• bom dia

    uma sensação boa, né?

    Como é bom acordar num país mais organizado, com instituições mais fortalecidas, mais sério, que pune criminosos terroristas inimigos da ordem pública com todo rigor possível. Punições exemplares em um país menos desigual.

    Tão bom acordar com essa sensação. Me sinto mais seguro e esperançoso de que agora sim o país está no caminho certo.

    É isso aí, Brasil. Vamo que vamo porque eu sou brasileiro e não desisto nunca.

    E um bom dia para você que é do bem.

  • homem de bem

    Ratinho, em seu pronunciamento em TV aberta, no seu programa de baixarias, idiotices, lobotomia e um pouco de xingamento, novamente no SBT, vem a público afirmar que os cara do botão dourado vão voltar.

    Os cara do botão dourado são os milicos, vulgo militares, que protagonizaram o Golpe de 64 e instituíram o AI-5 e que instauraram anos de terror e medo no Brasil, além de proporcionarem, junto com o chamado “espetáculo de crescimento” a maior hiperinflação da história do Brasil.

    Segundo a famosa Lei de Pedro Aleixo, a preocupação maior com o medo e o terror é com o guarda da esquina. Ele estava certo.

    Essa mensagem do Ratinho, que possui canal de TV e rádio. É DONO de canal de TV e rádio, é uma mensagem clara para sentar o sarrafo.

    Conseguiram e vai piorar. Pode chamar os comerciais.

  • erros sistemáticos

    Esse sorriso…

    Ano passado o jornal O Globo pediu desculpas e afirmou ter sido um erro apoiar o golpe militar de 64.

    — Antes tarde do que nunca, né? — repete constantemente meu Grilo Falante otimista.

    Até seria, mas hoje, um pouco mais de 7 meses após o início dos protestos, o mesmo jornal vem com uma linha editorial chamada LINHA DURA. Exigindo mais da sociedade ao responsabilizar os atos de delinquência nos protestos. Falando sobre ampliação de penas duras.

    Crimes e responsabilidades devem ter punições sempre. Ninguém deve escapar. Mas o que se vê é uma capitalização da indignação, uma criação de desordem sob forma da ordem, que mais parecerá com aquele vídeo do Batman no Leblon, onde todos estavam certos, todos atacavam e ninguém tinha razão.

    O cidadão de bem hoje foi convocado a dar um pescotapa nos manifestantes. Nos chamados mascarados. E pescotapa de cidadão de bem é aquilo né? Pode imaginar.

    Após a morte do cinegrafista, o terreno está dado. O erro sistemático de construir um imaginário de ódio no cidadão de bem está feito. Isso é apoiar o golpe militar: a classe média tinha horror de comunistazinho, que virou terrorista e quando escafederam-se podia se escutar, veladamente da dona de casa ao porteiro: “ufa, menos um”.

    O sorriso delicado de Monalisa pode ser ingênuo, misterioso, indecifrável, mas pode ser o puro disfarce do ódio. Do dever cumprido pela vingança.

    Se a coisa continuar dessa forma, acho que nem em 50 anos poderemos presenciar outro pedido de desculpas. Por quê? Porque a mensagem está bem clara: “não se manifeste muito, se liga na novela e relaxa”.

    Plim Plim.

  • acompanhando as cagadas: capítulo 2

    William Bonner fez um pronunciamento no Jornal Nacional hoje. Extraio muitas coisas positivas isoladamente. Mesmo. É um discurso que prega, por exemplo, uma coisa que a Dilma pregou, no auge das manifestações do ano passado: é preciso racionalizar as coisas. Bonito, né? Hã han. Por outro lado, o pronunciamento é o que há de mais […] >
  • Atos políticos: uma historinha

    Acho que em 1996, eu estava no segundo ano da PUC e uma lanchonete surgiu no pilotis do Edifício Kennedy. Era um Subway.

    Nunca tive nada contra marcas estrangeiras. Nem poderia, afinal sou consumidor de algumas marcas há muitos anos. Primeiramente da Apple. Então não era o caso do Subway ser uma marca americana. Nunca foi essa a questão.

    Voltando. Achei estranho. Tudo começou com uma reforminha. Algo que parecia um conserto de esgoto. Mas aos poucos foi subindo uma parede e depois outra e depois mais outra. Até vislumbrar-se uma casa.

    Os amigos resolveram pedir explicação: por que outra lanchonete na PUC e num local ainda sem lanchonetes, um local privilegiado onde não haveria a concorrência das outras que se encontravam todas no outro prédio? Por que uma construção assim, meio na surdina, meio como a cabecinha marota encontrando o cabaço? Eu não participei da reunião, mas um grupo de amigos foi perguntar lá na reitoria. Ficou horas e a coisa ferveu, pelo que sei (sempre fervia).

    Resposta: um filho de uma figura influente da PUC tinha conseguido o ponto. Aquilo não era um ponto. Era um esculacho.

    Participei até de alguns atos simbólicos contra a construção. Mas nada adiantou. O tal Subway abriu.

    Resultado: fiquei 6 anos naquela universidade sem dar um mísero centavo naquele treco. Zero. Nenhum.

    Até alguns amigos próximos, que participaram dos protestos, sucumbiram ao açaí do local quando a marca Subway já tinha sido substituída, apesar do dono ser o mesmo. Eu nunca emiti um pio. Nunca reclamei com nenhum amigo. Mas não gastava meu dinheiro ali.

    Foda-se. Questão de princípio.

    Sempre soube que minha atitude não mudaria em porra nenhuma aquela situação. Nunca duvidei da “inutilidade” da minha atitude. Mas nunca dei um níquel.

    Foda-se. Questão de princípio.

    E o que se desenha no Brasil hoje depende muito do seu níquel e para onde você coloca esse seu dinheirinho, sua audiência. Em que empresas o seu tutú capitaliza?

    Não vai mudar nada, como não mudou no caso da Puc. Mas pode significar muita coisa.

    Pensa nisso.

  • Play no John Williams

    Morreu o cinegrafista. Uma pena. Um horror.

    Mas não se preocupe porque só piora: agora a PM terá mais motivo para esculachar. Vão prender o rapaz. Vão prender o que acendeu. Vão prender uma penca de pessoas, enquadrando como terroristas, homicidas (qualificados!) e nazistas. Enquanto isso nenhum PM será responsabilizado por plantar provas, invadir hospital, bar, universidade, apagar a luz das ruas e praticar o terror, pegar a vovó, o vovô, a mamãe, o papai, o totó e você também, óbvio.

    É a era dos PMs sendo reinaugurada com tapete vermelho. De sangue.

    E você ainda pagará 3 reais na passagem.

    Justíssimo.

  • A moral do criminoso

    Segundo entrevista com suposto justiceiro no Fantástico ontem, um dos jovens que fazem ronda no Flamengo afirma que dá lição de moral no assaltante.

    Uma frase determinante.

    Afinal, para ele, o crime é um desvio moral do ser humano. Pura, digamos, safadeza, falta de caráter, desvio mesmo. E por isso, nada mais justo que dar uma lição nos meliantes para aprenderem bons modos. Porque o cidadão de bem avança o sinal, sonega imposto, faz bandalha, pede um jeitinho aqui ali acolá, estaciona na vaga de deficiente, senta na poltrona do idoso, acha que o Brasil está cada vez mais sem vergonha mas dorme com a sensação de dever cumprido quando pensa que o criminoso deve entender por bem ou por mal que a coisa na área dele não é assim não.

    E vou enlouquecendo. Deve ser o calor.

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