Ah, o fim do semestre letivo. Numa faculdade cuja grade é semestral, esse período significa ânimos exaltados, professores e alunos em polvorosa, expectativas altas (ou baixas, que é o segredo da felicidade, né gente?), provas de recuperação (lá na faculdade é 'exame', mas desde a primeira série eu falo 'recuperação' e não vou mudar agora. Às vezes ainda falo 'mãe, não vou para a escola hoje' e 'está na hora do recreio') e, na minha visão, o mais impressionante:

Os alunos ganham um ímpeto impressionante de lutar pelos seus direitos acadêmicos.

Nunca vi nada igual, nem em uma sala de jornalismo, onde os alunos, em tese, teriam o espírito mais revolucionário (pffff). A gente passa o semestre inteiro tendo aula ruim, pagando mensalidade alta, não tendo impressora, computador, uma série de coisas. Mas... sei lá, dá preguiça né. De reclamar. De fazer acontecer. Essas coisas. Além disso,... a Malhação vai começar!

Mas maluuuuco. Se a DP aperta... Aaaah, aí é o absurdo. Porquê assim, não importa que você tem 20 anos. Você não tem vergonha na cara. E você SEMPRE vai botar a culpa do seu fracasso no professor, que na maioria dos casos, nada tem a ver com isso.

Alunos de Jornalismo fazem questão de honrar o apelido mais polêmico da Universidade

Então você vira uma espécie de Che Guevara dos direitos do estudante. Revolucionário, você quer lutar pelo direito (seu e de todo mundo, que fique claro, que é para ver se os outros alunos prejudicados também se empolgam) de ter uma recuperação antes da prova, pelo direito de passar se faltou só 0,5 ponto, pelo direito de não fazer a prova, pelo direito de abonar faltas. Ah, os direitos.

Sim, porquê você trabalha e não tem tempo de estudar. Sim, porquê você paga mensalidade ("e bem cara!") todo mês. Sim, porquê você só escreveu 'apezar' com 'z', e não merece perder meio ponto por isso. Sim, porquê você fez tudo no trabalho (bem mal feito, aliás, mas fez), então merece a maior nota.

O que esses estúpidos falsos revolucionários pouco percebem está absolutamente óbvio: é muito mais prático estudar para a prova de recuperação do que ficar tentando convencer o professor a passar meia sala que não atingiu a nota mínima. Vai te tomar muito, muito menos tempo e dor de cabeça, além de evitar uma quase certa indisposição com o professor. Mas para quê facilitar se é possível complicar, não? É a máxima do brasileiro médio sendo aplicado nas relações de sala de aula. Empolgante.

É super-fácil reclamar da má qualidade das aulas do cara quando chegam as notas. Por que ninguém fez nada antes?

Tomemos, todos nós, vergonha na cara. Falta maturidade para abaixar a cabeça, assumir o erro e tentar melhorar na próxima vez. Não dói tanto, não. É só uma aula de Economia, poxa. E se não conseguimos assumir um erro na faculdade, quem dirá quando o negócio for sério?

Ficadica.

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Já participou da super-promoção do Eyemeter Olhômetro para ganhar um par de ingressos pro show exclusivodo Rafinha Bastos e do Danilo Gentili na próxima quarta, 18, em São Paulo? Não? Basta dizer qual mentira você contaria para poder ir ao show. Corre, que o prazo tá acabando: a promoção só vai até a 0h00 de terça-feira (ou seja, daqui a pouco).