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Gormley: Iron Man @ SP

Quem passar por SP até o dia 15 de Julho não pode perder a expo do Antony Gormley! O inglês é famoso por explorar o espaço ocupado pelo corpo com esculturas humanas em tamanho real, usando como molde ele mesmo (a instalação da obra Event Horizons chamou atenção e deu um susto nos paulistas).

Those in São Paulo until the 15th of July can’t miss Antony Gormley’s exhibition! The british artist is famous for his exploration of body space through life-size sculptures molded after himself  (already in the set up his work Event Horizons gave people in SP a scare).

Event Horizons: Um dos 31 homens de ferro espalhados por SP // One of the 31 iron men spread across São Paulo

Apesar de muitos inglêses implicarem com o artista “egocêntrico” e considerarem sua obra “repetitiva” (palavras deles), eu particularmente adoro como ele desconstrói a figura humana de diferentes maneiras. Talvez por não ser muito fã de escultura a qualidade concreta, quase gráfica, das suas formas me agrade, sei la.

Despite accusations by some British people of  being egocentric or his work too repetitive (their words, not mine), I’m quite fond of the way he deconstructs the human figure in different ways. Maybe because I’m not the biggest sculpture fan, the concrete, almost graphic, quality of his forms appeals to me.

A mostra se divide entre dois locais: no CCBB está em cartaz Corpos Presentes (em inglês chama-se Still Being que, traduzindo literalmente, pode significar “ainda sendo” e também “ser imóvel”). Além dos homenzinhos nos topos dos prédios estão expostas também Amazonian Fields (feita pra ECO-92), Critical Mass e Breathing Room, obra que eu pude conferir ao vivo e postei aqui há um tempo atrás (daquelas sacadas simples, mas de tirar o fôlego e colocar um sorriso bobo no rosto).

The exhibition is divided among two locations: in CCBB is Still Being, with the little iron men on top of buildings plus Amazonian Fields (created for the Rio 92 UN Summit), Critical Mass and Breathing Room, which I saw in London and wrote about a while back (one of those simple yet awe inspiring concepts, which cause a lasting smile).

60 figuras de ferro compõem Critical Mass (Massa Crítica)

Detalhe de alguns dos milhares de bonequinhos de barro de Amazonian Fields

É só clicar na foto pra ver um video do artista falando sobre Amazonian Fields

Just click on the image to watch a video of the artist commenting Amazonian Fields

 

Breathing Room III: Quase me sinto na obrigação de botar "alerta de spoiler" antes dessa // Almost feel obliged to put "spoiler alert" before this

Já em um projeto especial da galeria White Cube (em um galpão da cidade), está Fatos e Sistemas, com duas séries novas de esculturas em aço.

In another part of town, a special White Cube Gallery project hosts Facts and Systems, with two new series of his humanoid steel figures.

Ideal seria ver tudo junto, mas pra quem não conseguir, Corpo Presente passará também por Rio e Brasília. Fica a dica ;)

Ideally one would attend both, but if you can’t make it, Still Being will also come to Rio and Brasilia ;)

Alexandre Severo

Me preparando pra sair de casa, fechando o computador e bato o olho em um post no facebook que não tinha como não abrir. Deu nisso…

Getting ready to leave, closing the computer, I peek at a facebook post that was screaming to be clicked on. This is what happens…

O projeto À Flor da Pele, do pernambucano Alexandre Severo, é fotojornalismo com doses cavalares de pura emoção:

Nasceram sem cor, numa família de pretos. Três irmãos que sobrevivem fugindo da luz, procurando alegria no escuro. O mais novo diz que é branco vira-lata. Os insultos do colégio viraram identidade. A mãe cochicha que são anjinhos. Eles têm raça sim. São filhos de mãe negra. O pai é moreno. Estiraram língua para as estatísticas e, por um defeito genético, nasceram albinos. Negros de pele branca. A chance dos três nascerem assim na mesma família era de uma em um milhão. Nasceram. Dos cinco irmãos, apenas a mais nova é filha de outro pai. Esta é a história do contrário.

À Flor da Pele, (play on words with skin, pele in portuguese, and an expression meaning sensibility) is an extremely emotional fotojournalistic project by Brazilian photographer Alexandre Severo.

“They were born colourless in a black family. Three brothers that survive by fleeing the light, seeking joy in the dark. The youngest says he is a ‘mutt white’. The insults heard in school became their identity. Mom whispers: ‘they’re angels”. They do have race. Sons of a black mother. The father has dark skin. They pushed statistics aside and due to a genetic flaw were born albinos. Blacks with white skin. There’s a one-in-a-million chance of three being born in the same family. They were. Of all five brothers, only the youngest is from a different father. This is the story of the opposite.”






Em 2009 Severo, que integra a equipe do JC Imagem, ganhou o Prêmio SESC – Marc Ferrez com a imagem abaixo, parte da série Vaqueiros

Severo works for JC Imagem and in 2009 won the SESC-Marc Ferrez award with the image below, part of the Vaqueiros project (name given to brazilian “cowboys”, these ones from the northeast region).

dica da Bianca
Bianca’s tip

Lygia Pape @ Serpentine

Tá em Londres bodeado com a chuva e com uma invejinha dos amigos que nesse exato momento estão curtindo o carnaval? Então por que não aproveitar pra matar um pouco a saudade do país tropical e dar um pulo na Serpentine Gallery pra ver a Lygia Pape?

In London, bummed out because of the rain and envious of your friends who are enjoying carnaval in Brasil right now? Then why not go down to the Serpentine Gallery and check out Brazilian artist Lygia Pape’s first solo UK restrospective?

A expo, que vai só até domingo (19), apresenta trabalhos de vários momentos da carreira da artista e mostra como a inquietação e a vontade de criar geraram um conjunto da obra que passeia pelos mais distintos meios. Na primeira sala estão as viagens em video como  Eat Me (1975) e Catiti Catiti: Na Terra dos Brasis (1978).  Vampiros, homens devorando frutas e aves como selvagens, a boca em close – todos parecem fazer referência à voracidade do consumo e à crescente urbanização do Rio de Janeiro, sua cidade natal.

The exhibition (only until Sunday, 19) goes through several moments in her carrer and shows how artistic unrest and the will to create can lead to a diverse body of work that explores several distinc media. In the first room, videoart trips like Eat Me (1975) and Catiti Catiti: In the Land of the Brazils (1978). Vampires, men devouring fruits and birds like savages, a close-up of a mouth – all seem to reference the voracity of consumerism and the growing urbanization of Rio de Janeiro, her home town.

Lygia em um trecho de Roda dos Prazeres (1968) / Lygia in a still from Wheel of Pleasures (1968)

Em outra sala, duas partes da trilogía (1959 -1961) que se tornou o maior símbolo da sua fase neoconcretista: Os Livros, do Tempo e da Arquitetura. Enquanto um ocupa uma parede inteira com 365 pequenos relevos coloridos representando os dias do ano, o outro consiste em uma série de trabalhos em papel cartão e madeira que parecem origamis arquitetônicos.

In another room, two parts of the trilogy (1959 -1961) that became the greatest symbol of her neo-concrete fase: the Book of Time and the Book of Architecture. While the first shows 365 coloured reliefs standing for each day of the year and taking up a whole wall, the latter is a series of card and wood constructions that look like architectural origami.

Livro do Tempo // Book of Time

parte do Livro da Arquitetura // part of Book of Architecture

Na terceira sala, a minha preferida, uma série de trabalhos que mostram como a simplicidade de formas e o bom uso do preto e branco pode render obras simples e extremamente elegantes. Fazendo contraste com as xilogravuras, onde sólidas formas negras parecem saltar do finíssimo papel japonês, uma série de desenhos super leves e delicados onde um esperto jogo de linhas e espaços vazios consegue criar profundidade e dinamismo impressionantes.

In the third room, my favourite, a display on how simplicity of form and the good use of black and white contrast can lead to simple yet extremely elegant pieces. Contrasting with the woodcuts, where solid black forms seem to jump out of the fine japanese paper, a series of light and delicate ink drawings where a clever use of lines and empty spaces manages to create impressive depth and dynamism.

 

Finalmente, no ponto alto da mostra, uma instalação que materializa um conceito recorrente na obra da artista, a teia.  tTéia (2002) é algo mágico! Diversos agrupamentos de fios de ouro formam o que parecem ser sólidos feixes de luz. Na medida em que caminha-se ao redor da obra, a iluminação certeira não só cria a ilusão de penetração entre as estruturas, mas destaca algumas delas enquanto outras parecem desaparecer completamente. É das coisas mais bonitas que eu já vi.

Finally at the high point of the show, an instalation that materializes a recurring concept in her work, the web. tTéia (2002) is magical! Several groupings of gold thread form what seem like solid cubic rays of light. As you walk around the piece, the clever lighting not only makes some of the structures seem like they’re penetrating each other, but some become more visible while others seem to completely disappear. It’s one of the most beautiful things I’ve ever seen.

 

 

Ògum upon Thames

Para homenagear Iemanjá (ainda que um dia atrasada), uma raridade no blog – post de um trabalho meu. Ògún Upon Thames é uma série de fotos inspirada na lenda da rainha das águas.  Longe do meu Rio de origem, inventei meu próprio reino subáquatico em Londres.

To honour Iemanjá (a day late, but still…), something rare in this blog – a post featuring my own work. Ògún Upon Thames is a series of  photographs based on the myth below. Since I’m far from my Rio (meaning river, in portuguese), I made up my own underwater kingdom in London.

“Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ejá (“Mãe cujos filhos são peixes”), é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do àse da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Yemanjá” ‘Lendas Africanas dos Orixás‘, por Pierre Fatumbi Verger

Iemanjá, whose name derives from the phrase ‘Yèyé omo ejá (‘Mother whose children are fish’), is the orishá of the Egbá, a Iorubá nation originally established in the region between Ifé and Ibadan, where the Yemoja river still runs. Early 19th century wars between Iorubá nations led the Egbá to migrate west, to Abeokutá. Of course they couldn’t bring the river along, but they did take all of the sacred objects and images,so from then on the Ògùn river that crosses the region became Iemanjá‘s new home.” translated from ‘Lendas Africanas dos Orixás‘, by Pierre Fatumbi Verger

Hot Brazil @ V&A

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor! Hoje a partir das 7pm o V&A vai pegar fogo com o Friday Late Hot Brazil. Em uma parceria com o Braziliality, o tradicional museu londrino (meu preferido, btw) vai receber diversão e arte diretamente do país tropical.

It’s time for these tanned people to show their worth! (ok, this might make no sense if you aren’t brazilian, but it’s the literal translation for lyrics in this song)
Tonight from 7pm the V&A will catch on fire with Friday Late: Hot Brazil. In a partnership with Braziliality, the traditional London museum (my favourite, btw)  will host a night of art, culture, song and dance.

Se liga:
Check it:


Super Pong  – SuperUber

Bruno 9Li - visitantes poderão levar pra casa uma obra exclusiva / visitors can take home a specially-commissioned artwork


Samba Surdo – Lucas Werthein


Wasteland – Lucy Walker


Graffiti Fine Art – Jared Levy

Além disso, set tropicaliente de Jõao Brasil, flash-mob sambante, a novela real-time ‘As Aventuras de Alberto e Vitória no Brasil’, Stuart Baker, fundador da Soul Jazz, comentando capas clássicas de discos brazucas, workshop de stêncil e, claro, muita caipirinha. Mais infos sobre a programação completa aqui. Té vejo lá!

Also featured – tropical set by DJ Jõao Brasil, a samba flash-mob, a real-time brazilian soap opera The Adventures of Vitoria & Alberto in Brasil, Stuart Baker, founder of Soul Jazz Records, commenting on classic Brazilian album covers, stencil workshop and, of course, lots of caipirinhas. More info on the full program here. See you there!

até o sol raiá

Inspirada pelo belíssimo “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, vou seguir no clima do sertão e fechar o dia com uma animação brasuca da melhor qualidade.

Em “Até o sol raiá”, dirigido por Fernando Jorge e Leanndro Amorim, figuras de barro de personagens típicos do imaginário nordestino ganham vida durante a noite e fazem a festa.

Vencedor na categoria Melhor Curta Brasileiro, na edição 2007 do Animamundi.

via Amenidades do Design