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Arquivo: Rascunhos

Chapa branca

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Trash a bank if you’ve got real balls

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O futuro do jornalismo

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Educação sentimental

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Parceria

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D.O.A.

Dois projetos mortos no berço: uma tira para a revista Autoesporte, que chegou a ser aprovada, mas que não foi em frente por… na verdade não sei. Mas deu um certo alívio porque não entendo absolutamente nada de carros e, mal de cartunista (rápida lista: Jaguar, Angeli, Dahmer, Allan, Leonardo), não sei dirigir. Se bem que era pra desenhar temas sugeridos – a tira se chamaria Autoesperto (duh) e os leitores da revista pautariam meu quadrinho com as manias que acham mais irritantes no motorista médio brasileiro (estacionar em fila dupla, ultrapassar pelo acostamento, avançar no amarelo, não dar seta and such). De qualquer forma, o protótipo:

O outro seria inspirado naquele Look at this fucking hipster, sobre mais um assunto que não domino, moda, mas pelo viés do ridículo, de que entendo alguma coisa. Mas fiquei sem tempo, aí apareceu o Você não é hipster, e minha homenagem a esse povo que diz qual acessório ridículo você está provisoriamente liberado para usar – até perder o status de consumo irônico – ficou obsoleta. Eis o que seria o header do blog:

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Hagakure

Para mim relacionamentos são tragédias anunciadas em que as mulheres entram só para poder confirmar suas teorias sobre a imprestabilidade dos homens. Imagino que repitam a experiência tantas vezes por conta da necessidade de contraprovas, mas um dia, quando as conclusões forem definitivas, elas vão parar com isso.

Ou não. Pelo volume de reclamações, parece que mulheres querem mesmo se relacionar com homens, apesar das contraindicações. Lendo as queixas no twitter e outras ferramentas de lamentação em tempo real, decidi desenvolver um método – ainda lanço em livro – para que elas possam botar os carinhas em seu lugar, baseado no Hagakure, o Livro do Samurai.

Não, não envolve decapitação ou seppuku. O Hagakure prega que o guerreiro deve considerar que já está morto em combate, e combater com essa convicção. Até porque a morte é considerada uma honra para o Samurai e o fita sai ganhando de qualquer jeito. É tipo psicologia reversa, mas com assassinatos pela espada e tal.

Misturando essa filosofia com a premissa daquele livro/filme “Ele não está tão a fim de você” dá pra pegar a idéia geral. Acho que toda mulher devia agir com os homens como se nunca fosse dar certo, o que aliás é uma aposta razoável, e não esperar nada além de sexo casual, se isso não ferir princípios morais – porque se for o caso, o ideal é o celibato mesmo.

Como só as psicopatas se apaixonam antes de algum convívio mínimo – pelo menos até saber a opinião do sujeito a respeito das touradas e se respeita princípios básicos de higiene – o ideal é nunca dar uma segunda chance a ninguém que não se disponha a uma maratona de telefonemas angustiantes e espera interminável até conseguir uma nova audiência com você, Senhora da Situação.

Lembre-se, para você o relacionamento já deu errado e essa figura suplicante é como se fosse um ex-namorado que desceu um nível de status abaixo de Amigo Gay, e qualquer concessão que faça a ele deve ser pensada em termos de caridade, do tipo que nem espera qualquer gratidão. Se o sujeito sumir depois, isso estará nos planos, e é possível que ainda por cima te faça sentir aliviada.

Claro que depois dessa etapa a manutenção é mais complicada, mas rolam aquelas dicas óbvias sobre como o que os homens falam deve ser tomado ao pé da letra – tipo, se você perguntar se ele te ama e o cara responder que prefere ovos mexidos, o máximo de interpretação positiva que pode tirar disso é que talvez você tenha alguma chance contra ovos estrelados.

Mas ainda estou elaborando aqui.

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Work your ass off

Trabalhando mais do que um chicoteado da estação de trem de Madureira. Entre outras coisas, estou fazendo uma HQ maiorzinha (26 quadros, uma maratona pra este competidor de tiro curto que vos bloga) e estudando para um trabalho futuro – um dos exercícios é escrever uma sinopse de um sitcom. Escolhi That 70′s show e bolei um episódio fake e a cena de abertura desse episódio. Abaixo, uma amostra de HQ e o episódio.

“Elvis deixou o prédio”

1977. Assistindo televisão no porão dos Forman, a turma de That 70′s recebe a notícia de que Elvis Presley morreu.  Hyde, que é um admirador do Rei do Rock, fica abalado – além disso, parece ter alguma razão oculta para reagir tão intensamente ao fato. Ele decide fazer a viagem de 700 milhas até Memphis para prestar um tributo, e Fez resolve acompanhá-lo.

Donna e Eric têm outro compromisso: prometeram acompanhar os pais dele em uma festa para arrecadar fundos para o Partido Republicano, e obrigam Jackie e Kelso a irem também em solidariedade.

Hyde e Fez pegam a estrada, passando por uma série de problemas: além de pneu furado e a demora em aparecer um posto de gasolina, há a dificuldade da convivência em um espaço pequeno. Quando sofrem um acidente com o carro do pai de Hyde, decidem pegar uma carona de volta. Um sósia de Elvis, vestido a caráter, pega os dois.

Enquanto isso, na festa do partido Republicano, Eric, Donna, Jackie e Kelso estão aborrecidos – até que Kelso resolve jogar um estupefaciente qualquer (ácido?) no ponche servido na festa. Os casais de respeitáveis velhinhos republicanos começam a se soltar e a se comportar lascivamente, o que deixa os garotos enojados.

Na estrada, o sósia de Elvis conversa com Hyde em seu carro, enquanto Fez dorme no banco de trás. Hyde conta para o sósia porque quis viajar: quando era criança, sua mãe o levou para encontrar Elvis em seu camarim, depois de um show, e ele nunca esqueceu como o Rei o tratou: como se fosse um filho. E dada a porralouquice de sua mãe, isso até seria uma possibilidade. Hyde revela que até hoje guarda uma abotoadura dourada que ganhou de Elvis. O sósia ouve, e depois conta que está se aposentando da carreira e indo fazer uma última apresentação na mesma festa do partido Republicano em que estão Eric, Donna, Jackie e Kelso.

Quando chegam à festa, todos estão chapados – menos o jovem quarteto apavorado com os velhos loucos de ácido. O sósia de Elvis sobe ao palco e, vendo a agitação da platéia, muda de repertório. Ao invés de tocar as músicas da fase Las Vegas tipo “América” ou “You’ve lost that loving feeling”, manda os rocks da primeira fase, como “Hound Dog”. Os velhos dançam como se estivessem em uma matinê nos anos 50, alguns brigam de faca como em Juventude Transviada.

Quando a música termina, o sósia de Elvis sai à francesa, à moda do Elvis real (“Elvis has left the building”). Hyde encontra outra abotoadura dourada no bolso de sua jaqueta, insinuando a possibilidade do sósia ser o verdadeiro Elvis simulando sua morte para fugir da vida atribulada (tese em que muitos até hoje acreditam) e, por tabela, seu pai verdadeiro.

CENA DE ABERTURA:

Kelso, Fez, Eric e Hyde estão assistindo TV no porão dos Forman. Entra Donna:

Donna – O que vocês estão assistindo?

Kelso – Vai começar “Mulher Maravilha”.

Fez (assistindo TV mesmerizado, meio que divagando) – Esse laço mágico consegue amarrar o Super-Homem na cama?

(Os outros olham para ele, estranhando. Da TV vem uma música tensa de boletim de telejornal)

Voz na TV – Interrompemos nossa programação para transmitir um boletim urgente.

Kelso – Ah, não, da última vez que entrou essa mensagem pararam a maratona Super-Pateta para falar o dia inteiro da retirada do Vietnã.

Donna (pasma) – Sua noção de relevância histórica é comovente.

Voz na TV – Atenção: o cantor Elvis Presley foi encontrado morto em Graceland, sua mansão em Memphis, Tenessee. Mais informações no próximo boletim.

(Todos ficam pasmos)

Hyde (chateado) – Como assim Elvis morreu? Não pode ser!

Donna – Não sabia que você gostava de Elvis. O cara não era eleitor do Nixon?

Eric – É mesmo. Não é uma ironia? (sublinhando as palavras com o gestual) O Rei do rock era Republicano.

Hyde – Isso foi depois da lavagem cerebral que ele sofreu no exército.

Eric – Ele não foi pro exército com 21 anos?

Hyde -  E a melhor fase dele foi antes disso. O que só ajuda a provar minha teoria, cara!

Donna – E por que ele se alistou afinal? Qualquer idiota consegue fugir da convocação.

Hyde – Acho que ele queria mudar o sistema por dentro. (revoltado, meio que para si mesmo) Mas eles pegaram ele, cara…

Kelso – Elvis era um cara bonito. Aquele filme, “Garotas, garotas, garotas”? Realmente me identifiquei com o personagem principal.

Voz na TV – Essas são as imagens do último show de Elvis em Las Vegas.

(Da TV vem o som da música “Bridge over troubled water” na interpretação algo cafona do Elvis fase decadente. O grupo pára para olhar)

Fez – Espero morrer antes de ficar gordo. (ENTRAM OS CRÉDITOS)

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Birth control

Se existe tráfico de bebês, existem viciados em bebês? Madonna e Angelina Jolie têm agido de modo suspeito, claro, mas nem sempre excentricidade é sinônimo de vício. Imagine a polícia abordando uma mulher grávida como se ela fosse uma traficante em potencial. “Esse é para consumo próprio, juro!”. Como a droga, que é algo que substitui um sentido para a vida, pelo menos na falta de um reconhecível, a procriação também pode servir de paliativo para quem não tem nenhuma outra perspectiva de realização neste mundo. Mas também como a droga, substitui a vida por algo que é na verdade sua negação – você vive para seu filho/sua droga em vez de viver propriamente.

Até sou a favor da paternidade, se a criança se comprometer a dividir a responsabilidade. Se existisse um sistema bem organizado de devoluções, por exemplo. O filho saberia que existe a vaga ameaça de ser recolhido por alguma instituição governamental caso não tenha desempenho satisfatório, e se orientaria desde cedo para cumprir metas estabelecidas por seus provedores – ou não, se fosse um caso perdido. Punição/recompensa, não é assim que operam a maior parte das religiões?

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Lei de Elvis

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Mecanismos compensatórios

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Por cobertura

A cobertura do Festival do Rio pela Zé Pereira terminou, vale dar uma olhada nos arquivos. Abaixo um dos rascunhos de cartum que fiz durante a entrega dos prêmios da Première Brasil.

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A Jornada do Herói

Tive uma idéia para uma animação da Pixar, a mais barata que eles jamais farão. O nome é Bonequinhos de Pau (Stick Figures, 2008), e conta a história da crise de identidade dos habitantes desenhados por criança da pacata Stickland.

Acompanhamos a rotina dos bonecos sem rosto, e no caso dos homens, sem roupas, com suas casas iguais, sempre com chaminés que soltam chumaços esféricos de fumaça e jardins com flores maiores que o pé direito do imóvel – todas com o mesmo modelo de carro quadrado na garagem. Assistimos o drama das meninas e mulheres, vaidosas, mas obrigadas a manter guarda-roupas com a mesma indumentária (as mesmas saias e laços de fita). Algumas delas recorrem a videntes para fantasiar o que foram em vidas passadas, geralmente pinturas rupestres de deusas primitivas ou hieróglifos.

Então um dos bonecos ouve falar em tridimensionalidade e…

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Minhas férias na fazenda correcional

Não reparem – bem, vocês iriam reparar em quê? – a falta de atualizações, mas é por uma (várias na real) boa causa perdida. Estou botando pra frente um bando de projetos que estavam na gaveta, investimentos a fundo perdido mas que teria que tentar um dia ou outro. Envolvem dois roteiros para um longa, um para um curta, um monólogo (eh, picaretagem). Entre outras coisas. Perguntem quantas vezes fui à praia ou saí de noite nessa férias. Quer dizer, não perguntem, metam-se com suas vidas!

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