24 de junho de 2009 às 10h15
Diploma de jornalismo
Eis a opinião do Mario AV sobre o tema, que, a meu ver, é uma discussão superestimada e umbilical num nível que nem os blogs da fase 1 da blogosfera eram. Pra mim, jornalismo tem mais a ver com o lado não-ficção de qualquer livraria do que uma técnica que pode ser aprendida em aulas – somos todos escritores, porra. A Ana também discorre bem sobre o tema (adoro como ela cita o Clark, o Tintim e o Zé Bob no meio da história, como quem não quer nada) e o Scotto levanta outra questão, de outra ordem (Multi quem deu a dica):
9 Comentários“Eu era a favor da formação profissional para exercer a atividade jornalística. Hoje sou decididamente contra o diploma. E me convenci disso agora, quando o Supremo decidiu pelo liberou geral. O rancor com que velhos jornalistas não diplomados escrevem sobre o assunto – a alegria e o gozo incontrolável com que saudaram a decisão – revela com que recalque viveram todos estes anos. Abaixo o diploma! Não podemos deixar estas pessoas mergulhadas eternamente no ressentimento, na amargura interminável da frustração. É uma questão de humanidade.”




Profissão: autobiógrafo.


24 de junho de 2009 às 16h27
problema dos recalcados!!!!
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24 de junho de 2009 às 21h44
Minha formação original é de tecnólogo. Eletrônica. Poderia hoje estar projetando peças para o sucessor do iPhone ou algum circuito de controle de carro cuja existência as pessoas ignoram. (Eu gostava mais de arte que de tecnologia, mas não confiava no meu taco para a arte.)
Logo no primeiro emprego, com a influência do chefe visionário, fui seduzido pelo design digital ou, como se dizia então, “computação gráfica”. Era tão incipiente e tão divorciado do design gráfico tradicional que representava uma fronteira cultural, além de tecnológica, para explorar. É óbvio que não existiam ainda cursos de formação relacionados a design gráfico digital. Entrei com tudo.
Saí do primeiro emprego direto para editar uma revista técnica. Texto e arte. Depois, fui diagramador, ilustrador, infografista e finalmente diretor de arte. Mas sempre participando da criação do texto, em cumplicidade com redatores e editores.
Ao longo da década de 90, comecei a aprender como se escreve. Passei dois anos em redação de jornal. Depois, na Web, iniciei um blog. Continuei editando revistas. Depois, passei a escrever artigos para elas.
Há alguns dias, participei de uma reunião de pioneiros da Web brasileira. Estava lá o Tony de Marco, companheiro da aventura e de várias outras no ramo editorial. A certa altura da festa, sentindo a ausência de mais pessoas de redação do que de pessoas de informática, brindei novamente e provoquei a mesa: “Por que nessas reunões sempre vêm mais caras técnicos que jornalistas?”
Tony contou com os dedos e respondeu: “Não, Mario, é meio a meio. Cinco caras técnicos e cinco jornalistas, incluindo eu e você.”
Num instante, dei-me conta de ter atuado como jornalista por 15 anos e nunca ter assumido isso até aquele instante.
Não tenho diploma de design e já dei aula de design em universidade; e não tenho diploma de jornalista, mas uns 80% da minha renda vêm dos caracteres que digito.
Para quem é competente, tem os contatos sociais e de trabalho corretos e persegue honestamente o domínio integral do seu ramo de atuação, diploma não faz diferença.
Acho mais apropriado colocar esta opinião aqui do que no meu próprio site. Lá o desenho fala melhor por si mesmo.
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25 de junho de 2009 às 1h44
Pois é, discussão completamente inútil, essa.
Meu único pitaco é que quem passa em concurso de juiz sem ser formado em Direito devia também ter a possibilidade de assumir o cargo. Qual a falha em não ter diploma?
Só acho um pouco triste uma meia dúzia de estudantes/jornalistas querer ser assim corporativista…
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25 de junho de 2009 às 2h09
Concordo que o diploma não é essencial, mas uma formação em Comunicação (que é o título do diploma), se não ensina a escrever, ajuda muito a organizar e contextualizar idéias. Formação universitária é importante, enriquece, quanto a isso não há muita discussão. Ou há?
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13 de outubro de 2009 às 14h09
Em julho, preparei um post a respeito ( http://almanaquedobem.com/2009/07/22/jornalista-blogueiro-ou-o-que/ ).
Assim como o Mario Amaya, também sou tecnólogo, com CREA em Sistemas Biomédicos.
Abs!
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13 de outubro de 2009 às 14h14
Eu não concordo com as opiniões acima.
O jornalismo é uma atividade intelectual que, como qualquer outra, imprescinde de obrigação de formação superior. Afirmar que qualquer pessoa razoavelmente bem informada pode ser jornalista é um absurdo.
Onde fica a ética da profissão? O compromisso com a objetividade e a imparcialidade? As técnicas para escrever um bom texto jornalístico? Esta é uma visão mesquinha e que põe o jornalista como um profissional sem qualquer valor.
Se essa máxima fosse verdadeira, qualquer pessoa com bom nível de formação, de conhecimento, poderia também ser juiz, advogado, arquiteto, professor, médico… Não é preciso muito para se ler e entender de legislação, processos, etc. Muito menos para ministrar aulas e conversar com crianças e adolescentes.
Franklin Martins, em seu livro ‘Jornalismo Político’, afirma que toda a formação do jornalista gira em torno da sua missão maior: a lealdade com a sociedade. Para que isso aconteça é necessário que o profissional tenha conhecimentos de mundo que só a universidade pode oferecer.
É lamentável ter que discutir este assunto porque, pelo menos para mim, é óbvio que o jornalista precisa de formação acadêmica. Até porque, se não acreditasse nisso, não estava desperdiçando os meus dias indo para a faculdade e tendo que ficar acordada de madrugada para fazer trabalhos.
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21 de janeiro de 2010 às 1h16
Ariane Fonseca,
O fato de vc se sentir “obrigada” a frequentar uma faculdade de jornalismo não lhe dá maiores direitos sobre outras pessoas (seres humanos, cidadãos) de informar ou transmitir informações, seja no contexto pessoal ou em meios de comunicação de massa.
Vc, por poder frequentar uma faculdade, se apresenta aos semelhantes e à sociedade como detentora de um privilégio sonhado por muitos e inalcançável para tantos outros. Portanto, sugiro que se contente com a sua formação acadêmica – e tire dela o proveito necessário para que a atividade jornalística se desenvolva para o bem. Mas não queira para si o direito exclusivo da atividade, pois vc teve oportunidades, e outros comunicadores, não.
Se vc levasse o seu curso de jornalismo a sério, honestamente, sem o intuito mesquinha de arrumar um emprego, entenderia que a comunicação é uma atividade inata ao ser humano; entenderia a importância disso; saberia respeitar a ordem natural das coisas; e trataria a questão do jornalismo livre como uma coisa simplória, evidente, indiscutível – um direito natural de qualquer cidadão.
Volte-se à faculdade e estude um pouco mais. Entenda questões acerca dos Direitos Humanos e dos tratados internacionais sobre Liberdade de Expressão. Do contrário, cairás na vala comum dos medíocres, mesquinhas, arraigados a pensamentos egoístas do século passado.
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21 de janeiro de 2010 às 1h32
Ariane Fonseca,
Tem mais. Se você faz faculdade de jornalismo para arrumar um emprego na área, e não porque GOSTA verdadeiramente de jornalismo, se ferrou: está aí, uma das PIORES profissões do mundo. Jornalismo é para quem gosta, e não para quem tem diploma. Se estiver em tempo de mudar de curso, fica aí meu conselho. Ps.: não atrapalhe nem discrimine quem quer fazer jornalismo, ser jornalista, intependente de ter diploma ou não.
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30 de janeiro de 2010 às 14h40
Ariane Fonseca, a ética não é relacionada com diploma não. Este discurso é da FENAJ, uma entidade que a muito tempo deixou de lutar pelo profissional e pelo Jornalismo. A maioria dos jornalistas dos grandes veículos de comunicação são os que tem menos ética, não confunda as coisas. Os jornalistas da Veja e de outros jornais mesmo diplomados esquecem da ética e da imparcialidade diariamente distorcem e manipulam as informações para que lhes favoreçam. O que precisa para a profissão de Jornalista tem algum valor, já que é isso que você busca é uma regulamentação da profissão. A formação de jornalista é ridícula, as universidades são uma merda, eu faço Jornalismo, e sei do que falo. O “jornalismo” que eles estão ensinando é absurdamente nojento.
Seu discurso é totalmente “programado”, você não tem opinião própria, e sim, a opinião da FENAJ. Isso é triste para jornalista. Seria válido sua opinião da obrigatoriedade do diploma, se você tivesse seus próprios argumentos.
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