OEsquema

Inteligência emocional

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Update: o Persegonha deu o toque, na real foi a Suzana Werner – que aliás se defende até hoje dizendo que estava sendo irônica quando disse que parou de ler o livro do Jô Soares para começar a Divina Comédia. Well, mal aí, Danielle Winits, beijo no coração.

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PREZA PRESIDENTE

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O BRASIL TEM SALVAÇÃO?

Observando o clima de insatisfação no país, percebemos a necessidade de uma candidatura de PESO como alternativa ao CAOS, representado por Lula, e o NADA, representado por aquele cara… como é mesmo o nome dele?

O rinoceronte Cacareco e Macaco Tião tiveram suas oportunidades de disputar a láurea máxima da nação, e falharam. Nada contra os animais, de todo já bem representados no congresso, mas é a vez de um personagem de quadrinhos. CAPITÃO PRESENÇA, o nosso PREZA, é a figura bidimensional da vez.

Só CAPITÃO PRESENÇA pode salvar o Brasil. Com CAPITÃO PRESENÇA não tem miséria.

O nome de CAPITÃO PRESENÇA surge por toda parte: no sussurro rouco das ruas, nas consultas às BASES e principalmente em interrogatórios. Os dedos da nação apontam CAPITÃO PRESENÇA como um homem responsável. Por vários atos sobre os quais nada ficou provado.

CAPITÃO PRESENÇA. Guarde esse nome – até porque delação não combina com uma sociedade calcada no direito democrático.

Ação de marketing ou preocupação genuína com os destinos da pátria? Lançada a campanha, agora você decide. Mas uma coisa é certa:

Vou dar 10 álbuns do Capitão Presença* para os melhores itens de material de campanha: bottons, faixas, camisetas. É só mandar a arte (como essa que fiz acima, e de qualquer jeito, feita no paint ou o que seja) para preza.presidentearrobagmail.com. E também postar a bagaça em seu blog, site, o que você tiver, para fortalecer. A little help from my friends.

* – sim, ainda não estão impressos, mas estão tão na boca que já estou autorizado a prometer – e ademais, quanto mais demorar pra sair, maior o prazo de entrega dos trabalhos, cabeção.

Update: mal botei esse troço aqui e já mandaram paradinhas. O Gustavo Daher fez esse santinho aí embaixo e o Ricky me mandou um e-mail com um slogan maneiro: SE OS GENERAIS NÃO DERAM JEITO, QUEM SABE UM CAPITÃO? Go on black people.

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Blitzkrieg Bop

Notícias do front do álbum do Capitão Presença. O livro está pronto, a capa está aprovada. Fiz um raf junto com o Leo pra poder acertar a bagaça, mas entre a arte-final e a ajuda com o lápis, a capa é dele e pronto. Ei-la:

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Tinha bolado uma paródia da capa do Sgt. Peppers com o título “Cpt. Preza´s Stoned Heads Club Band” (com personalidades maconheiras no lugar das pessoas-ícones em torno dos Beatles) pro álbum também, como poster, mas essa aí nem tentei fazer sozinho, deixei para o Leo de cara. Que não entregou, me mandou só esse rascunho, que, incompleto assim, destrói. O Mateus, da Conrad, disse que de repente dá tempo, agulhem o Leo pra mim aí nos comments. Cliquem para ampliar essa maravilha:

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E uma tira para brindar uma parada que ainda não comentei com vocês aqui. O pessoal do Coletivo Instituto, os caras que entre outras milhares de atividades produzem os Racionais, estão gravando um disco com músicas só sobre o Capitão Presença. Não satisfeitos em fazer uma música em homenagem ao Preza (acho que tem pra ouvir no site deles, mas não achei) para uma coletânea bancada pela seda Smoking (nas lojas), chamaram uma cacetada de caras para registrar mais canções de amor e fumaça. Já gravaram os Sebozos Postizos (Mundo Livre + Nação Zumbi), Black Alien e sei mais quem. Mas a lista de pessoas a convocar era grande e acho que o principal fator de alistamento era o gosto pela erva – porque tinha até a mina que canta no Cansei de ser Sexy lá. Enfim, nem sei quando sai, mas a coisa toda muito me emociona. Beijo no coração.

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Pimp style

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Comunistas com a grana dos outros

Lendo uma entrevista realmente idiota desse exemplo de nepotismo e da hereditariedade da falta de talento*, me veio à cabeça a expressão que críticos e cineastas “intuitivos” gostam de usar para falar mal de filmes que, afinal, obedecem a um script: “isso é truque de roteiro!”** E aí lembrei daqueles caras que, vendo um show de mágica, te cutucam pra dizer o óbvio: “isso é só um truque!”

Yeah, cuzão, tô ligado que é truque. Então faz aí.

* – fala sério, a carreira desse Ruy Guerra é um equívoco desde os primeiros filmes: como é que em “Os Fuzis” o cara me DUBLA a voz do Paulo César Peréio? Seria o mesmo que usar um dublê de corpo nos filmes da Silvia Saint, mal comparando pra caralho.

** – uma vez li uma entrevista do cara que escreveu o roteiro de “Amores Possíveis” (Murilo Benício, Carolina Ferraz) dizendo isso de “Amnésia”. E qual é a idéia de “Amores Possíveis”? Apresentar uma situação e contar três histórias a partir da premissa, como duzentos filmes já fizeram antes, um deles “Corra Lola corra”. E o sujeito ainda teve a cara de pau de dizer que “Amnésia” roubava a idéia de “Wintersleepers”, outro filme do diretor de “Corra…”! Explanou legal – e pior que viajou, “Wintersleepers” não tem porra nenhuma a ver com o filme do Christopher Nolan.

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Nunca me enganou

Mais uma.

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Sssssssssss

Stencil que o Luke Boss, gênio da faca, fez para os grafiteiros caírem matando. O cara é muito, muito foda, cheguem no flog e vejam a arte que ele fez pra Silvia Saint.

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Gatão de meia-boca

Fiz toda uma série com sugestões de vocês nos comentários: Gerald Thomas, Carlinhos Brown… continuem a mandar nomes para as Entrevistas em Quadrinhos.

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I’m a loser not a fighter

Saiu a Zongo, empreendimento editorial do Benett, meu parceiro nas tiras do Super Loser (estão lá na revista), nossa tentativa de vender quadrinhos para um desses Syndicates gringos que distribuem para jornais de todo mundo. Não rolou, mas na real só tentamos um Syndicate (King Features) – e não pelo canal convencional, pelo qual receberíamos ao menos uma carta de recusa, mas pela mão de um representante deles aqui, que sumiu. Como diz nosso herói, em um dos seus motes: “posso considerar isto um empate?”

De qualquer forma, valeu só por ter saído na Zongo, mais um lance do gênio do mal (ou retardado do bem, como ele talvez prefira) de Curitiba. Também featuring: Dahmer, Jean e Ziraldo. Mentira, Ziraldo não tem não.

Onde o Benett arrumou grana praquele papel fodão? Auditoria!

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Retrato do artista enquanto inédito

Roteiro que escrevi, já tinha posto no blog, mas vai de novo pro ar porque os arquivos de 2005 pra baixo ainda flutuam no limbo. Repare que usei  meu nome, o do Allan, etc. – ia alterar assim que descobrisse o que fazer com o cartapácio abaixo, mas me falta vontade política e uma secretária de futuro para inscrever essa porra onde quer que seja. Então fica entendido, não odeio o Léo e nem o Matias é tão picareta quanto está retratado. Ainda.

(Feira de quadrinhos, mesa de debate)

Mediador – Próxima pergunta.

Cara – Para o Arnaldo. Seu tabalho mudou com o tempo, ficou mais (gesticula) suave, menos incisivo. Você se vendeu?

Arnaldo – Ahn… eu… bem, no que você trabalha?

Cara – Sou gerente de engenharia de dados.

Arnaldo (tapando o microfone, para Allan) – ah, esses são incorruptíveis…

ENTRA O TÍTULO: “SE VENDENDO”. CRÉDITOS.

(Arnaldo e Allan andando pelos stands da feira de quadrinhos)

Arnaldo (pegando uma revista) – Ei, olha só isso aqui: o número 1 da Liga dos Invencíveis.

Allan (lendo) – “Homem Invulnerável versus Capitão Indestrutível”. Um impasse se apresenta… (abre na última página, o último quadrinho mostra dois homens de uniforme de super-herói se cumprimentando, Allan lê os balões) “Então concedo um empate honroso, Homem Invulnerável”, “que da próxima vez vença o melhor, Capitão Indestrutível”.

Arnaldo – Pois é, cancelaram a série no primeiro número, isso aqui deve custar uns 5 mil reais.

Allan – Nunca me liguei em quadrinho de super-herói, não entendia como os caras tinham todo o poder do mundo e acabavam indo trabalhar com jornalismo.

Arnaldo – Super-herói está dando o maior dinheiro, a Marvel paga tipo uns 200 mil dólares por ano pros caras que desenham isso.

Allan – Fala sério que você faria uma coisa dessas.

Arnaldo – Não, estou só comentando.

(Arnaldo no quarto do hotel escrevendo em seu bloco de anotações, na cama – com vários gibis de super-herói em torno, pensando)

Arnaldo – Deixa eu ver, que tal… O Super-Homem da Renascença. “Mais vigoroso que um afresco de Michelangelo!” “Mais forte que um verso de Petrarca!”. O seu inimigo poderia ser “O Crítico”, a mente mais criminosa da Folha de São Paulo… não dá, tudo que sei fazer é cartum.

(entra a mulher de Arnaldo, Patricia)

Patricia – Ei, liga a tv, está passando aquele filme que vc gosta no circuito interno, aquele com o Belushi engraçado.

Arnaldo – Qual, “Clube dos Cafajestes”?

Patricia – Não, “1941″.

Arnaldo – Eu não gosto de “1941″. Spielberg não sabe fazer comédia. (olhando para o seu bloco de notas com os rascunhos de idéias para a história de super-herói). Acho que cada um tem que fazer o que sabe fazer e…

Patricia – E “Goonies”?

Arnaldo (meio grosso) – “Goonies” ele só produziu. Olha, estou tentando
bolar aquele negócio de super-herói.

Patricia (chateada com o corte) – Que tal “Super Indiferente”? O super-herói
convencido e egoísta que anda pro resto da humanidade?

Arnaldo (tendo idéias) – Ei…

(Allan em um stand, esperando gente para autografar sua revista. Chega uma
menina de uns 9 anos)

Menina – Ei, essas tatuagens saem com água?

Allan – Onde estão seus pais?

Menina – Minha mãe está na fila do Maurício de Souza, ele vai autografar minhas revistas! (aponta pra fila, vários pais com os filhos. Imagem do sósia do Maurício de Souza de costas dando autógrafos)

Sósia do Maurício de Souza (pensando) – Pra que que eu tenho que vir pra essas feiras ridículas? Mais uma idéia imbecil do pessoal do marketing. Demissões, demissões, parece que eles GOSTAM disso…

Menina – Cadê a SUA fila?

Allan – Ei, gatinha, você por acaso teria uma irmã mais velha?

Menina (ofendida, tirando onda) – EU sou a mais velha lá em casa.

Allan (esperançoso) – Então sua mãe deve ter o quê, uns… trinta e cinco?

Menina – Olha lá ela. Tchau, idiota.

Allan – Se você cansar de Mônica e Cebolinha, tente uma dessas aqui (aponta para a capa da sua revista, com o personagem Urso Ernie – na capa, uma chamada para a história “Senta no colinho do titio”.

Menina – A menina lê: “Quadrinhos adultos”. Se é de adulto, eu não posso ler, idiota (sai).

(Chega um cara de terno com uma pasta de elástico)

Cara – Sieber? Allan Sieber?

Allan – Quem quer saber?

Cara – Meu nome é Dionísio Bentes. Vou direto ao assunto. Sou representante de uma distribuidora de quadrinhos (mostra a pasta, que tem um logotipo impresso). Estamos interessados em licenciar um dos seus personagens, o urso Ernie.

Allan – Licenciar?

Dionísio – É, comercializar o personagem. Usar a imagem dele em produtos. Sabe, camisetas, lancheiras, chaveiros, estojos…

Allan – O sr… hã… está familiarizado com o personagem?

Dionísio – Sim, estou, o departamento de pesquisa me deixou a par. Achamos que ele tem bastante potencial.

Allan – Então você está ligado que o Ernie é pedófilo?

Dionísio – É umas das formas de se olhar para a sua complexa personalidade, sim. Mas da maneira como nós vemos, sr. Sieber… (tirando um cartão do bolso)

Allan – Você não está entendendo, essa é IDÉIA CENTRAL dos quadrinhos do Ernie.

Dionísio (entregando o cartão) – Estou falando de muito dinheiro. Qualquer coisa, ligue pra gente.

(Arnaldo explicando seu herói para a Patricia)

Arnaldo – Você vê, com o fim das utopias, o mundo ficou individualista e cínico. Por isso é que hoje eles tem que refazer a imagem do Super-Homem ou do Batman, botar os caras pra afundar maxilar e povocar fratura exposta ao invés de só dar uns tapas e levar os caras pra cadeia. A molecada hoje quer porrada e não lição de moral. Então vou fazer esse personagem realmente egoísta, que não está nem aí para o Oriente Médio ou para a coleta seletiva do lixo.

Patricia – Ele não está nem ao menos decepcionado com o Governo Lula, com a eleição do Bush?

Arnaldo – Não, esse cara nem tirou título de eleitor. Estou pensando em chamá-lo “Ele”. O que você acha?

Patricia – Mas ele não age, não faz nada?

Arnaldo – Não, ele agiria de acordo com as conveniências. Ele vai fazer coisas heróicas se, sei lá, for interessante para ele fazer média com a Comunidade, ou se tiver uma gatinha olhando. Mas às vezes vai agir de acordo com uma moral duvidosa.

Patricia – Tipo, estacionar o Elemóvel em fila dupla.

Arnaldo – É.

Patricia – Mas já não existem personagens assim?

Arnaldo – Até existem, mas neles o cinismo e o individualismo são só características de personalidade. Nesse cara vão ser tipo o super-poder dele.

Patricia – Linha Romário.

Arnaldo – Minha garota.

(Allan, Arnaldo e Patricia conversando na casa do Allan)

Arnaldo – Bem, sei que os caras vão transformar o Ernie no Ursinho Puff, mas quem sabe não seja melhor? Você parava de desenhar as histórias dele, cedia o personagem, ficava com a grana e continuava com a sua linha de trabalho “me internem”.

Allan – Sacrificar o Ernie? Para que os outros possam viver?

Arnaldo – Você faz tudo parecer um drama…

(Toca a campainha)

Allan – Deve ser o Matias. (vai na direção da porta)

Arnaldo – Agora você recebe fanzineiros em casa? Isso aqui já foi melhor freqüentado…

Allan (irônico) – Claro, por agiotas chiquérrimos. (abre a porta)

Matias – Coé? Aí, maneira a piada na capa da tua revista (apontando) “Quadrinhos adultos”. “Quadrinhos adultos”, ha, muito engraçado…

Allan – Sou obrigado por lei, se eu não botar isso aí eu sou multado, Matias…

Matias (ficando sério) Ah.

Analdo – Fala, cara, tá sabendo que o Allan vai ficar milionário?

Matias (irônico) – Sei, que nem daquela vez que ele apostou no bicho errado…

Arnaldo (para o Allan) – Você joga no bicho?

Matias – Não, ele tinha uma dica pra um páreo na Gávea mas confundiu e apostou em uma corrida de cachorro…

Patricia – Tem um cara de uma mega-empresa interessado em transformar o urso Ernie em boneco, lancheira, chaveiro…

Matias – Sério? Será que vai dar galho com as camisetas que eu estou fazendo?

Allan – Matias, QUE camisetas?!

Matias (evitando o assunto) Cara, que demais! Tu vai poder, tipo, combater o sistema de dentro!

Allan (irônico) – É, sei, que nem o Keanu Reeves em “Matrix”. Nah, o lance é pra se vender mesmo. Os caras querem mudar totalmente o persongem, transformar o Ernie numa coisa meio Maurício de Souza.

Matias – Pô, maluco, mas você vai queimar seu filme assim? Você é tipo um baluarte dos quadrinhos underground…

Allan – Pro gerente do meu banco, é justo isso que queima o meu filme…

(Arnaldo com Leo, o desenhista que vai fazer “Ele”)

Arnaldo – Tira esse topete. Topete é coisa de herói tradicional, (ficando sério e didático) para balançar com o vento que bate no alto do prédio de onde ele observa o mundo corrupto que precisa da sua prote…

Leo – Eu entendi, sem topete.

Arnaldo – E nada de uniforme colante. Nunca entendi, material sintético e nenhum deles sua. Põe algo na linha entre rapper e Soldado Universal.

Leo – Pra quem você vai tentar vender isso?

Arnaldo (resoluto) – Marvel Comics, Nova York U.S.A.

Leo – Se eles toparem, como é que a gente vai dividir? Meio a meio? Eu devia ficar com uma parte maior, vai dar o maior trabalho desenhar tudo isso, só a apresentação do “Ele” são 20 páginas.

Arnaldo – Justo por isso é que eu devo ganhar mais. Desenhista de história de super-herói eles têm quinhentos, mas o que estamos oferecendo é um novo conceito. O super-anti-herói.

Leo – Meio a meio.

(Patricia, Arnaldo e Leo estão botando a apresentação e a história do “Ele” em um envelope para enviar pelo correio)

Leo – Você sabe que as chances são muito pequenas. Eles recebem uma média de 3000 histórias por ano, e só contratam uns dois ou três.

Arnaldo – Ainda tenho mais chance do que numa prova pro Itamaraty.

Patricia – Não se você tentasse vender um “novo conceito em relações exteriores” pros caras…

Arnaldo (boladinho) – Não sei onde você está querendo chegar.

Leo – O que você achou dos enquadramentos? Dei uma caprichada.

Arnaldo (nem aí) – Ah, legais.

Leo – E usei umas cores quentes, pra contrastar com os ambientes escuros…

Patricia – Eu adorei…

Arnaldo – Leo, não queria te dar muita esperança não. Talvez eles só comprem o personagem, e prefiram usar um desenhista deles. Mas como falei, ainda sim você ganha uma porcentagem.

Leo – Sinceramente, acho que os caras nem abrem a correspondência.

Arnaldo – Não, no site os caras garantem que respondem todas as cartas, mesmo que com uma recusa padrão.

Patricia (para Arnaldo) – Que nem o gerente do seu banco.

(Reunião do sujeito da empresa com o Allan)

Dionísio (apontando para uma tela em que se projeta uma apresentação em Power Point) – Então essas são as mudanças básicas. (mostra o desenho do Ernie na tela, o persongem ganhou cílios enormes e está cheio de acessórios para o boneco em torno, como “secador de cabelos Ernie” e coisas assim). Sei que demos uma limpada radical na imagem dele, mas achei as modificações importantes, especialmente essa dele agora ser membro do Greenpeace. E também precisamos dar um certo apelo MTV. Alguma pergunta?

Allan – Onde é o banheiro?

(Allan no banheiro, vomitando)

(Mais tarde, de volta à reunião)

Allan – Deixa eu ver se eu entendi. A partir de agora o Ernie vai ser um personagem para crianças. E vai ter um desenho animado dublado pelo Selton Melo.

Dioníso – Sim, exatamente. Você ganhará uma porcentagem de todos os produtos da linha Ernie. Nessa primeira fase, serão em torno de 25 itens.

Allan (enrolado) – Olha, eu sei que deve ser difícil para vocês entender… veja bem. É o seguinte… a minha linha de trabalho… o que meu público espera… é que eu sou, pros quadrinhos underground, tipo… um baluarte.

Dionísio – E?

Allan (desistindo) – E também tem o tempo que vou levar produzindo essas coisas. Como vou continuar com os meus quadrinhos?

Dionísio – Como assim, “produzindo”?

Allan – Ahn, escrevendo as histórias, fazendo os desenhos do Ernie pras canequinhas e tal.

Dionísio – Ora, para isso temos uma equipe de roteiristas e desenhistas.

Allan – Peraí. Você quer dizer que não preciso fazer nada?

Dionísio – Só assinar um contrato cedendo os direitos de exploração do Ernie.

Allan – E nesse contrato… quer dizer, eu precisaria levar crédito? Eu posso ficar anônimo? Inventar um pseudônimo?

Dionísio – Se vc preferir. De qualquer forma, você terá direito a 20 por cento de cada item comercializado.

Allan – E posso continuar a fazer os meus quadrinhos sobre incesto e drogas pesadas?

Dionísio – Por mim você pode fazer a Vida Ilustrada de Hitler.

Allan – Ahn… e o passado do Ernie? Quer dizer, ele era pedófilo. Agora vai estar em livro para crianças.

Dionísio – Deixe isso com a nossa equipe. Os dias de dúvida e perturbação de Ernie acabaram, agora ele é um novo urso. E você vai ficar rico, rapaz.

Allan (ansioso) – Bem, onde é que eu assino?

Dionísio – O contrato ainda não está pronto. Só estamos esperando uma última pesquisa para medir a aceitação do Ernie entre seu público-alvo. Mas é uma mera formalidade, podemos marcar para segunda-feira a assinatura.

Allan – Vocês se importam se eu dormir aqui?

(Exibição do filme de apresentação do Ernie para as crianças. Entre elas, a menina que falou com Allan no stand de quadrinhos)

Crianças – Começa! Começa! Começa!

Homem de branco com prancheta – Muito bem garotada, esse é o Ernie.

(começa a projeção de um desenho animado do urso. A voz do urso é do Selton Melo)

Ernie – Olá Coelho Jonjoca! Você já viu a minha nova tatuagem?

Coelho Jonjoca – Não, o que é?

Ernie – É um coração com a frase “amor da sua mãe”! (claque)

Coelho Jonjoca – Puxa, Ernie, você sempre me pega!

Ernie – É porque eu tenho ATITUDE! (Ernie faz o sinal “metal”, os dedos da mão direita em chifre, enquanto toca um riff de guitarra)

Coelho Jonjoca – Oh, Ernie!

Menino – UUUUh! Boiola!!

Homem de branco com prancheta (para o homem que opera a máquina) – Pare o desenho. Ahn… você, garoto, como é o seu nome?

Menino – Nueda!

Homem de branco com prancheta (anotando) – Nueda?

Menino – Nuedassuaconta! (as outras crianças riem)

Homem de branco com prancheta – Porque você falou aquilo?

Menino – Todo mundo sabe que urso é apelido de gay gordo e peludo!

Homem de branco com prancheta – Ahn eu não…(anotando) eu não sabia.

Menino – Meu tio me ensinou. Ele me conta cada coisa…

Menina – Eu conheço esse desenho! É de um cara feio que cantou a minha mãe e tentou me dar uma revista de adulto!

(o homem de branco com prancheta fica bolado)

(Arnaldo chega em casa com a correspondência)

Arnaldo – Carta da Marvel! Uma semana… cara, o Leo devia estar certo, eles nem devem abrir a correspondência (abre a carta apressadamente e vai fazendo uma expressão de incredulidade enquanto lê). O quê??

Patricia (entrando) – O que foi?

Arnaldo – Eles gostaram do Leo! Querem contratar o cara! Dizem que o personagem não interessa, mas gostaram das cores e dos enquadramentos dele! “Enquadramentos”? O cara é o quê, Hitchcock?

Patricia – Que bom!

Arnaldo – É, é, é, que bom pra ele, mas como assim não gostaram do”Ele”?

Patricia – Bem, talvez o mundo não tenha se tornado tão individualista e cínico afinal.

Arnaldo – Mas LOGO O PORRA DO LEO?! SEMPRE ODIEI O CARA!! POR QUE NÃO EU???

(Patricia faz uma cara, tipo “esquece o que eu falei”)

(Matias em casa, com várias edições do seu zine “Tarja Preta”, pôsteres do Gil Scott Heron, desenhos de folhas de maconha e coisas assim. Ele está usando uma camiseta do Ernie. O telefone toca.)

Matias – Alô? Frila? Pra qual revista? Sério? Demorou, eles pagam benzão por lauda. Qual é a bagaça? (Anotando) Sobre essa operação da Polícia Federal… 5 toneladas de maconha apreendidas… tom anti-drogas? Dar uma sacaneada na bancada pró-liberação? O Gabeira também? Ué, claro… por mais duzentinhos abro um box pra culpar os usuários pela violência no Rio. Ah, pode botar o mesmo nome que usei naquela matéria contra o sistema de cotas… falou. (Desliga. Digita um número). Alô, Juca? Bora na passeata do passe-livre? Assim de gatinha de olho…

(Arnaldo e Patricia em casa, assistindo “Interlúdio” do Hitchcock)

Patricia – Porque todos os vilões de filme fogem pro Brasil? Eles não tem medo de assalto?

(toca a campainha)

Patricia – É o Allan.

Arnaldo (abrindo a porta) – Fala, cara! E aí, tem uma grana pra me emprestar?

Allan – Eles desistiram.

Arnaldo – Sério? Por quê?

Allan – Parece os caras acharam que o personagem é uma má influência… falaram alguma coisa sobre o Ernie suscitar dúvidas sobre a sexualidade das crianças. Apararentemente eles ainda não superaram o episódio Topo Giggio. Não entendo, eles mesmos mudaram tudo…

Patricia – Que pena, Allan. Quer assistir um filme?

Allan – Qual?

Patricia – Interlúdio, do Hitchcock.

Allan – Aquele dos nazistas no Brasil, não é? Belos enquadramentos.

CENA FINAL

(Preto e branco. “Início dos anos 60″, diz a legenda. O sósia do Maurício de Souza circula em um bar, de boina e barba por fazer. Chega até uma mesa com um homem de terno – não vemos seu rosto, ele está de costas)

Maurício de Souza – Olá, meu nome é Maurício de Souza, eu faço esses quadrinhos sobre essa mina meio porralouca chamada Mônica, ela é uma beatnik bem liberada. E tem esses dois amigos dela, que se ligam em uns baratos loucos, sacou? O Cascão e o Salsinha.

Homem (entregando um cartão) – Muito prazer, meu nome é Dionísio Bentes…

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Update: achei essa foto do FIQ pertinente para ilustrar esse “roteiro”, eu e Allan encharcados de cerveja na palestra sobre Humor Engraçado. Reparem como eu sei dar prazer a um microfone, acariciando em cima e embaixo…

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Masturbação, Dreher e rock’ n’roll

Quadrinho sobre uma banda de adolescentes retardados chamada Cavera (assim, sem o “i”), só durou uma série. Talvez saia na Mosh!, se conseguir arrumar tempo um dia na minha vida pra diagramar no formato certo…

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“There’s one bitch in the world—one bitch with many faces”

Dia Internacional da Mulher, não é?

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Da Prez´s cool, man

Texto que saiu na Tarja Preta #1, dei uma mexida para entrar no álbum do Capitão Presença.

Choose life

“Esporte é vida”, eles dizem. Propaganda do governo contra as drogas é assim: no lugar do prazer que eles vão te tirar, oferecem sofrimento e abdominais. Bem, por que o espanto? Há anos a televisão mostra aqueles anúncios do Exército em que os sujeitos param de jogar bola e vão sorrindo se alistar. “Oba! Vou passar a minha Época de Ouro da Potência Sexual fazendo flexões com um bando de outros caras! Tomara que a comida seja intragável!”

A verdade é que as campanhas contra a maconha deviam ser boladas pelos usuários, porque só eles sabem o que realmente é ruim no hábito. Por exemplo: conseguir maconha. Esse é um processo deveras estressante, capaz de levar o cara mais zen a querer fumar só para aliviar a descarga de adrenalina da coisa toda. Deve ter gente que dá dois só por causa da nóia que é viver cercado de vizinhos dedo-duros.

Dizer nos comerciais que maconha faz mal é besteira. O número de pessoas que deixam de fazer alguma coisa pelos malefícios dessa coisa é residual e se restringe ao grupo dos impressionáveis – o mesmo naipe de gente que acredita naqueles e-mails que dizem existir uma gang que rouba órgãos internos e larga as vítimas em uma banheira cheia de gelo.

Várias coisas fazem mal, inclusive assistir propagandas do governo na TV. Além do quê, elas nunca mostram a verdade. Nas festas encenadas para mostrar como o adolescente deve recusar altivo toda oferta de beck de seus amigos depravados, parece que ninguém tem mais nada importante pra fazer do que convencer o calouro a dar um tapa. E na boa: nos tempos magros que rolam, ninguém oferece uma segunda vez, pode crer.

Bah, “Esporte é vida”. Diz isso pro Ayrton Senna.

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Caiu a pauta*

Parece que esse carinha vai ser demitido, entonces a piada sai da F#4. Sugestões de entrevistados para substituir nosso amiguinho especial nos comentários.

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* – update, o Bruno deu o toque que o moleque é liso e escapou do passaralho. Vai confiar em coluna de intriga… bem, quem quiser mandar sugestão de entrevistado, be my guest.

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Radical Chicken

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Buncha av whinas!!!

Me perguntaram nos comentários o que acho dessa idéia de reserva de espaço para quadrinhos de autores brasileiros em publicações, eis:

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Agora, na real, se rolar essa bocada, entro sem pudores. Se é pra roubar, VIDA LOCA MANO!!! A ética do PT garante.

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Carisma não se compra em farmácia

Capa abortada para o livro do Preza.

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Opa, finalmente um Mundinho Animal pro site da Tonto. Novo formato, pra ficar no padrão de jornal – quem sabe a profecia do Fabio Zimbres no site (“o Arnaldo nunca vai publicar em jornal, etc. etc.”) não acabe caindo por terra? Sonhar não custa nada, mas também não paga o aluguel. Oh, my.

Enquanto o Fabio não atualiza lá, deixo a tira aqui no Mau Humor mesmo, depois atualizo o link.

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The who?

Cartum da Bizz.

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Retomada de dinheiro público

Calma, Zimbres, já te mando o Mundinho da semana (hehe, da semana, boa piada, da semana… haha) que vem…

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“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos”

Ontem saí pra uma cerveja com o Matias Maxx (que está prestes a fazer história no Rio de Janeiro com um empreendimento GIGA sobre o qual não sei se posso falar e no momento estou com preguiça de perguntar se posso) e o grande Pedro Só, sujeito com várias horas extras por receber de duzentas redações a que prestou serviços por aí. Consegui embebedá-lo a ponto de ganhar na faixa o seu livro (em parceria com o também jornalista Edmundo Barreiros) “1985 – o ano em que o Brasil recomeçou”.

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Não costumo fazer isso, e nem acho que o cara esteja precisando dessa “força”, mas corram atrás desse livro. Não consigo parar de ler – e olha que estou lendo outro livro que não consigo parar de ler, “Cão come cão”, do Edward Bunker – , engraçado demais, uma análise política e cultural de uma época, mas sem análise: só os fatos e a sua bizarrice inerente. Finalmente o revival dos anos 80 deu em alguma coisa decente…

Ediouro, 209 págs.

Trecho:

A primeira cena do filme (“Senta no meu que eu entro na sua”, de Ody Fraga, N. do B.) é impagável, resume 1985 de forma lapidar. Um homem pega o jornal para ler a respeitável Folha de S. Paulo. Na primeira página, aparece a manchete “Tancredo reafirma fé nos ideais de 1964″. O homem exclama: “Puta que o pariu! Tamos fodidos!”

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Geração 0

Mundinho Animal – depois posto um novo para o site da Tonto. Inscrevi essa maravilhosa série no concurso de quadrinhos da Folha, para o qual estamos todos concorrendo ao segundo lugar – o Dahmer está no páreo.

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Too old to fuck

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Making of

Fotos para a apresentação do livro do Presença. Criador e criatura. O mascarado é a criatura, by the way.

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Arrumando o que fazer

Expectativa de vida M/F: 73/78 anos
Analfabetismo: menor do que 5%
Força de trabalho: 3 milhões para 5 milhões de habitantes
Renda per capita: US$ 33.040

Imagino que a vida de um cartunista dinamarquês deva ser meio desprovida de assunto mess.

Pior que os cartuns sobre Maomé eram realmente bons, imagino o que os caras não fariam por aqui. O Chico Caruso nasceu no país errado…

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