OEsquema

“It’s time to learn Portuguese…”

Conhece a do português?

“Quando cheguei, eles já estavam por lá. A banda toda menos a vocalista. Foram muito simpáticos, perguntaram de que parte do Brasil eu era e o que eu fazia em Bristol. Estavam felizes e bem animados com o novo trabalho. Me disseram que pensavam em usar o espanhol, mas que o Brasil estava na moda e que eles queriam algo parecido com uma gravação em português que eles tinham no estúdio. Era um homem fazendo propaganda de uma companhia de shows chamada Viva Bahia. Eles pediram para que eu falasse no mesmo ritmo. Então recebi três opções de texto, todos sobre karma e o número três. Falavam que tudo o que a pessoa dá para o mundo ela recebe de volta três vezes. Traduzi os textos, li e eles escolheram esse que saiu no disco. Gravei cinco vezes e fui para casa. Eles agradeceram e disseram que iam trabalhar em cima do material. Mais tarde ainda tirei uma onda com os amigos: ganhei 300 libras facinho!”


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Foto do estúdio dos caras
Esse é um conterrâneo e contemporâneo meu, Claudio Campos, que hoje dá aulas de capoeira em Bristol, na Inglaterra, e foi convidado pelo Portishead para declamar os trechos em português que abre o terceiro disco da banda. Foi a Kátia Lessa quem descobriu o cara, que fala mais com ele no Kakaos.
E o português tá na moda, fato. Quando passei por Paris, não era difícil encontrar referências ao Brasil completamente inseridas no contexto da cidade, inclusive no idioma. Música brasileira? Rotina. Na volta por Portugal, o tempo todo se falava na importância da língua, que é “a terceira língua européia mais falada no mundo”. O orgulho misturava-se com a perplexidade com o acordo ortográfico pender para o lado brasileiro, mas o país dos nossos descobridores vivem um clima de consciência da própria importância bem particular – não por acaso um dos livros mais vendidos no país é A Primeira Aldeia Global, de Martin Page.
Sobre o tal acordo, vale pinçar alguns trechos da entrevista que o Eduardo fez com o ministro da cultura de Portugal que saiu na Folha desse sábado:

“Nós fizemos cinco revisões ao longo do século 20. E não morreu ninguém. Compreende-se que, quando mudou de cisne com “y” para “i”, o Fernando Pessoa disse “eu vou continuar a escrever com y, porque me lembra o pescoço do animal”. E não aconteceu nada, ele fez muito bem. Mas, por outro lado, ninguém quer que haja nenhuma perturbação na alteração, porque não estamos a tratar do léxico, da sintaxe, estamos a falar apenas da ortografia. E são muito poucas palavras. Mas, por que é necessário alterar? Porque sem uma alteração ortográfica nós não temos uma política internacional comum para a língua. Não temos motores de busca que vão atrás de quatro versões gráficas da mesma palavra. Não temos um programa informático que varie em função dessas coisas. E, se variar, fica muito mais caro.
O acordo ortográfico nos permite perceber que, se os brasileiros passaram a escrever segundo uma norma fonética, diferente da portuguesa, foi porque dom João 6º, quando veio para o país, trouxe a imprensa, os juízes, os funcionários, o Estado todo. Mas não trouxe dicionários. E não trouxe por quê? Porque a Academia Portuguesa, em 1793, portanto 15 anos antes da sua chegada, fez a letra “a” do dicionário da língua. Mas nunca se fez a letra “b”, “c” etc. Todas as outras academias de língua européia fizeram no século 18 seus dicionários de língua. Nós não fizemos.
A língua conforma a maneira como apreendemos o mundo, como equacionamos e resolvemos os problemas que ele nos coloca. Quando nós queremos utilizar uma norma que seja mais fonética e menos etimológica, estamos a tentar facilitar a aprendizagem, a utilização da língua como língua de instrução e, ao mesmo tempo, de contato. A língua é muito importante para expansão econômica de um país, seja Brasil, Angola ou Portugal, porque, sempre que ele quiser internacionalizar-se, ele não tem de mudar os manuais, de formar técnicos novos, de buscar intérpretes. Tudo isso facilita a internacionalização e a criação de espaço mais uniforme de intervenção de toda atividade econômica de um país no outro. Se pensarmos um bocadinho, vemos que a economia espanhola não se internacionalizou na China, na Índia ou na Rússia, ou Europa do leste etc. Internacionalizou-se onde se fala castelhano, em toda a América Latina. São os maiores investidores na América Latina, maiores bancos, construtoras etc. E a partir daí entrou nos Estados Unidos, na Europa..”


Mas a falar do fato da língua estar na moda, vocês o ouviram no último episódio de Lost, né? Se não viu, nem clica no vídeo aí embaixo.

E também no filme novo do Hulk que, em boa parte, é apresentado de forma medonha. E por pura preguiça de produção, afinal os cara vieram ao Brasil e contratam uns atores que falam um português que parece ter sido aprendido na hora! O cenário sonoro – gente conversando no fundo, gritaria nas horas de perseguição -, um mestre de capoeira (de novo ela) e até o parkour de Edward Norton pelos barracos da Rocinha funcionam, mas os protagonistas “brasileiros” da primeira parte do filme só reforçam a minha teoria que o cinema tá se rebaixando ao nível da TV…

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por: Alexandre Matias postado em: Uncategorized

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