Monthly Archives: November 2013

O protesto mais tosco da história

Vamos supôr que o governo federal baixe uma lei te proibindo de ficar laranja.

Seria fantástico, né? Ninguém quer ficar laranja, certo?

Errado. Algumas pessoas querem, e elas tipo saíram na rua para manifestar seu direito de serem laranjas. Mesmo sabendo que existe a possibilidade do bronzeamento artificial ser cancerígeno, pessoas saíram na rua defendendo o direito de se bronzearem artificialmente. Isso é mais ridículo que brincar de #FORASARNEY no Twitter.

Você sabe, meu bom amigo leitor, que eu sou a favor da liberdade de escolha. Portanto, se fulano quer ser laranja, ainda que isso venha com um tumor de brinde, que seja laranja. O governo não proíbe o cigarro, né, e ele taí causando câncer. Mas assim.

Bronzeamento artificial, como o nome já diz, é é um processo artificial, que felizmente pode ser substituído pelo natural, que é vulgarmente conhecido como TOMAR SOL. Se você acha ridículo estender uma canga na sua LAJE e tomar sol, mais ridículo é pagar pra ficar uma hora dentro de um caixão quente que pode te dar câncer e ainda sair laranja de lá. Portanto, tome vergonha na cara, finja que você não tem dinheiro sobrando e pare de pagar por algo que pode ser adquirido de graça. Você compraria música digital? Não, né, porque pode baixar. É a mesma coisa. Com o ônus de que tomar sol não é ilegal.

Agora a outra parte bizarra, é demais pra minha cabeça: vá arrumar o que fazer em vez de ir pra rua PROTESTAR. Gente que faz bronzeamento artificial não PROTESTA, ok, isso é proibido por definição. PROTESTO é coisa de proletariado, minhas senhoras, e proletariado não precisa de bronzeamento porque geralmente já é bronzeado por natureza.

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Gosto muito do que diz VOLTAMOS À DITADURA, ali à esquerda. Voltamos sim, com a exceção que nesse mundo de ditadura você não estaria aí fazendo seu protesto e estaria tomando porrada de milico. E de outros militantes políticos, por protestar por uma coisa tão babaca.

Por isso, recolha seus cartazes almofadinhas, e use o tempo desperdiçado na rua tomando sol na sua piscina, substituindo a sessão de bronzeamento que a senhora não pode mais fazer. Impressionante essa classe média brasileira: o que causa indignação é proibição de bronzeamento artificial. Bem que dizem que se proibissem futebol aí sim o povo ia pra rua… tsc

Uma carta para uma senhora desconhecida que me abordou na rua

Você talvez já conheça a história: no fundo, acho que fiz jornalismo pra poder ter uma desculpa pra conversar com qualquer pessoa. Ou seja – eu gosto de falar, né. Não é exatamente que eu não goste.

Mas se eu tô de fone de ouvido, minha senhora, provavelmente estou entretida no som que sai do fone. Então, em primeiro lugar, não comece a falar comigo como se eu estivesse escutando desde o início.

Em segundo, mesmo que a senhora tenha uma bengala, não adianta me perguntar se VAI DAR TEMPO DA SENHORA ATRAVESSAR A RUA. É muito mais eficaz e tradicional seguir os seguintes passos:

- Olhar o semáforo de pedestres, que naquele momento estava piscando em vermelho. Vermelho usualmente significa NÃO VÁ

- Olhar para os carros parados antes da faixa, que aceleram ferozmente. Isso provavelmente indica que a senhora não pode atravessar

- Olhar para sua bengala, que indica que sua velocidade está seriamente reduzida, e combinar isso com os dois outros fatores analisados anteriormente

- Não confiar sua VIDA a uma transeunte desconhecida de 21 anos, que nem ouviu o que a senhora dizia porque escutava o Nerdcast. Se eu dissesse que sim, dava tempo, a senhora ia se jogar na rua e ser feliz?

Me faça o favor.

Abraços,

O calor afetou meu cérebro, derreteu tudo e ando com preguiça de passar por aqui (e por qualquer lugar, na verdade). Mas ás vezes dá pra me encontrar no http://aprendendoskate.wordpress.com

Esse negócio de andar de avião

Pois é, amigo. O negócio é que eu, até a semana passada, nunca tinha passado pela feliz experiência de estar dentro de uma caixa metálica que voasse. Minha experiência anterior mais próxima de um vôo foi estar num balão, mas ele estava amarrado à terra, DE MODOS QUÊ não dá pra dizer que aquilo era voar, acho.

Considerava essa parada de voar um marco na minha vida, porque meu grande sonho – tipo, meu objetivo de vida – sempre foi, é ainda, viajar pelo mundo (ok, de quem não é, mas prossigamos). E eu, até os 21, não tinha sequer andado de avião.

Achei que teria medo, porque existe algo muito errado sobre aviões: eles não querem estar no alto. Uma caixa de metal pesando milhares de toneladas não quer estar suspensa. Você pode provar isso segurando-a no ar e soltando-a, pra ver se ela permanece lá em cima. Meu palpite é que a caixa não permanecerá, o que me diz que ela não quer ficar ali.

Mas na prática tudo acabou se mostrando bem menos aterrorizante. Eu adorei a sensação de voar em si, uma mistura de ‘estou a centenas de milhares de pés de altura’ com a felicidade que dá o pensamento ‘estou fazendo o trajeto que normalmente demoraria 8 horas em 1 hora’. Até aquela vibe esquisita da decolagem, em que o avião parece estar de lado, depois você se sente pesado e leve, eu achei legal. Só me deu medo na hora de pousar em Congonhas: a parada parecia que não ia freiar nunca, tava muito rápido, deu aquelas batidinhas no chão… mas no final foi tudo ok.

Gostei também da classe econômica, porque me parece a oportunidade que a classe média (e alta alta, nos vôos domésticos) tem de perceber o inferno que é pegar o 151 todo dia de manhã pra faculdade. O 151 é o micro-ônibus que vai até São Bernardo e cujos espaços entre os assentos e o corredor são certamente inspirados nos boeings da Gol.

As nuvens, vistas de cima, pareciam animação de computador. E eu percebi os diferentes tipos: aquelas que parecem algodão doce, as mais sólidas, as de chuva… sem contar poder observar a cidade de um jeito que eu só conhecia do Google Maps, ver o planejamento das ruas e essas coisas que parecem bobas, mas que pra uma deslumbrada como eu foi como ver o mar pela primeira vez.

Cheguei ontem e ainda to exausta, trabalhando direto. Postei mesmo só porque muita gente tem perguntado como foi andar de avião. Aconteceu muita coisa em Minas pra contar aqui, fora histórias do apagão, show do Gogol Bordello E MUITO MAIS, SÓ AQUI NO OLHÔMETRO, O BLOG DA FAMÍLIA BRASILEIRA! NÃO DEIXE DE CONFERIR!

Curtindo um pão de queijo

A quem interessar possa, estarei de hoje (quarta) até segunda (16) trabalhando entre Belo Horizonte e São Sebastião das Águas Claras, vilarejo simpático e INTIMISTA próximo da capital conhecido como Macacos.

Estarei cobrindo o Vivo arte.mov pelo Link, no twitter @link_estadao e no blog, http://www.estadao.com.br/blog/link. Durante a semana, pretendo contar como foi meu primeiro vôo de avião e possíveis causos dessa terra em que o povo fala com o meu sotaque preferido. Enquanto isso, se algum leitor daqui se animar pra um pão de queijo, basta mandar e-mail.

O pão de queijo é só pra manter o estigma chato e irritar possíveis nativos, do mesmo jeito que eu me irrito quando me dizem que Santo André é interior ou A TERRA DAS MULTAS.

Domando o espírito selvagem do rum

Ontem, fui num bar lá na Bela Cintra numa festa que a Bacardi promoveu pra ensinar um bando de nerds uns blogueiros a fazer Mojitos.

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Isso é um Mojito

Eu não sabia do que era feito um Mojito e não via nada de legal nele, até saber que é um drink com RUM criado pelos PIRATAS, que misturavam limão e hortelã na bebida pra ficar mais fácil de beber. E bem, você sabe que tudo que envolve piratas é infinitamente mais divertido por causa do tapa-olho.

Enfim. Tinha um barman lá pra explicar como faz o MOJITO PERFEITO. Esse é o mote da campanha da Bacardi, COMO FAZER O MOJITO PERFEITO. Eu vou ser muito sincera que não ligo muito pro equilíbrio perfeito do Mojito, porque assim, eu tenho uma filosofia inovadora referente a bebidas alcoólicas: eu não gosto do gosto delas. Logo, se as bebo, estou em busca do efeito secundário provocado por elas, e ebriedade. Logo, na minha mente, que se dane o gosto da parada, né? É tudo ruim mesmo.

Mas assim, o Mojito até que é gostosinho. Não chega a mudar meu CONCEITO INOVADOR, mas é gostosinho. Vou ensinar a fazer, só pra pescar uns desavisados do Google:

MOJITO

Você vai precisar de várias coisas que ninguém nunca tem em casa, como:
Uma coqueteleira;
Um pilão;
RUM do BOM, pra não dar dor de cabeça;

E algumas que talvez você possa ter, como:
Hortelãs fresquinhas;
Gelo;
Água com gás;
Açúcar;
Limão;

Vamos ao preparo – é fácil, até eu consegui fazer lá na hora.

Esprema meio limão na COQUETELEIRA (deus, como eu amo essa palavra), joque açúcar a gosto (uma colher de sopa rasa é o padrão) e umas SETE FOLHAS de hortelã. Precisam ser sete OK. O barman que disse, EU SEI, não faz sentido.
Daí você pega o PILÃO e “MACERA SUAVEMENTE A NOSSA HORTELÔ.

Isso foi um quote do barman.

Daí põe uma dose de RUM. Não sei quanto é uma dose, vira a garrafa e conta até 8, sei lá. Depois, joga bastante gelo na parada, fecha a coqueteleira e chacoalha por uns 40 segundos.

Abre, põe no copo e dai acrescenta meio dedo de água com gás. Está pronto seu DRINK DOS PIRATAS. Pode pegar o tapa-olho e sair tirando onda.

Sobre os barmen, observei algo curioso. Alguns homens, pra impressionar as mulheres, compram um belo carro. Outros, se vestem com ternos importados. Outros ainda criam uma banda de rock, ou de qualquer outra coisa que seja sucesso de onde essa pessoa vem. Alguns fazem academia e ficam bombadões. Etc

Mas alguns, poucos, optam pelo caminho mais fácil: em vez de impressionar as mulheres fazendo algo incrível, eles preferem deixá-las bêbadas, assim abaixam o nível de expectativa delas e não precisam fazer algo tão incrível para impressioná-las. Astuto, eu diria.

Daí, para camuflar a estratégia, eles aprendem meia dúzia de receitas com bebidas, colocam uma regata e uma bandana bem zuada na cabeça, um gel no cabelo e aprendem a JOGAR GARRAFA PRA CIMA POR BAIXO DO SUVACO.

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OEEE

Esses, Brasil, são os barmen. Sem contar os que se valem de artifícios linguísticos e poéticos: o de ontem disse, sério, que iríamos aprender a DOMAR O ESPÍRITO SELVAGEM DO RUM. Me valeu um belo título de post. Obrigada.

O gatinho que vai virar refeição se a Hannah Montana não usar o Twitter

Eu sempre digo que jamais poderia trabalhar de vendendora. É porque eu  nunca conseguiria convencer alguém de comprar algo se essa pessoa não demonstrasse que realmente quer isso. Eu diria: “mas por que você não leva esse lindo echarpe pra sua tia?”, e o cliente diria “não posso, esse mês não tenho dinheiro”, e eu completaria “puxa vida. Eu te entendo, tá certo em não levar”. E mais um pouco emprestaria uma grana.

Parêntese: obviamente já parei pra pensar que se passasse fome e tivesse que trabalhar como vendedora daí eu conseguiria né, porque na vida é tudo assim, a gente é tudo criado a leite com pêra e ovomaltino, não sabe o que é passar necessidade.

Fecha o parêntese.

Enfim, disse isso pra explicar que não sou boa em convencer as pessoas se eu não acreditar no meu argumento. Tem gente que consegue convencer sem acreditar no que está dizendo, eu sou completamente incapaz. Quando acredito, até que sou bem boa. Chata, na verdade.

Mas cada um tem seu método de persuasão. Tem gente que argumenta. Tem os que barganhem. Tem os que ameaçam a pessoa que querem convencer. Há até os que façam vídeos implorando, ou blogs, ou coisas loser assim.

Nunca tinha ouvido falar de alguém que tivesse ameaçado cozinhar um gato pra convencer alguém a fazer algo.

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Esse é o Fuzzy, que deve virar iguaria em breve

Veja bem, a grande desgraça dessa iniciativa não reside na tragédia de se sacrificar um gatinho por uma causa tão tosca quanto a volta de Miley Cyrus para o Twitter. Até porque que atire a primeira pedra quem nunca comeu um churrasquinho de gato na beira da estação de trem achando que era carne de porco (e você acreditou na boa fé do churrasqueiro).

O negócio é que esse cara, que fez o Miley Save Fuzzy, certamente não é fã da Miley Cyrus. Ele escreve bem demais para isso e tem o humor fino demais. Nenhum fã da Miley Cyrus, adolescentes fofinhos e pretensamente rebeldes, até onde a adolescência fofinha permite que a rebeldia vá, cozinharia um gato. É uma coisa terrível de se fazer (pra um fã da Miley Cyrus).

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Falando em salvar os gatinhos, um toque pros fãs da Miley Cyrus

O idealizador dessa parada é um gênio – não só porque está disponibilizando no próprio site as receitinhas com carne de gatinho, meu deus. Mas também porque a menina fez um vídeo todo marketeiro dizendo que nunca voltaria pro Twitter, em forma de rap. Mas agora, se não voltar, um gatinho será cozido e comido. Cozinhar e comer um gato é antítese de tudo que a Miley Cyrus é e representa. Se ela permitir isso, será uma tragédia. Todos poderão culpá-la para sempre pelo banquete que Fuzzy terá se tornado. E se ela voltar, como ela tanto diz que jamais faria, vai ser igualmente engraçado, porque… bem, porque ela disse que odeia o Twitter então estará fazendo isso forçadamente e isso é engraçado. Etc.

Não me julguem mal, adoro gatos (mesmo), mas também não tenho nada contra comê-los. Então não acho grande coisa que ele vá cozinhar o gato, quer dizer, que dó e tal, mas acredito nessa coisa bonita que é a pirâmide alimentar. E é hipócrita, de qualquer forma, ter dó do gatinho e não ter dó da vaquinha.

O tal superfã faz a ressalva no texto do site e garante que a história não é um uma brincadeira. Mas será que Miley Cyrus pode se dar ao luxo de pagar para ver?

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Mas se for sianês criado na ração tudo bem

O dia em que eu decidi andar de skate

Eu sempre quis aprender a surfar. Fazer mágica. Andar de skate. Há pouco mais de um mês, resolvi eliminar a última da lista de “eu quero” e passar para a lista que “eu já”.

Foi assim: tinha uma memória de ter visto gente andando de skate longboard, e achado isso muito legal. Mais legal ainda seria se eu morasse num lugar com praia, porque andaria pela orla, no calçadão, sentindo a maresia numa noite suave de verão. Mas não moro. Ainda assim, resolvi comprar um longboard. Fui numa loja e pedi pro moço montar um pra mim. Ele montou, mas não ficou exatamente como eu queria. Fui trocando uma coisa, colocando outra e cheguei nisso:

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O que deu pra notar assim, de início:

1. as pessoas acham muito legal o fato de uma mulher andar de skate;

2. as pessoas acham muito legal o fato de ser uma mulher andando num skate gigante;

3. criancinhas de bicicleta seguem pessoas de skate. Elas ficam orbitando você. O que é péssimo, pois você quer ficar o mais longe possível delas, afinal está aprendendo e não quer machucá-las;

4. cair se torna rotina depois da segunda vez. Pra você. Pras pessoas ao redor continua sendo bem engraçado.

É isso. Fui acometida por uma crise de meia-idade aos 21 anos. Sabe, aquilo que dizem ter os tios que aos 45 resolvem furar a orelha, fazer tatuagem e comprar uma moto? Pois é. Tô sofrendo disso aos 21.

E quem dera sofrer só de crise de meia-idade, porque to sofrendo também com os hematomas que adquiri nessa brincadeira. Tenho caído bem menos do que pensei que cairia, mas é o suficiente pra eu poder me queixar. Aprender a cair, eu notei, é também uma arte. Minha primeira queda foi ridícula: o skate pegou muita velocidade e então eu saltei dele, mas precisava fazê-lo parar. Corri atrás dele, pisei na roda e voei. O moço que tava parado em frente a veterinária, eu notei pela expressão dele, tava tentando juntar as peças daquela cena UM TANTO QUANTO inusitada: uma menina, correndo atrás de um skate gigante, toma um tombo porque pisou na roda.

Não quero entrar no clichê da coisa, mas na primeira vez que conseguir ‘dar uma remada’ (sabe, empurrar a parada com o pé. Seu noob) e de fato andar de skate, sentir o vento na cara, eu soube que seria algo que eu gostaria de poder fazer sempre. Tô pensando até em criar um blog pra contar minha saga. Algo como Aprendendo Longboard ou algo assim. Será que alguém ia ler?

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@gabrielahesz, companheira de aventuras

Outra coisa curiosa sobre o long: porque ele é um pouco diferente do skate convencional, as pessoas acham que ele é um convite para puxarem papo com você. Acho que é porque um skatista de long parece mais amigável do que os que andam de skatinho. Os do skatinhos sempre são hostilizados por supostamente serem parte de gangues ou serem punks ou vândalos. O que eles são na maioria das vezes, mas enfim.

Logo tô eu aí ouvindo tchárliebráu e escrevendo SK8 NA VEIA DOS IRMÃO no topo do blog. Aguarde.