12 de março de 2008 às 20h29
“This is a concept”: Interpol em São Paulo
A certa altura do bis do show do Interpol em São Paulo, o vocalista Paul Banks deixou de cantar e tocar guitarra para observar o resto do grupo. Tirou a correia do instrumento do pescoço e o colocou de pé, à sua frente, segurando-o com as duas mãos unidas em frente ao corpo e a base em seu pé. Apoiando-se na guitarra como se esta fosse uma bengala, observava sua banda como um general inglês observaria seu exército: quieto, impassivo, orgulhoso, mas sem deixar escapar nenhuma emoção. Aquela postura talvez resumisse sua performance – comunicando-se minimamente com o público, ele comandou a apresentação como um lorde militar em guerra. À sua frente, um público intenso e passional cantava todas – todas – as músicas como se estivessem vendo o show de sua vida (muitos estavam). Ao redor, seus soldados criavam o clima certo para que seu grave solene detonasse canções como minas enterradas no chão. O público sabia onde estava pisando, mas cada vez que reconhecia uma música (poucas tiveram recepções frias) explodia.
Enquanto Banks sequer se movia – nem um fio de cabelo -, a dupla Daniel Kessler e Carlos De dominavam o palco. O baixista De parecia uma cruza do Homem-Máquina à Kraftwerk com o penteado de Cruela Cruel (mecha branca no cabelo inclusive) e se movimentava como um baixista clássico pós-punk (entre Simon Gallup e Peter Hook), sem disfarçar que estava curtindo o show. Já o guitarrista Kessler era a alma e o showman da banda, comportando-se no palco como se Johnny Marr tivesse sido um Buzzcock – terninho, movimentos mínimos, trejeitos de guitar hero, comunicação visual constante com o público. Atrás, Sam Fogarino era metronômico e por poucas vezes visitava seu kit de bateria rodopiando pelos tambores. Nada de galopes típicos das bandas que são associadas ao Interpol, suas principais qualidades são a precisão e o peso. Daqueles bateristas que, de tão eficientes, você sequer percebe que está ali.
Foi um show e tanto, embora mais intenso do que fodão. Os climas elétricos, compostos sem microfonia, envolviam o público mesmo que o som da Via Funchal insistisse em abafá-los. Os timbres da guitarra de Kessler faziam uma conexão improvável entre os Pixies e o Cure, mas com personalidade suficiente para não lembrar nenhuma das duas bandas. E a platéia paulistana, que lotou a casa, não queria outra coisa a não ser Interpol. Os desavisados e fãs de última hora eram, definitivamente, minoria. E embora o show tenha contado com momentos catárticos (“Slow Hands” causou mais histeria que o show do Julio Iglesias), preferi o bis à primeira parte. Mas talvez isso tenha a ver com o fato de eu achar o primeiro disco dos caras fodaço e os dois beeeeem longe disso. O público, em geral, gostou de tudo.
(e se alguém tiver o setlist aí fácil, me dá um alou que eu colo aqui). O Vinícius (valieo!) me descolou o repertório, que ele achou n’O Globo. Foi assim:
“Pioneer to the Falls”
“Obstacle 1″
“Narc”
“C’Mere”
“The Scale”
“Say Hello to the Angels”
“Mammoth”
“No I in Threesome”
“Hands Away”
“Slow Hands”
“Rest My Chemistry”
“The Lighthouse”
“Evil”
“The Heinrich Manuever”
“Not Even Jail”
“NYC”
“Stella was a Diver and She Was Always Down”
“PDA”



Profissão: autobiógrafo.


13 de março de 2008 às 2h35
.
a sequência do bis foi matadora.
setlist aqui:
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2008/03/12/interpol_estreia_no_brasil_com_seu_preciosismo_retro-426191299.asp
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13 de março de 2008 às 18h53
> mais intenso do que fodão
perfeito!! não mudou minha vida, até pq não tá no meu top 10, mas com certeza foi um ótemo show!!!
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