4 de março de 2009 às 18h18
Lost: The Life and Death of Jeremy Bentham
Tem que melhorar…
Antes de falar sobre The Life and Death of Jeremy Bentham, episódio da semana passada de Lost, vamos às vias de fato sobre essa quinta temporada: quanta encheção de lingüiça! Tudo bem, todo episódio tem uma ou duas cenas realmente boas, mas enquanto isso somos arrastados por uma história que ou parece não ter sentido ou que poderia ser resolvida sem gastar tantos episódios. Com a chegada dos Oceanic 5 (cadê o Aaron?) na ilha maluca no episódio 316, parecia que The Life and Death… seria desses momentos de Lost em que tudo se redesenha em um único programa, afinal, veríamos o que Locke falou para que aqueles que conseguiram fugir da ilha resolvessem voltar. E mais: como ele morreu? O que o levou a se matar? Por que ele teria se rebatizado de Jeremy Bentham?
Quando o novo nome de John Locke veio à tona, uma série de teorias começaram a surgir, comparando o contraste entre o Locke e o Bentham original. Será que o careca teria deixado de ser bonzinho e assumido uma postura mais libertária e arrogante como seu novo pseudônimo? O que ele teria feito na ilha que lhe fez optar por uma mudança tão radical que inclui o próprio nome? E logo depois do início do episódio, todo o mistério é desfeito em uma frase, quando Charles Widmore entrega documentos e cartões de crédito para Locke iniciar sua jornada para convencer Jack, Kate, Hurley, Sayid e Sun a voltarem à ilha, citando que do mesmo jeito que seus pais tinham senso de humor ao batizá-lo de Locke, ele assim o fez ao rebatizá-lo.
Simples, não? Simples e PALHA. Locke sequer deve saber quem foi o Bentham original ao mesmo tempo em que pergunto-me o que mudaria caso Widmore o batizasse de “John Doe” (o “fulano de tal” dos americanos) ou o deixasse com seu mesmo nome – e a única resposta que me vem é “nada”. Da mesma forma, assistimos lentamente o careca maluco visitar cada um dos Oceanic Six (menos Sun, pois havia prometido a Jin que não a procuraria) em diferentes cidades do planeta. E o que Locke poderia ter dito a eles a ponto de todos concordassem a voltar à ilha? Alguma ameaça? Um novo ponto de vista sobre todo o acidente, a mudança da ilha e o resgate? Uma novo discurso, menos carola e mais cético?
Que nada: assistimos ao mesmo Locke de sempre vir com os mesmos papinhos de quando ele estava na ilha. “Você tem que voltar” em diferentes variações, com direito às conversas mais íntimas que ele já teve com os mesmos personagens. Mas é um sentimentalismo vazio, oco, que não convence nem o telespectador, quanto mais os carinhas que devem voltar. Sem sucesso, ele resolve se matar.
Hein? O Locke? Aquele personagem que passou pelos piores bocados do seriado, que comeu o pão que o diabo amassou a vida inteira, resolve se matar porque não conseguiu convencer os outros a voltarem à ilha? Widmore não foi tão convincente assim e o principal motivo de ele querer voltar para a ilha (o fato de ele não ter mais nada a perder, como Kate esbraveja) também pode ser um motivo para ele nunca mais querer voltar para lá. Na jornada de Locke, poucos pontos são verdadeiramente importantes para o seriado, como o fato de ele descobrir que sua ex-mulher Helen havia morrido (será? Quem a matou? Ben? Ou ele só forjou sua morte para que Locke tivesse motivos para não ficar fora da ilha?) e a morte de Abbadon (que também pode ter sido forjada, pois logo após ele ser baleado, Locke assume o volante do carro e se envolve num acidente que o leva para… o mesmo hospital que Jack trabalha).
Além disso ainda reencontramos Walt, cada vez mais gigante. Se os produtores não quiserem que o Walt na temporada do ano que vem não seja um negão do porte de um jogador de basquete (ou do Mr. Eko? Hmmmm), é melhor filmarem logos suas cenas, porque ele só convenceu que ainda é um moleque porque Locke conversou com ele na cadeira de rodas.
(Sobre a teoria que Abbadon seria Walt velho, o fato de Abbadon ter morrido – se é que foi – não invalida a possibilidade de ele ter se tornado o ajudante de Widmore. Afinal, uma vez morto no presente, ele pode crescer e voltar no tempo para assumir o papel do procurador sinistro.)
E então temos a cena do suicídio de Locke, cheia de alegorias religiosas – Locke de branco, pendura sua forca em uma cruz de madeira e abre os braços antes de pular, para ser interrompido por Ben todo de preto, que, pouco depois de salvá-lo, mata-o como seu próprio Judas. Junte isso ao fato da ressurreição de Locke ter acontecido três dias depois de sua morte e, pronto, temos a confirmação de que ele é o personal Jesus da série.
Ou ao menos é assim que Widmore e Ben querem que ele pense – e nós também.
Porque a picuinha Widmore x Ben continua completamente alheia à história principal. “A ilha é minha” contra “ele mudou as regras” não ajuda a gente a saber quem é mocinho e quem é bandido nessa história. Lost vem conduzindo a trama pra que nós entendamos que não tem mocinho nessa história, por mais legal e fala mansa que Charles tenha sido no episódio passado. Mas a facilidade em encontrar o endereço de Ms. Hawking e a tranqüilidade com que ele o passou para Desmond insinuam que ele pode estar do lado da Dharma e de Eloise. Mas lembre-se que esse é o mesmo sujeito que botou um avião cheio de cadáveres no fundo do mar e que mandou mercenários num cargueiro matar geral na ilha.
Mas o grande momento do episódio, pra mim, foi mostrado quase na surdina – e de cara. A primeira cena nos revelou que o avião pousou na ilha – e não apenas desapareceu – e o pouso não parece ter sido tranqüilo (ou a pista não estava pronto). Ao mesmo tempo, eles não pousaram na ilha principal – e sim na ilha menor, onde está localizada a estação Hidra. E a primeira cena do episódio da semana passada mostrava um novo personagem Caesar vasculhando a estação como quem procura algo… e acha. Além de folhear uma Life com um monstro do mar carregando uma moça desmaiada, ele acha uma pasta com uma série de documentos a respeito da ilha – um deles é um mapa semelhante ao que já vimos na série e o outro é uma espécie de fluxograma que intercala “tempo real”, “tempo imaginário” e outras linhas do tempo. Logo depois, ele encontra uma arma, que esconde de outra nova personagem, Ilana. Não duvide se os dois estiverem no esquema de alguém – ou de alguéns. Caesar pode ter sido enviado por Widmore, já que chegou no vôo em cima da hora, enquanto Ilana pode ser uma agente de Ben, já que trouxe Sayid. Ainda descobrimos que o piloto e uma mulher fugiram em uma das canoas que estavam na praia – tudo leva a crer que a mulher seja Sun, mas é mais provável que seja uma aeromoça. Afinal, a aeromoça do primeiro vôo sumiu pra morar com os Outros. No fim das contas, o susto de Lapidus no episódio 316 era falso – e ele sempre soube no que estava envolvido. Não só ele, mas vários funcionários da Ajira Airways e a Oceanic Airlines (será que as empresas são de propriedade de algum conhecido nosso?). E não duvide: quando Sawyer, Juliette e companhia remavam num barquinho, certamente é Lapidus e sua companheira quem atiravam neles, na outra canoa.
Mas eles não estavam no tempo da Rousseau? Em 1988? E Jack, Kate e Hurley não foram parar no tempo da Kombi novinha, também conhecido como anos 70? Onde – ou melhor, quando – tá todo mundo?
Saberemos hoje, em La Fleur, quando, aparentemente, voltaremos à ilha e, se Jacob quiser, a quinta temporada deixa a competição como ano mais enfadonho da série depois da terceira safra de episódios. Tomara!
Mais quinta temporada de Lost:




Profissão: autobiógrafo.


4 de março de 2009 às 22h26
Alexandre, eu assistir Lost até o 2o episódio da 2a. temporada, quando senti que os roteiristas estavam enrolados e a série iria perder o rumo. Pelo que acompanho pelos seus relatos, parece que estava certo.
Isso é muito triste, pq a 1a temporada foi algo sensacional, quase q sem precedentes na estória da tv. As temporadas seguintes foram pura enrolação, com esses flashbacks enjoados (e pelo que li, flashforwards também) que mais confudem que explica.
A melhor prova dessa perda de rumo está na audiência, que abandona a série a cada dia. Não duvide se essa série for cancelada. Vai ser uma pena, mas vai ser uma lição ao seus criadores, para não mais fazerem o espectador de bobo.
abraços.
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4 de março de 2009 às 22h41
Errado – a melhor temporada foi a passada e o público tá deixando de ver na TV pra assistir online. A série está patinando, mas não chegou nem perto da sexta temporada de 24 horas, por exemplo, que foi um lixo.
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4 de março de 2009 às 23h40
eu tava achando essa temporada meia-boca também (pros padrões LOST; ainda é melhor que muita coisa na TV), mas depois dos três ultimos episodios mudei de idéia. Esse episdodio do Locke achei muito bom. É aquela coisa: fora da Ilha o Locke é um puta looser, não faz nada direito e é exatamente como o Jack falou – um velhinho solitário cheio de ilusões de grandeza e que quebra a cara toda hora. Se ele nunca tivesse chegado à Ilha, provavelmente já teria se matado. Essa brochada dos encontros com os O6 me pareceu super adequada: era prá ser brochante mesmo, foi brochante prá nós e para o Locke também.
Até o meio da quarta temporada eu também tava achando meio palha, mas aí me dei conta que eu tava tentando acompanhar uma história que não era a que os caras tavam contando. Quando me liguei disso, pronto: na hora já vi que aquela era a melhor temporada da série. Ainda acho que isso vai rolar nessa 5a temporada.
Mas posso estar errado, né? espero que não.
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4 de março de 2009 às 23h42
Ah! Além de looser, outra coisa que caracteriza o Locke fora da Ilha é ser um mané altamente manipulável. Assim, nada mais natural que até a identidade falsa dele seja escolhida por outra pessoa. Pessoa com senso de humor, como ele mesmo admitiu.
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5 de março de 2009 às 0h21
Pois pra mim esse seriado inteiro é uma encheção de linguiça. Cinco temporadas e nenhuma resposta, é só mistério. Assim é mole.
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5 de março de 2009 às 0h51
Alexandre, quem pode garantir que as pessoas que assistem na TV não são as mesmas que baixam a série pela internet? A série está com sérios problemas de audiência sim. E tudo isso pode ser atribuído à tremenda encheção de linguiça com flashbacks, flash-forwards e frases-enigma.
Na minha modesta opinião, se me permite um conselho: vá assistir Damages. É, de longe, a melhor série de tv atualmente. Sugiro abandonar a canoa furada do Lost.
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5 de março de 2009 às 1h10
Lost diz mais a respeito de formato q propriamente de conteudo. E eh um produto para as massas, que se equilibra em diferentes camadas de entendimento. Soh isso jah eh suficiente para acompanha-lo, E ainda tem o conteudo – a serie eh tao importante quanto Twin Peaks ou Seinfeld e mto de sua importancia vai ser confirmada se o final for completamente amarrado. Eles jah deram prova que conseguem fazer isso com o final da temporada passada.
Nao gostei de Damages, mas nao vi com atencao. A melhor serie na TV atualmente eh Battlestar Galactica.
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5 de março de 2009 às 16h40
Ae, Matias, tu já trombou com algum cálculo da razão entre a passagem de tempo na ilha e a passagem de tempo no “mundo”?
Porque esse valor pode elucidar algumas coisas interessantes. Fiquei pensando nisso quando o Locke disse para a Ilana que já esteve por mais ou menos 100 dias na ilha, antes de sair e voltar. No mesmo episódio, ou no episódio anterior, não lembro, alguém diz – quando encontram a Orquídea – que se passaram quatro dias desde o primeiro clarão, que aparentemente aconteceu imediatamente após o sumiço da ilha (aliás, se a ilha SUMIU da vista dos passageiros do bote, significa que em algum período do tempo ela não existiu?). Os Oceanic 6 foram resgatados simultâneamente com este sumiço e viveram 3 anos até o dia em que o Locke saiu da ilha. Ou seja, quatro dias para os que ficaram na ilha, três anos para os que saíram.
Mas o resultado da conta dessa razão não faz sentido, pois resulta em 75 anos o tempo que teoricamente teria sido transcorrido no mundo REAL durante os 100 dias de aventura LOSTÍSTICA. O que não é verdade, já que os O6 foram resgatados 106 dias depois da queda do võo 815.
A explicação é que o tempo entre a Terra e a ilha estavam sincronizados até o momento da saída dos Oceanic 6. A partir daí a relação se tornou assíncrona. Imagino uma daquelas engrenagens em que duas rodas se movem mutuamente, que seria aquele timão usado para sair da ilha e que ficou desregulado (propositadamente?) após a saída do Ben. O Locke restabeleceu a sincronia ao colocar o timão no lugar, mas fixou a existência da ilha a um período de tempo na história diferente do tempo da Terra. Quem sai da ilha está necessariamente uns 30 anos atrasado e vice-versa. E isso cria situações que são possíveis de se imaginar com um desenho do mapa da trajetória temporal de cada personagem, com destaque nas intersecções entre cada um deles. Faço um mapa mental aqui considerando dois personagens, Jack e Jin e concluo que o primeiro não existe para o segundo. Ainda.
Essa teoria tem um problema: Como o Jin se tornou membro de uma Dharma ainda ativa? A única explicação é que o Locke nao restabeleceu a sincronia, mas sim inverteu a razão entre o tempo da ilha e o tempo da Terra. E aí os poucos dias de vida do Bentham equivaleriam a anos de vida na ilha, dando margem para uma porrada de reviravoltas terem acontecido, como a alteração nos rumos da vida do Jin. Mas os produtores teriam que ser bastante corajosos para seguirem esse caminho. BASTANTE.
Ainda não vi o S05e08, então é provável que eu esteja muito por fora de tudo. :P
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6 de março de 2009 às 17h30
Quanto a levar uma criança de três anos de volta para a ilha, é, no mínimo, imaginável que os sobreviventes do vôo Oceanic não o fariam. Afinal, se eles que entendem o que está acontecendo quase não quiseram ir…. Sem falar que a missão de Locke era levar a maioria das pessoas que haviam saído. Portanto, isso relamente não incomodou.
Mas a questão do nome Jeremy Bentham, essa sim, me deixou intrigada, porque durante toda a série vemos pincelados os nomes de grandes filósofos, o que parecia que teria relação com a trama. Quem sabe essa questão ainda não volte à tona?
O resto são especulações, essa é a graça do seriado, ficar tentar imaginar se um certo personagem está ligado a alguém….
Eu estou adorando esta temporada e acho que a “encheção de linguiça”, como chamam alguns, é justamente a parte boa do seriado. Do contrário, bastava fazer um filme. É essa falta de respostas que me atrai.
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