Tag Archives: musica

Guts – Paradise for All

Screen Shot 2014-08-17 at 21.31.15

É raro, mas de vez em quando eu venho falar de música aqui. Nesse caso, não é bem falar – venho aqui só compartilhar o presente. Sabe quando todas as células do seu corpo dançam juntas?

It’s rare, but some times I do talk about music here. Well, actually, “talk” is not really the word – I come here to share this giftYou know when all the cells in your body dance together?

Dica do querido VJ Chico Abreu

Ataque sonoro

Terça de madrugada recebi o relato de uma amiga contando que uma amiga dela havia tido seu carro interceptado por ninguém mais ninguém menos que nosso querido prefeito Eduardo Paes. O motivo? Uma música de protesto que tocava alto e incomodou Dudu. Indignada com o absurdo da situação, marquei pro dia seguinte um Flashmob Sonoro, com o intuito de espalhar a tal música pela cidade numa mesma hora. O povo curtiu tanto que resolvi estender a convocação para todos os dias, às 20:00, até a Copa.

Por conta do “evento” me toquei que muitos desconheciam a música de PH Lima e ficaram amarradões ao ouvir uma letra de funk totalmente política, falando tudo que a gente tem vontade de dizer, na lata. Isso só me leva a concluir que as pessoas precisam vir mais pras ruas! Voltem (ou comecem) a frequentar as passeatas, atos, debates, assembléias populares, sessões de cinema abertas e outras atividades políticas, mas também culturais, e vcs verão (ou melhor, ouvirão) que de onde saiu essa tem muito mais! Isso sem contar os gritos da rua que prometem tomar conta do Carnaval… ‘Alegria alegria’ é linda, mas temos as músicas de protesto do nosso tempo e elas merecem (e devem) ser conhecidas e tocadas também!


(só do Los Vânda poderia fazer uma playlist inteira)

Adorei o remix com os gritos da rua:

What difference does it make?

O doc What Difference Does it Make ? comemora 15 anos da Red Bull Music Academy, uma espécie de residência musical que ocorre anualmente em diferentes cidades mundo afora.

What Difference Does it Make ?  is a documentary celebrating 15 years of the Red Bull Music Academy, an annual musical residency which takes place in different cities across the globe.

Rodado em Nova Iorque, o filme acompanha os participantes da edição 2013 da RBMA. Além disso, conta com depoimentos de Phillip Glass, Giorgio Moroder, Erykah Badu, James Murphy, Lee Perry, Flying Lotus e muitos outros sobre o drive criativo e quase incontrolável que leva alguém a querer fazer música, e toda a bagagem que isso acarreta.

O lançamento é dia 18 de Fevereiro, online e de graça.

Shot in in NYC, the movie follows participants of the 2013 edition of the RBMA. On top of that, artists like Phillip Glass, Giorgio Moroder, Erykah Badu, James Murphy, Lee Perry, Flying Lotus and many others talk about the creative, almost uncontrollable drive, which leads someone to making music, and all the baggage that comes along with it.

The film launches online for free on February 18th.

R.I.P Cable

A comunidade raver de Londres está de luto – na última Quarta Feira, 1o de Maio, a boate Cable recebeu ordem de efeito imediato para encerrar as atividades. Eleita diversas vezes como um dos melhores clubs da cidade, o Cable, aberto em 2009, ficava embaixo dos arcos da estação de London Bridge. A programação diversificada comandada pelo selo We Fear Silence e as festas com duração de 12 horas tornaram o local o queridinho dos ravers londrinos, principalmente fãs de drum and bass.

London’s raver community is mourning – last Wednesday, May 1st, nightclub Cable was closed with immediate effect. Since its opening under one of the London Bridge arches in 2009 the club has featured in several’best clubs in the city’ lists. The eclectic programme put together by promoters We Fear Silence along with the late opening hours made the place a favourite among ravers, especially Drum and Bass fans.

Em comunicado oficial no site a equipe explica que após dois anos de batalhas jurídicas com a Network Rail, dona e operadora das ferrovias inglesas, a empresa decidiu tomar posse do imóvel à força essa semana, deixando desempregados 70 funcionários e afetando os planos futuros da marca. Eles comentam que quando se instalaram no local receberam garantia da própria Network Rail de que a reformulação da estação não afetaria a boate, mas a empresa diz que um aviso foi dado em 2011 de que a situação havia mudado e o arco onde a boate estava instalada era vital para a expansão da estação, uma das maiores e mais importantes de Londres.

Em um desabafo online, o dono do selo Butterz comentou o impacto do fechamento do Cable na cena londrina, onde “opções estão cada vez mais escassas e os line-ups das boates cada vez mais previsíveis”. Ele fala da importância de festas em um local preparado para esse tipo de atividade, já que “festas em armazéns não oferecem qualquer garantia de segurança e as vezes são canceladas em cima da hora”, e critica também o fato de que mais e mais espaços culturais vêm sendo fechados para dar lugar a cadeias de alimentação, lojas de roupa e moradias de luxo (texto completo aqui).

In an official statement the Cable team explains how they have been caught in judicial battles with Network Rail for the past two years and how they decided to take over the venue this week, leaving 70 people suddenly unemployed and affecting the brand’s future plans. They say they were given guarantees that expansion plans for London Bridge station would not affect the venue, but Network Rail claims that in 2011 Cable was given notice of new developments which included the area into the refurbishment plans of one of London’s busiest and most important stations.

In an online rant, the owner of Butterz label commented on the impact of the event in London’s club scene, where “options are shrinking, club line ups are taking less risks, and when there nights in ‘Warehouse Spaces’ there is no guarantee of your safety, a good time or the night even happening”. He also pointed a finger at the city’s development in general, saying “they strip away our meeting points and cultural hubs and replace them with Costas, Subways and more retail units and housing nobody that works in those shops can afford”. (See full text here)

Abaixo, video feito pela equipe da Cable TV, que promete lançar em breve um documentário sobre o assunto.
Below, a video made by Cable TV, who promise to release a documentary on the subject soon.

Quem sabe o pessoal do Rio, onde espaços culturais vêm sendo interditados e fechados a torto e a direito, não se inspira e também produz conteúdo sobre o assunto. Olha que rende…

Maybe folks in Rio, where cultural venues are being closed in an alarming rate, can be inspired by the event and also produce some content on the subject…

The Ghost of Piramida

Obrigada ao selo londrino Day Job Records pelo delicioso cineminha de domingo. Novo projeto da banda dinamarquêsa Efterklang, o filme The Ghosts of Piramida acompanha a viagem dos músicas para Piramida, uma ‘comunidade mineradora’ (?) Russa em Svalbard, Noruega. Durante 9 dias eles vasculharam o local coletando mais de 1.000 sons – de pilhas de documentos à uma casa de garrafas, de um deck de madeira à enormes canos de metal – todos os remanescentes da cidade esquecida tornaram-se instrumentos em potencial. O filme retrata Piramida como um perfeito playground sonoro, onde cada superficie tocada torna-se uma presença imponente na outrora “silenciosa” paisagem. É como se todo o local fosse música esperando para acontecer…

Thanks to Day Job Records for a delightful Sunday evening. The London based label hosted  a screening of Danish band Efterklang‘s latest project: The Ghosts of Piramida. The film accompanies the musicians’ trip to Piramida, a former Russian coal-mining community in Svalbard, Norway. For 9 days they roamed the deserted place recording over 1,000 sounds – from bound stacks of documents to a bottle house, from a wooden deck to great metal pipes – every remain of the former settlement became a potential instrument. The film shows Piramida as a perfect sound playground, with every surface struck giving off sound that becomes an overwhelming presence on the otherwise “silent” landscape. It’s as if the whole place is just music waiting to happen…

Alternando entre imagens da banda e imagens de arquivo da época em que o local era uma próspera comunidade, o filme é narrado em tom melancólico por um ex morador. Belo e um tanto triste, ele nos transporta entre passado e presente com os “temas sônicos da banda explorando  memória, o poder da nostalgia e a transiência de relações humanas significativas.” (aspas de um artigo sobre o projeto no Nowness.com). O resultado final das gravações de campo pode ser ouvido no filme e no novo disco da banda: Piramida.

The film alternates between footage of the band members and archive footage of the once thriving community, narrated by a former inhabitant in a melancholic tone. Beautiful and quite sad , it takes us back and forth between past and present, “with the band’s sonic themes exploring memory, the power of nostalgia and the transience of meaningful human connection” (quote from an article on Nowness.com).The end result of the field recordings can be heard throughout the film and also in the band’s latest album: Piramida.

Esse não é o primeiro filme da banda. Em 2010, junto com o cineasta francês Vincent Moon, fizeram ‘An Island’, “um filme não-convencional de música e performance e um documentário abstrato sobre uma banda e uma ilha”.

This is not Efterklang’s first film project: in 2010 they paired-up with french filmmaker Vincent Moon for ‘An Island’, an “unconventional music performance film and an abstract documentary about a band and an island”.



Embracing the current way people experience audio-visual material, the band has made both films available for download on their official webistes, where official screenings like the one I attended can also be arranged.

Cientes da maneira como as pessoas consomem conteúdo audio-visual atualmente, a banda viabilizou para download ambos os filmes em seus respectivos sites, onde qualquer um pode também requisitar o material para uma sessão oficial como a que eu assisti.

 

Cirrus

Bonobo esquentando os motores para o lançamento do disco novo em grande estilo! O clipe fodastico é do Cyriak e foi todo feito com imagens de arquivo de campanhas de informação pública dos anos 60.

Bonobo sets the stage for the launch of his new album in grand style! The amazing video was made by Cyriak using footage from public information films of the 60′s.

Stifter’s Dinge

Sabe aquelas coisas que, por mais que você descreva nos mínimos detalhes, nunca vai conseguir explicar? Aquelas cuja beleza, delicadeza, grandiosidade e sensibilidade precisam ser sentidas, pois nunca vão caber nas palavras? Stifter’s Dinge (As coisas de Stifter) é dessas…

You know those things that, no matter how detailed you describe them, you’ll never be able to explain? Those whose beauty, delicateness, grandioseness and sensibility need to be felt, for they’ll never fit into words? Stifter’s Dinge (‘Stifter’s things’) is one of those…

Descrita como uma “instalação performática”, a criação do austríaco Heiner Goebbels consiste em 5 pianos de cauda tocados por engenhocas mecânicas e adornados com galhos secos, todos montados em uma estrutura móvel que a certa altura se torna uma verdadeira criatura sonora, se aproximando da platéia como se fosse nos engolir.

Described as a “performative installation”, the creation of austrian artist Heiner Goebbels consists of 5 grand pianos played by mechanical gadgets and decorated with dried branches, all mounted on a mobile structure which at some point becomes a real sound creature, sliding towards the audience as if it were gonna swallow us whole.

A performance toda gira em torno desses pianos animados que ora são o foco também dos olhos, ora servem de trilha para outros elementos do cenário – três piscinas que recebem imagens, chuva e borbulham num grand finale hipnótico, projeções de pinturas, um balé de telas suspensas e água refletida, etc. Os sons dos pianos também interagem com as vozes de Malcolm X, William Burroughs, Claude Levi-Strauss e o próprio Goebbels lendo uma passagem do livro ‘O portfolio do meu bisavô’ (1864) do escritor, poeta e pintor Adalbert Stifter, que acabou dando nome à obra por suas descrições precisas e poéticas da paísagem austríaca.

The performance revolves around the animated pianos which at times are the focus of our eyes and at others provide the soundtrack for other elements in the scenery – three pools which receive rain, projections and bubble up in a hypnotising grand finale, painting projections, a ballet of suspended screens and reflected water, etc. The sounds of the pianos also interact with the voices od Malcolm X, William Burroughs, Claude Levi-Strauss and Goebbels himself, reading an exerpt from’My great grandfather’s portfolio’ (1864), a book by writer, poet and painter Adalbert Stifter, whose precise and poetic descriptions of the austrian landscape inspired the piece’s name.

Após uma performance de 75 minutos o público embasbacado pode rodear o monstro dormente e ver de perto não só a sua beleza mas também a maneira impecável como ao invés de escondida, é organizada eficiente e discretamente toda a estrutura necessária pra fazer essa geringonça funcionar (uma lâmpada e uma grade de ferro, por exêmplo, tornam parte do cenário cada um dos tanques de água das piscinas).

After a 75 minute performance, the dumbfounded audience can circle the sleeping monster and take a closer look not only at it’s beauty, but also the impecable manner with which the structure necessary to pull this off is not hidden, but efficiently and discretely organised.

Criada em 2008 em parceria com o Artangel, Stifter’s Dinge fará hoje a sua última apresentação no Ambika P3 (quando eu digo que nesse lugar só tem coisa foda…)

Created in 2008 for an Artangel comission, Stifter’s Dinge makes it’s final presentation in London tonight, at Ambika P3 (when I say this place only hosts great events…)

mais sobre a obra aqui
more on this piece here

Queremos! Dirty Projectors

Já que ainda não consegui ir em nenhum show organizado pelo Queremos, essa foi a forma que encontrei de contribuir…
Since to this day I haven’t  been able to make it to a single concert organised by We Demand, this is the way I mananaged to make a contribution..

Aos que estão no Rio: não percam esse show – é lindo demais!
To those in Rio, don’t miss this gig, it’s beautiful!

Acid Brass

Inspirada pela recente visita à expo do Jeremy Deller, uma das obras mais legais desse artista britânico cujo olhar interessado, crítico e bem humorado transforma em arte qualquer coisa à sua volta.

Inspired by a recent visit to Jeremy Deller‘s exhibition, I share here one of the most interesting pieces by this british artist with the ability to make art out of anything his interested, critical and humorous eye falls on.

Acid Brass faz um link inusitado entre as bandas de metais (brass bands) surgidas no século 19 e o acid house do final do século 20. Apesar de surgida em um pub, a idéia de botar uma banda tradicional para tocar hits dos clubs imediatamente trouxe vàrias referências à mente e Deller fez questão de não deixar aquilo morrer alí.

Acid Brass links 19th century brass bands to late 20th century acid house. The ideia to have a traditional brass band playing club anthems was born in a pub and right then and there Deller started jotting down references and images that came to mind.

A partir disso surgiu o infográfico abaixo, onde ele mostra como a industrialização, embates referentes à políticas trabalhistas, a região norte da inglaterra e, claro, outros gêneros musicais, são pontos de convergência entre os dois.

From those scribbles was born the chart below, where labour disputes, north England, industrialization and, of course, other musical genres, create links between both worlds.

A História do Mundo // The History of the World (1997)

O negócio deu tão certo que Acid Brass passou por museus super conceituados (Tate Modern e Louvre) e também rodou vários festivais europeus. Abaixo, uma base de comparação pra entender o trabalho dos músicos da Fairey Band.

The project was so successfull that Acid Brass toured several well known museums and music festivals throughout Europe.

P.s: mais sobre o projeto mais recente de Deller envolvendo morcegos, aqui
P.s: For more on Deller’s most recent project involving bats, click here