrevistas para cadernos de cultura em que lhe perguntam o que acha da música e cinema locais, totais desconhecidos para ele. Cita en passant alguns baluartes dessa cultura exótica sobre os quais leu por acaso no New York Times, e com isso satisfaz a sanha dos repórteres.
É apresentado a comediantes nativos, que praticam um tipo de humor rasteiro que já criticou em seus filmes, mas ninguém parece se dar conta. Sofre com o clima, com a bajulação ritual e com a obrigação de usar atores residentes que mexem demais com as mãos e quase nada com o rosto.
Acaba fazendo um filme com o mesmo tipo de personagem que usou nos outros, onde a cidade faz figuração e não tem a menor função na trama, embora seja interpretado como um hino de louvor ao lugar – pela imprensa do lugar. Final feliz: ele volta para sua amada Nova York, onde seus filmes são ignorados, mas onde pelo menos sabe responder sobre a cultura local.
2 de junho de 2009 às 11h02
Plotting against
Quatro roteiros possíveis (I mean it, registrados na Biblioteca Nacional e tudo) para blockbusters de Hollywood – e da Projaquelândia mesmo. Enjoy.
- Guerra nas estrelas contra Chantagem Atômica
Um filme sobre a Guerra nas Estrelas, não aquela famosa franquia com ursos de pelúcia espaciais e terapia familiar, mas uma comédia sobre projeto militar dos EUA durante a corrida armamentista nos anos 80, e que muitos consideram o melhor blefe jamais orquestrado por uma grande potência, uma tacada de mestre que ajudou a quebrar a economia soviética. Uma espécie de Dr. Fantástico encontra Jogos de Guerra. Imagine Clint Eastwood como Ronald Reagan e Philip Seymour Hoffman (+ efeitos especiais e maquiagem) de Brejnev, Andropov, Chernenko e Gorbachov.
- There are places I remember
Um estudante de ciências de uma pequena cidade do Leste Europeu é obcecado por Beatles e inventa uma máquina do tempo para transportar sua bandinha de covers para 1960, antes dos quatro rapazes de Liverpool estourarem, para ganhar o crédito pela autoria das músicas, e em consequência, o sucesso mundial e o lugar na História. Problema: a banda se materializa exatamente na mesma cidadezinha distante, e com os recursos da época – é um longo caminho para o topo se você quer viver do rock’n'roll, principalmente para uma banda do Leste Europeu sem myspace. E enquanto isso, em Liverpool…
- Garbagemen
No futuro, uma epidemia vai contaminar toda a humanidade, matando bilhões – só alguns bilionários sobreviverão em bunkers. Quando voltarem, vão descobrir que os lixeiros, com sua famosa resistência a todo tipo de bactéria e substância tóxica, passaram incólumes pelo período de disseminação da doença. Agora eles é quem mandam, e lembram muito bem do tempo em que serviam os ricos sem ouvir um obrigado. Uma distopia em que você vai torcer para os opressores.
- Not Another Favela Movie
Uma comédia sobre o tráfico na linha de Todo Mundo em Pânico e semelhantes, com paródias de todos os traficantes e policiais que já apareceram na tela nas produções crimexploitation que caracterizam o que os jornais chamam, como se fosse um movimento vanguardista, de Retomada. Claro que vai ter a mesma tonelada de sangue, funk carioca e elenco desconhecido e barato descolado nos grupos de teatro da comunidade mesmo. Atividade!
9 de abril de 2009 às 14h45
Temas inéditos na stand-up comedy brasileira
a) Pedofilia
Dizem que não se deve fazer sexo com alguém de digamos, onze anos. Mas com onze anos, o que eu estava fazendo? Fantasiando que estava fazendo sexo com várias mulheres adultas. Talvez a proibição tenha a ver com essa filosofia de estimular a imaginação das crianças: “não estrague as fantasias infantis fazendo sexo com elas, deixe que elas imaginem…” Talvez por isso padres façam sexo com crianças, para não deixar que elas tenham pensamentos impuros.
Outra coisa, pedofilia é crime, mas segundo médicos, também é uma doença. Mas o governo só faz propaganda para combater o crime – porque não para estimular a cura? Como seria o mote, Pedofilia, a cura pode estar em suas mãos? E qual seria a cura? Pedófilos anônimos? “Meu nome é fulano e estou há dois meses sem molestar ninguém…”
E acho que ainda vou viver para ver o dia que algum desses caras que produzem pornografia infantil se defender dizendo: “não é pornografia, é erotismo”.
29 de junho de 2008 às 9h59
Chimes of freedom
Transmitindo direto da fase 2. Pedi demissão do meu emprego de 8 anos para trabalhar em casa, num projeto que se der certo me dará o melhor cargo do país, e se der errado me manda para a sarjeta sem escalas. Enfim, torçam. E acabo de começar uma nova era – passei a ter um caderno de anotações ao invés de escrever idéias em folhas soltas que perdia por aí; presente e incentivo da namorada. Abaixo anotações no avião, antes de uma das reuniões do tal projeto.
11 de fevereiro de 2008 às 10h24
A Jornada do Herói
Tive uma idéia para uma animação da Pixar, a mais barata que eles jamais farão. O nome é Bonequinhos de Pau (Stick Figures, 2008), e conta a história da crise de identidade dos habitantes desenhados por criança da pacata Stickland.
Acompanhamos a rotina dos bonecos sem rosto, e no caso dos homens, sem roupas, com suas casas iguais, sempre com chaminés que soltam chumaços esféricos de fumaça e jardins com flores maiores que o pé direito do imóvel – todas com o mesmo modelo de carro quadrado na garagem. Assistimos o drama das meninas e mulheres, vaidosas, mas obrigadas a manter guarda-roupas com a mesma indumentária (as mesmas saias e laços de fita). Algumas delas recorrem a videntes para fantasiar o que foram em vidas passadas, geralmente pinturas rupestres de deusas primitivas ou hieróglifos.
Então um dos bonecos ouve falar em tridimensionalidade e…
4 de fevereiro de 2008 às 9h46
Minha tragédia étnica é maior que a sua
Apresentador – Hoje no programa Revivendo o tema é “Minha Tragédia Étnica é Maior que a Sua”. Estamos aqui com o judeu hassídico estudioso da cabala Solomo Martirovsky, com o armênio Raduan Selassian, o ruandês Sali M’bdu (NOTA: um negro sem um dos braços) e o revisionista histórico Décio Almeida Prates. Vamos começar com o rabino e sua defesa do Holocausto.
(silêncio constrangedor, olhar de raiva do judeu)
Apresentador – Quer dizer, enquanto maior crime contra a Humanidade da História e tal.
Solomo – Hum. Meuss amigass, númerrass não mentem. Seis milhões, seis milhões de judeuss. Isso implica em um númerra aproximado de mães judiass de luto! Calculem!
Raduan – Númeras não dizer nada! Os Turcos Otomanos mataram um milhão e meia de armênias, mas em valores absolutas…
Solomo – Com licença, amiga armênia, mas estar falando de 6 milhões de judeus aqui. De um povo que semprre fezz diferrença. O que é um Armênia? (fazendo uma cara de desdém, gestos de desprezo com as mãos) Ah, clarro que vocês devem ter umas danças típicas (faz o gesto de dancinha com o dedo indicador e o médio sobre a mesa), um artesanato, uma bandeira, um hino… (batendo na mesa) Que ninguém conhece!
Sali M’Bdu – Mas isso é absurdo. Se ninguém conhece a nossa cultura, fica mais difícil de contar para o mundo sobre o nosso massacre e…
Solomo – Mas isso não fazer sentido pra você??? Matemática!!
Sali M’Bdu – Mas o que tem a ver…
Solomo – Matemática!!
Décio Almeida Prates – O problema, amigos, é que temos que relativizar alguns desses eventos. É preciso estudar minuciosamente o contexto histórico que levaram aos episódios em si, além de conhecer tudo a respeito dos homens por trás deles. Hitler foi um homem do seu tempo, o Paxá que ordenou o extermínio dos armênios também…
Raduan – Sultão!
Décio Almeida Prates – Se você está dizendo.
21 de janeiro de 2008 às 14h47
Minhas férias na fazenda correcional
Não reparem – bem, vocês iriam reparar em quê? – a falta de atualizações, mas é por uma (várias na real) boa causa perdida. Estou botando pra frente um bando de projetos que estavam na gaveta, investimentos a fundo perdido mas que teria que tentar um dia ou outro. Envolvem dois roteiros para um longa, um para um curta, um monólogo (eh, picaretagem). Entre outras coisas. Perguntem quantas vezes fui à praia ou saí de noite nessa férias. Quer dizer, não perguntem, metam-se com suas vidas!
22 de agosto de 2007 às 17h31
Eu tenho tanto pra lhe falar
1) Mal Necessário da semana.
2) Entrevista sobre O Beijo no Asfalto no site do Sidney Rezende (saiu ontem, não estranhem a convocação para o lançamento – que foi do caralho, se alguém tiver fotos favor mandar) e outra para o Quadro Mágico.
3) Já que o pessoal gostou do roteiro de animação abaixo, mais um projeto que não vai ser realizado por pura preguiça mental e física do idealizador. O programa de TV “Suicídio Comercial”, que ao contrário de todo programa para jovens, parte da premissa correta – a de que o jovem é débil mental.
Seria apresentado pelo Roberto Maya – quer dizer, pela imagem dublada do Roberto Maya apresentando o Documento Especial (o ideal é que fosse dublado pelo próprio Roberto Maya mas não se pode ter tudo) com o nome de Hunter Thompson (só pela psicodelia da coisa). Ele apresentaria os quadros e faria comentários a respeito dos assuntos em pauta.
Rolariam quadros como o Jornalismo Preguiçoso, onde um carinha chamado Enviado Especial ao Google passaria adiante todas as informações mal apuradas que se consegue através dessa maravilhosa ferramenta de busca. E um talkshow em que o entrevistador e o entrevistado fossem obrigados a beber (quantidade em hectolitros pré-estipulada) antes – com legendas, claro. Seria o conceito Jackass aplicado a uma grade inteira de programação. Enfim, trechinho da introdução abaixo.
Episódio do Dr. Kildare dublado – Dr. Kildare conversando com acompanhante de uma paciente.
- Doutor, o problema cerebral dela é grave?
- Sim. É caso de amputação.
- Mas doutor, ela vai conseguir viver sem o cérebro?
- Sim, mas vai precisar de uma programação de TV especialmente adaptada.
Fade. Roberto Maya, do Documento Especial, dublado.
- A MTV diz que não trata o jovem como débil mental. Mas na minha opinião, o jovem ainda tem que fazer por onde. Eu sou Hunter Thompson e vocês estão assistindo “Suicídio Comercial”.
Vinheta de abertura.
Roberto Maya, dublado.
- O maior comentarista social no nosso tempo não é a Fernanda Young. É o diretor de elenco da MTV. Sendo um profundo conhecedor do ser humano, escolheu…
(começaram a aparecer na tela uma série de VJs – novos e antigos – por ordem de retardo mental, fico na dúvida se a sequência deve acabar com o Marcos Mion, o Rafa ou o Edgar. A narração continua em off)
…entre os nossos jovens indivíduos representativos do material humano disponível nos dias de hoje. Percebe-se um padrão em sua crítica dos valores de nossa sociedade pela escalação de perfeitos exemplos da figura que melhor simboliza a juventude: o zé ruela.
E segue assim, com os quadros e tal. Acho que vou precisar de um gaveteiro novo…
18 de agosto de 2007 às 5h41
Sinfonia para portas se fechando, n. 1458
E-mail que mandei para o editor de um site pra onde ia fazer uma animação por semana. Bolei um roteiro que me possibilitasse fazer episódios curtos, que não dessem muito trabalho. Bem, não vou ter nenhum, não vai rolar, mas taí pra vocês. Usei de novo uma piada das Entrevistas em Quadrinhos e um personagem que fiz ainda na faculdade, o Patrulheiro Ideológico Rodoviário. Enjoy.
Bem, fiz um roteirinho, piloto de uma animação como a que descrevi abaixo, só que ao invés da caricatura naipe South Park, prefiro algo imitando aqueles desenhos ruins dos anos 70 (meio como aquela paródia com o homem pássaro que passa hj em dia, ou Laboratório Submarino, ou tipo tb Wonderman – já viu? Um super-herói que usa seus poderes para ganhar umas gatinhas: http://www.youtube.com/watch?v=xruHo6oB_4I )
Bem, seria o seguinte: uma série protagonizada pelo ministro Gilberto Gil. Pensei em chamar “Asa Leste” (a Esplanada dos Ministérios fica no setor leste de Brasília), como naquela série West Wing, mas pode ser outro nome. O Gilberto Gil teria tipo poderes de presidente mesmo, diante de um telão como a da Sala da Justiça. Ele seria o cérebro da trama, e seu homem de ação seria um carinha vestido de Polícia Motorizada chamado O Patrulheiro Ideológico Rodoviário. Gil daria as ordens, e o cara seria o agente do seu dirigismo cultural, mas a série zoaria todos os artistas e tal. Bem, o roteiro dá idéia do negócio. Aí vai.
Gilberto Gil está em seu gabinete no Minc. Ele olha para o telão onde acompanha todos os setores da cultura no Brasil. A tela está dividida em várias outras, cada uma com uma legenda: Teatro (mostra um casal homo trepando) Música (um roqueiro com corte emo cantando no microfone e chorando lágrimas de esguicho), Dança Moderna (um cara de collant, estático) Artesanato (Hippie fumando maconha), etc. Na tela de que mostra o setor de Cinema aparece uma mão assinando cheques.
Detalhe: Gilberto Gil tem as feições como se fosse um personagem de quadrinhos de super-herói (olhos semicerrados e tal), porte de atleta e fala com voz de locutor – e sem sotaque baiano.
Gil – Tudo corre bem com a cultura no Brasil. Há uma certa estagnação no setor Musical, mas nada que eu não conserte com o lançamento de um acústico.
No telão, a telinha de Cinema pisca em vermelho.
Gil – Espere! O setor de cinema apresenta problemas.
GG aperta um botão e a tela de cinema se sobrepõe a todas as outras, ocupando todo o painel.
Gil – Hum, dois cineastas estão prejudicando a imagem da Cultura junto à Petrobras. Isso é inadmissível!
(Na tela aparece a ficha de GUILHERME FONTES. Uma foto [desenho] dele e os dados: – Guilherme Fontes – 46 anos – Ator de Estrela Guia – Ficando careca – Problema: Chatô, em produção desde 1997)
(A tela mostra o flagrante de Guilherme reunido com dois empresários pedindo dinheiro)
Guilherme Fontes – Só queria mais dois milhões, preciso reconstituir digitalmente o cabelo do Paulo Betti.
(A tela agora mostra a ficha de NORMA BENGELL. Dados: – Norma Bengell – Terceira Idade – Ex-gostosa – Problema: não consegue explicar o orçamento de “O guarani”)
(A tela mostra Norma Bengell em uma mesa de debates com o Marcio Garcia ao lado)
Norma Bengell – Economizei uma grana porque não precisei ensinar o Márcio Garcia a falar igual a um índio.
Márcio Garcia – Ó o auê aí, ô.
(Volta para o Gil)
Gilberto Gil – Isso é um trabalho para o Patrulheiro Ideológico Rodoviário!
(O Patrulheiro desce de moto a rampa do Palácio do Planalto, entra a vinheta musical que anuncia sua participação)
(Na próxima o Patrulheiro está mostrando algemas para a Norma Bengell, que protesta)
Norma Bengell – Você não pode fazer isso comigo! Sou Norma Bengell, a primeira dama do cinema nacional!
Patrulheiro – Então pode ir botando as digitais aqui na ficha policial da fama.
(O Patrulheiro está com as mãos nas costas diante de Guilherme Fontes, que está embaixo de um facho de luz, em um interrogatório)
Guilherme Fontes – Primeiro consegui a verba, depois li o livro. Muito grande, senti falta de umas figuras.
(Volta para o Gil)
Gilberto Gil – O nome da cultura brasileira está salvo. Obrigado, Patrulheiro Ideológico Rodoviário!
Patrulheiro Ideológico Rodoviário – Obrigado senhor. Agora eles terão bastante tempo para pensar em uma nova carreira. Quer dizer, a coroa não.
(Gil e o Patrulheiro garagalham juntos, como no encerramento dos desenhos idiotas do He-Man)
(Entra a legenda: Próximo Episódio: NaziTropicalismo)
12 de setembro de 2006 às 14h53
Lidando com a rejeição
Falando em idéias que não vou aproveitar, todo mês mando para a Bizz várias opções de cartum (sem o desenho, só a descrição) para o editor escolher – melhor assim, divido a responsabilidade. Sempre sobra muita coisa que acabo não desenhando. Essas foram as três idéias inaproveitadas do mês:
1 – Legenda: “Amor à Primeira Vista” – Dois carinhas olhando uma revista pendurada em uma banca de jornais, um diz: “Essa é a minha nova banda favorita”. O outro pergunta: “Como é o som?” O outro: “Sei lá?! Capa da NME, cara!!”
2 – Legenda: “Em 2026…” – uma festa revival dos anos dois mil (o cartaz pode dizer Trash 00´s). Um camaradinha com uma camisa dos Strokes, uma mina vestida com a roupa da Uma Thurman em Kill Bill, etc. O papo nostálgico das pessoas na festa, todo mundo com drinks na mão, rindo: “Lembra dos direitos autorais?” E outro carinha: “E das gravadoras?”
3 – Legenda: “Half Hit Wonder” – Apresentação de uma bandinha de caras na casa dos 40, meio barrigudos, carecas, etc. Atrás deles um cartaz grande: “Show 80´s”. O vocalista diz: “Vocês não devem lembrar da gente, mas não acharam ninguém mais desqualificado para abrir para o Silvinho Blau-Blau…”


















