19 de setembro de 2008 às 16h26
“Vote em mim”?
Cuidado com seu voto
Não curto falar sobre política porque há um limite até para o tipo de sujeira que costumo lidar por aqui, mas um vídeo que assisti no Bruno (que, graças ao YouTube, saiu do horário da programação em que ninguém assiste TV para poder ser visto a qualquer minuto) fala muito sobre o estado das coisas no Brasil:
Sacou? Um senador, por ano, consome 33 milhões de reais ao ano. Não, não é o Senado Federal inteiro. E sim CADA SENADOR.
Não é à toa que muita gente vê a política como uma espécie de plano B, caso sua carreira original não dê certo. E se você se espantou com o Clodovil sendo eleito – com UM MONTE DE VOTO – na eleição passada (e não era pra vereador, hein), se prepara pra ver a fauna que vai começar a habitar plenários e assembléia, defendendo valores nobres e belos, se referindo uns aos outros como “ilustríssima excelência” e trajando terno e gravata sem ter medo de ser confundido com segurança.
Tem doido pra tudo: desde o Kid Bengala (ator pornô) ao Sérgio Mallandro (que diz não ter bens a declarar – Rá!), passando por inúmeros Obamas à brasileira. Mas tem alguns candidatos que são particularmente bizarros.
Os dois exemplos mais intrigantes que vi são o de Enéas Jr. e do Lacraia. O problema é que o tal do Enéas Jr. é filho de outro Enéas (e não o mitológico fundador do Prona), embora copie tudo do velho Enéas, que não está mais aí pra se defender, e o Lacraia não é o parceiro de MC Serginho, e sim um sósia. Se pra ser eleito essa gente age assim, imagina se efetivados…
Tem outros que são infames, como o “vereador de Lost”:
Ou o candidato a prefeito de Olinda, que, com o apoio do irmão de Chico Science, transformou “A Praieira” em jingle político:
A Veja São Paulo fez uma matéria listando outras pérolas da campanha. Na paralela, vale ressaltar duas candidaturas ligadas ao nosso mondo pop: de um lado temos Primo Preto (ex-VJ da MTV e o cara que abre o disco Sobrevivendo no Inferno dos Racionais MCs com o clássico monólogo sobre contrariar a estatística), que é candidato pelo PTB. Do outro, temos o Márcio do Mechanics, que o Mini já rotulou de “o primeiro candidato indie do Brasil”.
Não gosto do sistema de representação. Não acho que nenhum político em que votei até hoje (e voto sempre, não curto anular nem justificar voto) seja a melhor pessoa para defender meus interesses. Sempre que vejo uma pessoa anunciando “vote em mim”, penso nas piores intenções possíveis e lembro de um monte de gente legal que virou um crápula quando foi pra política. Mas não vejo alternativa viável à vista. Talvez um dia, quando a internet for onipresente e os governos nacionais finalmente cederem às corporações globais, possamos abandonar a idéia de juntar um monte de representantes do povo para defender seus ideais em uma nobre sala para trazer a política para o nosso dia a dia, com todo mundo participando efetivamente das discussões que dizem respeito a círculos comunitários, municipais na maior das hipóteses.
Enquanto uma alternativa decente não aparecer, só nos resta votar. Por isso, por mais que o horário político seja uma das coisas mais execráveis já inventadas para rádio e TV, dê uma olhadinha no próximo. Veja o tipo de gente que se dispõe a resolver os seus problemas. E saiba que, se você não votar, outras pessoas vão – e muitas dessas peças logo, logo estarão nos dando lição de moral.
Odeio soar como se estivesse dando conselho ou como se fosse um professor de Educação Moral e Cívica, mas cuidado com seu voto.
2 Comentários



Profissão: autobiógrafo.


21 de setembro de 2008 às 1h49
A urna eletrônica oficializou a palhaçada. Antes, o cara escrevia na cédula o nome do Bozo, hoje ele vota de verdade no Bozo.
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Pingback por Trabalho Sujo » Arquivo » Boas eleições, hein… - OESQUEMA
6 de outubro de 2008 às 10h18
[...] prefeito de sua cidade é um luxo que poucas cidades do mundo podem se dar ao direito. Mesmo com o folclorismo barato que foi a campanha, este primeiro turno mostrou que, aos poucos, o povo tá se ligando da merda em que está [...]