• Sound Development City

    Vivian Caccuri, criadora de um projeto apaixonante sobre o qual já falei aqui antes, está no topo do mundo participando do programa Sound Development City, residência artística “sonora” itinerante cuja edição 2014 está rolando na Finlândia.

    Todos os participantes alimentam um Logbook onde é possivel sentir um gostinho da experiência aparentemente sensacional.

    Screen Shot 2014-09-18 at 17.19.27

    Pra matar as saudades das caminhadas, vale também uma viajada através dos seus posts no blog Camino Silencio.

    Vivian Caccuri, creator of a project I absolutely love and have mentioned here before, is currently taking part in the Sound Development City programme, an itinerant artistic residency whose 2014 expedition is taking place in Finland. The Logbook fed by all participants allows us to tap into the experience through their shared impressions. You can also travel a bit with Vivian’s posts in her blog Camino Silencio.

  • “How Strange, Innocence”

    After silence, that which comes nearest to expressing the inexpressible is music.
    A. Huxley

    11:00pm

    I hop on the Central Line in Leyton. For the first time in weeks I have music playing in my headphones once again (thank you Apple for rendering the ipod obsolete and making ebay a second-hand player heaven). Shuffle selects ‘Look Into The Air’, and I immediately obey, moving my eyes away from the tiny screen.

    Facing me is a beautiful cinnamon-skinned girl with dreadlocks tied up in a bunch. She sits upright in the middle of the empty row, knees pressed together, body leaning slightly forward, separated from the seat by a backpack whose straps she clutches tightly – arms crossed over her chest.

    As our eyes meet briefly, she smiles, but I only process it mid-turn as I was already shifting my gaze elsewhere. “Why?!” I ask myself. The power the non-physical connection of these little organs has over our bodies (and minds) never ceases to amaze me…

    Why did I look away so quickly? Would it be weird if we decided to just keep looking into each others’ eyes for the remainder of our journey? What does ‘weird’ even mean?

    I look at her, she smiles again.  I smile back.

    “How Strange, Innocence”

    Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música” A.Huxley

    23:00

    Eu entro na Central Line em Leyton. Pela primeira vez em semanas há música tocando no no meu fone novamente (obrigada Apple por tornar o ipod obsoleto transformando o ebay no paraíso dos mp3 players de segunda mão). O Shuffle escolhe ‘Look Into The Air’ (‘Olhe para o ar’), e eu imediatamente obedeço, tirando meus olhos da telinha.

    Na minha frente, uma linda menina com pele cor de canela e dreadlocks amarrados. Ela está sentada no meio da fileira vazia, joelhos colados, corpo levemente inclinado para frente, separada do encosto pela mochila cujas alças ela segura firmemente – braços cruzados sobre o peito.

    Quando nossos olhos se encontram por um breve momento, ela sorri, mas eu só processo depois, já virando a cabeça, olhos mirando outro canto.  ”Por quê?” eu me pergunto. Não canso de me espantar com o poder que a conexão não-física entre esses pequeno orgãos exerce sobre nossos corpos (e mentes)…

    Por que eu desviei o olhar tão rápido? Seria estranho se nós ficássemos olhando nos olhos uma da outra durante o resto da viagem? Aliás, o que significa “estranho”?

    Eu olho pra ela, ela sorri novamente. Eu sorrio de volta.

    “Que Estranha a Inocência” (tradução literal do nome do disco “How Strange, Innocence”)

     

     

  • Nightshots #3

    I love the London sky, especially at sunset. Its ever changing cloud patterns playing peekaboo with the sun, the mix of greys, blues and lilacs occasionally lined with neon orange, the piercing golden rays that manage to shine through.

    At the edge of the road on The Approach I wait for nightfall, mesmerised by this tranquil spectacle of light and colour as a backdrop to the frenzied rush-hour freeway traffic. It’s as if I there are two parallel realities existing at different speeds – my stillness allowing me to simultaneously observe both while belonging to neither. I sit on the steps, suspended in time, thinking about Turner and wondering if what I see now is still the same he saw then…

    August showers signal the end of summer. Still under the influence of the afternoon delight, I notice two snails on the sidewalk. A shell-less one lies stretched across the pavement, antennae still moving. I touch it, it squirms. (It’s the first time I ever touched a snail. Not as wet as I expected). It’s alive, but not sure for how long. Can snails survive without the shell? If so, would they still be called snails or would that make them slugs?

    Next to it, a fully clad one moves away. I wonder if it stole the other’s shell and is making the slowest getaway in history (flat hunting in London can be a bitch). Suddenly – if such a term can be applied to snails – the shelled one stops, about a palm away, turning back to the other. Maybe they had a fight and it just needed some space. Maybe it’s sorry.

    I notice two others approaching – their pace the same as the setting sun. They all stop, triangulating the naked one, and just stand there, as if mourning their dying friend This is the most beautiful memorial service I’ve ever witnessed.

    The smell of skunk fills the air…

    Eu amo o céu de Londres, especialmente no pôr do sol. As nuvens em constante movimento brincando de esconde-esconde com o sol, a mistura de diversos tons de cinza, azul e lilás com um ocasional contorno laranja neon, os raios dourados que conseguem brilhar através.

    Na beira da estrada em The Approach eu espero a noite cair, hipnotizada por esse tranquilo espetáculo de luz e cor que serve como pano de fundo para o transito frenético da hora do rush na auto-estrada.  É como se houvesse duas realidades paralelas movendo-se no tempo em velocidades distintas – a quietude me permite observar ambas sem pertencer a nenhuma. Sentada na escada, suspensa no tempo, eu penso em Turner e imagino se o que vejo agora ainda é o mesmo que ele via…

    As chuvas de Agosto marcam o fim do verão. Ainda sob influência do entardecer encantador, eu noto dois caramujos na calçada. Um, sem casca, atravessado no chão, antenas ainda em movimento. Eu o toco, ele se contorce. (Nunca havia tocado um caramujo – não é tão molhado quanto eu esperava). Está vivo, mas não sei por quanto tempo. Caramujos sobrevivem sem a casca? Caso sim, eles continuam sendo caramujos ou passam a ser lesmas?

    Ao seu lado, um ainda “completo” se afasta. Imagino se ele roubou a casca do outro e está realizando a fuga mais lenta da história (procurar apartamento em Londres é foda). De repente – se é que esse termo se aplica a caramujos – ele para a cerca de um palmo de distância, e volta-se para o outro. Talvez tenham brigado e ele só precisava de um pouco de espaço. Talvez ele esteja arrependido.

    Percebo que outros dois se aproximam num ritmo que lembra o por-do-sol.  Eles todos param, triangulando o “descascado”, e permanecem como que despedindo-se do amigo. É o velório mais bonito que já assisti.

    O cheiro de skunk invade o ar…

  • Love Walk

    On Friday I went out looking for Love .

    Love Walk is a two-way street (of course). As I walked in from one end I immediately saw the sign, but, along with it, all sorts of adjacent shit like ‘Controlled Zone’, ‘Permit Holders Only’, ‘Mon’, ‘Sun’, ’8:30 to Midnight’..aaaarghhhh! No, Love cannot be this messy and full of warnings and rules! Absolutely confident of a nicer display, I walked away, not even bothering to shoot this one, you know, just in case. Sometimes you just have to follow your gut and carry on…

    As you distance yourself from the main road, silence kicks in and the light changes, due to the shade of the flower trees abloom. Love (Walk) gets cozier the further in you go. Suddenly, a slight turn to the right signals the way cars must follow. A new sign – Hashcombe Terrace – makes it seem like that’s the end of the line, but my AtoZ shows the path goes on, despite all the physical world evidence signalling otherwise. And then I realise, this is where you drop the armour, where you have no choice but to let go of the steering wheel. Love does carry on indeed, but only for those who can follow on foot.

    I enter a pathway with brick walls on both sides, vines hanging from the top. A little archway entrance to my left reveals an enclosure with a lovely garden, some houses and a perfect little sign, just waiting to be photographed. A mother and daughter walk by, arms wrapped around each other and scarves covering their heads. As I shoot away, another mother-daughter pair laugh their way home after an afternoon of, apparently, rollerskating lessons down the road. Photograph secured, I follow down the path with a big smile on my face, enjoying this urban treasure and pleased with not having settled for that word-cluttered chaos from before. As I reach the end of the street I come to one of the most laid back, colourful cafes I’ve ever seen in London, real fruit hanging by the windows and all.

    Turns out Love (Walk) is as peaceful, quiet and beautiful as it should be – you just have to be curious and persistent enough to find it.

    Na Sexta-feira eu saí em busca do Amor.

    Love Walk (que traduzindo literalmente seria Caminho do Amor) é uma rua de mão dupla (claro). Já na esquina vi a placa mas, junto a ela, um monte de coisas como ‘Zona Controlada’ ‘Somente com Permissão’, ‘Seg’, ‘Dom’, 08:00 à Meia-noite’…aaaarghhhh! Não, o Amor não pode ser tão bagunçado e cheio de alertas e regras! Confiante de que encontraria uma placa melhor, entrei na rua, nem me dando ao trabalho de fotografar essa só pra garantir. Às vezes é melhor ouvir a intuição e seguir em frente…

    Ao distanciar-me da rua principal, o silêncio toma conta e a luz muda, graças às sombras das árvores em flor. O Caminho do Amor vai ficando mais aconchegante na medida em que é penetrado. De repente uma curva à direita sinaliza a direção obrigatória para os carros. Uma nova placa- Hashcombe Terrace – faz parece que é o fim da linha, mas o meu mapa indica que o (Caminho do) Amor continua, apesar de todas as evidências contrárias no mundo físico. E aí eu entendo que aqui é onde você se desfaz da armadura, onde não há escolha a não ser largar a direção. O Amor continua sim, mas apenas para quem segue a pé.

    Eu entro em uma pequena passagem, paredes de tijolo em ambos os lados com vinhas penduradas no topo. Um pequeno arco à minha esquerda revela um pátio com um jardim fofo, algumas casas e uma placa perfeita, esperando para ser fotografada. Mãe e filha passam abraçadas, lenços cobrindo suas cabeças. Enquanto fotografo, outro par de mãe-filha dá risadas à caminho de casa após uma tarde de, aparentemente, aula de patinação na rua. Foto concluída, eu continuo o caminho sorrindo, apreciando esse tesouro urbano e feliz por não ter me contentado com aquela bagunça verborrágica do início. A rua termina em um dos cafés mais coloridos e simpáticos que eu vi em Londres, frutas frescas penduradas na janela e tudo.

    O (Caminho do) Amor é tranquilo, silencioso e bonito, exatamente como deveria ser – você apenas tem que ser curioso e persistente o suficiente para encontrá-lo.

  • Guts – Paradise for All

    É raro, mas de vez em quando eu venho falar de música aqui. Nesse caso, não é bem falar – venho aqui só compartilhar o presente. Sabe quando todas as células do seu corpo dançam juntas?

    It’s rare, but some times I do talk about music here. Well, actually, “talk” is not really the word – I come here to share this giftYou know when all the cells in your body dance together?

    Dica do querido VJ Chico Abreu

  • Nightingale and Canary

    I’m completely fascinated by animal and insect sounds. Isolating them from the creature itself, one is able to identify the richness and complexity of these sounds, which sometimes verge on mechanical, electronic… I remember once playing the cicada sound for someone who didn’t know what the insect looked like, and when I afterwards revealed it, […] >
  • Gaia’s dance

    “Evolution is a tightly coupled dance, with life and the material environment as partners. From the dance emerges the entity Gaia”. Couldn’t find more fitting words to caption this stunning video than these by James Lovelock.

    Difícil traduzir uma frase tão forte sem ser poeta ou escritora, mas é mais ou menos isso: “A evolução é uma dança entre um casal fortemente acoplado – vida e meio ambiente são parceiros. Dessa dança emerge a entidade Gaia”. Não poderia encontrar legenda melhor pra esse video maravilhoso do que essa frase de James Lovelock.

    Released by NASA’s Scientific Visualization Studio using real data, this simulation’s volume-rendered clouds depict seven days in 2005 when a category-4 typhoon developed off the coast of China.

    Liberado pelo Studio de Visualização Científica da NASA usando dados reais, essa simulação 3D foi feita a partir do movimento das nuvens durante 7 dias em 2005, quando um tufão categoria 4 se formou na costa chinesa.

    via Collective Evolution

/ Patchwork
Bem-vindos à minha colcha de retalhos!
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