Madonna não mingana
As meninas ficaram em polvorosa com a merda que foi a venda de ingressos para o show da Madonna, em mais um degrau na escalada de merda no quesito consumidor terceiro-mundista quando o assunto é entretenimento. A Dani sintetizou a raiva delas num post longo e passional, mas com várias verdades ditas:
são paulo virou a capital do “mas tudo bem, eu nao queria taaanto ver esse show assim”. aqui você se programa até pra comprar pão na esquina. é a cidade da eficiência, do bom serviço. mas se esse serviço tem a ver com o mundo do entretenimento e depende de sites da internet, fudeu. você não vai conseguir, você não vai conseguir. vai passar horas tentando, se frustrando e perguntando aos amigos “e você, conseguiu?”.
na próxima encarnação, ou nos próximos anos, pra não ser tão dramática, quero viver em um lugar decente, em que a diversão seja simplesmente DIVERTIDA _desde a idéia do “hum, vamos nesse show?”, passando pela compra das entradas, até a chegada ao espetáculo propriamente dito.
se uma empresa não consegue ser decente na venda de ingressos pela internet, imagina na segurança? neguinho, vai morrer gente nesse show de madonna. e eu tô quase preferindo assistir no dvd.
Mas é a real, né? Afinal, olha o nível:
Assim que os portões abriram, por volta das 10h da manhã desta quarta-feira, os cambistas invadiram o Credicard Hall, tomando o lugar de quem passou três ou quatro dias ao relento na fila para comprar ingressos para os shows de Madonna em São Paulo, no Estádio do Morumbi, nos dias 18 e 20 de dezembro.
- Eles chegaram em grupo forçando a entrada e entraram ameaçando - disse a secretária Rose Bastos, de 29 anos. - Eles começaram a colocar fogo nas barracas.
Os cambistas, que queriam os primeiros lugares na fila, ameaçaram também tocar fogo nas bilheterias caso não fossem atendidos. Assustados, os compradores recuaram e deram vez ao criminosos.
Tudo errado, mas, enfim, neguinho só aprende na marra - quando aprende. Mas o fato é que Madonna já não é essa Coca-Cola toda desde pelo menos 1991. De lá pra cá ela virou um meio termo entre Luciana Gimenez e Hebe Camargo (uma Xuxa “com cérebro”) que ocasionalmente acerta um hit. Entendo perfeitamente a onda que faz as meninas se jogarem devido à importância potencializadora da velha musa, que fez mulheres e gays aprenderem a se gostarem como são e tocar o foda-se pros outros e viver a vida numa boa. Mas, convenhamos, esse é o ensinamento dos Beach Boys antes de Pet Sounds! Até o Ronnie Von já sabia disso - e nos anos 60!
Ok, “vivemos numa sociedade machista”, sexismo e tralalá, e, tudo bem, Madonna enfrentou tabus e cutucou feridas em horas certíssimas, mas suas melhores aparições necessariamente pressupõem boa música. Que é uma coisa que anda em segundo plano da tiazona há quase vinte anos. Depois que ela fechou a tampa da primeira fase de sua carreira com a coletânea Immaculate Collection, Madonna começou a ser associada a projetos extramusicais do que singles perfeitos. De lá pra cá, as boas músicas de Madonna não enchem nem um MP3 player de 128 mega, sendo bem generoso. Mas por outro lado, tem a cabala, tem o Guy Ritchie, tem o produtor da moda, a participação no filme, a trilha sonora, o livro, a filha, a gravadora, o filho, a aparição no programa. Música que é bom, nada: pra cada “Music” ou “Die Another Day” que acerta há várias “Beautiful Stranger”, “Frozen” ou “Jump”, que são segundo escalão comparadas com qualquer disco dela até o começo dos anos 90 - não entrariam na coleção imaculada caso fossem gravados nos anos 80.
Então assumam que vocês vão testemunhar história, ver de perto um grande líder, quase uma missa de corpo ainda presente. E junto vem o espetáculo, o parque temático móvel, o grande circo que dá o ar de sua graça na pequena cidade do interior com suas maravilhas e modernidades. Não esperem qualidade musical. Um show de Michael Jackson hoje é mais digno do que um show de Madonna - pra tu ver o nível do poço.
André Monnerat em 4 de setembro, 2008 às
1:00 pm
Eu não ligo a mínima pra Madonna, mesmo.
Mas é só pra dizer que, aqui no Rio, o perrengue foi bem considerável também - no local ou na Internet. Teve gente aqui no trabalho vivendo em função desse ingresso nos últimos três ou quatro dias, sem conseguir nada.
Camila em 4 de setembro, 2008 às
2:23 pm
Eu juro que esse show tava na minha wishlist de Dezembro, mas depois do circo que foi armado ontem, ma nem que a vaca tussa eu quero ir nesse show. Papai Noel que me traga um DVD dela, nem precisa ser o dela, traz os do Tarantino que eu fico muito feliz!
Anderson em 4 de setembro, 2008 às
2:31 pm
Acho q há uma incoerência no seu texto. Como Madonna pode “não ser essa coca-cola toda desde 1991″ se vc cita MUSIC e DIE ANOTHER DAY como boas músicas (essa última aliás, considerada uma das piores coisas já feitas por ela - mas tudo bem, questão de gosto). Ambas as canções são posteriores ao ano 2000! De qualquer forma, Madonna é uma das mais significativas artistas do mundo - não há como tirá-la do cânone. E mesmo que seu último disco tenha sido fraco, ela ainda faz música inédita. Michael Jackson, por outro lado, lança esse ano mais uma coletânea. Nas minhas contas, é a quinta ou a sexta da carreira dele. Mesmo que nem todos os discos de Madonna sejam obra-primas (acredito que os de Ronnie Von também não sejam), limitar sua importância para a indústria cultural apenas ao aspecto musical é reducionismo.
No entanto, achei perfeita a parte do seu post referente à venda dos shows. Pq o entretenimento no Brasil raramente tem a ver com diversão? Abs!
Alexandre Matias em 4 de setembro, 2008 às
2:32 pm
Po, Anderson, q parte do “as boas músicas de Madonna não enchem nem um MP3 player de 128 mega” vc nao entendeu?
Daniel em 4 de setembro, 2008 às
2:40 pm
Clap, clap, clap!
Flávia D. em 4 de setembro, 2008 às
3:35 pm
humpf, concordei c/ 50%
Flávia D. em 4 de setembro, 2008 às
6:38 pm
ow, mexeu c/ o ronnie von mexeu comigo!!!
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