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É…

Das 14 faixas que comporão o primeiro disco solo de Marcelo Camelo, 10 serão disponibilizadas gratuitamente na segunda que vem, quando acontece o lançamento de fato do disco – só que essas dez já vazaram (primeiro foram apenas 8, em um longo e único MP3). E o diagnóstico até aqui é o seguinte: Camelo solo funciona, mas ainda é uma tentativa. As 10 faixas que apareceram já são melhor que o quarto disco do Los Hermanos (não que isso fosse difícil), o que já é um alento. Mas o que vemos é um compositor tentando sair da arapuca MPB que poderia ter se metido e procurando um pop brasileiro que não seja, necessariamente, radiofônico – e que, por outro lado, não seja hermético e elitista (uma das máscaras da tal arapuca MPB).


Marcelo Camelo – “Téo e a Gaivota

Um bom exemplo disso talvez seja a nova versão de “Téo e a Gaivota”, a primeira música que o Hermano solo lançou em seu MySpace. Ao contrário da roupa original (praiana até no barulho do mar), a do disco tem letra é tocada pelo Hurtmold por uma banda – pelo que ouvi, parece o Hurtmold (pero no tengo a ficha técnica ainda para afirmar com convicção) (o Ortega me confirmou que eram eles através desse link). E aí já, de cara, temos o Marcelo tentando vindo na contramão do próprio Hurtmold. O grupo paulistano, que começou pós-rock, passou a incluir elementos de jazz, música africana e brasileira para sair do gênero “instrumental viajandão”, quase sempre associado à banda. E, ao tocar com Camelo (desculpe-me se não for a banda), dão mais um passo rumo à popularização da própria musicalidade – foi isso que eu quis dizer em “não ser radiofônico”.


Marcelo Camelo – “Copacabana

Outras duas faixas revelam preocupações semelhantes. “Copacabana”, apesar do título, não é mais uma elegia à praia mais famosa do Brasil – e sim uma homenagem ao pequeno e simpático bairro Peixoto, uma cidadezinha do interior encrustrada no bairro mais caótico do Rio. A solução é quase carnavalesca, mas desde o tema Marcelo não opta pela simples carnavalização. “Copacabana” é brejeira e pacata, com um ar singelo milimetricamente calculado. Não é um grito de carnaval, nem tem o clima de quarta-feira de cinzas do Bloco do Eu Sozinho. É quase uma tradução musical do clima de carnaval de rua que ainda vive firme e forte no Rio – é fácil imaginar uma bandinha de coreto em vez de um bloco de carnaval no ar da canção. Ou seria aquela “A Banda”, do Chico? Hmmm…


Marcelo Camelo e Mallu Magalhães – “Janta

E, finalmente, “Janta”, a parceria com Mallu Magalhães, que parte de uma idéia que não é tão original (duas músicas compostas com a mesma base, cantadas por dois vocalistas que, em determinado momento, invertem suas partes vocais), mas funciona – e bem. Aí Marcelo acena para outra referência natural para seu meio: o indie rock. Apesar de folk, este é o cenário que lançou e acolheu Mallu – e o trecho que ela compôs em “Janta” é cantado em inglês, em mais um aceno ao indie. Uma canção bonitinha, que os dois compuseram ao violão (a foto que ilustra esse post saiu do MySpace do guitarrista da Mallu) e que, como as duas anteriores, são rascunhos diferentes de um mesmo desenho.

Aparentemente, Sou é um bom disco, nada além disso. E isso é uma boa notícia – Marcelo está procurando se reinventar sem apelar pra climas épicos, reviravoltas mirabolantes, parcerias impensáveis ou associações aleatórias. Se você ouvir bem, o disco novo faz muito mais sentido com a carreira do Hermano do que, por exemplo, o fato de ele ter participado do Acústico da Sandy & Júnior.

Mas ainda faltam quatro músicas que ainda não apareceram , mas que, teoricamente, seriam motivo suficiente para fazer as pessoas comprarem o CD – em vez de simplesmente baixarem. Não é difícil imaginar que Marcelo as considere as melhores do disco. Por isso, essa avaliação é prematura – vamos esperar pra ouvir o que ele está escondendo… E ver se Sou sai das três estrelas para abocanhar mais ou duas. Em tempos de MP3, um punhado de boas canções sempre desequilibra.

Vide o Radiohead, ano passado…

11 Comentários
por: Alexandre Matias postado em: Brasil, Indie, MP3, Musica, Pop, Talagadas tags: , , , ,

11 Comentários

Comentário por Daniel
2 de setembro de 2008 às 8h18

É impressão minha ou não liberar justamente o que o cara considera as melhores músicas (se for isso mesmo) é uma estratégia meio… burra? Tá pipocando texto por aí falando que o negócio é meia boca.

Se o que vale são as 4 que vão sair só no disco, lançasse um EP.

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Comentário por Alexandre Matias
2 de setembro de 2008 às 9h47

Eh…

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Comentário por Bruno
2 de setembro de 2008 às 9h55

Sou fã dos hermanos e gosto muito das musicas do camelo. N ouvi as 10 musicas, mas vou ver o cara em recife em 3 semanas. Tomara q o trabalho e o show fiquem bem legais.

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Comentário por Ortega
2 de setembro de 2008 às 10h05

É o Hurtmold mesmo, tem a ficha técnica aqui, Matias: http://callback.terra.com.br/marcelocamelo/site/novo.html

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Pingback por URBe » Arquivo » Vazou - OESQUEMA
2 de setembro de 2008 às 12h49

[...] pra escutar. Não concordo exatamente com tudo o que ele falou do disco, mas pra simplificar, dá um pulo lá enquanto eu não cozinho uma resenha [...]

Pingback por With Lasers! » Blog Archive » Música que une Marcelo Camelo e Mallu Magalhães caiu na web!
2 de setembro de 2008 às 13h11

[...] Finalmente aqui está “Janta”, música de Marcelo Camelo com participação de Mallu Magalhães. Cortesia do Alexandre Matias. [...]

Comentário por Talita
2 de setembro de 2008 às 22h18

ahhh!! a musica Copacaba é bonitinha, Teo e a Gaivota tbm… só a parceria com a Malu Magalhães num me agradou..

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Pingback por [Atualizado] “Sou” (8 de 14), Marcelo Camelo at IN NEW MUSIC WE TRUST
4 de setembro de 2008 às 10h12

[...] no link. No mais, o disco sai na próxima segunda, dia 8. Até lá, ouve aí, lê mais a respeito aqui, e depois grite, esperneie, [...]

Pingback por Trabalho Sujo » Arquivo » Rodrigo Amarante: Brand New Start - OESQUEMA
16 de setembro de 2008 às 11h14

[...] Marcelo Camelo lança seu disco em partes (cadê as faixas que não estão pra download gratuito?), Rodrigo Amarante vai aos poucos comendo [...]

Comentário por Eva
16 de setembro de 2008 às 12h59

ouvindo essas poucas faixas, minha impressão é que em nehuma dessas músicas era necessária a presença do marcelo camelo; amo hurtmold e a primeira estava indo tão bem até ele começar a cantar… fora isso, não consigou ouvir a mallu magalhães sem lembrar daquela música infantil: ‘tchibum, tchibum, la la la la / peixe quer mar, ave voar / eu quero amar…’ mesmo ritmo, repara.

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Pingback por Live blogging do disco solo do Marcelo Camelo
12 de dezembro de 2008 às 0h31

[...] ler o que Chico Barney e Alexandre Matias escreveram sobre o [...]

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