12 de dezembro de 2008 às 15h19
Os 50 melhores discos de 2008: 42) Nick Cave & the Bad Seeds – Dig Lazarus Dig!
Nick Cave melhora à medida em que envelhece – isso é fato. Mas diferente do estereótipo (raro) do roqueiro velho que, aos poucos, vai deixando o barulho de lado e tornando-se um intérprete respeitável, ele não nega seu passado – o projeto Grinderman, do ano passado, já mostrava que ele não estava disposto a envelhecer como um baladeiro no piano (não que isso fosse ruim, afinal, Nick Cave baladeiro é melhor do que 90% do povo que compõe baladas hoje em dia). Mas se Grinderman era cru e, de certa forma, quase adolescente, como envelhecer com uma banda de rock – ainda mais se a banda em questão é o Bad Seeds? Dig Lazarus Dig responde à essa pergunta com convicção e força bruta, mas sem nem cair no ruído reminiscente do Birthday Party nem forçar a barra para parecer maduro. Afinal, nem precisa: maduro, Cave já é há umas duas décadas, pelo menos. A solução para o dilema veio com a sombra da influência do velho bardo americano. Dig Lazarus Dig é dylanesco do começo ao fim: relatos apocalípticos sobre paisagens desoladas, discursos bradados do alto do púlpito, viagens intermináveis pelo interior dos EUA, personagens bíblicos perdidos num cotidiano em colapso em canções que, embora tenham em sua maioria menos de cinco minutos, poderiam ser estendidas por horas ao vivo. Mas antes que você comece a imaginar que Cave esteja resmungando ao microfone, vai com calma: ele, ao contrário de Dylan (que nunca se considerou cantor), conhece a força e o alcance de sua voz, elevando composições terrenas para vôos à força. Com o dedo em riste enquanto a outra mão busca o coldre, Nick Cave pode estar velho, mas está longe de se aposentar. Sorte nossa.
42) Nick Cave & the Bad Seeds – Dig Lazarus Dig!
42) Nick Cave & the Bad Seeds – “Dig Lazarus Dig!“




Profissão: autobiógrafo.


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