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Overdose – Episódio 3

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Mais um episódio da Overdose – desta vez, no capítulo “Projeto Paralelo”, Johnny resolve investigar por que Rony anda faltando aos ensaios enquanto cura sua dor de corno por causa do namoro de Karyna com um cara que compartilha frase errada da Clarice Lispector. E Danny quer que seu namorado pelo menos atenda  o celular para que ele possa terminar o relacionamento. O caminho para curtir a página da série? Continua sendo esse.

Bonus track: clipping de matérias falando da Overdose, começando com essa bela resenha da Patricia Kogut d’O Globo botando todos os envolvidos nas alturas:

Trip: MTV estreia hoje uma de suas últimas produções: série com roteiro do cartunista Arnaldo Branco

G1: Misto de falso documentário e sitcom, ‘Overdose’ estreia na MTV

Destak: A saga de uma banda emergente contra o mundo

Uol: Série “Overdose” tenta garantir seus 15 minutos de fama na “velha” MTV

Popload:  ”Overdose” serie da MTV que é um documentário de uma incrível banda indie nacional estreia segunda (a banda é falsa, lógico)

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‘Overdose’ – episódios 1 e 2

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“Você não sabe como é difícil fazer audiovisual no Brasil” “Cara, não tem ninguém te obrigando” – duas verdades indiscutíveis ditas no segundo episódio da Overdose. Fazer essa série de treze capítulos gravada em 24 dias foi um parto demorado e um prazer indescritível. Aí embaixo estão os dois primeiros episódios, “Overdose” e “Videoclipe”, mostrando a saga da banda de Johnny Guitar (Juliano Enrico, guitarra e vocal), Danny Starr (Daniel Furlan, baixo) e Rony Thunder (Raul Chequer, bateria) por reconhecimento e glória, ou pelo menos uns vale-cerveja. E a página do programa você pode curtir aqui.

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Residência provisória

Opa, pessoal, com a proximidade da estreia (12 de agosto, 23h) da minha série com a produtora Carambolas para a MTV estou um tanto quanto abduzido pela página da Overdose no facebook (vai curtir e volta, eu te espero). Lá a gente está postando coisas como o teaser:

Um mini making of:

Trechos de roteiro:

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E etc. Eu já disse que estreia dia 12, 23h? Então: dia 12, 23h.

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Procura-se locação no Rio

Agora vai começar pra valer. A série que vou fazer para a MTV com a Carambolas – lembra? Só não vai mais se chamar Rock’n'roll, estamos trabalhando com o nome provisório de Overdose – vai entrar em fase de produção e, de novo, vou precisar da ajuda da rapaziada. Precisamos de locações, e a série tem basicamente dois cenários: 1) a garagem onde a banda mora 2) o bar/boate onde ela toca – sendo que o bar/boate tem três ambientes: um palco, um bar e um lounge/camarim. Lembrando que precisa ser no Rio de Janeiro e que nosso orçamento só permite que o lugar seja emprestado ou custe um aluguel simbólico (muxoxo).

É claro que não estamos esperando (só desejando loucamente hehe) encontrar de cara um lugar que tenha todas essas características, mas se você (possuir/tiver acesso a) apenas uma boa garagem está ótimo, ou se (melhor ainda) conhecer algum imóvel (um galpão ou qualquer espaço amplo em que possa ser montado um set de gravação) cujos cômodos não pareçam exatamente com nada do que está descrito acima, mas que possam ser transformados nesses cenários de que precisamos pela nossa brava equipe, maravilha.

Importante: a gente precisaria usar o local por um mês e meio, provavelmente em abril. Conhece algum lugar que possa servir? É só botar seu email no espaço designado nos comentários abaixo (só aparece pra gente). Desde já, muito muito obrigado :)

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And if that’s all there is, it ain’t so bad

Agora é oficial:

“Rock’n'roll” foi escolhido pra virar série ano que vem na MTV. Queria agradecer imensamente a quem votou e a todo mundo que ralou pra botar no ar o nosso humilde projeto. Ah muleks! Abaixo, teasers feitos pelo pessoal da Quase com as sobras de gravação, breve nos extras do DVD.


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Extra push

Essa é abertura do piloto de “Rock’n'roll”, de que você já deve estar de saco cheio de ouvir falar por aqui – mas vou forçar a barra só mais um pouquinho porque o que rola é o seguinte: o sistema do site da MTV permite que você vote várias vezes, entonces peço esse extra, se puderem votar mais de uma vez, seria bacana. No momento estamos em segundo, ganhando terreno. Obrigado, vocês são lindos.

Aqui dá para acompanhar o placar como se fosse a apuração dos votos na Flórida na eleição americana.

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Boca de urna

Então, finalmente está lá no site da MTV o piloto de “Rock’n'roll” para seu deleite ou terror. Quem gostar pode votar no cujo pra nossa produção virar série na programação do ano que vem.

Tem um link com a ficha técnica abaixo do vídeo com o nome de todo mundo que participou da produção, todos meus heróis particulares. O cabaço aqui achou que estava escrevendo o roteiro de mais fácil execução do mundo, quando na verdade fiz um pequeno Ben Hur de baixo orçamento pro pessoal botar em pé. Não tenho palavras pra agradecer o elenco e o staff, mas tenho certeza que eles preferem a parte deles em dinheiro – portanto, produtores desse meu Brasil, contratem a rapaziada. Eles merecem, demais.

Sem contar o pessoal do grupo Matriz e o mano Augusto Sales, que gentilmente cederam as locações :~

E um salve especial para o Gabriel Labanca (1982-2012), nosso querido Tony Thunder. Como dizia aquela banda menos conhecida, Wish you were here.

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Prova

Teaser do piloto de série “Rock’n'roll”, que dirigi junto com o pessoal da produtora Carambolas (Larica Total :~). Em breve no site e na programação da MTV.

Queria agradecer imensamente à equipe e ao elenco, que tiveram muita paciência com este marinheiro de primeira viagem – e fica aqui a minha homenagem para o Gabriel Labanca, o baterista, um grande cara, querido por  todos e que morreu mês passado.

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Em setembro

Mundinho Animal em animação no programa Tosco TV (Canal Brasil), com um grande elenco que você pode conferir aqui.

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O que andei fazendo 4

A tira Mundinho Animal vai virar animação no programa Tosco TV, que conta também com personagens dos feras Allan Sieber, Fabio Zimbres, MZK e Schiavon. É um timaço, do qual sou o Negueba. Olha a página do face. Mais detalhes perto da estreia.

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O que andei fazendo 1

Vou mandar  alguns posts meio que pra mostrar porque andei postando pouco. Hoje aproveito para agradecer a todo mundo que participou da gravação de Rock’n'roll, um piloto de programa pra MTV que escrevi e dirigi (com o auxílio luxuoso da melhor equipe do mundo, constatei pessoalmente que a tal Teoria do Autor é uma furada) e que talvez vire série – por isso recomendo para quem mandou currículo que não esmoreça porque existe a possibilidade de mais episódios.

Rock’n'roll fala sobre uma banda de garagem de caras que vivem em uma garagem e segue a vida dos sujeitos até sua gloriosa venda ao sistema. Falando nisso, a continuação do programa vai depender de votação popular, vamos disputar com mais cinco concorrentes. Na época certa volto aqui para mendigar seu voto.

Abaixo Daniel Furlan, Gabriel Labanca e  Juliano Enrico (O Estado Maior da Revista Quase) quebrando tudo.

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Convocação

Então é o seguinte: ganhei um edital para fazer um piloto de programa para a MTV. Escrevi o roteiro e vou dirigir com o pessoal da produtora Carambolas (do extraordinário Larica Total). Depois de pronto vai concorrer com outros projetos no voto popular para ganhar uma temporada inteira, mas esse papo é pra mais tarde.

Agora estamos correndo atrás de elenco. A série se chama Rock’n'roll e é sobre uma banda (evidentemente, não uma de polka). Tem três papéis principais masculinos e mais alguns femininos. A banda é formada por jovens na faixa dos vinte anos, o ideal é que tenham (ou pareçam ter) tipo vinte e poucos. Acho que algum conhecimento sobre rock (História Clássica e Contemporânea) ajuda também. As gravações serão no Rio de Janeiro.

Mande um email com link para seu trabalho em vídeo (no youtube ou o repositário virtual de vídeos da sua preferência) para rocknroll.elenco@gmail.com
Use-o sabiamente.

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Crowd-pleasing

Mundinho!

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The joker is wild

Mais uma coluna da Monet (mosquei e deixei de publicar um tempo, acho que essa é de março). Sempre é demais lembrar, mas nunca desnecessário, a coluna se chama Histórias INVENTADAS da Televisão.

Sabemos que os críticos reclamam do uso de clichês nos humorísticos – loura burra, homossexual afetado, pobre sem noções básicas de português – mas poucos lembram que sempre foi assim, e que em uma determinada ocasião tentaram produzir uma atração de comédia sem estereótipos, para agradar os detratores.

Foi em uma época ancestral, quando se acreditava que a crítica podia ter efeito deletério sobre a audiência. Os diretores da TV Rio (eu disse que era ancestral) encomendaram para os roteiristas um programa politicamente correto avant la lettre, sem piadas depreciativas sobre nenhum grupo social. Mas com uma ressalva do Walter Clark: “Não façam o troço comunista demais”.

Apesar dessa recomendação, o programa se chamou “A Praça é de Todos” e tinha o Francisco Milani como apresentador. Ele recebia convidados no banco, todos eles usando trajes civis e falando normalmente, sem entonação ou sotaque esdrúxulos. A própria praça tinha um visual sóbrio (um projeto paisagístico do Burle Marx).

Por exemplo, uma das personagens femininas era uma secretária bilíngue – que, apesar de toda a tentação para os autores usarem os preconceitos associados à profissão, era inteligente e se vestia com recato. Seu bordão era “Por que não estudei administração de empresas?”

Outro personagem que fugia dos clichês era um português muito inteligente que contava piadas de brasileiro, ressaltando os nossos defeitos e fazendo graça das nossas mazelas. Uma delas: “Sabe o que o Brasil tem mais do que Portugal? Índice de analfabetismo…” Havia também um papagaio erudito que fazia stand up comedy, usando material traduzido de humoristas como Mort Sahl e Woody Allen.

Advogado honesto, sogra gente boa, toda reversão de expectativa era bem vinda nos scripts do programa, que foi um sucesso de crítica desde a primeira exibição. Infelizmente o público, que só se reconhecia na caricatura, rejeitou “A Praça…”. O cenário foi reaproveitado em um outro programa, que ficou bastante famoso.

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The tube

Vai lá no G1 ler.

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A vida sexual dos selvagens

Mais uma coluna Histórias (Inventadas) da Televisão para a revista MONET. Nota do autor: INVENTADAS. Enjoy.

Muitos acompanham as novelas de época que são uma tradição da TV Brasileira, mas poucos se lembram da produção que foi mais longe no tempo para contar uma história: até a Idade da Pedra.

Origens da Paixão estreou em 1972 na TV Tupi, que já enfrentava as dificuldades financeiras que seriam responsáveis pela falência da emissora. Foi por causa do orçamento apertado que seu departamento de dramaturgia teve a idéia de fazer uma novela passada no período paleolítico, para economizar no cenário, nos figurinos e, por causa de seu elenco semi-amador, nos diálogos.

O bizarro resultado ficou algo como se Os Flintstones tivessem uma releitura séria. Até porque houve economia inclusive nas pesquisas sobre a época, e em Origens da Paixão dinossauros conviviam com seres humanos (um dos grandes recursos para reviravoltas na trama, na falta de atropelamentos e tiros de revólver). É claro que os dinossauros mesmo não apareciam – faziam uma grande sombra com um aparador aplicado aos spots sobre os atores quando estes estavam sendo atacados pelas monstruosas criaturas.

A história: o núcleo de primatas ricos (belas cavernas, vista melhor para a paisagem deserta) passava os dias nadando despreocupadamente  em lagos aquecidos pelo magma ainda em fase de sedimentação – eu disse que faltou pesquisa – e mandando seus escravos em expedições para caçar filés de Tiranossauro.

No núcleo pobre (cavernas mais precárias, menos utensílios e animais de tração) o jovem Og queria fazer carreira como pintor rupestre, para desgosto de seus pais, que desejavam que seguisse a tradição familiar trabalhando como rolador de pedra, profissão mal remunerada, mas digna. Para piorar, Og se apaixonava por Uli, do núcleo rico. Os roteiristas tiveram que suar para criar uma cena de aproximação romântica que envolvesse golpes de clava na cabeça sem chocar a audiência.

Em capítulos mais à frente, surgiria um triângulo amoroso com Ur, jovem abastado, dono de um próspero negócio de locação de mamutes, e o pobre Og era obrigado a se virar para impressionar sua amada em um tempo em que os críticos manifestavam seu desapreço por artistas de vanguarda com o apedrejamento. Mas no fim, Og conseguia ter Uli só para si, depois de ganhá-la em uma disputa de cabeçadas com Ur.

Claro que o público da época não estava preparado para essas manifestações violentas de amor entre criaturas resmungantes. E como a atração foi ao ar durante o verão, a moda de pele de leopardo em tiras não teve nenhuma chance de sucesso quando chegou às lojas.

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O sistema por dentro

Minha coluna da semana: Ah, a Globo

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Complexo

Minha coluna da semana na Zé Pereira: Mania de vítima

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Grand monde

Ilustração do Fernando de Almeida

Mais uma das colunas que faço para a revista Monet, sempre usando um subertfúgio para ressaltar o nome da seção, Histórias INVENTADAS da Televisão. Abs.

Todos conhecem esses programas que entrevistam ricos e famosos – mesmo que eles não sejam tão ricos ou nem um pouco famosos – em festas pelo Brasil. Mas nem todos ouviram falar de uma atração idêntica, só que tão firme em seus princípios sobre o gabarito dos entrevistados que não durou tempo suficiente para virar nota de rodapé no Livro de Ouro da Alta Sociedade Brasileira.

O esnobismo do programa “Gente Bem”, tão antigo quanto a gíria que o batizou, começava pelo apresentador: Johannes de Castro Von Gripp, o Arquiduque de Consommé, um dos únicos brasileiros (naturalizado, naturalmente) que podia dizer que gozava da intimidade de Jacqueline Kennedy sem ouvir piadas grosseiras de pessoas de baixo nível – até porque não conhecia nenhuma. Ele comandava o show com sua coleção de gravatas-borboleta Hermès e a língua ferina que o transformou em persona non grata em mais de uma roda de bridge.

A primeira edição foi um desastre. Em uma recepção na maison Guinle, o Arquiduque não quis entrevistar uma Matarazzo porque “não falava com novo rico”. A senhora ofendida tentou argumentar que a fortuna da família tinha mais de meio século, o que Von Gripp interpretou como uma piada – muito engraçada, a julgar pela gargalhada que deu na cara da pobre milionária. Levou uma taça de Chandon na cara e uma bola preta preventiva do Country Club, lugar que não pretendia mesmo frequentar (“os toilettes são imundos”, disse).

No segundo programa, perguntou para Danusa Leão se alpinismo social também dava cãimbras (levou um tapa), limpou seus óculos na barra da farda de um general da reserva e chamou o anfitrião  de “famoso cafetão” (depois se corrigiu: “cafeicultor, eu sempre confundo”). Conseguiu sair vivo por intervenção de Carmen Mayrink Veiga, que gostava dele apesar do apelido que ganhou do apresentador, Máscara Mortuária.

O programa durou pouco. Suas finas grosserias divertiam o público, mas desagradavam gente poderosa com influência sobre os patrocinadores. Por fim acabou desagradando os patrocinadores ele mesmo, quando comentou que usava o refrigerante que bancava seu show para limpar o escapamento de seu Lamborghini.

O mais anti-social dos colunistas sociais morreu sem amigos, principalmente porque sua misantropia aguda era sintoma de uma síndrome do pânico que acabou por isolá-lo em seu apartamento na Vieira Souto. Recusou a visita de um padre na hora final (“estou prestes a encontrar o proprietário, não preciso falar com o caseiro”)

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Regras de conduta para bem viver

Minha coluna da semana  na Zé Pereira: Trash kosher.

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Tentativa e erro

Abaixo, um trecho do projeto que, para dizer o mínimo, me livrou da vida corporativa. Ano passado fui procurado por um produtor com esse briefing tentador/assustador: “quero que você crie Os Simpsons brasileiros”. Isso mesmo: uma animação semanal que satirizasse o Brasil tal e qual os Simpsons fazem com a sociedade americana. Os roteiros do meu esforço nesse sentido (hehe) ainda estão com ele e quem sabe um dia. Por enquanto colo aqui o início de um episódio com um dos personagens (bolei mais de trinta), o roqueiro oitentista decadente Bob Fossil (depois soube que já usaram esse nome em outro seriado, depois eu corrijo isso).

Taí.

(Imagem como se gravada em VHS de um programa de TV dos anos 80, com um pouco de chuvisco e de vez em quando uma faixa de fita mastigada correndo pela tela . É o programa do Chacrinha começando. Aparecem aquelas imagens idiotas de zoom indo e vindo na bunda das chacretes, com o letreiro por cima: “Cassino do Chacrinha”. Chacrinha entra com seus berros de “Aêêêêê!!!” e jogando comida crua para a platéia, como de hábito, a câmera histérica mostra a reação das mulheres)

Chacrinha (jogando um pedaço de carne-seca para as arquibancadas)  – Quem quer Jabáááááá???? (ele pisca cúmplice para o lado e a câmera frenética habitual do programa sai dele e vai até um homem com uma valise no colo, sentado na arquibancada com as macacas de auditório, que pisca de volta e faz o sinal de OK para o Velho Guerreiro)

Chacrinha – E atenção! Vai cantar agora o mais novo sucesso da Lobby Records! Com vocês, o internacionaaallll Bob Fossil!

(Entra Bob Fossil bem novo, ainda magro, pelo túnel de acesso aos camarins, muita fumaça em torno, com sua guitarra. O playback começa antes dele chegar até o microfone, ele começa a fazer a mímica com os lábios quando chega lá da música megaoitentista – teclados, guitarra com eco – “Amor Neon”)

Bob Fossil (cantando empolgado, jogando o cabelo, estilo brega 80′s) – “Cinza de cigarro / Marca de baton / Motel barato / Amor Neon”

(É um sonho. Bob Fossil acorda nos dias de hoje, bem mais gordo, no seu apartamento em Brazzaville, ao som do despertador. É um rádio relógio em forma do brinquedo Genius, que toca “Amor neon”, em sincronia com a imagem do programa do Chacrinha que acabamos de ver. Bob Fossil grunhe, se levanta com dificuldade. Vai escovar os dentes: seu espelho tem decalques do logotipo da revista Rolling Stone e de manchetes sobre música – todas elas dos anos oitenta, tipo “interview: Boy George”, “hottest new band: The Smiths” – com um espaço para a cara refletida de Bob Fossil – para ele se sentir capa da publicação. Vai até o armário para se vestir, uma das portas tem um velho poster seu, marcante a diferença de silhueta entre o Bob Fossil jovem e o velho. Bob vai até a sua secretária eletrônica, que está piscando com duas mensagens. Ele aperta o botão)

Bob Fossil (Voz na secretária eletrônica, cheio de charme datado, tipo tio Sukita) – Deixe o seu recado… após o Beep Bop. (tempo, toca uma frase de trumpete Be Bop. Toca o primeiro recado)

Michel (voz na secretária) – Oi, Bob, aqui é o Michel, seu empresário. Seguinte, seu show do dia 21 foi cancelado, parece que a casa passou por um reposicionamento de público e agora a clientela é da faixa dos 14 aos 17 anos. Entraram no seu lugar os Garotos da Platéia, uma banda jovem que imita as bandas que você imitava nos anos 80. Sei que parece injusto, mas você sabe como cabelo e abdômen são importantes na música hoje em dia. Mas a data do dia 25 continua de pé (barulho de telefone desligando).

(Som da frase de be bop, começa o outro recado)

Michel (voz na secretária) – Michel de novo. Ahn… esquece também dia 25 (desliga).

(Bob Fossil suspira. Confere um calendário na parede, vai folheando e vendo poucos círculos vermelhos em torno de algumas datas – todas elas com um risco e escrito ao lado “cancelado”, até que acha um círculo virgem, um compromisso não cancelado. Quando olha mais de perto, vê que está assinalado “exame de próstata”. De repente, entra uma conta por debaixo da porta. Ele pega o envelope e vê escrito “Condomínio Brazzaville – taxa mensal”. Olha o valor. Vai até seu quarto e mexe em um dos criados-mudos, que é na verdade um cofre. Dentro, vários vidros de remédios suspeitos, uma pistola, algumas moedas e um maço de notas. Ele pega o maço e examina. Vemos em close que as notas são de guaranires, moeda oficial do Paraguai – são notas de um milhão cada. Bob pensa, rola um flashback dos anos 80: Em um estádio de futebol, acontece um festival chamado Rock in Assunción. Um apresentador entra no palco, com um som de microfonia da banda anterior ainda no ar – o bumbo da bateria dela tem uma foto do ditador Alfredo Stroessner com várias medalhas acima do texto “Partido Colorado” – para anunciar Bob Fossil)

Apresentador – Estes fueram Los Hijos de Stroessner y la Lei de Segurança Nacional. Agora, com usteds, de Brasil, Bob Fossil!

(No túnel um sujeito com o crachá do staff do festival e uniforme militar está dando as últimas instruções para um jovem Bob Fossil)

Cara do staff – E lembre-se, las palabras proibidas son “revolución”, “democracia”, “eleiciones”, “ditadura”, “golpe” e “libertad”.

Bob Fossil – Pode deixar, as minhas músicas são todas sobre gatinhas e desilusão amorosa.

Cara do staff (fazendo cara de desconfiado) – Hum, lo se… essa era la desculpa de Chico Buarque. Toma su cachê (põe o maço de notas na mão de Bob) e (batendo continência) viva el rock’n'roll.

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Vida ao vivo

Minha coluna para a MONET de outubro que se chama, ATENÇÃO: Histórias INVENTADAS da Televisão. Dig it?

Todos sabem que reality shows como Big Brother Brasil e A Fazenda fazem muito sucesso, mas poucos devem lembrar que esse formato foi testado bem antes da virada do século – e foi um tremendo fracasso.

O programa “Gente como a gente” (Globo, 1981) tirou o nome do filme do Robert Redford que ganhou o Oscar daquele ano, e reunia pessoas em uma casa numa competição para ganhar um valor x corrigido diariamente pelos números da flutuante inflação daqueles dias. Mas era bem diferente do tipo de programa que as TVs de hoje exibem.

Para começar, os concorrentes tinham profissões normais, como advogado ou médico – não havia nenhum decorador de interiores de casa de cachorro ou personal DJs de motel como nas edições do Big Brother. As academias de ginástica ainda não eram o investimento mais sólido do mercado e o metrossexualismo não estava na moda, portanto os participantes do sexo masculino não se moviam tensionando todos os músculos e as mulheres não inventavam pretextos para se curvar até o chão ou andar de quatro – uma das principais explicações para os baixos índices de audiência.

É claro que rolavam brigas entre os candidatos graças às dificuldades naturais do convívio humano, mas como ainda havia alguma inocência em relação à melhor forma de competir, ninguém procurava a câmera para aumentar o efeito dramático da cena ou falava frases decoradas de livros de auto-ajuda no meio da discussão. O pessoal da edição tinha que ralar para encontrar cenas interessantes de baixaria.

Além disso, o sucateamento do ensino público ainda não tinha atingido o máximo de seu efeito devastador, o que levava os moradores da casa a travar conversas articuladas sobre vários temas, notoriamente um desastre em termos de ibope. Ainda levaria algum tempo para que a comunicação entre os seres chegasse ao nível de síntese de hoje, quando um “u-hu” basta para comentar a situação política nacional e fazer o assunto voltar para a vida pessoal dos concorrentes.

E, claro, havia a dificuldade de se completar uma ligação com o sistema de telefonia da época. Votar para tirar alguém da casa era quase tão difícil quanto votar para qualquer cargo público naqueles últimos anos da ditadura. O vencedor levou 26.054.698.783,85 cruzeiros, o equivalente a cinco mil dólares na época. Era a crise.

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Masmorra Ra-ti-bum

Mais uma coluna Histórias (Inventadas) da Televisão:

Muitos conhecem os rumores que acusavam Xuxa e suas ajudantes de palcode tratar crianças com violência nos primórdios do programa infantil que tornou a apresentadora famosa. Mas poucos lembram de uma atração que lidava rudemente com a meninada não apenas para manter a ordem noestúdio, mas por uma questão de formato.

“Lugar de Criança” (TV Record, 1984) era um programa educativo baseado em padrões antigos de formação de caráter que estavam saindo de moda para dar lugar à psicologia infantil, mais permissiva do que o modelo disciplinador que aterrorizava nossos avós. A apresentadora era uma mulher de cabelo preso em coque, tailleur e botas de montaria conhecida por Tia Auxiliadora. Era ela quem organizava as brincadeiras de palco, tais como “Arrumando o quarto”, “Modos à mesa” e “Se divertindo em silêncio”.

O programa até passava desenhos animados, todos importados do Leste Europeu e de temática construtivista. Todas as músicas da atração falavam sobre os benefícios da obediência e as terríveis consequências do desregramento. O maior sucesso da Tia Auxiliadora se chamava “Vara de marmelo” e a coreografia efetivamente envolvia o uso de uma – além de uma criança.

As competições entre meninos e meninas não tinham prêmio: quem se saía bem não estava fazendo mais do que a obrigação. Mas quem não conseguia completar alguma prova ou demonstrava inabilidade para cumprir as tarefas, levava a pior: pagava prendas que iam da humilhação pública (chapéu de burro, passar o resto do programa escrevendo “sou um inútil” em quadro negro no fundo do cenário) até o castigo físico (palmatória, ficar no canto ouvindo lições de espanhol em headphones).

Havia um quadro chamado “Mau Menino”, em que um juiz vestido de Papai Noel condenava crianças mal-comportadas a não receber presente de Natal por desobediência aos pais – que testemunhavam contra os filhos. Às vezes os delitos eram considerados muito graves e o pequeno delinquente pegava dois ou mais Natais consecutivos de punição. Nunca tantas crianças choraram ao vivo para o prazer mórbido dos telespectadores.

Telespectadores que, aliás, foram responsáveis pelo fim do “Lugar de criança”, quando migraram para programas que maltratavam as crianças mais sutilmente, através do estímulo a pulsões consumistas, músicas grudentas e repetitivas e outras formas de dominação das pequenas mentes em formação.

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Comunicado

Desculpem as poucas atualizações, às voltas com uma gripe que não passa (não-suína, espero) e uma tradução. Já volto à programação normal. Vamos nessa.

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Senor Bacharel

Ilustração: Fernando de Almeida

Minha coluna que saiu na edição de julho da Revista Monet, Histórias (Inventadas) da Televisão. Atentem para o “inventadas” entre parênteses.

Todos conhecem Silvio Santos e os programas populares que comandou desde que fundou o Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. O que não se sabe é que o protótipo do primeiro desses programas não tinha nada de popular.

Tendo sido camelô – e uma rara exceção entre as vítimas da má distribuição de renda no Brasil a superar sua condição do excluído – Silvio Santos era muito sensível ao problema da educação e da mobilidade social. Quando finalmente pôde ter seu primeiro canal de televisão, chamou uma equipe de intelectuais e encomendou uma grade de programação dedicada a levar cultura para todos os brasileiros.

Tudo era pensado em função do valor didático/cognitivo. A sessão de cinema, por exemplo, foi batizada de “Cinefilia” e só passaria filmes europeus e japoneses – americanos, só se dirigidos por John Cassavettes e Andy Wahrol. Mas a pérola era mesmo o programa de auditório de Sílvio Santos, que seria conhecido como Domingo no Campus.

Seus quadros eram um primor. A atração que depois ficou conhecida como Roletrando se chamaria “Pró-mestrando”, e sua roleta sortearia prêmios como bolsas do CNPQ e viagens guiadas ao Observatório do Valongo. Nem queira saber que tipo de equações matemáticas cada equipe tinha que resolver no segmento “Passa ou engrossa os índices de repetência?”

O Troca-Letra também era um jogo para tentar descobrir palavras ocultas em um painel, mas com aquela complexidade das Palavras Cruzadas de jornal que só nossos avós conseguem matar – muito em parte porque foram testemunhas dos eventos históricos sobre os quais esses passatempos sempre perguntam.

Show de calouros? Sintam o júri: os maestros Arthur Moreira Lima e Rogério Duprat (para abarcar as vertentes clássica e experimentalista da música erudita) e o Professor Mascarado, que era o membro escalado para fazer as críticas negativas e levar os tomates da platéia – que, pasmem, era interpretado pelo maestro Isaac Karabtchevsky, fazendo a maior questão de participar. A máscara era só para driblar seu contrato de exclusividade com a Rede Globo.

O programa deu errado na primeira edição. Apesar de selecionados entre as melhores instituições de ensino, todos os candidatos fizeram feio: os calouros não sabiam ler partituras, ninguém acertou nenhuma pergunta, não descobriram nenhuma palavra escondida. Silvio percebeu que seria uma roubada financeira apostar na inteligência ou no sistema educacional brasileiro, e mudou um pouco sua estratégia de mercado.

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