OEsquema

Bullying corporativo

O quê? Um negro? Como assim?

O quê? Um negro? Como assim?

O amiguinho leitor deve ter percebido que não tenho tido muito tempo para escrever. Escrever até tenho, mas para ler, que para mim é o mais importante, não.

Eis que hoje, após um dia bem esquisito, resolvi ler algumas coisas. Principalmente meu feed do Twitter, onde vi que a marca metrossexual básica (acredite, metrossexual básica existe), Abercrombie and Fitch, pede desculpas pelas palavras mal interpretadas de seu CEO. Resolvi me aprofundar e vi que recentemente um rapaz ficou indignado com a estética nazi de ideal de beleza da empresa, cuja política resulta em: só contratam “gente bonita”, não há produtos XL e XXL para mulheres nas lojas e por fim, a de que a empresa não doa o que está danificado, mas incinera seus produtos para que os pobres não apareçam vestidos com roupas da marca.

Pois bem, na semana passada esse rapaz postou um vídeo no YouTube que já foi visto por quase 8 milhões de pessoas. Nesse vídeo, ele propõe uma ação chamada #FitchTheHomeless, a qual pede que as pessoas busquem peças de roupa da marca e doem para abrigos de sem teto. Veja abaixo, que beleza:

Um outro rapaz, que sobreviveu a um transtorno de desordem alimentar também propôs uma ação repreensiva a marca e parece que a coisa vai ficando cada vez mais apertada (ui!) para a grife. Só o seu CEO, Mike Jeffries, que após um estágio com o Governador Sergio Cabral, resolveu ficar em silêncio. Deve estar indignado com a existência de pessoas feias se metendo em sua marca.

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dois gênios do bem.

Benetton 5Para quem cresceu vendo as campanhas revolucionárias de Olivero Toscani para a Benetton, e posteriormente, junto com Tibor Kalman, a criação da revista Colors, tudo isso me parece um triste retrocesso, mesmo sabendo que há uma grande parcela de adolescentes que são influenciados pela cultura do fodão/merda (nos EUA, winner/loser). Basta ver a quantidade de seriados adolescentes onde há, no meio de brancos lindos, aquele que representa o solitário “black guy”. O canal CW, onde passa o programa Barrados no Baile, mais conhecido como 90210, teve uma linda alfinetada do genial programa de improvisos, Whose Line is It Anyway, que está voltando as telas nesse mesmo canal. O que era para ser divulgação, acabou como uma crítica perspicaz a esse formato de programas:

No Brasil a coisa não é muito diferente. É comum reparar em alguns amigos repetirem o bordão “só tem gente bonita”, mesmo quando não percebem o ato falho. Praias loteadas de “gente bonita” e muitas vezes endinheirada impõem uma fronteira clara a quem não pertence a eugenia social. E não falo apenas de Jurerê ou Maresias e nem daquela farsa da praia no quartel de Copacabana. Estão ali sim, na praia de Ipanema, as fronteiras que não correspondem ao mito de que a areia é um local democrático. É, mas com muitas ressalvas. Um local “bem frequentado” passa rapidamente a execrado se neguinho (com duplo sentido) começar a invadir. Essa gente bonita se muda para não conviver. Aliás, quantos amiguinhos das classes A e B alta frequentam a Praia de Copacabana, onde cresci e frequentei? Poucos.

É claro que o problema é muito mais complexo que o que escrevi em poucos parágrafos, mas a atitude da marca predileta dessa gente bonita mostra que uma cultura anômala pode servir para exploração comercial. Um bom exemplo disso no Brasil foi o da marca Reserva, a qual seu dono se envolveu em uma trapalhada numa livraria no Leblon. Mandou o vendedor retirar a camisa falsificada e tentou fazer campanha contra a livraria, que não repreendeu seu funcionário. O tiro saiu pela culatra e em poucos minutos foi duramente criticado nas redes sociais. E justiça seja feita, a marca passou posteriormente a fazer roupas para gordos, gordinhos e gordões, anunciando que todos deveriam ter o direito de se vestir.

Nós enquanto designers, estrategistas, sociólogos, blogueiros e complicados, temos a obrigação de lembrar do grande Neumeiera marca não é aquilo que você diz que é, mas aquilo que os outros dizem sobre ela. Está corretíssimo.

Mesmo que o dono da grife faça cara feia.

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A nova d’O Rappa

E não é que eu curti? Boa mesmo.

Veja bem, conheço apenas a discografia inicial d’O Rappa, mas essa música nova, com 7 minutos e um refrão tântrico, mântrico sei lá, me fez curtir mesmo o trabalho.

Poucas pessoas no com renome e dinheiro aqui no mundinho pop do Brasa lançam uma música de trabalho com 7 minutos assim, com vários temas. Tem vigor, suingue e coragem. Valeu a ouvida.

Isso porque eu sou hater.

http://rd.io/x/QR8CpCJzlGs/

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A Galinha Pintadinha de dourado

Há alguns muitos anos, há mais de três décadas para ser mais preciso, minha professora de português da segunda série me ensinou que para escrever uma redação eu tinha que começar do começo. Mas vou começar do final porque sempre fui um menino meio anarquista, arisco, propenso a sociopatia e um futuro drogado, para não falar que seria um derrotado na vida. Sempre me arrisquei na marginalidade dos meus pensamentos e por isso começo esse texto do final avisando ainda no primeiro parágrafo, amiguinho leitor, que o disco novo do Daft Punk é uma merda.

Se o amiguinho for um pouco perspicaz, poderá perceber que me utilizei novamente (isso vai acontecer muitas vezes) de uma estratégia defensiva de auto flagelação para poder me antecipar da possível enxurrada de xingamentos, de perdas de amizades nas redes sociais e comentários hostis quanto a minha opinião. Afirmo também, nesse segundo parágrafo, que o que escreverei abaixo não se trata de uma crítica, mas uma opinião pessoal, que se valerá de alguns argumentos, mas nunca terá a estrutura textual de um crítico de ofício.

Quando falo em marginalização, não tenho a menor intenção de ser um Plínio Marcos ou um Flavio de Carvalho, um Trevisan ou ninguém. Tenho uma distância intelectual que me afasta desses iconoclastas, que foram citados aqui porque me ensinaram algumas coisas que acho fundamentais, como por exemplo, sair da superfície. Estudar o invisível e o execrável, descer ao gueto (Plínio), caminhar no escuro (Trevisan), ou até mesmo andar contra a corrente (Carvalho). Nesse caso só tenho a agradecer porque há uma corrente de pensamento em torno do que se representa o Daft Punk, que vai muito além de sua música.

Essa corrente não nasceu na ação de marketing e divulgação do disco novo da dupla, mas sim há um bom tempo. Desde a transformação dos franceses em robôs fashion. Já escrevi há alguns posts atrás sobre isso e não irei me aprofundar novamente, mas o que está em questão no Daft Punk não é a música mas a imagem. E dentro do que convenciono como uma construção da música em torno de uma estética, há muitos outros casos que podem ser analisados. Madonna, em seus últimos dez anos, deixou de fazer música música, pelas quais conseguia explorar, com a sua imagem (fotos, clipes, escândalos), questões comportamentais da sociedade ocidental. Hoje a cantora vende a juventude eterna, mascarando a decadência, contratando produtores do momento para sustentar aquilo que não mais se sustenta. E há mais muitos outros…

O que a estética do Daft Punk hoje representa é: como ser simples, elegante, chique, antenado, fashion, limpo, diferenciado. São os Stormtroopers do fashionismo.

A dupla simplesmente vive num mundo paralelo (vendeu muito essa exclusividade interplanetária), não se liga mais a qualquer cena musical hoje, se desconectou completamente da bela cena pós-house francesa da década de 90 há muito tempo, e ao contrário do Sun Ra, semideus que veio a conviver com o mundo convidando o ouvinte a uma experiência cósmica, transcedental, vive numa bolha sem bactérias, portanto sem anticorpos. A ausência de anticorpos no Daft Punk faz com que eles vivam numa espécie de seleção higiênica do presente para reconstruir um passado polido, sem micróbios, sem ruídos nem desvios.

Chamaram a sua espaçonave quem pode reconstruir de tudo um pouco que os 70 apresentaram em sua diversidade: vão do Kool & The Gang ao Moroder (fisicamente), do Chic ao Michael Jackson, do Fagen as pepitas da West End. Ok. Não tenho o menor problema com isso. Não mesmo. Quase sempre coloco o passado como sustentáculo para o futuro, critico muito o presente e algumas cenas meio inconsistentes, tendo ao purismo também, mas olha que curioso, o purismo do Daft Punk beira a eugenia, a destruição de camadas para contar uma história do passado como uma verdade pura, como a revolução cultural maoísta.

Nesse caso há uma interpretação, caso eles tenham se proposto a “ensinar” ou apresentar Moroder e Chic ao público em geral, acho louvável. Nile Rodgers, um dos maiores gênios presepeiros do planeta merece destaque. No campo da homenagem o disco também carrega uma aura positiva. Aliás, tudo é muito positivo no disco, a imagem de por do sol, os mantras sobre amor, toque, energia, luz. O mundo é lindo vestindo YSL. O mundo é lindo na praia VIP do Forte de Copacabana. O mundo diferenciado é lindo mesmo na cabeça da Sophia Coppola e de 100% de mauricinhos e patricinhas desse Braseel (é assim que se escreve?). O mundo é chiquérrimo, gentch. Porque ser chic (com trocadilho) é uma finalidade de 9 entre 10 pessoas no mundo hoje.

E musicalmente, já que estou falando do disco? Musicalmente é tudo muito bem produzido, com os melhores colaboradores do planeta. Pharrell, cabeça pensante dos Neptunes, a dupla de produtores, que junto com o DFA (e seu projeto LCD Soundsystem, comercial, pop e extremamente competente), moldou parte de uma geração, está ali a serviço de duas coisas: da sua bela voz e de sua assinatura. O rapazola do Animal Collective também: carimbou sua passagem ao universo elegante (porque ser hipster para o resto da vida não é chique) e deu uma assinadinha. Quer dizer: a assinatura conta muito no disco, como você poderá ver do Moroder e de outras figuras – fico me perguntando onde ficou a Olivia Newton John – Essas assinaturas perguntam ao público se ele sabe com quem está falando, porque musicalmente a coisa é rasa, com grooves bastante controlados em prol ora da guitarra cansada de Rodgers ora para o vocoder repetitivo dos robôs. Em apenas um momento, o disco demonstrou um arrojo na condução de vários temas e carrega levemente uma decadência melancólica, que é na música “Touch”, onde consegui me identificar mais. Touch é um musicão, com alguma repetição robotizada, mas um musicão.

De resto a repetição está ali nos robôs o tempo inteiro: em algum momento o douradinho e o prateadinho vão proferir uma meia dúzia de palavras com o tecladinho virtuose sarapa durante uns três minutos atrás de toda a música, meio que brigando com ela. Tipo um vinil arranhado só que não, é música mesmo, o que me faz lembrar na hora do meus sobrinhos Joaquim e Valentina, dois fofos que me pedem para tocar aquelas músicas da Galinha Pintadinha em loop e ficam igualmente em loop balbuiciando algumas palavras repetidamente enquanto batem palma sorrindo felizes.

O disco do Daft Punk incorpora essa felicidade infantil da cantiga do Braguinha e do Palhaço Carequinha com vocoder, óbvio. Fala para o jovem de hoje que não é preciso muito para ser feliz e nem elegante. Que você não precisa comprar uma Prada, usar uma bolsa Celine ou desfilar aquela roupa da Marni que você comprou na H&M. Para ser feliz e elegante basta comprar o disco do Daft Punk.

Seja feliz e elegante, portanto. (porque segundo a corrente todo o resto é hater)

 

*** ATUALIZEI 1 *** (COLOQUEI LINKS ACIMA E TUDO)

– As músicas que achei boas: Touch (muito boa) e Motherboard (boa)

– As músicas que achei ok, mas que não pirei: Moroder, Loose Yourself to Dance e Get Lucky

– As músicas que me fazem hater: todas as outras.

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Caçando sensações…

Dê o primeiro tiro quem nunca pensou em não perdoar.

Pois bem, amiguinho leitor, hoje foi um dia especial porque assisti a dois filmes de dois de meus diretores prediletos: A Caça, de Thomas Vinterberg e Em Transe, de Danny Boyle. Não é todo dia que se faz isso, então venho comemorar o feito, ainda que com uma cerveja choca. Verdade, amiguinho leitor, nem tudo correu perfeitamente, mas o gosto amargo do final não desfez a experiência. Ao contrário, fez parte dela e me fez escrever este post.

A Caça é um filme que se baseia numa temática dura, que é a da pedofilia. Há muito tempo não vejo alguém abordando o assunto de forma tão aberta. Lembro-me do único filme dirigido pelo grande ator, Tim Roth, que me abarrotou com a sutileza e a frieza envolvida numa história que envolvia um suposto incesto. A porrada foi tão grande que melhor que aplaudir de pé, foi sair zonzo do cinema, com vontade de vomitar, chocado pela trama, pelas cores, pela atuação, pela direção. Chocado no bom sentido. The War Zone foi um dos melhores filmes já vistos por mim. Com certeza no ano de 1999, se não foi o melhor, foi um dos.

Vinterberg, desde sempre, mal comparado a seu conterrâneo, Lars Von Trier, que só têm em comum a cena Dogma 95, e mesmo seguindo o dogma é difícil comparar os dois porque fizeram trabalhos totalmente destoantes. Aparentemente grande diferença entre eles reside entre o teatral, o operístico (com Trier) do cotidiano (Vinterberg). Mas vai além. Principalmente na escolha dos temas. Von Trier divaga por uma perversidade inerente ao homem, da forma mais existencialista que isso possa parecer; Vinterberg prefere o caminho oposto: utiliza a cultura como ativador de transformações.

Em seu último filme, Submarino, Vinterberg me deu soco parecido com o de Tim Roth. Com uma luva pesada cinza e azul, traçou a tragédia de dois irmãos traumatizados por um acontecimento da infância. Construiu uma linha tênue entre responsabilidade, culpa e autopiedade para representar duramente caminhos descendentes. Um buraco infinito no fundo do oceano. Acontecimentos que remontam uma trajetória sempre estão presentes. Em meu filme predileto dele, Dear Wendy, um pacifista fascinado com a aquisição de um revólver resolve fazer um grupo de apaixonados por revólveres. A presença da arma em sua vida, altera por completo sua confiança, suas atitudes e seu julgamento.

Em A Caça vemos um acontecimento transformar a vida de um facilitador de uma creche, um homem triste, solitário, culpado pela impotência de não poder ver o filho, que extravasa seus sentimentos brincando com as crianças como criança. É um homem dócil porém fechado, que se cerca dos amigos e de sua cadela para viver a cada dia. A acusação de pedofilia o afasta de tudo, a sociedade o julga como monstro e seu silêncio passivo favorece as especulações. O período do Natal, acabou por aproximar a questão da religião para dentro da discussão. Ponto para Vinterberg, que provavelmente estimulado pelas discussões de casos de pedofilia na Igreja católica, transporta para a protestante e não menos religiosa Dinamarca, a outra face e o perdão, que Cristo jogou em cima de seus fieis por essa infinidade de séculos. Machucado, humilhado, Lucas, entra na Igreja mas não se sacrifica pelos pecados dos homens. Levanta a luz da barbárie que os chamados homens de bem podem cometer pelo bem, pela família. Em plena Igreja encara a pequena Judas e, mancando mostra as feridas da Via Crucis a seus acusados, mas desafia a morte para ressuscitar em vida. A redenção as vezes não possui os dois lados de uma face, mas Lucas, como um cervo na floresta, se vê para sempre na mira estreita, a distância de uma carabina. Atire a primeira cápsula quem realmente o perdoou.

O ritmo comedido do filme não deixa o espectador menos eletrizado como se fosse rever cenas de Straw Dogs, o original, de Peckimpah. É comum o julgamento coletivo, o isolamento e a xenofobia perante o fraco, o acusado. O curioso é que VOCÊ, o espectador, espera que isso aconteça, que o homem naturalmente seja perseguido. Não afirmo que você queira que aconteça, mas afirmo que a naturalidade pelo suspense em torno do que pode acontecer com o protagonista está enraizada. Estamos acostumados a caça as bruxas. Curiosamente a caça as bruxas contra um homem é um caso também já retratado no belo filme As Bruxas de Salém, onde uma menina se utiliza de sua suposta pureza para cometer a vileza da vingança mais perversa. O mundo não está livre dos relatos apócrifos e tampouco da imaginação humana para a destruição. Não importa se você está no século XVI ou no século XXI. A mentira, afirma Vinterberg sutilmente, se sobressai ao perdão. O que nos resta é a culpa, atenuada em muitas variações religiosas ao longo dos séculos.

Já o filme Em Transe, de Boyle, provavelmente passa longe de seus grandes momentos como diretor, o que não quer dizer que necessariamente seja um filme ruim. Não é. Mas tampouco é um filmaço. Boyle parece ter perdido a grande oportunidade de fazer um thriller a partir da construção de peças. Corrijo-me. Ele faz, mas peca em criar situações de perigo em prol da didática da hipnose. Faz um filme refém da didática, e por isso precisa transformar o táti bitati em algo visualmente instigante. O filme se excede em forma e peca em conteúdo. O neón preenche o vazio das paredes, como o acrílico colorido, mas o que se vê é a superfície lisa de uma trama que cai numa eterna repetição. Imagine que a grande reviravolta acontece antes da primeira metade do filme. O que sobra é preenchimento e é comovente observar o esforço dos atores para se destacarem da encheção de linguiça que o resto do filme promove.

Danny Boyle, ao lado de Haneke, Trier, Vinterberg, Winterbottom, Fincher, PT Anderson e alguns poucos outros, compõem a nata de diretores contemporâneos que me levam seguidamente ao cinema. E Boyle fez um filme sobre a pré consciência mas não impôs um ritmo cerebral. Preferiu convidar o espectador a tomar um ecstasy e usar o cérebro pelo excesso de sensações. Taí, nem sempre é preciso de uma bíblia para escapar da engenhosidade, da maldade e da falibilidade humana.

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CLASSIFICADOS: espaço colaborativo procura amiguinho no RJ

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Se você é criativo e está querendo ser independente sem gastar muito, seus poblema acabaru. Três artistas/designers super talentosos estão querendo mais um amiguinho para dividir um espaço maravilhoso, na Praça Tiradentes.

A sala é dividida pelos designers Miguel Nóbrega e Felipe Nogueira e pelo artista Felipe Pena. A vaga está disponível para alguém que tenha afinidade com arte/design e com a prática de atelier, e esteja interessado em trabalhar em um espaço de intercâmbio constante.

É um espaço grande, de aproximadamente 60m2, com pé direito alto, dividido em: sala principal (aprox. 40m2), sala de reunião, copa/cozinha e dois banheiros. Está localizada num sobrado no número 85.

O custo é de aprox. R$ 500 por mês, já incluindo as despesas (condomínio, luz , internet e etc…). Em anexo, algumas fotos da sala.

Se interessar, por favor, escreva no comentário deste post que eu encaminharei o email aos responsáveis.

Segura as fotocas!

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Olobão de Carvalho

Lobão tem a força de uma Coreia do Norte declarando guerra: algumas manchetes e muita bravata.

Lobão tem a força de uma Coreia do Norte declarando guerra: algumas manchetes e muita bravata.

Mas e o Lobão, hein?

Foi a pergunta que fiz a mim mesmo quando soube que o Mano Brown disse que queria bater um papo homem a homem com ele, após a entrevista que deu a Folha em divulgação para seu novo livro. Cacete. Desde o Ed Motta há um mês atrás com o Ganjaman, não via um treco esquentar tanto o meio cultural no Brasil.

Curioso porque li a entrevista e achei que se o Lobão não tivesse colocado Dilma, a esquerda e os evangelizadores na discussão, teria achado uma senhora crítica ao mercado cultural tirânico no Brasil. Por exemplo, é sabido que Lobão bate nos baianos há um bom tempo. E toma porrada também, principalmente do Caetano, um galo de briga legítimo, magrinho mas com esporas afiadíssimas.

Lobão não me deixava bocejar quando publicava a revista Outra Coisa e exigia das gravadoras número de série nos discos vendidos. Lobão naquele momento era um crítico, um polemista mas acima de tudo, atuante para a criação de uma cena independente consistente. Lembro-me de uma declaração a qual dizia: “Hoje em dia temos uma pluralidade enorme de novos artistas no Brasil. O que rola hoje é infinitamente mais rico do que em qualquer época que já vimos no Brasil, mas criamos o mito de que não temos coisas novas e boas por conta desses Unpluggeds vagabundos de bandas decrépitas e discos ao vivo destas mesmas bandas” (foi algo assim que ele disse). Ponham, eu concordava piamente, mesmo sabendo que o próprio Lobão de rendeu a um disco Unplugged e outro Ao Vivo. Mas concordava com o bicho: temos uma produção musical fantástica correndo entre as veias de uma turma que não está no rádio escutando jabá. E temos mesmo. Olha o meu vizinho Chico Dub, que vem mostrando em suas mixtapes e seus projetos de música como o Festival Sai da Rede e o Invasão Paraense. Tem coisa a beça, minha gente. E coisa boa. Coisa pra tocar no rádio mas que não toca.

Outra leva de declarações polêmicas do Lobo vem da ideia de que a Bossa Nova era uma merda. Há controvérsias (não concordo com ele), mas vejo que ele queria atingir os alicerces estéticos da burguesia saudosista e bracarense de que a música brasileira estava toda ali. Alguns dizem: “Isso sim é música brasileira, a maior música do planeta, a mais rica”. Gente que pensa assim normalmente não sabe paul newman do que está falando. Enxerga a música com a profundidade de um Mister Magoo. Não sabe nem mensurar que o Brasil é sim, musicalmente muito rico, mas fala sério, música superior de cú é rola. Eu até hoje tenho certeza de que a genialidade do João Gilberto acompanha lado a lado a de um Coltrane, Stevie Wonder e de qualquer música do Tago Mago, do Can. Música superior é o caralho. Música é música. Ponto final. Superior, se isso existe, é a sua experiência pessoal (te elevou a algum lugar). O Brasil já tem muito complexo de pau pequeno com todos os nossos empreendimentos gigantescos, os maiores do mundo. O Maracanã, a torcida do Flamengo, o Carnaval, as estações do metrô, a bunda (obrigado Marquinhos), a felicidade, essa alegria de ser… tudo é maior do mundo. Maior do mundo mais uma vez repito, de cú é rola. Falta ao brasileiro a simplicidade para encarar o mundo sem a necessidade do gozo constante, do gigantismo do impossível, do gigantismo supérfluo.

E aí Lobão parece que escreveu um livro para falar de uma coisa curiosa, que é sobre a tirania dos bastiões da cultura no Brasil. Que livrão que poderia dar. Não li e nem vou ler (o amiguinho leitor vai entender o por que), mas não deixo de louvar a coragem desse artista que tem uma tara pela implicância (testemunhei). Ele gosta de implicar. Acha a maior graça. Mas voltando, louvo a sua coragem por ir contra a barreira cultural no modus operandi do favorecimento aos gigantes. Olha que fui um dos poucos defensores do projeto de poesia da Maria Bethânia, que achei barato pelo que se propunha. Mas o cara quer bater. Quer mostrar que a cultura continua centralizada e se encaminhando para um dead end cruel. Ora, numa de muitas das minhas discussões com minha roda de amigos, bradava: “Quem é que vai representar o Rio +20? É quem já passou dos 70 e talvez nem chegue ao mais vinte! Como podemos até hoje ter os mesmos representantes culturais de grandes eventos, que temos há 40 anos? Temos a possibilidade de mostrar uma renovação com a multiplicidade que possuímos mas olhamos para trás. Nada contra os grandes artistas que se apresentaram, mas na boa, falando de futuro e sustentabilidade olhando para trás? Sem nenhum representantezinho mais novo? Que porra é essa?”.

Sim, me parece que o tal novo livro do Lobão deve caminhar em parte a esse discurso. Falta coragem para alguém falar: “meu filho, tu já fizeste história, mas tem muita gente merecendo fazer história e não ganha espaço, incentivo, não sabe fazer política, não tem mulher influente para captar e o caralho aquático”. Porra. Louvo esse discurso pra cacete.

Mas e o Lobão, hein?

Pisou na merda e escorregou. Porque politizou o discurso a favor da polarização que vem retratando a disputa política no Brasil e atrasando todas as discussões e progressos na área. Lobão foi em cima da esquerda com toda raiva possível. Mas ignorou que os governos anteriores também praticavam o mesmo jogo de favorecimento. Foi em cima da “terrorista” Dilma e relativizou o militarismo da ditadura. Inverteu um período negro do país, transformando em vítima o agressor para fazer valer seu argumento. Isso é uma extrapolação de algo ainda doloroso para o país em prol da validação de seu discurso. É arrogância. É arrogância porque sabe que vai causar corretamente uma repercussão negativa, mas só olha para seu discurso. O curioso é que a arrogância é prima irmã da burrice. Sua tentativa de belo discurso acaba sendo invalidado porque na validação por contraste, desvirtua o cerne da conversa para abrir uma linha de frente que é pouco interessante para o entendimento de suas ideias centrais. Por exemplo, dizer que os militares sofreram tanto quanto os perseguidos políticos é de uma falta de propósito tremenda. Quantos foram os militares desaparecidos, torturados, jogados ao mar, afogados, agredidos no pau de arara, mortos com monóxido de carbono, impedidos de escrever seus manifestos livremente, exilados e presos o Brasil viu? Dois? Um? Nenhum? Por aí…

Sim. Havia a luta armada. A chapa tinha esquentado feio (tenho testemunhas na familia). Morreu gente dos dois lados no confronto, nas ações entre amigos. E ao passo em que Lobão chama a Dilma de terrorista, fico pensando se o Lobão leu A Ditadura Escancarada com a mesma velocidade e eficiência que me disse ter lido toda obra de Proust. Sim, amiguinho leitor. Ouvi um discurso longo sobre esse feito numa noite bebendo cerveja no Leblon. Lobão, segundo me parece, quer mostrar que leu mais livros que Paulo Francis. Mas Lobão, em momento algum chega perto de tecer críticas sociais aliando sutileza e agressividade de Francis, como “Universidade é para fortalecer as elites e não para ensinar pés rapados”. Francis sabia deixar os dois lados transtornados, sem saber se riam ou se choravam. Sem saber se era com eles ou com os inimigos. Francis incomodava porque sabia ser aquela dor que você não sabe exatamente onde está. Apesar de ter a mania de alfinetar, com agulha anti rábica.

Ainda me lembrando de Francis, um ex trotskista que terminou em Nova Iorque (o rei da contradição), não há como não destacar o maior momento de humildade desse arrogante máximo que o Brasil conheceu: a de pedir desculpas por escrito a Tonia Carreiro por ter errado no tom da crítica desrespeitosa, ainda quase vinte anos depois. Um arrependimento tardio, mas definitivo, retratado no belíssimo livro O Afeto que se Encerra.

Lobão, pelo que parece, não se arrependerá do que disse a favor dos militares. Uma pena, porque não lhe sobrará a arrogância de um polemista, mas sim a burrice carente de um desesperado.

*** Atualizando 1 ***

Bela charge de Latuff sobre a polêmica de Lobão.

 

*** Atualizando 2 ***

Pedro Alexandre Sanches escrevendo bem pra caralho como de costume.

 

*** Atualizando 3 ***

Parece que Lobão vai tocar com o Mano Brown na Virada Cultural. Parece.

 

*** Atualizando 4 ***

Lobão acha rock fashion, e heavy metal cafona, vascaíno.

 

*** Atualizando 5 ***

Lobão NÃO tocará com Mano Brown na Virada Cultural.

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E o cachorro?

Photobombardeou as intenções do proprietário…

Como já disse no primeiro poste, não falo de gatos aqui, que é um espaço livre, amplo mas sem gatos mesmo. Mesmo. Sem gatos.

Mas falo de cachorros. Olha que barato o anúncio que um ser humano fez para o seu apartamento, onde o cachorro aparece em todas as fotos, meio que destruindo as intenções do proprietário.

Achei fofo.

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Esqueceram de me escrever

Fui ver Evil Dead ontem. Estava empolgado com o trailer. Bem assustador, diga-se, mas aí…

Evil Dead 2 (uma espécie de refilmagem com muita licença poética do 1) foi o primeiro filme 16 anos que assisti na minha vida no cinema. Me lembro como se fosse ontem. Uma emoção indescritível. Toda fúria e humor de Sam Raimi sendo escancarada na tela, criando alguns dos momentos mais cults do cinema para mim por muito tempo.

E ontem fui assistir essa tal de “renovação de franquia” que eles chamam hoje em dia. Eles quem? Eles… sei lá. Fui com dois amigos que se amarram no terror também e mais duzentos adolescentes na sala do shopping. Taí. O filme começou bem, com uma espécie de… peraí. Se você não viu o filme, saiba que abaixo desse parágrafo, o amiguinho leitor lerá muito SPOILER.

Estando bom para ambas as partes, segue o texto.

Uma boa introdução, bem amarrada, com timing certo e uma bruxa sensa, entrando na parada. Acabou a cena. Pum! Começa o filme. A história: alguns adolescentes chegando na cabana. O plus da história: uma menina recém saída de uma clínica de reabilitação, que promete largar a heroína. Bacana. Uau! Misturar possessão com drogas e abstinência é um caminho muito interessante. Mas aí, parece que o roteirista entrou em greve. Trocaram o roteirista por um estagiário. Cacildis! Em poucos minutos, um livro sinistro, guardando numa capa preta, com arames farpados fica a sós com o Salsicha, que em menos de dois segundos revela as palavras mágicas. Assim, gente. Não deu nem tempo da moça sentir muita fissura pela heroína. Foi rápido. O livrão ali, todo misterioso numa sala, é pouco explorado, pouco mistificado. Coisa fundamental para a mitologia do filme, que é meio tratado como uma ferramentinha do Salsicha, o cara mais preocupado em cuidar da amiga viciada, que de repente não tá nem aí e parte pro livrinho dentro do quarto, como se todos estivessem conversando tranquilamente na sala.

Olha, amiguinho. Sou do partido de que a fotografia e uma sequência de bons enquadramentos são peças chave para um filme de terror. São sim. Filme de terror não precisa nem ter música. Poderia ser um filme mudo também. Sem diálogo. Só fotografia e enquadramento. O escuro precisa ser valorizado e nisso o diretor arrebentou. Se utiliza de bons cortes, bons quadros e se uniu a um belo diretor de fotografia para usar um spot frio, com um tratamento de cor bem musgo nas cenas mais bacanas. A escuridão prevalece. Sensacional. Mesmo.

Mas esqueceram de um roteirista, minha gente. Todas as cenas seguintes seguem a seguinte fórmula: o adolescente imbecil fará uma imbecilidade. Sim ele fará e faz, o que acaba deixando as situações mais previsíveis. Muito previsíveis. Gente, o demônio do original normalmente brincava com as suas vítimas. Era um sádico no sentido mais estrito da coisa toda. Suas vítimas eram marionetes de seu sadismo. Hoje vemos o imbecil, a transformação, o sangue e o desfecho da cena. São cenas isoladas que ocorrem, como se elas não precisassem ter uma ligação com a outra. A gente está falando de posssessão generalizada. Com o demônio possuindo cada hora um imbecil, mas isso não acontece. O demônio possui, mata, corta, vomita e é passado para outro imbecil.

O Salsicha, coitado. O Salsicha até se esforça. Você até torce pro Salsicha, esse amargurado com o amigo, e que parece um boneco de vudú de tanto que é espetado durante o filme. Taí, o Salsicha é o grande momento do que pode fazer um demônio com você.

E tem a moça viciada, muito boa atriz por sinal, que fica sinistra mesmo. Acho que ela pode vingar em Hollywood. E a moça de repente, livre do demônio, luta com uma ilustração do livro, que aparece e some, assim, entre o Pantone Red e o Vermelho Che Guevara. Tem vermelho pra caramba no filme. Na verdade tem verde pra dedéu e quando o vermelho entra, seu olho vê mais vermelho ainda. Mais um ponto para a fotografia do moço. E o vermelho é tanto que quando saí do cinema, via tudo verde. Tive dificuldades em encontrar meu carro, que é cinza, porque via um verde musgo nele. Juro por deus.

Aí tem o desfecho. Pum. Acabou, Bobão. Mas calma… tem os tais créditos do final. Bobão…

Peraí. Mas e a introdução do filme? Onde foi parar? Não sei, meu amiguinho leitor. A introdução sumiu. Fez sentido algum com todo resto. Parece que colaram um outro filme e pronto. Ou seja, toda mitologia vai pro fundo do inferno. Sem bruxa, sem rednecks deformados, sem nada. O filme acaba e você fica meio assim, possuído por uma coisa intensa, que não é alegria.

Vai levar 4 pau, né não Aracy de Almeida?

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Velhos videogames

E esse treco que apareceu aqui no Imgur? Fighting Gifs: recriações em gif de cenários famosos de games de lutas.

A parada é bonitona mesmo. Quem fez deve se orgulhar (e não fazer nem cocô, de tanto que deve dar trabalho).

Emocionou.

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Get Lucky em versão definitiva

Fechou bem minha sexta feira.

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