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Sheening la Vida Loka

O que importa

Podia ser só mais uma celebridade surtando. “Galã de meia-idade sofre pressão de estúdio para largar as drogas”, “Seriado em risco devido aos surtos de estrela decadente”, “Sexo, drogas e Charlie Sheen” – material para programas de TV e jornalecos sensacionalistas. Mas o protagonista dessa história chama-se Charlie Sheen, um sujeito que, não bastasse ter nascido em Hollywood (ele tava em Apocalypse Now, Curtindo a Vida Adoidado, Wall Street, Platoon, Spin City e Top Gang), passou a última década preso num personagem dedicado a si mesmo (Uncle Charlie, o tio de Jake no seriado Two and a Half Men), curtindo seu ponto de vista em relação a uma vida dedicada aos excessos. E, quando ele resolveu contar sua versão da história, transformou-se numa espécie de filósofo maluco, pregando o fim do mundo para os idiotas e a vida eterna para gente que nem ele. “Tigerblood”.

A entrevista de Sheen vai além do mero sensacionalismo porque o ator nunca fingiu ser alguém diferente do que é. Estava no livro negro de Heidi Fleiss, “Madame Hollywood”, a cafetina que foi presa em 1995, e prontamente admitiu ser cliente. Nunca negou seu passado putanheiro e violento, resumindo tudo no bordão que usou na abertura de uma das vezes em que jogou sua merda no ventilador da América – e do mundo: “É tudo paixão”.

Paixão e foco. Eis as duas principais virtudes exaltadas pelo discurso de Sheen. Um discurso emblemático, implacável, que mistura elementos de auto-ajuda, filosofia maconheira de surfista, autoridade militar, poesia de rua, aula de inglês, mesa redonda de esportes e líder religioso (como bem disseca a Slate – já o NY Times percebe que “Sheen” já virou verbo). Charlie Sheen não está desabafando só por si mesmo. Perceba que seus esbravejos, xingamentos e afrontas não são apenas os de um playboy reclamando porque não deixam ele fazer o que quiser. É claro que há todo o glamour da autocelebração hollywoodiana, essência do ator-personagem. Mas é possível ouvir seu discurso e deixar de lado o fato de que ele bate em mulheres ou que ele faz apologia da autodestruição.

Ele está apenas botando o dedo na cara de quem só reclama, de quem vive conformado sua vidinha sem graça e cuja única ação que consegue por em prática é falar mal da vida alheia. Especialmente da vida de quem vive como quer. Não apenas Charlie Sheen. Mas todos nós.

Porque existe a possibilidade de você saber que a sua vida merece ser vivida de forma plena, sem limites, pura entrega. Uma vida abastecida pela paixão – e isso não quer dizer propriamente uma vida feliz. O próprio conceito de “felicidade” se mistura com o de “conformismo”, se a imagem da felicidade é a da família do comercial de margarina. Apesar dos sorrisos, eles não estão felizes assim. Estão sim, conformados. Mas não satisfeitos.

É isso que Charlie Sheen prega: vá viver a sua vida, levante-se dessa poltrona e pare de viver pelas outras pessoas. No fim das contas, a única coisa que você vai ter é a sua própria experiência, por isso esqueça viagens pelo Discovery Channel, festas no Twitter, discussões por SMS ou amigos do Facebook. Encontre mais gente, saia mais, descubra o mundo, tenha foco, tenha um plano, PLANEJE MELHOR (como reza uma das inúmeras tags que Sheen pregou ao seu nome, com suas entrevistas). Transforme um mísero dia de aula em um desfile a céu aberto em que você possa cantar “Twist and Shout” como Ferris Bueller.

“‘NÃO POSSO’ É O CÂNCER DO ‘ACONTECER’”, esbraveja, como se Keith Richards tivesse caído na fonte da juventude nos anos 60 e não parecesse um maracujá humano dizendo que a vida loka é a que vale. Sheen esticou um pouco o rosto, mas tem a mesma cara de guri que tinha por toda sua carreira. E, ao não envelhecer (por enquanto, embora os jornais já estejam preparando seu obituário), ele mostra que essa autodestruição feliz não é necessariamente algo deprimente. Triste ou não, ela só diz respeito a seu protagonista.

Pode ser que tudo seja uma grande armação, que Sheen esteja preparando território para um filme do mesmo jeito que Joaquin Phoenix tentou há um ano (sem sucesso desde o início, mas Sheen é melhor ator que Phoenix). Pode ser que “Winning” seja uma marca de tênis, “Tigerblood” um energético e “Dying is for fools” um slogan de um plano de aposentadoria privada – e que Sheen tenha arquitetado isso como um grande plano (“I have a plan”) para capitalizar novas marcas a partir de alguns chiliques na TV. Mesmo que marcas se apropriem de seu nome, de suas expressões e de sua vida (quanto tempo vai levar pra aparecer livros e filmes sobre Charlie?), seu recado já foi dado.

Não me espanta isso acontecer na mesma época em que um texto que escrevi em 2003 (“A Sua Vida, Saca?“) ter voltado a circular online. Há muito oba-oba e pouco motivo para comemoração. É preciso festejar estar vivo, comemorar as amizades, os amores, as paixões. Fazer que a vida volte a ter sentido – e que sentido seja entendido não como significado, mas um verbo no particípio. O sentido da vida é tudo aquilo que foi sentido por cada um de nós.

É só isso que importa.

PS – Desligo as máquinas aqui até a segunda dia 15 (mais de uma semana de folga offline, em frente à praia, nada mal. Pode ser que tuíte algo ou que escreva algo no Feice, mas não prometo nada até o meio de março).
PS 2 – E se você curtiu esse papo todo de Ferris Bueller e Charlie Sheen, compra o Link desta segunda-feira que você não irá se arrepender. Sério.
PS 3 – JUÍZO, HEIN. Poucos têm sangue de tigre de verdade.
PS 4 – ZOL

25 Comentários
por: Alexandre Matias postado em: AHAHAH, Brasil, Cinema, Loki, Paranoia, Pop, Texto, TV tags: , ,

25 Comentários

Comentário por Besouro Verde
6 de março de 2011 às 11h29

Ah, que maravilha. Obrigado, Matias, por nos apontar um total freak como o Charlie Sheen como modelo de vida. Gênio.

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Comentário por Marcelo Forlani
6 de março de 2011 às 12h02

duh… winning!

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Comentário por LBM
6 de março de 2011 às 12h36

Tá. Beleza. Agora chega de Charlie Sheen, né?
Porra, e tudo isso por causa de um playboy reclamão… PQP.
Abaixo esse “aproveitar a vida” pobre sheeniano! :(

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Comentário por Gilberto Custodio Junior
6 de março de 2011 às 15h17

Hahahaha da hora.

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Comentário por Felipe Siqueira
6 de março de 2011 às 20h12

Só uma correção Alexandre, quem tava em Apocalipse Now era o pai dele, Martin Sheen.

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Comentário por Carolina
6 de março de 2011 às 22h17

Quem fez “Apocalypse Now” foi o pai dele.
E concordo com o LBM aí em cima.

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Comentário por eduardo
7 de março de 2011 às 0h51

Sinceramente, o texto é um lixo. ele é um playboy, como qualquer outro vivendo em baladas paulistanas, cheio de farinha e socando e abusando de mulheres.Só isso. O Matias escreve para quem tem menos de 20 anos e é punheteiro. Ser feliz e viver a vida pode ser a base de drogas ou qualquer outra coisa. O Sheen não tem idéia nemhuma, é um ser oco.

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Comentário por Dunga
7 de março de 2011 às 8h02

Deus do céu, que texto ruim, Alexadre…

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Comentário por japaone
7 de março de 2011 às 11h11

Charlie Sheen é foda!! Belo texto, VAMO VIVER POHA!!!

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Comentário por Fra
7 de março de 2011 às 11h23

PS: Não que isso – abaixo – seja um problema…..

Mas ele já está sendo devidamente tuitado, polegarzado, facebookzado, camisetas, bonés, photoshopado, tumblr, fatiado e catalogado para ser rapidamente esquecido…em sei lá….dois meses????

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Comentário por Marcos
7 de março de 2011 às 17h10

Ele nunca esteve em curtindo a vida adoidado e muito menos em Apocalypse now( é o pai dele Martin Sheen)!

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Comentário por Mauricio Machado
7 de março de 2011 às 17h49

O que me diz então disso ?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0703201115.htm

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Comentário por Dri
8 de março de 2011 às 13h36

Se eu ganhasse 40 milhões por mês também iria aproveitar a vida! Duvido que ele fizasse isso se não tivesse dinheiro saindo até pela garganta.
Quem deu o dinheiro todo pra ele? As pessoas que ele fica esculachando na TV.
Pode querer aproveitar a vida, mas é ridículo cuspir no prato que comeu.
Abs

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Comentário por Ian.
8 de março de 2011 às 18h18

povinho conservador.

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Comentário por martins
8 de março de 2011 às 22h21

WINNIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIING!!!!!!!!!!!!!!!

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Comentário por Maminha
9 de março de 2011 às 17h51

É Platoon que se escreve, malandro. E não esteve em Apocalipse Now…

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Comentário por Fratuce
10 de março de 2011 às 1h35

dose tripla!

http://www.iheartchaos.com/post/3687102168/hunter-s-thompson-john-cusack-and-johnny-depp

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Comentário por Francisco
10 de março de 2011 às 13h06

Ele teve um papel secundário em apocalypse now, assim como o Harrison ford.

Qquer um que veja os vídeos dele percebe que ele tah junkie demais. Eh mto depre.

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Comentário por Serjão Carvalho
10 de março de 2011 às 17h26

fodaço!
Mandou muito bem Matias!

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Comentário por Fábio
11 de março de 2011 às 17h57

que texto ruim

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Pingback por SHENNING! - Trabalho Sujo - OESQUEMA
14 de março de 2011 às 5h13

[...] deixar um salve aos leitores que não sabem interpretar texto e só leram as partes que quiseram quando versei sobre o significado do surto de Charlie Sheen para os dias de hoje (fico pensando que parte de “foco e paixão” eles não entenderam). Prefiro pensar que [...]

Comentário por Jorge
15 de março de 2011 às 0h58

Acho no minimo inusitado quando as pessoas dizem que um texto é horrível pelo conteúdo que veicula.

Parece então que só há boa leitura quando a pessoa se depara com opiniões que lhe agradam.

Fica aqui um conselho. Boa Sorte! Talvez um dia essa maravilha da análise combinatória lhe sorria.

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Pingback por Alexandre Matias auto-ajuda - Trabalho Sujo - OESQUEMA
20 de março de 2011 às 16h28

[...] Lafaiete pegou uma série de frases em dois textos meus e transformou em um kit de “er, postais”, como ele mesmo diz. Originalmente, [...]

Pingback por #semexa « Veia Urbana
5 de abril de 2011 às 7h52

[...] atrás li dois textos do Matias lá no Trabalho Sujo (“Sheening la vida loka” e “A sua vida, saca?” – leia os dois) e, terminada a leitura, comecei a soltar frases [...]

Pingback por #semexa « Veia Urbana | por Lafaiete Júnior
4 de maio de 2012 às 1h42

[...] atrás li dois textos do Matias lá no Trabalho Sujo (“Sheening la vida loka” e “A sua vida, saca?” – leia os dois) e, terminada a leitura, comecei a soltar frases [...]

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