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Arquivo: Allan Sieber

O mito

Amanhã (quinta), lançamento do ano. O livro está foda, amiguinhos, formato grande, papel couché e cores nas últimas páginas, capa grossa, coisa de fazer CPI. E dentro, o jornalismo X-9 de Allan Sieber. Digno do prêmio Pulhitzer (sic).

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Não aceito desculpas

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A quarta capa que escrevi para o livro do Dahmer:

A GRANDE AMEAÇA NEGRA

Quando você trabalha num meio em que a maior parte do pagamento vem em forma de vaidade autoral, é difícil assimilar o golpe na auto-estima que representa a entrada em cena de um talento imbatível como o Dahmer – o cara que veio para acabar com a esperança de todos os aspirantes ao título. Mas a alegria de ser seu contemporâneo e no futuro poder contar que só perdeu para o campeão ninguém pode tirar de seus desafiantes. O “Livro Negro de André Dahmer” é o Grande Romance de Geração disfarçado em HQ, uma ratoeira armada para a Crítica, má apostadora notória.

O Muhammad Ali dos quadrinhos.

Ainda bem que não pediram para escrever nada para o livro do Allan, porque diria basicamente a mesma coisa e perderia em credibilidade.

Bem, amanhã (07/08) tem lançamento dos dois na livraria da Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de Janeiro). Como vocês podem ver pelo programa, vai rolar uma mesa de debates comigo na mediação. Pior que entrei no lugar do Jaguar, me sinto como aquele moleque falsa promessa que recebou a chuteira do Zico no jogo de despedida – peraí, despedida é o caralho, Jaguar é Highlander e vai superar essa fase sem birita.

Na última vez em que estive em uma mesa de debates com o Allan parecia show de banda punk, voaram latas de cerveja no palco. A conferir, espero todo mundo lá.

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Everything in it’s right place

Sem material novo para botar aqui no blog, fui atrás de coisas inéditas mas prestes a sair. E aproveito para fazer propaganda das duas melhores peças de literatura do ano, escolha qualquer ano. Abs.

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Me dei conta relendo dois textos (um para o site da Zé Pereira, que deve sair até semana que vem, e outro para um lance de que não posso falar para não estragar a surpresa) que escrevi sobre a mesmo tema. Mas tal é a capacidade de enrolação de um ser humano que repeti poucas palavras. Trechos:

O Homem superando os meus limites

“Palpite, palpite, nasceu no crânio de quem teve meningite”, cantava Noel Rosa, que entendia de doenças infecciosas e suas conseqüências, já que morreu de tuberculose. É de se especular que o surto da doença que atingiu o país nos anos setenta e teve sua divulgação proibida pelo governo militar haja afetado toda a população, porque não conhecemos limites para nossa capacidade de dar opiniões desabalizadas* sobre qualquer assunto.

Alguém já disse que contra fatos não há argumentos, mas o brasileiro com sua mundialmente famosa criatividade prescinde destes e usa o que tiver a mão, inclusive objetos sólidos e arremessáveis, como um babuíno no zoológico. Blogs, caixas de comentários, seções de cartas dos leitores, artigos de jornal, onde for possível deixar sua marca o Opinador Médio Nacional lá estará, geralmente usando um pseudônimo ou a imunidade do cargo para evitar que sua intervenção corajosa fique à mercê da ação deletéria de algum processo penal.

Crime de opinião

Dizem que quando o artista precisa se explicar para o público, um dois dois é imbecil. E o que acontece quando o sujeito é uma espécie de artista e é por força de ofício um especialista em explicação? Talvez seja mais justo considerar que haja um empate entre ele e seu público. O assunto de hoje são os colunistas.

Colunista é um cara que vive da escrita, embora a escrita possa viver muito bem sem ele, e portanto é alguém em constante exercício de humildade. Certo? Errado. Embora possam usar seu espaço para coisas de maior utilidade pública como dar telefones de serviços de primeira necessidade, preferem preenchê-lo com um artigo irrequisitado e de baixíssimo valor de mercado: a opinião deles.

* – Eu sei que essa palavra não existe, Sherlocks.

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Dahmer e Allan vão lançar seus livros na Travessa de Ipanema dia 7 de agosto (não vou deixar você esquecer), e posso assegurar que são a melhor coisa (os dois, houve um empate técnico) já publicada em quadrinhos este ano e nos próximos, apesar do que o resultado geralmente equivocado do HQ Mix possa apontar. Escrevi a quarta capa do livro do Dahmer, e faria o mesmo pelo Allan se o espaço já não estivesse ocupado pelo cara que mais entende da obra, o próprio. O quanto cobrarem por eles vai ser a oferta do século.

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Falando em Dahmer, achei também isso aqui: um roteiro meu para um personagem dele, o Doutor Tenso. Só pela curiosidade.

Primeiro quadrinho: legenda – 11:45, demitir o estagiário
- Um carinha novo diante de um computador falando: “leio blogs no trabalho para combater o sistema por dentro” – atrás dele, o Doutor Tenso com o indefectível suorzinho no rosto.

Segundo quadrinho: legenda – 14: 50, demitir a secretária
- Doutor Tenso dizendo para uma gostosa que chora: “Coxas carnudas atrapalham a produção”

Terceiro quadrinho: legenda – 17: 20, demitir o diretor de arte
- carinha meio modernoso dizendo para o Doutor Tenso: “Minha homossexualidade o deixa perturbado?” Doutor tenso (bastante tenso): “por favor, dirija-se ao RH…”

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