6 de março de 2008 às 22h49
Re:Combo is no more

“It has ceased to be! It’s expired and gone to meet its maker! It’s a stiff! Bereft of life, it rests in peace!”. Passando o surto Monty Python, vale recapitular que muito antes de se falar em direito cedido, Wikipedia, Creative Commons ou In Rainbows, havia um coletivo de produção cultural no Recife que abria mão dos próprios direitos autorais para produzir coletivamente obras que não têm um único autor. Criado pelo mestre H.D. Mabuse, o grupo logo saiu do Recife e espalhou seus tentáculos por todo o nordeste, depois pelo Brasil, pelas Américas e finalmente, no mundo. Eis que descubro uma recente nota no blog do André Lemos em que ele republica a carta de encerramento das atividades do grupo, que aconteceu após o carnaval desse ano. Taí a nota, na íntegra:
“No dia 5 de fevereiro, durante a terça-feira de carnaval de 2008, como última ação coletiva, distribuida e organizada, membros do Re:combo espalhados pelo Brasil e pelo mundo, celebraram, cada um ao seu modo, o fim do coletivo.
Desde 2002 o Re:combo comprou algumas boas brigas para repensar autoria, o papel (e existência) do popstar e as relações com o público nas instalações audiovisuais. Nesse período demos nome à licença de remix da Creative Commons, ajudamos a criar uma imagem de desenvolvimento em arte e alta tecnologia fora do eixo Rio-SP, já fomos tema de mestrado e tocamos colaborativamente e em improviso em eventos que vão do Porto Musical (numa quase orquestra caótica de 22 pessoas) até o Tangolomango no Rio de Janeiro (cheio de crianças no palco!)
O que nos leva à uma celebração é a forma de encarar o fim como o fechamento de um ciclo. No nosso primeiro manifesto publicado na Internet estava escrito: “Cenário ideal do futuro: uma série de re:combos tocando e fazendo shows em cada cidade do mundo, compartilhando samples e loops com o único objetivo de fazer e tocar música.” entendemos que o que temos hoje, com o acelerado aparecimento de ferramentas como o CCMixter e quetais é esse cenario tornando-se realidade. Além disso, depois da
aceitação pela sociedade do Creative Commons ainda é tão urgente e transgressivo se falar que “O Re:combo abre o conteúdo de suas músicas bem como sua propria identidade para a criação de música criativa, dançante e transgressiva.”?
Nesse momento acabamos esse ciclo durante uma grande festa, com a sensação de missão cumprida, com um grande agradecimento aos amigos, e a certeza de que essa experiência, para quem participou, vai durar pra sempre, seja através da memória do coletivo (que será preservada com um congelamento do website como está hoje) seja pelos ecos dessas experiências nos grupos que surgiram e se desenvolverão após o fim desse ciclo.”
Uma pena, mas é assim que as coisas são, né? “THIS IS AN EX-RE:COMBO!”.



Profissão: autobiógrafo.


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