21 de outubro de 2009 às 17h48
“Leite com pera, Ovomaltino”
Sobre a importância de Hermes e Renato
Eu tenho uma leve impressão que Hermes e Renato já é mais importante hoje do que a TV Pirata foi nos anos 80. Tudo bem, a TV Pirata era um ninho de cobras de altíssimo calibre (além do elenco e da direção, como falar mal de um programa que tinha Angeli, Laerte e Luís Fernando Veríssimo entre os roteiristas? – me corrijam se eu estiver errado). Mas foi tipo o rock dos anos 80, uma espécie de alívio coletivo pós-ditadura. No caso do rock, ele deixava de ser perigoso, maluco, bandido e começava a usar bermudas e a sorrir sem parar; no caso do humor, tudo que era insinuado pela geração Pasquim agora era ligalaize pra turma do Chiclete com Banana. Mas, no fundo, a TV Pirata foi mais um upgrade no humor de TV do Brasil, que andava defasado e não tinha sentido o impacto do Monty Python e do Saturday Night Live (como o rock dos anos 80 funcionou pra todo o rock que nasceu com o punk).
Já o Hermes e Renato tem o tipo do humor que o Zorra Total finge fazer e que não evolui desde os tempos do rádio (o mesmo vale para a sitcom da família – que só fugiu do padrão duas vezes, com Bronco, do Ronald Golias nos anos 80, e Sai de Baixo, da Globo): brasileiro, tirador de onda, escrotizador, vira-lata. Mas é preciso em sua descaracterização – pelo simples fato dos personagens não serem vividos por atores, mas pelos próprios roteiristas. Assim, eles se parecem muito mais com o Casseta e Planeta, mas os Casseta tiveram tempo e experiência para aperfeiçoar seu produto – eles mesmos – com muita desenvoltura na TV.
Hermes e Renato é quase amador, tosco, malfeito. Eis a graça. Todo mundo conhece pelo menos um cara que é assim, que curte esse tipo de humor, que faz vídeos toscos com os amigos e bota no YouTube. E acredito que esse seja o principal motivo da importância do Hermes e Renato. É o elemento 2.0 misturado com o reality show, o “yes we can” da choldra. Fora isso eles ainda materializam piadas e brincadeiras que não têm registro oficial, piadas de fundo de sala de aula e de ônibus que são pura história oral, fadada ao esquecimento não fosse isso que chamamos de arte. Eis o papel dos caras, é mais ou menos o motivo do sucesso do Mamonas Assassinas, mas com piadas legais.
Acredito que em pouquíssimo tempo teremos uma nova geração de humoristas, diretamente influenciadas por esses caras, uma geração que vai mostrar que essa safra de stand-up sem graça que está hoje no CQC é só isso – uma geração sem graça. Que venham os bárbaros!
E tudo isso só pra falar que essa piada idiota do “professor nãoseioque-nãoseioque-nãoseioque-amanhã”-”QUÊ?”-”PRRLL” é uma das minhas favoritas.
PS – O André e o Bruno citaram o óbvio que esqueci de lembrar: Trapalhões. Um tipo de humor essencialmente que foi quem realmente sentiu o baque da TV Pirata e do Casseta e Planeta (embora o Casseta seja responsável pela última grande fase do grupo, a fase do “Oooos pirata!”). E como pude esquecer: justo eu que nasci no dia em que o Renato Aragão fazia 40 anos…
26 Comentários



Profissão: autobiógrafo.


21 de outubro de 2009 às 22h56
A piada é boa e deixou o prof. Gilmar FUDIDO DA CARA com os badernistas. Sou fãzaço dos caras, até hoje não me conformo em não ter rolado um DVD best of com material de todas as temporadas. Meu personagem preferido é o apresentador Cláudio Ricardo, vivido pelo Fausto Fanti, o Didi do grupo.
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22 de outubro de 2009 às 0h12
Só faltou os Trapalhões. O Away faz papel parecido com o do Mussum, trazendo a linguagem malandra da rua pra televisão.
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22 de outubro de 2009 às 9h10
Bando de badernista esses acadêmicos.
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22 de outubro de 2009 às 9h12
Acho muito bom o tipo de humor Hermes e Renato, acompanho desde o início. Melhor programa do tema atualmente na TV, dá 10 a zero no zorra total, sem precisar usar mulher gostosa.
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22 de outubro de 2009 às 11h33
Meu caro, concordo em gênero, número e grau. Hermes e Renato ajudou a formar o meu caráter. Massss, tenho que discordar em um ponto: Mamonas Assassinas tinha piadas legais sim.
De resto, to assinando embaixo e autenticando em cartório.
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22 de outubro de 2009 às 13h23
Realmente assim como o cara ai em cima falou. Hermes e Renato não precisa de mulheres gostosas. Pois os caras fazem humor sem apelar para algo fora do humor
Coisa que me entristece muito é parar para ver o programa do panico na tv. Começou como um programa de opinião hoje em dia são gostosas e mais gostosas para dar audiência. Sempre foi explorado este lado mais hoje parece que é só isso.
Pior ainda nos quadros em que o bola tenta fazer um Jackass meia boca, em que toda hora reclama os caras do Jackas faziam aquelas merdas mais aguentavam fazer pra não dar nem para o espectador rir melhor ficar no radio. Onde o programa era melhor.
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22 de outubro de 2009 às 14h09
Nunca vi ninguém do H&R comentando sobre a Pepa Filmes também. Tem muitas semelhanças, né.
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22 de outubro de 2009 às 15h24
Acompanho H&R desde os primórdios.
Acho que eles são os melhores do estilo há muito tempo.
E o principal é que a maioria dos quadros são atemporais, tal como eram Os Trapalhões.
É claro alguns quadros são sátiras de figuras e programas da TV tupiniquim atual, mas mesmo assim, se você abstrair o “satirizado”, você ri tanto quanto, por ser um humor escrachado e sem frescura. Outra coisa: Todos os caras são bons. Cada um no seu estilo.
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22 de outubro de 2009 às 15h25
Sim, são os melhores humoristas da tv atualmente, pois fazem um trabalho sincero e suas piadas e pretensões são muito honestas, o tosco com eles ganha um sentido grandioso e hype no meu ver. Provoca risos no telespectador sem expor ninguem ao ridiculo e o melhor, sem fazer o telespectador sentir “vergonha alheia” por que se for refletir sobre o contexto do humor na tv atualmente, vergonha alheia é a resposta mais pura que me vem a mente (Pânico, cqc, zorra total, casseta & planeta e outros assim..) Hermes e Renato é o tipo de programa que daqui há 40 ou 50 anos no futuro será lembrado como algo cult e vanguardista, a mulecada dos anos de 2030 /40 estarão usando camisetas e repetindo os bordões do passado do programa como se fosse a “ultima moda do momento”, sim fui puxa saco mesmo, conheço eles pessoalmente e ja trabalhei com eles durante três temporadas, são pessoas incríveis, geniais, sensatas, engraçadas na vida real e com uma humildade de dar inveja.
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22 de outubro de 2009 às 15h27
foi legal você ter falado sobre H&R, melhor ainda ter voltado ao post pra citar Os Trapalhões. dia desses, conversando com amigos, chegávamos à mesma conclusão em relação ao humor deles. é o humor do boneco de pano em forma de gente, da madeira e da parede feitas de isopor, da peruca mal colocada de propósito… coisa bonita demais. e confesso: pra mim, Boça é um dos personagens mais bacanas do humor dos últimos anos. apesar de eu chorar também com o joselito e o away comentarista do “away news”.
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22 de outubro de 2009 às 15h30
Gostei do post, mas discordo sobre a importância de “Hermes e Renato” comparado ao TV Pirata. Eles estão dentro de uma emissora que trabalha com a transgressão e tem um público mais sofisticado, cool. TV Pirata (anos 80) e Sai de baixo (anos 90), na minha opinião, foram os humorísticos mais transgressores da TV, pois romperam a linguagem da própria emissora – e por isso fora sucessos tão estrondosos.
Talvez não exista nem possibilidade de comparação, pois são 3 programas exibidos em épocas muito distintas. “Hermes e Renato” nem de longe alcançou a importância de TV Pirata na televisão brasileira, tanto pelo linguagem, quanto pelam alcance e popularidade e, claro, o mais importante, pela excelência de seus atores: Marco Nanini, Claudia Raia, Regina Casé, Debora Block, Ney Latorraca e uma infinidade de profissioanais. Hermes e Renato brincam de ser atores e de fazer TV.
um abraço
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22 de outubro de 2009 às 15h37
Texto maravilhoso! Hermes e Renato é a salvação da TV, sabem fazer críticas com sagacidade e bom humor, isso sim que é humor inteligente ;)
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22 de outubro de 2009 às 16h50
Olha, concordo com tudo – quer dizer, quase. Não entendo qdo citam os Trapalhões. Era voltado pra outro público (infantil, sim, por incrível q pareça) e acho q ele não cabe nesse balaio – por isso mesmo, acho Trapalhões relativamente ainda mais ousado que os outros. Final da década de 70, um negro cachaceiro malandro e mais outros três figuras se metendo em altas confusões do barulho junto com umas gostosas… e eu assistindo tudo aquilo!
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22 de outubro de 2009 às 17h58
Caro Felipe (Barenco), a graça do HR está justamente aí. O fato dos caras não serem atores e nem terem nenhuma pretensão nesse sentido (algo que já está no texto do Matias). O amadorismo e a canastrice deles é sensacional.
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22 de outubro de 2009 às 21h58
Concordo com quase tudo, menos numa parte: caras que estão há 10 anos na TV não podem ser chamados de “amadores”. Eles foram amadores sim, mas no começo, quando foram convocados pelo diretor da MTV para fazer as clássicas vinhetinhas da “dupla explosiva”. Depois de todo esse tempo, mesmo não tendo formação de ator, eles aprenderam na prática e aperfeiçoaram o que eles já sabiam fazer instintivamente.
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23 de outubro de 2009 às 0h12
Texto excelente! Pela 1ª vez li algo que sintetize bem o que é Hermes e Renato. Eu assino embaixo de tudo o que o Neto escreveu, temos opiniões bem iguais quanto ao assunto. Quero apenas expressar minha opinião de que, TV Pirata e Mamonas Assassinas tiveram um papel único dentro de seus própositos. Não os compararia, apenas os colocaria ao lado de Hermes e Renato, como importantes ‘movimentos humorísticos’, cada um em sua época.
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23 de outubro de 2009 às 9h11
Belo texto e parabéns ao H&R, eles não têm o reconhecimento q merecem.
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Pingback por “Leite com pera, Ovomaltino” – via @trabalhosujo « Silent Lucidity, Loud Insanity
28 de outubro de 2009 às 12h04
[...] Acredito que em pouquíssimo tempo teremos uma nova geração de humoristas, diretamente influenciadas por esses caras, uma geração que vai mostrar que essa safra de stand-up sem graça que está hoje no CQC é só isso – uma geração sem graça. Que venham os bárbaros! via oesquema.com.br [...]
6 de novembro de 2009 às 10h10
Gosto muito do Jornal Jornal, preferia antes que era mais tosco. A bancada era horrível e começava com uma música do Guns, que se não me engano, era Welcome to the jungle. E gostava também do Merda Acontece.
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6 de novembro de 2009 às 10h59
“cala a boca, meu aluno, você está defecando pela boca!”
POR QUE O GIL BROTHER SAIU, PORRA???
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6 de novembro de 2009 às 11h02
tem tb o larica total, com esse estilo tosco que humor que ao meu ver é EXTREMAMENTE GENIAL.
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6 de novembro de 2009 às 11h38
Concordo com um dos comentários acima que diz q a TV Pirata foi um pouco mais “rebelde”. Isso porque é inimaginável numa Globo, vc ter quadros q nem a TV Macho por exemplo que era hilária, e que usava de uma linguagem que se colocar na sociedade hipócrita de hj vira escândalo. “Tá olhando o que sua bicha?” – Zeca Bordoada adorava soltar dessas, hehehe
Agora, sem dúvida alguma Hermes e Renato são os melhores humoristas da TV atualmente. Até pq vc bem lembrou: não existem mais humoristas. A geração “stand-up” q nme conhece Jerry Seinfeld tá aí pra arrancar risinhos de canto de boca. Pânico nem se fala…
Vc percebe que Hermes e Renato tem realmente graça, qdo vê seu pai, de quase 60 anos rachando os bicos de Tela Class. E ainda me pergunta: “Que horas passa aqueles filmes avacalhados lá?” hehehhe
Abraço
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Pingback por O Hermes e Renato e a música | A Day In The Life
6 de novembro de 2009 às 12h00
[...] Não custa lembrar que a tiração de onda da trupe com os metaleiros virou “séria” e rendeu o Massacration, com disco lançado e tudo. Abaixo, confere os melhores momentos (pra mim) do Hermes e Renato e a música. Vale a pena ler também o texto do Matias sobre a importância deles para o humor brasileiro. [...]
18 de novembro de 2009 às 0h53
hermes e renato me criaram !
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Pingback por O humor nos tempos do 2.0 « Silent Lucidity, Loud Insanity
25 de novembro de 2009 às 21h21
[...] Alexandre Matias recentemente anda cantando loas ao H&R no Trabalho Sujo, e cheguei até a publicar aqui um quote dele que faço questão de repetir, [...]
2 de dezembro de 2009 às 11h15
Apesar dos Trapalhões serem mais voltados pro publico infantil, eles por muito o tempo não perderam o foco na criatividade. As sátiras q eles faziam da “Swat”, com os 4 dentro de uma carroça e arminhas de brinquedo, é quase o q o Hermes e Renato faz hoje, só q com liberdade de colocar palavrões. É certo tb q o Pânico tem perdido a graça, mas eu ainda acho interessante o fato de eles incorporarem os erros de produção ao produto final e a presença das gostosas (q diferente do Zorra Total e do Domingo Legal) estão ali não para “compor” ou para “dançar”, mas sim pra apelar mesmo.
Mas de todos os humoristicos atuais, o Hermes e Renato está no topo pq consegue juntar a espontaneidade pretendida pelo Pânico com o escracho da TV Pirata, sem os limites formais do Zorra nem o pedantismo do CQC. O Hermes e Renato é a prova de q é possivel fazer humor longe de pegadinhas e do humor stand up.
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