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Manifestando intimidade com taxistas e porteiros

Olá, Stepan Nercessian. Posso te cumprimentar? Só um beijo de despedida.

Sabe quando você, sem querer, acaba tratando como íntimo alguém que não é? Tipo quando o porteiro interfona pra dizer que chegou um Sedex e você agradece e emenda um ‘beijo, tchau!’?

(Peço licença para contar o causo que aconteceu com uma amiguinha de quarta série que eu nunca esqueci – a menina, eu nunca mais vi e nem lembro direito da cara, mas a história jamais me saiu da cabeça: ela tinha acabado de falar com a mãe pelo telefone e se despediu como a gente se despede de mãe, ‘beijo, te amo, tchau’. O porteiro interfonou pra dizer que a Capricho tinha chegado. Ela, é claro, repetiu: ‘Ok, obrigada. Te amo, tchau.’ HEH)

Bom. O que acontece comigo é que sempre que eu uso serviços de motorista, isso é, pego um taxi ou sou levada para casa pelos motoristas da empresa, quando eu vou descer do carro eu quase sempre quase (sim, ‘quase sempre quase’, mesmo) dou um beijo no rosto do cara, sabe? De despedida. É terrível, eu preciso sempre ficar me policiando pra não deixar todo esse carinho transbordante se manifestar com um desconhecido. Fica ainda mais forte o ímpeto se eu tiver passado a viagem inteira conversando com o tiozinho.

Alguém tem solução pra esse distúrbio social grave? Nem me venha dizer que é carência. No máximo, excesso de simpatia.

O barraco de Sorocaba

Histórico de MSN é dessas coisas traiçoeiras da vida. Você dificilmente se lembrará dele até que precise de um trecho de alguma conversa, ou quando alguém chegar com um chumaço de papel impresso com os 5 anos de conversas suas com o seu amante, marido desse alguém, e der com o chumaço na sua orelha. Acontece.

Daí você vai querer ter frequentado aquele cursinho de informática na Bit Company que seu marido insistiu para que você fizesse. Lá, você aprenderia que era possível simplesmente não ter salvo as conversas, e agora o Brasil inteiro não estaria sabendo que você traiu seu marido com o marido da sua melhor amiga, seu compadre.

Mas é como eu disse, super comum. Incomum mesmo é intimar (/gíriademano) a amante do seu marido, socar a mulher e gravar em vídeo. Dizer pro G1 que seu objetivo era só deixar o vídeo exposto em sua página no Orkut e achar que tudo bem. Porque cuidado com o que você deseja, né?

O barraco de Sorocaba, como ficou conhecido o episódio, passou de problema de família em cidade pequena a assunto de interesse nacional. Virou Trending Topic no Twitter na segunda-feira à noite. A Vivian e a família dela certamente perderam o sono, muito mais do que já sabiam que perderiam no meio de tanta confusão. E estragaram qualquer chance de voltar a ter uma vida minimamente normal ao menos nos próximos meses – pra ela e pra todos os envolvidos.

É por isso que eu acho que quem reclama que a internet tira a nossa privacidade são as mesmas pessoas que colocam esses vídeos delas no Youtube e querem que eles fiquem restritos a um público selecionado. Não dá nem pra dizer que não tem como restringir o acesso, porque essa opção é bem explícita quando a gente sobe um vídeo no YouTube.

Outra coisa que o sucesso do barraco prova é que programas como o da Márcia Goldschimdt jamais sairão do ar. O que a gente curte mesmo é um barraco.

Mas dane-se essa doutrinação barata sobre o que é culturalmente enriquecedor no consumo de entretenimento e o que não é. O importante aqui: você é #teamvivian ou #teamjuliana?

Tenho certeza que essa imagem, que eu tirei lá da PIX, vai te ajudar a fazer um julgamento justo e equilibrado da situação.