segunda-feira, 22 de junho, 2009

Carlos “Véio” Braz (1965-2009)

Sinto começar a semana assim, mas vamos lá. Mais uma baixa na história do rock independente brasileiro - e mesmo estando completamente plugados e ultraconectados, levei mais de dez dias para ouvir falar da morte do Véio, ex-baixista do Concreteness. A banda de Santa Bárbara d’Oeste não foi só uma das mais importantes para a criação de um circuito de shows e, portanto, uma cena entre as cidades do interior de São Paulo, como foi crucial para a consolidação daquela geração brasileira que surgia ao mesmo tempo em que as gravadoras comemoravam o Plano Real com vendas altíssimas de CDs de pagode, axé e sertanejo e a MTV brasileira procurava novos nomes locais para se apoiar.

Além do Véio, o grupo era formado pelos irmãos César, Marco e Marcelo Maluf que, em Santa Bárbara d’Oesta, uma cidade sem nenhuma tradição em música daquele tipo, eles começaram seu trabalho em dose tripla: além da banda, os irmãos mantinham uma casa noturna (o Hitchcock) e um estúdio na própria casa em que moravam. O Hitchcock tornou-se parada obrigatória para qualquer banda que viesse de outra cidade do Brasil para fazer shows em São Paulo. O Hitchcock era foco de atenção de todo mundo que ouvia rock independente no início dos anos 90 no interior do estado - e as pessoas vinham de outras cidades para passar a noite lá, que tinha programação toda sexta e sábado, reunindo fãs de indie rock, rock alternativo e hardcore de cidades como Piracicaba, Jundiaí, Campinas, Americana, Sorocaba e de São Paulo para assistir a shows de três ou quatro bandas por noite. Não, não havia discotecagem naquela época: alguém gravava uma fita que era repetida toda vez que um dos shows terminava.

De tanto ir ao Hitchcock, acabei ficando amigo de todos na banda, e acompanhei de perto a trajetória de um grupo independente que não conseguiu emplacar - mesmo fazendo shows em todo Brasil, com público cativo e músicas reconhecidas. Suas apresentações eram marcadas pelo impacto visual - os três irmãos Maluf eram uma espécie de Devo com um pé no industrial e o outro na música brasileira - todos de preto e com a cabeça raspada, dois de óculos nerd. Seu vocalista e principal compositor era o baterista Marcelo, o caçula, que deixava os irmãos Marco, introspectivo e calado na guitarra, e o tecladista César, que parecia um psicopata quando subia no palco, enfrentarem a massa. Véio fica entre os dois, mas acompanhando Marcelo, tocando seu baixo de forma robótica e rude. O som refletia aquele começo barulhento de década, com pedais de distorção e ritmo incensante, mas ao mesmo tempo ecoava a estrutura tradicional do pós-punk, de vocais berrados, guitarras fazendo barulho mais que música e baixo e bateria adicionando dance music ao 4 x 4 do rock. A banda teve uma fita demo - chamada Psicose - que vendeu quase 2 mil cópias, a maior parte da tiragem (caseira) vendida pelos correios. Internet era coisa de “micreiro” (que termo escroto) e o MP3 não havia sido inventado.

A segunda fase do selo Banguela, em que o Miranda lançou bandas como Mundo Livre S/A, Raimundos, Graforréia Xilarmônica e Maskavo Roots, foi marcada por várias coletâneas que reuniam bandas por cidades - como a curitibana Alface (que trazia as bandas Woyzeck, Boi Mamão, Resist Control e Magog) e a gaúcha Segunda Sen Ley (com quase 20 bandas diferentes). A cena do interior do estado de São Paulo foi escolhida para lançar sua própria coletânea e foram os Concreteness que sugeriram meu nome para escrever o release do disco. Além deles, o CD ainda contava com o funk metal do Lucrezia Borgia e o hardcore feliz das meninas do No Class (os dois grupos de Campinas) e o Happy Cow, de Piracicaba, o irmão mais novo do Killing Chainsaw. Foi quando finalmente fui aceito pela cena rock da cidade - onde já se viu um jornalista de Brasília vir dar espaço para as bandas locais em um jornal de Campinas? Era 1994 e eu ainda não tinha completado 20 anos. A coletânea, chamada pelo nome ridículo de Pircorococór, foi lançada quando o núcleo do Banguela passava a ser questionado por sua gravadora, a Warner, ao mesmo tempo em que era cortejado por outra, a PolyGram. Essa confusão foi o suficiente para atrapalhar o lançamento da coletânea e isso acabou se refletindo no lançamento do primeiro CD do Concreteness, Numberum. Mas a banda já estava mudando - o novo CD era composto apenas com músicas escritas em português, o primeiro passo da banda rumo a seu fim. Logo depois, os irmãos e Véio trocaram o nome da banda para Jardim Elétrico e, sempre que eu me encontrava com um deles, sabia de algum progresso na nova fase. Mas eram lentos e logo eles passavam a trabalhar com técnica de áudio com o Pena Schmidt. Marcelo virou escritor e mantém um blog. As músicas no MySpace da banda, criado como uma espécie de memorial ao primeiro disco que não aconteceu, não traz as músicas da primeira fase da banda, em inglês. Descolei uma, melhor que as que estão no MySpace:


Concreteness - “Squinting LooK (Zemba)

Todos os quatro trabalhavam na casa enquanto as bandas faziam shows, cuidavam do caixa, do som, do palco enquanto o Véio tomava conta do bar - por isso era inevitável que em alguma hora da noite eu encostasse no balcão para falar merda com o sujeito. E sempre foi assim: enquanto o papo com os irmãos Maluf sempre foi o que cada um estava fazendo da vida, as conversas com o Véio eram sempre em tom de brincadeira. A última vez que eu o vi foi na primeiríssima Gente Bonita, quando o José Júlio passou pelo extinto Bar Treze para ver como andava a festa. Nos falamos pouco, mas nunca nos alongávamos - pois sabíamos que nos encontraríamos cedo ou tarde.

Não mais. Eis que lendo o blog do Carneiro, deparo-me com a notícia, que me leva ao Twitter do Mondobacana, do Abonico, passando a ficha técnica da passagem do amigo:

Morreu na madrugada de hoje o baixista Véio, da banda ConcreteNess (Santa Bárbara do Oeste, SP). Ele sofreu derrame cerebral há dez dias.
12:04 PM Jun 10th from web

Procurando, ainda achei o Fotolog do Phu, baixista do DFC, de Brasília, que contava com dois posts, um primeiro, sensibilizado pela entrada de Véio na UTI, e outro que trazia a mensagem de Marcelo:

Queridos Amigos,
É com imenso pesar que dou esta notícia. Nosso querido amigo/irmão Véio, partiu essa madrugada para a sua jornada espiritual…Tenho certeza de que ele estará bem…Fica a nossa imensa saudade, amor e carinho por esse irmão que a vida me/ nos deu e com quem vivi / vivemos tantas coisas boas! O importante agora é orar para que ele encontre o seu caminho e a sua luz. Vamos nos segurar, vamos estar juntos, vamos nos abraçar e continuar vibrando com amor para que ele sinta nossa energia.
Por enquanto, nÃo sabemos o horário do velório em Santa Bárbara. Ele deve demorar a chegar, já que os seus órgãos serão doados. Um grande gesto, de um grande ser humano.
Meu Abraço forte à todos,
Marcelo

O Andhie Iore, velho fanzineiro de Maringá, também lamentando a passagem do baixista em seu blog, como o Giassetti fez no blog da Mojobooks. Ironicamente, não lembro de seu nome, só do apelido, nem sei precisar sua idade (Updeite: o Júlio acaba de me confirmar tanto o nome, Carlos Braz, quanto a idade, 43). Não éramos amigos convencionais, éramos uma espécie de colegas de um trabalho que não era visto como formal - ter uma banda de rock faz tanto sentido quanto escrever sobre rock, e ambas atividades - entre outras - são igualmente desmerecidas como mero passatempo adolescente. Ríamos disso.



18 Comentários

bullet Fábio Shiraga em 22 de junho, 2009 às 10:41 am

Triste notícia, mas muito bom o post cheio de informação sobre a cena local aqui do interior. Sou de Limeira e sei que muita coisa ainda rola no interior.
Conheci os irmãos Maluf há pouco, no show do Maurício Pereira lá no Audiório Ibirapuera. E agora que li que eles trabalhavam (trabalham?) com o Pena faz mais sentido o encontro lá, já que ele é diretor artístico do auditório, certo?

Ainda daquela época tinha o Lingua Chula de Campinas que teve um disco lançado pelo Banguela Records.
Neste link tem vários vídeos do Junta Tribo: http://www.youtube.com/profile?user=velhoedi&view=videos

Abraço.


bullet FePa em 22 de junho, 2009 às 11:09 am

Nos últimos anos o Veio dividia apto com os irmãos Maluf perto do metrô V. Madalena. Ele estava, junto com o Cesar, componto novas bases para a volta do Concreteness. Era comum encontrar o Véio tomando umas no Bassa, na V. Madalena. Sempre que passava na porta era só olhar para dentro do bar que veria ele acompanhado apenas pela garrafa. Acabavamos dividindo algumas delas. Vão fazer muita falta estas cervejas…


bullet Biajoni em 22 de junho, 2009 às 9:38 pm

também tava lá no hitchcock, conheci o véio e os brous malufs, reencontrei-os recentemente no show do mauricio pereira. triste notícia.


bullet Kleber Botasso em 23 de junho, 2009 às 3:35 pm

Grande perda pro rock.

Véio Amigo, Amigo Véio.


bullet RzoDFC em 23 de junho, 2009 às 6:53 pm

Mano Véio, descanse em paz !!!


bullet Márcia Raele em 23 de junho, 2009 às 10:18 pm

Olá, Alexandre Matias. Muito bacana seu texto. Acho que o Véio se chamava Carlos Bras. Uma grande pessoa. Assisti a muitos shows do Concreteness, mas foi mais recentemente, quando ele estava tocando com o SuperDrive, que o conheci mais de perto… e muitas fotos com seu jeito “Peter Hook” de tocar. Sentiremos sua falta. Tem uma pequena homenagem a ele em meu blog > http://donezine-autorock.blogspot.com.


bullet phu em 24 de junho, 2009 às 12:00 am

perdemos um amigo e o mundo uma grande pessoa !


bullet Morcego em 24 de junho, 2009 às 12:18 am

Pois é, quantas ele perguntave se estávamos bem para retornar para Campinas depois de uma saraivada de copos…

Inté, Véio.


bullet Japa (Superdrive) em 24 de junho, 2009 às 11:48 am

Grande amigo, grande companheiro de copo e gargalhadas, gente finíssima e tão boa que mesmo partindo ainda traz alegria para todos que o conheceram e a vida para gente que nem o conheceu. (Por incrível que pareça, o fígado do Véio salvou a vida de uma menina!)

Pessoa de LUZ que muito nos iluminou e nos ensinou!

Vá com Deus!!


bullet Adelvan Kenobi em 25 de junho, 2009 às 3:28 pm

Concreteness era muito foda, especialmente ao vivo. Felizmente, apesar de morar longe, consegui ver três shows, um no BHRIF em Belo Horizonte, um em Recife no Abril pro rock e outro aqui mesmo onde moro, em Aracaju. Meus sentimentos pelo falecimento.


bullet Marcelo Maluf em 26 de junho, 2009 às 8:37 pm

Meu velho Alexandre,
Belíssima homenagem ao nosso amigo e querido irmão!
Poxa! Rebobinei a fita aqui na memória, quanta coisa! Quanta!
Gracias meu amigo pelo carinho e sensiblidade! Pelas imagens do seu texto…
Não há dúvida que o Véio era o mais Rocker de todos nós! E que puta saudade!!!
Abraço enorme!
Marcelo


bullet José Julio do Espirito Santo em 27 de junho, 2009 às 2:07 am

Oi, Matias!
O Cesar costumava dizer que o Véio era o Robert De Niro disfarçado, mas a Márcia Reale, do comentário acima, está certa: o nome dele era Carlos Braz. Antes de vir morar em São Paulo e trabalhar como produtor nos shows do Antônio Nóbrega, ele teve um bar em Santa Bárbara d’Oeste chamado General. Na última vez em que conversamos, um mês antes de ele ter o aneurisma, ele queria que eu fosse ouvir os novos sons que eles estavam fazendo com o ProTools, na casa deles, no Sumarezinho. Ele estava animado com uma possível volta do ConcreteNess e me ligava quase toda semana, chamando para beber e contar as novidades. Dia 12 de setembro, ele faria 44. Um amigo que deixa muita saudade.


bullet Zé Ovo em 27 de junho, 2009 às 1:43 pm

Caramba… Saudades do Véio…. Sabado , um dia antes dele passar mal (30-05) tive o prazer de comemorar meu aniversário com esse grande brother, eu , o Véio e o Marco Maluf fomos tomar umas cervejinhas na Vila Madalena… lembro dele falando : “agente vai a pé, cada buteco que agente passar, agente toma uma…”, saimos seguindo o roteiro, e tomando todas…. , o Véio estava super bem, como sempre , caladão, e quando falava , soltava suas perolas ….e véio… cerveja sem vc não tem mais a mesma graça irmão….


bullet Raquel Ometo em 27 de junho, 2009 às 8:37 pm

O link da matéria nos foi enviado pelo Marcelo…
Parabéns por tudo que escreveu e, além de parabenizar me sinto à vontade de agradecer também o que escreveu ao nosso Amigo!
Véio era companheiro… parceiro mesmo!
Conheço ele à anos… somos da mesma “terrinha”… assim como os Maluf.
Cidade pequena, de interior… Santa Bárbara.
Frequentei o Hitchcock, ainda vou ao General, tive um bar onde o Véio ia tomar umas qdo voltava de SP, viajamos, churrasqueamos… enfim… fizemos várias coisas juntos que, com certeza, valeram muito à pena!
Deixo aqui registrado também o agradecimento de todos os amigos do Véio aos irmãos Maluf… esses meninos valem ouro!
Além de estarem dia-a-dia com o Véio no Hospital, ainda encontravam forças e tempo pra manter os amigos aqui em SBO informados!
Valeu à todos!
Véio…. parceiro, sempre!


bullet Sheila em 29 de junho, 2009 às 8:31 pm

Olá Alexandre
Como o Marcelo falou acima, minha memória também foi resgatada e me fez lembrar de quando conheci meu amigo Véio.
No clube que frequentávamos em SBO quando eu era adolescente no início dos anos 90, só tocava algumas músicas dos anos 80 durante a noite. Me lembro quando começou a tocar Duran Duran e o salão ficou vazio. Eu entrei para dançar, foi quando conheci meu amigo! Só sobrou nós dois no meio do salão!! Então dançamos juntos não só naquela noite, mas durante 19 anos em todas as vezes que ouvíamos o mesmo som.
Nesses anos que passaram, o Véio fez parte da minha vida!! Em cada momento especial, ele estava lá….com meus amigos, namorado, no meu casamento, no nascimento das minhas filhas e sempre que podíamos nos reunir. Ele fazia parte do contexto!
Mesmo em São Paulo, as mensagens eram frequentes….nunca esquecendo dos velhos amigos.
Fazíamos aniversário e a festa juntos, mas ele ainda comemorava seu aniversário com outros vários grupos de amigos. Nunca desprezando ninguém. Eu sempre brincava que a cada aniversário ele fazia vários anos, pois o n° de comemorações era grande.
É muito difícil pensar que hoje ele já não está mais aqui, mas ele conseguiu demonstrar em cada lugar que ele passou, que o importante é a amizade e o AMOR. O resto é resto!!
Quem conheceu o Véio sabe o quanto ele era especial e merece ser lembrado.
O Véio era amigo sem interesses….amigo difícil de encontrar….
Fiquei feliz quando meu outro velho amigo Marcelo me avisou sobre a belíssima matéria.
Parabéns e obrigada!


bullet Juno em 9 de julho, 2009 às 1:00 pm

Muito cedo, não faz sentido isso.


bullet elza cohen em 23 de julho, 2009 às 6:49 pm

Oi Alexandre, muito bem merecida a homengam ao Veio. Vai fazer falta.
O Concretness era a banda mais querida do festival Superdemo.
O veio era quieto na dele, mas na hora de representar o Concretness, o cara mandava muito. Simples O Véio era uma pessoa especial e merece ser lembrado para sempre.
Até hj eu guardo os discos e as fitinhas demos do Concretness, uma das bandas mais especiais da cena dos anos 90…quando ouço falar de Santa Barbara do Oeste, eu so me lembro do Concretness, tinha tb o Lingua Chula. Muito triste.
daquela epoca


bullet flávia d. em 2 de agosto, 2009 às 11:51 pm

pô, que mals!! ;~~

tu acredita que foi por causa dessa banda que eu comecei a conversar com o hector? *rss na época eu organizava uns festivaizinhos na faculdade e como sabia q o hector era “guitar” fui perguntar se ele tinha o contato do concreteness pra chamá-los pra tocar em santos. *rss


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Top 75


Que Top 75?

  1. Phoenix - “Playground Love
  2. Madeline Ava - “Oh Comely
  3. Flaming Lips - “Sugarcube
  4. The Bird and The Bee - “I Can't Go For That (No Can Do)
  5. Supercordas - “Índico de Estrelas
  6. Lissie - “Pursuit of Happiness
  7. Jeff Tweedy - “Spiders
  8. Tulipa Ruiz - “Efêmera
  9. Aloe Blacc - “Billie Jean
  10. VersaEmerge - “American Boy
  11. Julian Casablancas - “I’ll Try Anything
  12. The Bird and The Bee - “Private Eyes
  13. Tulipa Ruiz + Marcelo Jeneci - “Sabiá
  14. Lobsterdust - “Say It Ain’t Flow
  15. Andy Rehfeldt - “Smells Like Teen Spirit (Reggae Version)
  16. Pavement - “Shady Lane
  17. Gorillaz + Bobby Womack + Mos Def - “Stylo
  18. Autotune the News - “Double Rainbow
  19. Jamie Lidell - “The Ring
  20. Thee Oh Sees - “Meat Step Lively
  21. Darwin Deez - “Up in the Clouds
  22. Music Go Music - “Warm in the Shadows
  23. Tulipa Ruiz - “Brocal Dourado
  24. Lady Gaga - “Paparazzi (Samba Rock remix)
  25. Elba Ramalho + Trapalhões - “Cidade dos Artistas
  26. Breakbot + Irfane - “Baby I'm Yours
  27. Hall & Oates + Chromeo - “I Can't Go For That (No Can Do)
  28. Miike Snow - “Billie Holiday
  29. M.I.A. - “XXXO
  30. Of Montreal – “Coquet Coquette
  31. Scissor Sisters - “Invisible Light
  32. Franz Ferdinand + Marion Cotillard - “The Eyes of Mars
  33. Britney Spears - “Telephone
  34. LCD Soundsystem - “You Wanted a Hit (Soulwax Remix)
  35. Kid Cudi - “Day’N'Night (Party Ben Remix)
  36. A Roffle Meow - “The Fame Nasty
  37. N*E*R*D + Nelly Furtado - “Hot N Fun
  38. Bombay Bicycle Club - “Always Like This
  39. Wale - “Freaks (Bird Peterson Remix)
  40. Smiths - “Heaven Knows I'm Miserable Now
  41. Xx - “VCR (Matthew Dear Remix)
  42. Chromeo - “Night by Night (Midnight Conspiracy Remix)
  43. Two Door Cinema Club - “Something Good Can Work (Twelves Remix)
  44. Hot Chip - “Slush
  45. Yeasayer - “O.N.E.
  46. Aloe Blacc - “I Need a Dollar (Pristine Blusters & DJ Mulher ‘Millionaire’ Remix)
  47. 80 Kidz + Lovefoxxx - “Spoiled Boy
  48. Shiny Toy Guns - “Le Disko (Boyz Noise Remix)
  49. João Brasil - “One Poker Touch
  50. Miami Horror - “Sometimes (Bo$$ in Drama Remix)
  51. Eagles of Death Metal - “Brown Sugar
  52. Paul McCartney - “Birthday
  53. Brazilian Beatles - Quando o Twist Apareceu
  54. Alex Chilton - “Jumpin’ Jack Flash
  55. Beck - “Need You Tonight
  56. Los Hermanos - “Anna Júlia
  57. Pacific! - “Hot Lips
  58. JJ - “I Know
  59. Paul McCartney - “For No One
  60. Alex Chilton + Teenage Fanclub - “I Never Found Me a Girl
  61. Passion Pit - “Tonight Tonight
  62. Aloe Blacc - “Femme Fatale
  63. Arnaldo Baptista - “Será Que Eu Vou Virar Bolor?
  64. Siba + Cidadão Instigado - “Deus é uma Viagem
  65. Beck - “Kangaroo
  66. Cat Power - “Sea of Love
  67. Lou Barlow - “On Fire
  68. Jeff Mangum - “Oh Comely
  69. Philip Selway - “By Some Miracle
  70. She & Him - “Thieves
  71. Grizzly Bear - “A Boy From School
  72. National - “Bloodbuzz Ohio
  73. Céu + Herbie Hancock - “Tempo de Amor
  74. Phoenix - “Sad Eyed Lady of The Lowlands
  75. Beatles - “Helter Skelter

calhamaço




Lulina, Lucas Santtana, João Brasil, Burro Morto, Gabriel Thomaz, Ava Rocha, Wado, Frank Jorge, Céu, Kassin, Momo, Curumin, Nina Becker e Do Amor - com apenas um instrumento




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