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Uma tira do Sr. Gambá & Sr. Peixe que não deu pra mandar pro blog da Bavária Premium.

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Mais estranho que a ficção

Fechando a colaboração para a Zé Pereira 2, taí minha coluna (“Mal Necessário”) e o cartum fiz para a primeira edição.

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A função da arte

Hoje em dia os melhores ficcionistas brasileiros trabalham no cinema – na área de captação de recursos. Não é nada fácil tentar explicar para algum funcionário do MinC porque o governo deveria arcar com o inevitável prejuízo monetário da sua obra de arte, mas alguns abnegados se prestam ao trabalho quando preenchem a lacuna “justificativa” no edital de incentivo a cultura.

A menos que você entenda por responsabilidade social não deixar seus amigos desempregados na mão, é mesmo complicado arrumar desculpas para descolar um financiamento – aliás, em qualquer setor, quem já tentou comprar uma casa sabe. Houve até uma época em que o ramo imobiliário e o cinematográfico experimentaram um convênio através da Embrafilme, espécie de BNH de cineasta.

Nesses casos, a verdade não faz bem a ninguém, como quando se declara imposto de renda. É preciso mentir com a proficiência de um aluno relapso explicando para a professora mais uma vez porque não fez o dever de casa. Pensando nisso, vão aqui algumas dicas para o requerente driblar a natural desconfiança do mítico sujeito que libera a verba em Brasília:

1) Arte pela arte – não bom.

Amor sincero pelo cinema pode ser um bom motivo (aliás, o único) para começar a rodar, mas com certeza não vai impressionar burocratas treinados para identificar utopistas com vínculos frágeis com a realidade, portanto despreparados para lidar com um mercado feito evidentemente para executivos empreendedores. Arte, não mencione a palavra.

2) Adjetivação

Quando for descrever o tema do seu filme em resumo (que é a palavra chave, quanto menos puder entregar da trama melhor), enfatize o papel social de cada personagem através da adjetivação. Se houver uma dona de casa na história, por exemplo, chame-a de oprimida dona de casa. E se houver um servidor público, faça-o um consciente servidor público. Não tem erro.

3) Geração de empregos

Deixe claro que seu filme vai gerar empregos (o governo sempre fica feliz em se ver aliviado de uma obrigação constitucional, e conta com todos os setores da sociedade, o crime organizado não é uma exceção), mesmo que os beneficiários sejam seus tais amigos sem trabalho. Enumere cargos que podem ser facilmente acumulados por um só membro da equipe, mas sem mencionar esse detalhe. Isso nos leva à questão do orçamento.

4) Dinheiro não é problema

Cinema é investimento e não filantropia, portanto não economize no orçamento. Você vai parecer tão mais bem intencionado quanto mais cara for a sua produção, vai dar impressão de profissionalismo e de metas mais elevadas. E é natural que suas boas intenções lhe garantam algum bônus das sobras do financiamento, mas também não mencione isso.

Presto! Você está pronto para colher os recursos necessários para realizar sua obra-prima. E, quem sabe, para me encaixar como consultor executivo no elenco.

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“To you I’m an atheist; to God, I’m the Loyal Opposition”

Tempão que não fazia um cartum aqui pro Mau Humor…

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