Lembram quando Belém ia ser a nova Recife? Essa releitura feita ao clássico do Pink Floyd é um bom exemplo de como estão as coisas na capital paraense em termos de música pop: sim, já existe um panteão de novos artistas pronto para invadir o resto do país, mas falta o motivo. Afinal, nem reler Dark Side of the Moon é uma idéia original, embora a idéia pareça mais ter ares de fanatismo pelo grupo inglês (daí a minúcia na produção) do que pegar carona no sucesso do Dub Side of the Moon. Charque Side of the Moon, no entanto, passa fácil pelo obstáculo da originalidade da proposta e apresenta uma visita ciente das diversas nuances contidas na terceira obra-prima do quarteto sem Syd Barrett, a primeira a ter reconhecimento comercial, muito mais os reggaeiros do Easy Star All-Stars. E isso percebe-se nos detalhes: na gargalhada de Fafá de Belém em “Brain Damage” ou nos sinos da igreja de Nazaré e na percussão de um grupo de carimbó em “Time”, que ajudam a compor a paisagem local, habitada pelos protagonistas da geração anos 00 - a vocalista do Madame Saatan, Sammliz, canta “Time”, enquanto a vocalista tecnobrega Gaby Amarantos assume o solo clássico de “The Great Gig in the Sky”. A banda Cravo Carbono e o Mestre Vieira, um dos Mestres das Guitarradas, também batem cartão no disco, que é conduzido pelo guitarrista do La Pupuña Luiz Félix e seu compadre de estúdio Fabrício Jomar. O disco é uma obra de estúdio e, ao reunir a elite da música pop paraense atual e a recriar num cenário ao mesmo tempo clássico e local, a dupla de produtores cria uma obra que funciona como um retrato da cena pop em Belém, hoje madura musicalmente o suficiente para produzir um disco sofisticado como esse, mas ao mesmo tempo sem saber como atingir o resto do Brasil - ou o mercado exterior - a partir das próprias obras. Não que estejam no rumo errado (pelo contrário), Charque Side of the Moon soa como um momento de reflexão.
49) Charque Side of the Moon
La Pupuña e Gaby Amarantos - “The Great Gig in the Sky“
antonico em 4 de dezembro, 2008 às
4:06 pm
Pegaram a capa do Amorica do Black Crowes e tiraram a parte de baixo do bikini hehe…
guilherme em 4 de dezembro, 2008 às
7:10 pm
matias, muito bom mesmo o disco. passa longe da piada. abraços!
2009, o ano do Pará? « You want history… em 5 de janeiro, 2009 às
3:43 pm
[...] está entre as melhores. Eu vejo potencial, mas como bem comentou o poderoso blog indie nacional Trabalho Sujo , parece que ainda falta algo. Falta saber como expandir tais qualidades. E assim como eu comento [...]
Benedito de Sales em 25 de julho, 2009 às
2:58 pm
Cara, sou fã da banda pink floyd e em belém os meninos do the project fazem um trabalho muito bom, gostaria de saber da agenda de shows deles, pois nunca mais os vi tocando por aí. E essa releitura do album do pink é bem interessante
Pedro Fernandes em 8 de setembro, 2009 às
4:00 pm
No pequeno player do post diz que a música é Money do La Pupuña.
Mas acontece que essa música é a The great gig in the sky. Confiram aí pra poder ser corrigido.
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