• As perguntas em aberto do caso Dilma Bolada x Pedro Guadalupe

    Putz, tá todo mundo cansado disso (eu tô, também. Só deus sabe), mas acho desperdício deixar um dia inteiro de apuração morrer comigo em um txt. Compilei as coisas que consegui comprovar com provas tipo prints, cópias de e-mails e até coisas que vi com meus próprios olhos depois de logar no perfil de um […] >
  • “Não tá mais dando pra viver no Brasil”

    Acho que a sensação de que o momento do país é bizarro e que está cada vez mais difícil viver e ser feliz aqui é bastante generalizada. Eu não sinto isso tão fortemente porque acabei de chegar de fora, mas vejo muita gente repetindo isso. A impressão geral é que o país está pior. Até o Wagner Moura tá querendo fugir.

    Eu não acho que o país está pior, eu acho inclusive que está melhor do que jamais esteve, desde que eu nasci. A anos luz do ideal, verdade, mas caminhando pra frente. O problema é talvez a (não) velocidade desse caminhar e o quão longe estamos do que acreditamos que deveríamos estar.

    O Brasil não está pior. É a gente que tá mais intolerante a bullshit, mais exigente quanto aos nossos direitos e deveres como cidadãos, quanto a necessidade de desenvolver cidadania, mais politizado pra poder questionar e notar quando coisas absurdas acontecem. O Brasil não está pior, é que quando rolam avanços nas áreas da liberdade individual e da distribuição de renda, a reação é um berro super alto – tão alto que faz esses grupos parecerem mais assustadores do que são. Bolsonaro só está berrando, histérico, e só tem espaço na TV, porque houve avanços em áreas que ele quer manter na idade da pedra. Bolsonaro se elegeu deputado federal pela primeira vez em 1990. A gente só ouviu falar dele há três anos. É que antes disso ele não precisava gritar. Ele tava bem confortável com o mundo sendo exatamente como ele queria que fosse.

    Eu entendo toda a insatisfação e a vontade de sair fora. Mas se existe um momento importante pra estar no Brasil, um momento esquisito, é verdade – e que pode virar uma porção de coisas, muitas inclusive horríveis – mas um momento importante, é esse. Os protestos em junho, toda a politização via redes sociais que a gente tá vivendo, eu sei que não parece (é difícil ver de dentro), mas estamos nesse momento desconstruindo a identidade clichê, convencionada, do que era “ser brasileiro”. Ninguém entende o que está acontecendo, a gente se sente desconfortável e quer sair correndo exatamente por causa disso: é um momento de ruptura e o que vem em seguida pode ser muita coisa, e isso dá medo. Mas também temos responsabilidade na construção dessas novas coisas, dessas novas ideias do que é ser responsável pelo espaço público, pelos serviços públicos, pelos servidores públicos. É assustador, mas também é muito empolgante.

    Veja, não é nem otimismo exacerbado – eu estou claramente assumindo a possibilidade de que esse momento leve a algo horrível. Mas o momento está aqui, quicando na nossa frente, a janela de oportunidade se abrindo, escancarando na nossa cara em toda capa de revista semanal que diz que o racismo acabou depois que um jogador de futebol comeu uma banana jogada a ele no gramado, em toda treta com tio reaça no almoço de domingo, em toda ação da PM que a gente vê na TV. Nunca nos indignamos tanto com coisas que sempre foram inaceitáveis.

    Vocês viram o trailer de Junho, do João Wainer, filme sobre… você sabe, junho? Olha:

  • Sobre como a natureza humana pouco muda em 500 anos

    A letra dessa chacona foi escrita em algum momento no século 16 ou 17. Ela fala de uma festa de casamento muito louca, de quem foi pra casa com quem, quem arrumou briga, quem bebeu demais, da hora em que chegaram mais de 40 prostituas de Barcelona…

    #partiu festeeeeeeeeeeeenha?

    Porque é escrita em espanhol arcaico, tem trechos impossíveis de entender, mas vou colar até pra vocês me ajudarem a desvendar:

    Un sarao de la chacona
    se hizo el mes de las rosas,
    hubo millares de cosas
    y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Porque se casó Almadán,
    se hizo un bravo sarao,
    dançaron hijas de Anao
    con los nietos de Milán.
    Un suegro de Don Beltrán
    y una cuñada de Orfeo,
    començaron un guineo
    y acabólo una macona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Salió la cabalagarda
    con la mujer del encenque,
    y de Çamora el palenque
    con la pastora Lisarda.
    La mezquina donna Albarda,
    trepó con pasta [a] Gonzalo,
    y un ciego dió con un palo,
    tras de la braga lindona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Salió el médico Galeno
    con chapines y corales,
    y cargado de atabales,
    el manso Diego Moreno.
    El engañador Vireno
    salió tras la traga malla,
    y l’amante de Cazalla
    con una moça de Arjona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Salió Ganasca y Cisneros,
    con sus barbas chamuscadas,
    y dándose bofetadas
    Anajarte y Oliberos.
    Con un satal de torteros,
    salió Esculapio el doctor
    y la madre del amor,
    puesta la ley de Bayona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Salió la Raza y la traza
    todas tomadas de orín,
    y danzando un matachín
    el Oñate y la Viaraza.
    Entre la Raza y la traza
    se levantó tan gran lid,
    que fue menester que el Zid,
    que bailase una chacona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Salió una carga de Aloe
    con todas sus sabandijas,
    luego, bendiendo alelixas,
    salió la grulla en un pie.
    Un africano sin fe,
    un negro y una gitana,
    cantando la dina dana
    y el negro la dina dona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    Entraron treinta Domingos
    con veinte lunes a cuestas,
    y cargó con es[as] zestas,
    un asno dando respingos.
    Juana con tingo lo[s] mingos,
    salió las bragas enjutas,
    y más de quarenta putas
    huiendo de Barcelona.
    Y la fama lo pregona:
    A la vida, vidita bona,
    vida, vámonos a chacona.

    • “Vámonos a chacona” é a versão arcaica do “vamos pro rolê” ou “bora se acabar na pista”;
    • Festa boa é aquela sobre a qual se continua cantando mesmo depois de 500 anos, essa é a verdade;
    • O conceito de festa boa, que no caso dessa letra se traduz em gente bêbada, dançando muito, brigando e chamuscando a barba, se pegando, um cego que deu uma paulada no que eu não entendi se é uma moça bonita ou se é uma calcinha bonita, não mudou em 500 anos e continua sendo exatamente o mesmo, porque se você for em uma festa assim em 2014 aposto que vai achar incrível;
    • Outra coisa que não mudou é que a gente continua achando legal cantar sobre festas muito loucas. Ou seja, de funk ostentação a sertanejo universitário, passando por ‘churrasco, um bom chimarrão, fandango, carro e mulher’ e ‘The club can’t even handle me right now’, nós cantamos sobre boas festas desde que sabemos fazer música.
    • Gosto que a gente use a palavra ‘sarau’ até hoje. :)

    A gente acha que muito mudou nesse tempo todo, mas nossa herança cultural nos mostra que foi é muito pouco. Vou deixar pra outro post, mais triste, a  reflexão que aproxima outros de nossos hábitos em sociedade, mais bárbaros, da Idade Média. Vamos ficar só com a música e a parte feliz.

     

    Alguém percebeu algo mais que seja digno de nota na canção sobre o que deve ter sido a mais ÉPICA (HEH) festa de todos os tempos?

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