• Nightshots #3

    I love the London sky, especially at sunset. Its ever changing cloud patterns playing peekaboo with the sun, the mix of greys, blues and lilacs occasionally lined with neon orange, the piercing golden rays that manage to shine through.

    At the edge of the road on The Approach I wait for nightfall, mesmerised by this tranquil spectacle of light and colour as a backdrop to the frenzied rush-hour freeway traffic. It’s as if I there are two parallel realities existing at different speeds – my stillness allowing me to simultaneously observe both while belonging to neither. I sit on the steps, suspended in time, thinking about Turner and wondering if what I see now is still the same he saw then…

    August showers signal the end of summer. Still under the influence of the afternoon delight, I notice two snails on the sidewalk. A shell-less one lies stretched across the pavement, antennae still moving. I touch it, it squirms. (It’s the first time I ever touched a snail. Not as wet as I expected). It’s alive, but not sure for how long. Can snails survive without the shell? If so, would they still be called snails or would that make them slugs?

    Next to it, a fully clad one moves away. I wonder if it stole the other’s shell and is making the slowest getaway in history (flat hunting in London can be a bitch). Suddenly – if such a term can be applied to snails – the shelled one stops, about a palm away, turning back to the other. Maybe they had a fight and it just needed some space. Maybe it’s sorry.

    I notice two others approaching – their pace the same as the setting sun. They all stop, triangulating the naked one, and just stand there, as if mourning their dying friend This is the most beautiful memorial service I’ve ever witnessed.

    The smell of skunk fills the air…

    Eu amo o céu de Londres, especialmente no pôr do sol. As nuvens em constante movimento brincando de esconde-esconde com o sol, a mistura de diversos tons de cinza, azul e lilás com um ocasional contorno laranja neon, os raios dourados que conseguem brilhar através.

    Na beira da estrada em The Approach eu espero a noite cair, hipnotizada por esse tranquilo espetáculo de luz e cor que serve como pano de fundo para o transito frenético da hora do rush na auto-estrada.  É como se houvesse duas realidades paralelas movendo-se no tempo em velocidades distintas – a quietude me permite observar ambas sem pertencer a nenhuma. Sentada na escada, suspensa no tempo, eu penso em Turner e imagino se o que vejo agora ainda é o mesmo que ele via…

    As chuvas de Agosto marcam o fim do verão. Ainda sob influência do entardecer encantador, eu noto dois caramujos na calçada. Um, sem casca, atravessado no chão, antenas ainda em movimento. Eu o toco, ele se contorce. (Nunca havia tocado um caramujo – não é tão molhado quanto eu esperava). Está vivo, mas não sei por quanto tempo. Caramujos sobrevivem sem a casca? Caso sim, eles continuam sendo caramujos ou passam a ser lesmas?

    Ao seu lado, um ainda “completo” se afasta. Imagino se ele roubou a casca do outro e está realizando a fuga mais lenta da história (procurar apartamento em Londres é foda). De repente – se é que esse termo se aplica a caramujos – ele para a cerca de um palmo de distância, e volta-se para o outro. Talvez tenham brigado e ele só precisava de um pouco de espaço. Talvez ele esteja arrependido.

    Percebo que outros dois se aproximam num ritmo que lembra o por-do-sol.  Eles todos param, triangulando o “descascado”, e permanecem como que despedindo-se do amigo. É o velório mais bonito que já assisti.

    O cheiro de skunk invade o ar…

  • Love Walk

    On Friday I went out looking for Love .

    Love Walk is a two-way street (of course). As I walked in from one end I immediately saw the sign, but, along with it, all sorts of adjacent shit like ‘Controlled Zone’, ‘Permit Holders Only’, ‘Mon’, ‘Sun’, ’8:30 to Midnight’..aaaarghhhh! No, Love cannot be this messy and full of warnings and rules! Absolutely confident of a nicer display, I walked away, not even bothering to shoot this one, you know, just in case. Sometimes you just have to follow your gut and carry on…

    As you distance yourself from the main road, silence kicks in and the light changes, due to the shade of the flower trees abloom. Love (Walk) gets cozier the further in you go. Suddenly, a slight turn to the right signals the way cars must follow. A new sign – Hashcombe Terrace – makes it seem like that’s the end of the line, but my AtoZ shows the path goes on, despite all the physical world evidence signalling otherwise. And then I realise, this is where you drop the armour, where you have no choice but to let go of the steering wheel. Love does carry on indeed, but only for those who can follow on foot.

    I enter a pathway with brick walls on both sides, vines hanging from the top. A little archway entrance to my left reveals an enclosure with a lovely garden, some houses and a perfect little sign, just waiting to be photographed. A mother and daughter walk by, arms wrapped around each other and scarves covering their heads. As I shoot away, another mother-daughter pair laugh their way home after an afternoon of, apparently, rollerskating lessons down the road. Photograph secured, I follow down the path with a big smile on my face, enjoying this urban treasure and pleased with not having settled for that word-cluttered chaos from before. As I reach the end of the street I come to one of the most laid back, colourful cafes I’ve ever seen in London, real fruit hanging by the windows and all.

    Turns out Love (Walk) is as peaceful, quiet and beautiful as it should be – you just have to be curious and persistent enough to find it.

    Na Sexta-feira eu saí em busca do Amor.

    Love Walk (que traduzindo literalmente seria Caminho do Amor) é uma rua de mão dupla (claro). Já na esquina vi a placa mas, junto a ela, um monte de coisas como ‘Zona Controlada’ ‘Somente com Permissão’, ‘Seg’, ‘Dom’, 08:00 à Meia-noite’…aaaarghhhh! Não, o Amor não pode ser tão bagunçado e cheio de alertas e regras! Confiante de que encontraria uma placa melhor, entrei na rua, nem me dando ao trabalho de fotografar essa só pra garantir. Às vezes é melhor ouvir a intuição e seguir em frente…

    Ao distanciar-me da rua principal, o silêncio toma conta e a luz muda, graças às sombras das árvores em flor. O Caminho do Amor vai ficando mais aconchegante na medida em que é penetrado. De repente uma curva à direita sinaliza a direção obrigatória para os carros. Uma nova placa- Hashcombe Terrace – faz parece que é o fim da linha, mas o meu mapa indica que o (Caminho do) Amor continua, apesar de todas as evidências contrárias no mundo físico. E aí eu entendo que aqui é onde você se desfaz da armadura, onde não há escolha a não ser largar a direção. O Amor continua sim, mas apenas para quem segue a pé.

    Eu entro em uma pequena passagem, paredes de tijolo em ambos os lados com vinhas penduradas no topo. Um pequeno arco à minha esquerda revela um pátio com um jardim fofo, algumas casas e uma placa perfeita, esperando para ser fotografada. Mãe e filha passam abraçadas, lenços cobrindo suas cabeças. Enquanto fotografo, outro par de mãe-filha dá risadas à caminho de casa após uma tarde de, aparentemente, aula de patinação na rua. Foto concluída, eu continuo o caminho sorrindo, apreciando esse tesouro urbano e feliz por não ter me contentado com aquela bagunça verborrágica do início. A rua termina em um dos cafés mais coloridos e simpáticos que eu vi em Londres, frutas frescas penduradas na janela e tudo.

    O (Caminho do) Amor é tranquilo, silencioso e bonito, exatamente como deveria ser – você apenas tem que ser curioso e persistente o suficiente para encontrá-lo.

  • Guts – Paradise for All

    É raro, mas de vez em quando eu venho falar de música aqui. Nesse caso, não é bem falar – venho aqui só compartilhar o presente. Sabe quando todas as células do seu corpo dançam juntas?

    It’s rare, but some times I do talk about music here. Well, actually, “talk” is not really the word – I come here to share this giftYou know when all the cells in your body dance together?

    Dica do querido VJ Chico Abreu

  • Nightingale and Canary

    I’m completely fascinated by animal and insect sounds. Isolating them from the creature itself, one is able to identify the richness and complexity of these sounds, which sometimes verge on mechanical, electronic… I remember once playing the cicada sound for someone who didn’t know what the insect looked like, and when I afterwards revealed it, […] >
  • Gaia’s dance

    “Evolution is a tightly coupled dance, with life and the material environment as partners. From the dance emerges the entity Gaia”. Couldn’t find more fitting words to caption this stunning video than these by James Lovelock.

    Difícil traduzir uma frase tão forte sem ser poeta ou escritora, mas é mais ou menos isso: “A evolução é uma dança entre um casal fortemente acoplado – vida e meio ambiente são parceiros. Dessa dança emerge a entidade Gaia”. Não poderia encontrar legenda melhor pra esse video maravilhoso do que essa frase de James Lovelock.

    Released by NASA’s Scientific Visualization Studio using real data, this simulation’s volume-rendered clouds depict seven days in 2005 when a category-4 typhoon developed off the coast of China.

    Liberado pelo Studio de Visualização Científica da NASA usando dados reais, essa simulação 3D foi feita a partir do movimento das nuvens durante 7 dias em 2005, quando um tufão categoria 4 se formou na costa chinesa.

    via Collective Evolution

  • Nightshots #2

    Battersea, 11pm

    A group of boys and girls on an empty lot are laughing, yelling, drinking and, some, wobbling about holding onto each other for balance. As I sit on the curb and set up the tripod and camera, I get all kinds of stares. One of them yells from across the road: “Look, a spy!”
    A few of the girls, heavy makeup and short short short shorts, walk by: “Heya, paparazzi, take our picture! Yeah, whooo!”

    I laugh and tell them it’s cool, I just want the sign.

    ‘Why you doin’ that? Why you taking pictures of them?”
    A chubby guy looking kinda confused / grumpy is standing next to me.
    “You mean of that sign?”
    “You photographing the sign?” His tone softens…
    “Yup”
    “What for?”
    “For a project”

    He looks at me suspiciously.

    “I don’t get it.”
    “I’m using the signs to tell a story. It’s an art project”
    “Hmmm…You doin’ that a lot? Photographing them signs?”
    “Yeah. Over 100 of them…”
    “Whaaaa?! Doesn’t it get boring?”
    “Well it’s definitely lots of work, but it’s cool ’cause I also get to see a lot and m…”
    “…meet lots of people.” He finishes my sentence as if, right after asking, he realised the upside to this whole thing.
    I nod. We both smile.
    “Like me” he says
    “Like you.”

    I turn back to the camera.
    “But, yeah, it does get tiring sometimes…but, well…” I point to the sign.
    “Says ‘patience’ there. Is that part of your story? Patience?”
    “Well, it’s a love story…you gotta have patience, right?”

    Battersea, 23:00

    Um grupo de jovens em um terreno baldio rindo, gritando, bebendo e, alguns, cambaleando, se apoiam uns nos outros. Assim que eu sento na calçada e armo o tripé e a câmera, atraio todos os olhares. Um deles grita: “Olha, uma espiã!”
    Algumas meninas, super maquiadas e com shorts curtos curtos curtos, passam por mim “Ei, paparazzi, tira nossa foto! Yeah, whooo!”

    Eu rio e digo que tá tranquilo, só quero fotos da placa

    ‘Que cê tá fazendo? Por que ta tirando fotos deles?”
    Um cara gordinho parado do meu lado olha meio confuso / emburrado.
    “Você quer saber por que eu to tirando foto da placa?”
    “Você tá fotografando a placa?” Seu tom fica mais suave
    “Aham”
    “Pra que?”
    “Pra um projeto”

    Ele me olha meio suspeito

    “Não entendi”
    “Eu to usando as placas pra contar uma história. É um projeto de arte”
    “Hmmm…E você tem feito muito disso? Fotos de placas?”
    “Aham. São mais de 100 placas…”
    “QUÊ?! E não enche o saco?”
    “Ah, é muito trabalho, mas é legal porque eu vejo um monte de coisas e conh…”
    “…conhece um monte de gente.” Ele termina minha frase como se, logo após a pergunta, caísse a ficha do lado bom desse trabalho.
    Eu concordo balançando a cabeça. Sorrimos os dois.
    “Como eu” ele diz
    “Como você.”

    Eu me volto para a câmera
    “Mas sim, casa às vezes…mas, bem…” Eu aponto para a placa.
    “Ta escrito ‘paciência’. É parte da sua história? Paciência?”
    “Bem, é uma história de amor…tem que ter paciência, né?”

  • Night shots #1

    Dessa vez a versão em português está embaixo (; It’s now been 3 years of intermittent strolls around London capturing street signs on camera, but this was my first night hunt. There is something quite liberating about roaming the urban landscape alone at night, an even greater sense of belonging – I AM the city, […] >
/ Patchwork
Bem-vindos à minha colcha de retalhos!
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