“Quem veio antes: o monstro de fumaça ou a Iniciativa Dharma?”
Continuamos esperando a quinta temporada de Lost, que estréia no mês que vem, e aqui está o bom e velho parágrafo em que eu enrolo um pouquinho pra você não correr o risco de ler algo que não queira, pois em algumas linhas estarei começando aquele texto que eu prometi semana passada sobre o que vai acontecer no seriado criado por J.J. Abrams e imaginado por essas duas figuras aí embaixo, o nerd Damon Lindelof e o tiozão Carlton Cuse. Logo abaixo vou falar de algumas coisas que prometem acontecer na próxima temporada - não vou entrar em detalhes sobre episódios e tramas particulares e sim concentrar-me no drama principal, a saga dos Oceanic Six e o que pode acontecer com a ilha. E, no decorrer do papo, uso informações passadas por esses dois sujeitos e boatos e especulações tiradas de blogs de fãs e colunas de TV online. Se você já acompanha essa rede, provavelmente não vai ler nada de novo. E se você não quer saber nada sobre isso, embace os olhos e saia daqui!
Em vez de alimentar a espera pela nova temporada do seriado com ainda mais outra trama paralela, a dupla de roteiristas e produtores Lindelof e Cuse resolveu usar a internet para eles mesmos tornarem-se conhecidos - e, semanalmente, falam com o público em pequenos vídeos que são enviados para quem já se cadastrou em alguma ação online do programa. O site Dharma Special Access só pode ser acessado com senha - embora no dia seguinte versões copiadas apareçam inevitavelmente no YouTube (e a ABC, emissora do programa, não se importa, pois faz parte da estratégia online de Lost). E além desses pequenos videocasts, quem se cadastra ainda assiste a algum spam (tipo propaganda da caixa de DVDs) e trechos inéditos do primeiro episódio de 2009. Até agora já foram dois: num, Kate foge com Aaron logo depois que agentes ameaçam fazer o teste de DNA para saber se ele é filho dela, no outro, Jack e Ben discutem sobre seus encontros recentes com Locke.
Nos videocasts, Damon e Carlton já partiram para a fase da desinformação. Brincam com a possibilidade de algo ser ou não importante para a trama, especulam sobre níveis de minúcia postos em detalhes da história que possam despertar o interesse dos fãs, além de jogar muito verde. Num dos programas, foram fazer propaganda do site do Clube do Livro Lost (pra quem não acompanha, a série sempre traz várias referências em forma de livros, colocados sem cerimônia em diversas cenas com quase todos os personagens) e mencionaram que Ulysses, de James Joyce, aparecerá em um episódio chamado “316″ - e logo Damon saca o calhamaço e lê uma passagem da página 316 do livro (qual edição? Tá vendo como é truque?) em que uma frase contém a palavra “hurley” - o nome de um dos personagens. Mas os fãs já foram esmiuçar o número e no Evangelho Segundo João, capítulo 3, versículo 16, diz que “porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho primogênito para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Pode ser algo ou pode não ser nada, como a pista de pouso que os Outros estão construindo na ilha - e eles mesmos apostam, entre si, sobre a importância ou irrelevância da informação para a série.
Os dois também participaram de uma videoconferência para a qual foram convidados, além de repórteres e jornalistas, os principais blogueiros que cobrem a série (será que a Globo um dia fará isso?). Na entrevista (reproduzida por vários veículos), os dois comentaram alguns pontos, como, por exemplo, como se tornou mais fácil escrever a série uma vez que o final dela foi determinado para 2010 e como o final da série é mesmo em 2010 - e que não vão esticá-la depois disso, nem mesmo, como se especulou, no formato de um filme. Lindelof ainda disse que uma das principais inspirações para ele escrever Lost do jeito que é foi Twin Peaks, a série bizarra produzida por David Lynch no começo dos anos 90 que inaugurou o formato atual dos seriados de TV. Ele contou que, após o episódio da semana, ele e o pai o assisitiam de novo logo após a exibição, pois gravavam em VHS, e a diversão era descobrir novas pistas, achar dicas que pudessem esclarecer algum mistério ou buscar alguma coisa que não poderia ser encontrada na velocidade tradicional da série. Foi ali que nasceu a essência de Lost: uma série que também é um jogo.
Sobre a história, os dois afirmaram que Libby não voltaria a aparecer, embora eles já tenham dito isso sobre Rosseau e, na videocoferência, confirmaram que voltaremos a ver algo sobre o passado da francesa neste próximo ano. O mesmo vale para Claire e para o pai de Jack, que já foram descartados como personagens regulares na próxima temporada, mas eu acho que é caô, pra desviar atenção. A Kristin dos Santos, que escreve sobre seriados no site do E!, ainda conversou com o ator Dominic Monaghan - o Charlie - e não duvide se mais gente que morreu voltar do túmulo esse ano…
Embora os produtores tenham dado a entender que boa parte da ação da quinta temporada de Lost acontecerá fora da ilha, vários relatos sobre as filmagens no Havaí apontam que muita coisa irá acontecer também dentro da ilha maldita. E boa parte delas, no passado. Mas antes que você se empolgue sobre a possibilidade de finalmente aprender mais sobre a Iniciativa Dharma - o grupo de cientistas que habita a ilha desde os anos 70 -, há algo a mais na ilha durante os anos 70 - talvez os próprios passageiros do vôo 815, diretos do ano 2004.
É isso aí: que existe a possibilidade de a ilha ter mudado não apenas de lugar, mas de tempo, você já sabe. O que se ventila pelos corredores da boataria sobre o seriado é que todos que ficaram nela - Sawyer, Juliet, Jin, Bernard, Rosie, Os Outros e os tripulantes do cargueiro - voltaram para 1976, o ano da chegada da Iniciativa Dharma à ilha. Talvez possamos assistir até a um clássico conto sobre paradoxos temporais - quem garante que o fato do cientista Faraday ter voltado no tempo não seria crucial para que a Dharma conseguisse criar suas principais instalações e fazer seus experimentos com eletromagnética? O blog Hawaii disse ter visto uma cena em que Jack e Kate caminham ao lado de Hurley, Sayid, Sawyer (!?) e Jin (!?!?!) vestidos com uniformes da Dharma, com a kombi e o jipe da iniciativa como se tivessem acabado de sair da concessionária. Outros relatos falam em atores vestidos e penteados como se estivessem nos anos 70 - e é aí que a personagem de Reiko Aylesworth deve aparecer. Os autores já disseram que explicarão um pouco a história da Dharma na próxima temporada (o próprio jogo de realidade alternativa desse ano foi o tal processo de inscrição para novos funcionários, lançado na ComiCon).
Ou seja: tão querendo enganar a gente… Tanto a terceira (que terminou com Jack gritando “We have to go back!” logo depois de ter finalmente conseguido sair da ilha) quanto a quarta (que terminou com um close na pessoa que estava dentro do caixão que apareceu no final da temporada anterior) temporada foram iscas para desviar atenção sobre a natureza da ilha. Apesar de alguns elementos sobrenaturais terem acontecido, os principais eventos diziam respeito à fuga turbulenta e um possível retorno compulsório de alguns personagens para o cenário original da série. E assim continuará a história dos Oceanic Six: acompanhá-la pouco dirá sobre o que diabos é a porra daquela ilha. É só um jeito de nos distrair com mais questões.
Assim, como eu já havia dito, presumo que assistiremos à duas histórias em 2009: os seis fugitivos tendo que voltar para a ilha e o que aconteceu com as pessoas que ficaram lá. A primeira história é só uma forma de desviar a atenção do espectador - a história principal está sendo contada na ilha. Lembre que ainda assistiremos à conversão de John Locke em Jeremy Beltham ao mesmo tempo em que ele torna-se o líder d’Os Outros. Certamente veremos para que serve a pista de pouso criada pelos Outros - que Damon e Carlton brincaram sobre sua relevância no podcast. Há um longo episódio centrado na relação entre Abbadon e Locke e Nestor Carbonell, aka Richard Alpert, numa entrevista dada no meio do ano, confirmou que participaria de nove episódios na nova temporada.
E as infâncias também serão assuntos para todos os personagens durante a próxima temporada. Foram escalados vários atores mirins, uns que deveriam se parecer com alguns atores da série ou ter alguma traço físico específico, o que leva a crer que iremos assistir pelo menos a novidades sobre as formações de Sayid, Ben e Charlotte, pelo menos. Ou seja: mais informações sobre a ilha. Fora da ilha, dois assuntos parecem ser importantes: por que Jack resolve voltar para a ilha e quem realmente precisa voltar (e por quê?). Fora isso, toda a volta dos seis é uma história para entreter o público e não diz respeito à trama principal. Mas espero estar errado.
Fora isso, tem umas fotos novas do elenco da série, mas quem quer ver fotos, né…
Querem mais fotos? OK, tem essas (mas não me pergunte sobre esse logo da Globo…).
E pra terminar a manhã, alguns outros textos que escrevi sobre a série, durante o ano:
- Tempo perdido
- A conexão Lost x Cloverfield (mais sobre Cloverfield aqui)
- O que é a ilha?
- Lost e os novos clássicos
* A pergunta do início foi feita pelo público a Damon e Carlton, que respondeu que o Monstro é anterior à Dharma
E, por falar no Mini, ele também sua teoria sobre o que está acontecendo na ilha…
FC em 16 de dezembro, 2008 às
11:22 am
Sobre os livros, na quarta termporada (ou na terceira?) aparece uma cena com o Sawyer lendo um livro na tenda na praia. Qual o livro? The Fountainhead, de Ayn Rand. E aí, como bom fã do Rush, eu saquei na hora. Ayn Rand é conhecida como a “papa” do invididualismo. A referência ao livro deve querer dizer algo sobre o galã-bronco. Só para falar de Rush. Ehehe.
Alexandre Matias em 16 de dezembro, 2008 às
11:26 am
hahaahah, nerd de rush eh foda…
tati em 16 de dezembro, 2008 às
11:01 pm
acho que já acostumei com a kate xuja. sempre acho estranha ela assim.
Trabalho Sujo » Arquivo » Um pouco de Lost antes de sair do computador? - OESQUEMA em 20 de dezembro, 2008 às
11:07 pm
[...] se você não leu o texto em que eu falei sobre a série no meio da semana, olha ele aqui… Postado por Alexandre Matias às 22:56 | | [...]
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