OEsquema

Marcha da Maconha em São Paulo: essa história só começou


Foto: Folha

Kassab, seu sem vergonha, o busão está mais caro que a maconha

Cheguei em cima da hora no debate de sábado lá no Sesc e o Mesac estava contando que havia pego o maior trânsito para chegar no local, enquanto a Daniela já havia ligado pra dizer que iria se atrasar, pois estava no meio de uma confusão na avenida Paulista. Era a Marcha da Maconha. Mas não dava pra ter noção que tinha sido assim:

Ricardo Galhardo, no Ig:

Um grupo de manifestantes foi negociar com a PM. O capitão Del Vecchio deu prazo de 10 minutos para que a pista fosse desobstruída mas três minutos depois ordenou uma nova carga da Tropa de Choque.

Até então não havia confronto. Os manifestantes continuavam marchando pacificamente pela avenida aos gritos de “eu sou maconheiro com muito orgulho, com muito amor“ ou “ão, ão, ão liberdade de expressão”. Quando os ataques da PM se intensificaram, já no final da avenida, perto da rua da Consolação, alguns responderam jogando garrafas de vidro. A reportagem contou três garrafas atiradas pelos manifestantes. Nenhum policial ficou ferido.

Bombas e tiros foram disparados contra quem estava nas calçadas. O repórter do iG foi ferido nas costas por estilhaço de uma bomba de efeito moral quando estava na calçada. O repórter Fabio Pagotto, do “Diário de S. Paulo”, foi atropelado pela moto do tenente Feitosa e agredido por outros policiais quando tentou reclamar. O tenente se desculpou dizendo que a moto da Polícia Militar estava sem freio.

Grupos conservadores
A tensão começou ainda na concentração. Enquanto os manifestantes pró-maconha se reuniam no vão livre do Masp, um grupo de 25 manifestantes pertencentes às organizações conservadoras União Conservadora Cristã, Resistência Nacionalista e Ultra Defesa esperavam do outro lado da avenida, na frente do Parque Trianon.

Eles foram revistados pela PM, que também checou os documentos para saber se algum deles tinha passagem pela polícia. Embora rejeitem os rótulos de skinheads ou neonazistas, quase todos tinham os cabelos raspados. Alguns exibiam tatuagens com suásticas, a cruz pátea (ou cruz de ferro) e outros símbolos nazistas como a caveira com ossos cruzados usada pela SS, a tropa de elite de Aldolph Hitler.

“Não somos skinheads nem neonazistas. Somos conservadores. Alguns tiveram experiências na juventude e por isso têm tatuagens mas começaram a estudar a teoria conservadora e evoluíram. Alguns são carecas porque praticam jiu-jitsu”, explicou Antonio Silva, da Resistência Nacionalista.

Quando mais de 700 manifestantes pró-maconha (segundo a PM, ou 1.500 segundo a organização) iniciaram o protesto, eles marcharam em fila até o vão livre do Masp e se posicionaram com cartazes contra as drogas.

Apesar das orientações de ambas as partes para que não houvesse confronto, foi uma questão de minutos até que integrantes dos dois grupos partissem para a provocação. A situação quase saiu de controle quando o vendedor Bruno Leonardo, vestindo terno preto e óculos escuros, chamou os conservadores de egoístas.

Os manifestantes anti-maconha começaram a gritar de forma ameaçadora “fora CQC”, confundindo o vendedor com os apresentadores do programa humorístico da Band.

“Não era o CQC? Putz! Que mancada”, admitiu Antonio Silva.

A situação se acalmou quando a marcha saiu pela avenida Paulista aos gritos de “ei, polícia, maconha é uma delícia” ou “onha, onha, onha, eu quero debater”, ou ainda “ei Plínio Salgado (líder integralista brasileiro morto em 1975) fume um baseado”.

Quando a Tropa de Choque partiu brandindo os cassetetes nos escudos no encalço dos manifestantes, os conservadores foram ao delírio gritando “fora maconheiro, fora maconheiro”.

Acionada por meio da assessoria de imprensa, a PM não respondeu por que a ação foi violenta, por que jornalistas foram agredidos e por que o tenente Feitosa usava uma moto sem freio.

Camilo, no Bate-Estaca:

Outro dia, ouvi uma tiazinha reclamando sobre a “inversão de valores” dos dias de hoje.

Bom, eu vou falar sobre uma inversão de valores de dar tontura. É uma cena que resume bem o que foi a tarde deste sábado (21) em São Paulo, quando a PM paulistana avançou com bombas, balas de borracha e cacetetes para cima dos manifestantes da Marcha da Maconha.

Pois enquanto a PM “cumpria seu dever”, agredindo fisicamente cidadãos que exerciam seu direito à expressão e manifestação, skineads neo-nazis aplaudiam a cena. Tipo torcida mesmo.

Não era para ser o contrário? Não era para o fascista, aquele que abomina a diversidade de opinião e a sociedade plural, ser não o perseguido pelo cassetete, porque também não queremos isso, mas aquele que vive envergonhado, cochichando suas ideias rasteiras pelos cantos escuros?

Mas não. No dia 21 de maio de 2011, em São Paulo, o fascista andou de cabeça erguida, peito cheio e muito à vontade, muito feliz com o que estava vendo.Não é o caso de entrar aqui no mérito da legalização, da descriminalização, do mal que a maconha pode fazer. Isso é assunto para outro (s) texto(s).

Porque na Marcha da Maconha, a maconha é só um detalhe. O que se pede é algo bem mais amplo e que afeta quem fuma e quem não fuma: liberade de escolha e de expressão.

Se o ex-presidente FHC (do mesmo partido do governador do Estado) pode participar de um filme que defende uma nova política para as drogas, por que os mais de mil participantes da marcha não podem sair na rua e também pedir mudança?

Doente está uma sociedade e um governo que impedem cidadãos de dizerem o que pensam em público. E impedem com truculência e agressão.

E linka o vídeo:

Meu olho está vermelho é de gás lacrimogênio”, diz o Sakamoto, que emenda o PS:

Ao trazer uma opinião dos organizadores da Marcha da Maconha nesta sexta, afirmei que a discussão não é apenas sobre como a sociedade encara o consumo de drogas tidas como ilícitas, mas também quais os limites para a liberdade de expressão. Pois não é compreensível que o Estado garanta a segurança de pessoas que protestem contra a sexualidade alheia e desça o cacete em quem defende um ponto de vista diferente sobre o consumo de maconha. Presenciando as cenas de hoje, acho que meu comentário foi bastante premonitório.

O Torturra separou umas fotos

E manda:

Eu arrisco dizer que havia duas mil pessoas marchando pela Paulista. A causa não era mais a legalização da maconha, exatamente. Era um protesto pelo direito de pedir a legalização da maconha. Uma planta de inequívocas propriedades medicinais, industriais e e dona de uma amistosa psicoatividade. Eis todo o problema. Psicoatividade. Que, para mim, mostra o que está por trás dessa tarde de sábado: consciência. E o que fazer para alterá-la. Aos fatos:

Análises médicas do gás lacrimogênio indicam que ele causa danos ao fígado e ao coração. Também é indutor de anomalias genéticas em células mamárias (aka câncer de mama). Quando metabolizado, o gás CS deixa traços de cianureto no corpo humano… coisas assim. Fatos que duvido que conste nas cartilhas de formação de um PM como o Cap. Del Vacchio (no mesmo sábado, 93 novos soldados ganharam seus espadins, gaba-se o único tweet do dia do @pmesp). Ou nos calhamaços dos exmos. juízes do TJ. Duvido que a toxidade do gás lacrimogênio conste no repertório do médico Geraldo Alckmin, hoje governador de São Paulo. Mas foi essa a substância que a Força sobre seu comando atirou, em pleno sábado de sol, em gente indefesa, pelas costas, por discordar de uma lei – o que apenas circulavam por São Paulo na hora errada.

A troco de que? O parecer do desembargador Teodomiro Mendes é claro: “o evento que se quer coibir não trata de um debate de ideias, apenas, mas de uma manifestação de uso público coletivo de maconha, presentes indícios de práticas delitivas no ato questionado, especialmente porque, por fim, favorecem a fomentação do tráfico ilícito de drogas (crime equiparado aos hediondos)”.

Sim, eu vi gente acendendo baseados na marcha. Imediatamente reprimidos pelos próprios participantes que, em grupo, falavam que “não era a hora”. Toda a argumentação que vi na Marcha é em torno de um debate de ideias que, invariavelmente, aponta para a extinção do tráfico (“equiparado aos crimes hediondos”) através do cultivo legal de canabis (equiparado à jardinagem).

Sim, eu vi gente sendo presa na marcha. Ninguém por porte de drogas. Apenas por distribuir um jornal, e debater ideias, chamado “O Anti-proibicionista”, feito pelo coletivo DAR. A polícia não deu satisfações aos jornalistas que questionavam o motivo da prisão. Tive uma escopeta (com balas de borracha, suponho) apontada para mim quando tentei me aproximar para fotografar um dos membros do coletivo indo em cana.

E o repórter da Folha apanhou da polícia. Pesado:

Diz a Falha de S. Paulo, do Lino:

Menos de 24 horas antes de seu começo ela foi proibida pela Justiça — o nobre magistrado entendeu que, se você quer discutir a lei, na verdade você faz apologia. A marcha estava pacífica. Mais: foi fechado um acordo com a polícia para que não fosse usada a palavra “maconha” e a passeata foi renomeada para passeata pela Liberdade de Expressão. “Eu estava lá quando esse acordo foi fechado, foi feita assembleia na frente de todo mundo. E tudo o que foi combinado com a polícia foi cumprido, mas de repente a Tropa de Choque chegou na avenida Paulista jogando bomba e gás lacrimogêneo”, conta à fAlha Alexandre Youssef, um dos amigos presente ao ato. “Não há justificativa alguma para o que a polícia fez. Não se pode impedir a discussão. Alguém tem que responder por isso”, comentou à fAlha o também amigo –e jornalista– Bruno Torturra.

E o Pedro Alexandre também esteve por lá:

Tudo são flashes na lembrança, mas o público a priori me pareceu diferente do da semana passada, bem ali do lado, na avenida Angélica, o churrascão a favor do metrô na “sofisticada” (e aparentemente pacata) Higienópolis. Parecia ter uma cor mais “roots” a passeata de hoje, não tenho certeza. Mas ela vinha estranhamente depressa, rápida demais.

De slogans de manifestação, só consegui ouvir um, bastante agressivo: “Ei, polícia! Maconha é uma delícia”. “Xi, estão belicosos”, pensei. Mas a explicação foi quase simultânea. A tropa de choque vinha no encalço da turma. Jogando bombas.

Vão falar que eram bombas de efeito moral, bombas que não matam ninguém, bombas que só fazem verter lágrimas amargas, bombas de licor narcótico permitido pela “lei”. Não importa. Tá, sou burguesinho aqui em São Paulo, mas nunca antes na história deste país (e deste Pedro) eu tinha ouvido uma bomba de gás lacrimogênio estourar do meu lado.

O efeito que teve, para mim, foi de uma BOMBA. Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Oito. Depois da primeira bomba explosão que ouvi, lançada na Consolação ainda acima da Maceió, a turma começou a correr. A passeata virou São Silvestre, amarga São Silvestre.

A tropa de choque ultrapassou em um segundo o ponto onde eu estava, eles sabem perfeita e calculadamente dispersar uma multidão, se assim o quiserem. E eu continuei descendo a Consolação a pé. Até chegar na altura da rua Maria Antônia, ouvi no mínimo oito explosões de BOMBA. Tá, de gás para chorar, éter, lança-perfume, loló, droguinha legalizada pelo e para o poder público. Para mim eram BOMBAS. Cheguei a lacrimejar – mas essas lágrimas não foram nada perto das que já me tinham brotado nos olhos (e na esquina da Maceió), assim que comecei a entender o que estava acontecendo.

Será que essa história vai ficar por aí? Será que não era o caso de aproveitar toda aquela animação do #churrascãodiferenciado? Nem a novela nova do SBT sobre a ditadura conseguiu produzir imagens tão fortes quanto essas da polícia do Alckmin (mentira, o beijo da Vendramini foi altos)… Isso é só truculência, não dá pra ficar só assistindo.

Afinal de contas, a rua é de todo mundo.

34 Comentários
por: Alexandre Matias postado em: Brasil, Loki, Paranoia, Pop, Talagadas, Video tags: , , , , , , , , , , , , ,

34 Comentários

Comentário por Le
22 de maio de 2011 às 13h09

Muito bom o texto, a Marcha da Maconha só está exercendo seus direitos e a polícia está errada em agredir cidadãos do bem que só querem descutir pacificamente sobre a mudança da atual política de drogas.

Responder

Comentário por Júlio
22 de maio de 2011 às 13h17

Em qualquer lugar do mundo esse video derrubaria o comando da Polícia, no mínimo – e isso porque a Folha pega imagens apenas do final da manifestaçao, na dispersao. Isso se passou na Augusta, trecho que nem estava no percurso da Marcha pela liberdade de expressao, e para onde as pessoas foram exatamente para fugir da polícia.

http://coletivodar.org/2011/05/vermes-video-mostra-covardia-da-pm-na-marcha/

alem disso, cabe uma interessante noticia sobre quem é TEODOMIRO MENDEZ, juiz que proibiu a Marcha. acho q isso explica um pouco da atuaçao da PM tbm…

http://coletivodar.org/2011/05/teodomiro-mendez-o-juiz-que-proibiu-a-marcha-ja-foi-condenado-por-espancamento/

1964 vive, e nao vamos nos calar,
abraços,
Júlio

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Comentário por Valk Th!
22 de maio de 2011 às 13h36

Gente o que é isso?desde quando drogado é gente de bem?
Cada um usa o que quer mais liberar isso?
a senhora sábia que disse isso possui toda razão está havendo uma inversão medonha de valores;;;
Sinceramente o brasil está uma droga devido ao aumento de perversão e valores trocados…
possuo certo receio do mundo que ficará para meus filhos e netos…não só precisamos mais é uma necessidade defender…
Como mulher sei bem o que eu não quero para meus filhos e o que esta nas ruas é isso…

Sinceramente devido a isso prefiro me manter lutando para deixar um mundo com valores normais…enquanto nóias lutavam na rua por direitos absurdos e anti constitucionais pessoas de bem precisam de direitos básicos…e é facil julgar neonazi qualquer um que pensa!!!

Responder

Comentário por Mauro Sampaio
22 de maio de 2011 às 13h59

Revoltante! Quase 30 anos de democracia nesse país e governantes não aprenderam a lidar com ela. Usar a força contra manifestação pacífica? Onde estamos? Na Líbia? Egito? Não! Nos achamos 1ºmundo hoje! Por conta da economia, é claro. Socialmente, parece que estamos atrás do Irã! Com certeza falta muito pra alcançarmos o Butão! O país é claro! Pois o nosso, botão, não o país, está na mira dos políticos. Vaselina?

Responder

Comentário por Antonio
22 de maio de 2011 às 16h48

“valores normais”, valk? “inversão de valores?”.

permita-me dizer o que é “inversão de valores”.

considere os critérios que medem a periculosidade de uma substância:

- poder de vício
- grau de alteração mental que causa no usuário
- risco de morte por consumo excessivo
- danos à saúde com o uso prolongado

em TODOS estes critérios — faço questão de repetir: TODOS — o álcool é COMPROVADAMENTE mais nocivo ou perigoso do que a maconha. não é materia de fé: é fato.

mas o álcool é legal, e a maconha, proibida.

se vc pesquisas científicas — dados, não opiniões — que provem o contrário, sou todo ouvidos.

Responder

Comentário por diego d
22 de maio de 2011 às 17h13

valk, inversão de valores? talvez bom mesmo mudar os valores de uma sociedade que proibe e marginaliza a maconha, enquanto em centenas de anúncios incentiva e glamourriza o uso do álcool, que comprovadamente causa muito mais mortes e danos a saúde do que a “erva maldita”. sociedade onde fascistas e pastores podem expressar o seu repúdio a homossexuais enquanto não se pode defender a mudanca de leis que sobrecarregam o sistema penal e favorecem ao crime organizado.

acho que vale a gente pensar um pouco sobre esses valores que você tanto preza e sobre o que significa normal e gente de bem.

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Pingback por Marcha da Maconha: relatos do front de batalha « Bate Estaca
22 de maio de 2011 às 17h24

[...] como lembrou o Matias, essa história ainda não [...]

Comentário por Alexandre
22 de maio de 2011 às 21h55

A Valk tem razão quando diz que os valores estão invertidos. É só analisar o exemplo do pessoal que usa o argumento do alcool pra justificar a maconha.

Eles pensam: “o alcool faz um mal muito maior e é permitido, porque não liberam a maconha?!”
Quando, na verdade, deveriam pensar: “o alcool faz mal, vamos fazer uma passeata pra que ele seja proibido”

Justificar com mal exemplos não é justificar.

Responder

Comentário por diego d
22 de maio de 2011 às 23h20

alexandre, já ouviu falar da lei seca dos EUA na décade de 20? conhece Al Capone?

Responder

Comentário por Fred Costa
23 de maio de 2011 às 1h09

Acho que o argumento do Al Capone também é fraquíssimo. Os argumentos dessa turma em geral o são.
Pois se havia uma ordem judicial proibindo a tal marcha, porque ela teria de continuar de qualquer forma? Os manifestantes respeitam as leis ou não dão a mínima para elas? A marcha não era para mudar as leis? Ou só vamos cumprir algumas?

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Comentário por Alexandre
23 de maio de 2011 às 10h45

O argumento “vamos legalizar a maconha pra acabar com o tráfico” prova, de novo, a inversão dos valores.

Não haveria tráfico se as pessoas OBEDECESSEM a lei e NÃO usassem a droga.

Responder

Comentário por Fred Costa
23 de maio de 2011 às 11h01

a suposição de que a legalização das drogas diminuiria o crime porque acabaria com o tráfico é uma tolice gigantesca. Pobre ou rico, é criminoso quem quer, pouco importa o ramo de atividade. Os bandidos migrariam para outras atividades e continuariam a aterrorizar a população do mesmo jeito se estiverem mais ou menos certos da impunidade.

Responder

Comentário por diego d
23 de maio de 2011 às 12h00

amigos legalistas, a carta de leis mais importante do país, a constituição, garante que “todos podem se reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independente de autorização”.

além disso, a legalização busca justamente a normalização de um fato que já ocorre, sempre ocorreu (existem documentos históricos com evidências do consumo de cannabis por volta e de 3000 a.C) e provavelmente vai continuar a acontecer, o uso de substâncias psicoativas.

com a legalização seriam criadas leis que regulariam o consumo dessas substâncias, como por exemplo proibição do consumo por menores, controle de qualidade e a obrigatoriedade de divulgação de efeitos colaterais (assim como ocorre hoje em dia com o cigarro). o dinheiro que hoje é gasto com repressão poderia ser utilizado para campanhas educativas e a venda poderia ser alvo de impostos, levando dinheiro pro governo ao invés de fortalecer tráfico e milícias. todas essas são hipóteses que poderiam ser discutidas numa sociedade democrática.

infelizmente não posso continuar o debate aqui, mas se vocês se interessam pelo assunto, a ponto de perder tempo “rebatendo” meus fracos argumentos, convido vocês a ouvirem a opinião de alguns especialistas e analisarem alguns dados sobre o assunto:

http://www.youtube.com/watch?v=BKN8GPxwfq4&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=untrMQCbNRI&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=K6kRpsoqeC8

http://www.youtube.com/watch?v=HVLUBRTKSIk

independente desses dados e fatos, todos tem direito de expressar sua opinião contrária a legalização das drogas, o que realmente considero estranho é a defesa da repressão e da violência policial em uma sociedade dita democrática. já vi manisfestações que lutavam por causas que o senhores considerariam mais nobres como educação e transporte de qualidade, serviços garantidos por diversas leis, algumas delas presentes também na constituição federal, que foram tratadas com a mesma truculência aqui no estado de São Paulo. isso sim eu considero um inversão de valores.

abç

Responder

Comentário por Matador
23 de maio de 2011 às 12h32

Maconheiro tem que apanhar mesmo, bando de vagabundo

Responder

Comentário por Rodrigo
23 de maio de 2011 às 12h34

Alexandre,
Concordo que não se deve utilizar maus exemplos para justificar outros, mas oque voce acha de o consumo ser uma “contravenção” e não crime, e o cultivo ser crime?
Isso para mim é jogar os usuarios nas não dos traficantes.

Fred,
A marcha foi proibida as 20hrs do dia anterior, a menos de 24 horas da manifestação se voce pensar que nem todos ficam 24hs por dia na internet,muitos só ficaram sabendo da proibição quando chegaram la.
Apos a proibição, foi acertado que seria uma marcha pela liberdade de exressão, inclusive sendo acertado (ha muitas filmagens e reportagens sobre isso) com o comandante da PM que liberou a marcha, o mesmo que minutos depois lançou seus soldados PELAS costas dos manifestantes com bombas e tiros de borracha.
Que eu saiba contenção é feita pela frente, quem ataca pelas costas é COVARDE.

Responder

Comentário por Cristiano
23 de maio de 2011 às 13h41

“em TODOS estes critérios — faço questão de repetir: TODOS — o álcool é COMPROVADAMENTE mais nocivo ou perigoso do que a maconha. não é materia de fé: é fato. ”

Não seria o caso então de uma passeata pela proibição do álcool em vez da liberação da maconha?

Responder

Comentário por Alexandre Matias
23 de maio de 2011 às 13h45

Claro, claro, Cris… Me parece BEM sensato…

Responder

Comentário por Cristiano
23 de maio de 2011 às 13h49

“amigos legalistas, a carta de leis mais importante do país, a constituição, garante que “todos podem se reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independente de autorização”. ”

A autorização é necessária quando a reunião fecha uma avenida. Se a concentração fosse na calçada não teria sido atacada.

Responder

Comentário por milena de andrade
23 de maio de 2011 às 14h14

“Pobre ou rico, é criminoso quem quer, pouco importa o ramo de atividade.” Fred, se você fosse um agricultor honesto de Floresta – PE (que diga-se de passagem é um dos maiores pólos de produção de maconha do país) que tivesse passando por dificuldades, sem apoio do estado para continuar com a roça, sem água, sem ter o que comer e uma rede de traficantes arrendasse as suas terras por um valor nunca imaginado por você antes, duvido que você diria que só é criminoso quem quer. O crime existe e eu não tô aqui pra justificar a existência dele e muito menos defender quem o pratica, mas há que se compreender que em muitos casos não é uma questão de escolha. Ofereça condições dignas de trabalho, de vida e pergunte se alguém, ainda assim, quer ser bandido pra ter o que comer.
Quem escolhe roubar e levar vida de criminoso muitas vezes tem esclarecimento sobre leis e sobre o tipo de crime que está cometendo, vide os nossos políticos.

Responder

Comentário por wb
23 de maio de 2011 às 15h25

Se a maconha fosse legalizada, teríamos:
- aumento ou diminuição dos acidentes de transito?
- aumento ou diminuição de casos de violência doméstica?
- aumento ou diminuição do investimento na saúde?
- Teríamos uma empresa multinacional do porte da Inbev pagando lobby a políticos?
- Teríamos comerciais de TV estilo skol dizendo ”queime um pra rir da vida?”

Como todo o resto, a legalização da maconha no brasil passa antes de tudo pelos interesses políticos (grana) e cultural e infelizmente o brasileiro em geral nao domina nenhum dos dois assuntos.
Proibir a manifestação e o diálogo é o pior que poderia ser feito no momento.

Responder

Comentário por Alexandre
23 de maio de 2011 às 18h17

Para o autor desse texto ridículo, sensatez seria liberar todas as drogas, afinal o álcool e o cigarro são vilões da saúde pública; qual o problema em termos mais algumas, né? Por que liberar só a maconha? Vamos liberar o crack, a cocaína, a heroína, ópio…. Afinal, o que importa para essa gente escrota são as liberdades individuais, não as coletivas…

Responder

Comentário por Alexandre
23 de maio de 2011 às 18h18

Quis dizer “direitos individuais, não os coletivos.”

Responder

Comentário por Alexandre
23 de maio de 2011 às 18h19

Me fiz entender, né…?

Responder

Comentário por Léo Ravi
23 de maio de 2011 às 20h00

A gente canaliza a energia quer emitir pros outros. Nós já vivemos numa teia de ilusão. Um modo de vida que não tem mais jeito. Governo Repressivo, poluição, desrespeito. Quase tudo que a gente consome é droga. Os valores que a gente consegue viver, chega a ser imperceptível, conseguem não passar da estaca zero. A Consciência é muito mais do que a gente imagina, ela é DESCONHECIDA.
Se a maconha for liberada, o máximo que pode acontecer é a situação melhorar, já que a gente vive em ruína.
Se for pra não falar maconha, entende Cannabis, o novo fumo da ordem mundial. O que acontece é que a gente não lembra de nós mesmo enquanto organismos vivos.
A gente prefere viver a teoria dos macacos, que resumida, repetir um ato mesmo sem saber sobre sua origem.

Defender direito coletivo sem saber o que significa, defender álcool sem nunca ter experimentado, defender maconha sem nunca ter fumado, defender televisão sem nunca ter assistido, defender regra que prejudica um irmão, que coisa boa.

Se tem gente protestando, merece ser ouvido. Ou é um hospício que tá em marcha?
Mesmo se fosse um hospício, era ato digno de ser escutado.

Liberar crack, cocaína, ópio, heroína, seria tudo pra gente excrota, com certeza.
Afinal, existe! E quem criou foram nossos médicos, cientistas, estudantes, bando de excroto.

Aliás, bando de excroto quem participa da marcha, bando de excroto quem é contra ela, bando de excroto quem fica só olhando. Bando de excroto.

Vamo calar e boca com coca-cola e usar nosso dinheiro suado em droga (televisão, porcaria de comida, porcaria pra mente, entorpecentes legais) pra se manter no meio dessa merda sem se incomodar!

E que pena se você ficou incomodado. Aí tá mais um exemplo de falta de equilibrio.

O problema não é liberar ou deixar de liberar. O problema é dentro de cada um.
Então vamo BOTAR PRA FUDER, BAIXAR O CACETETE, TIRO DE BORRACHA, GÁS INTOXICANTE, pra mostrar que quem manda nessa merda é o dinheiro ! E não a consciência das pessoas que criaram toda essa porcaria. A gente parece um BANDO DE MACACO PERDIDO! Vamo transformar nossos filhos em macaquinhos jogar eles no meio do lixo. Vamo continuar a discussão por nada! Porquê o que conta é a consciência subjulgadora apoiada por algum bando de macaco excroto, que só gera mais consciência subjulgadora. e esquece o bem comum. É dificil saber o que é esse bem comum no meio de tanta loucura? Tudo isso que a gente vive é uma palhaçada.

Responder

Comentário por RX Urien
23 de maio de 2011 às 20h12

Foda-se essa marcha, quem curte fumar vai fumar com ou sem legalização. Eu particulamente não gosto de maconha, prefiro os sintéticos, ácido, mdma etc. E tem mais, quer fumar? Fume Salvia que é legalizado e muuito mais interessante que maconha.. aliás, maconha é uma bosta perto da Salvia.

Responder

Comentário por Antonio
23 de maio de 2011 às 23h29

Alexandre e Cristiano,

Vejam: as drogas foram probidas no início do século XX (a maconha foi tornada ilegal nos EUA em 1937). O mundo inteiro trava esta batalha há mais de 70 anos — sem sucesso. Nos EUA, para ficar apenas no exemplo do país que mais investe recursos na luta contra as drogas, o consumo não diminuiu, assim como o preço das substâncias nas ruas. Olha, eu também adoraria viver num mundo onde as pessoas não precisassem usar nenhum tipo de substância psicoativa (e aí incluo o álcool, obviamente). Mas é preciso ser realista: isto não aconteceu, a despeito de todos os esforços das polícias e dos Estados, e não há nenhuma evidência de que vá acontecer no futuro. Infelizmente, o uso de substâncias psicoativas é um traço cultural inerradicável. Portanto, a questão não é dizer “chega de droga!”, insistindo numa estratégia (punitiva) que teve mais de 70 anos para se provar vencedora, mas que só colecionou fracassos. A questão é “como conviver com as drogas de modo a reduzir ao máximo o dano social que elas causam”? E o maior dano ao tecido social não vem do uso de drogas em si, mas sim da criminalidade associada à sua proibição (tráfico). Repare: em nenhum momento eu coloquei a questão em termos ideológicos ou morais. Meu argumento é pragmático. (E antes que alguém aqui suspeite… Não, não acho que maconha seja delícia; aliás, pelo contrário).

Responder

Comentário por Antonio
23 de maio de 2011 às 23h41

Cristiano: “A autorização é necessária quando a reunião fecha uma avenida. Se a concentração fosse na calçada não teria sido atacada.”

BULLSHIT, meu amigo.

Isso é conversa pra Reinaldo Azevedo dormir.

Muitas das conquistas que deram forma ao que hoje chamamos de democracia liberal vieram de manifestações consideradas ilegais em suas épocas. Os trabalhadores de Chicago (1 de maio de 1886) entraram na porrada, foram presos porque reivindicavam uma jornada de trabalho justa, e o consequente fim do regime de semi-escravidão a que estavam submetidos. Os negros norte-americanos foram às ruas e tb tomaram porrada até dizer chega — mas conquistaram a igualdade de direitos. Homossexuais, idem. Então não vem com essa balela de “a manifestação era ilegal, tinha sido proibida pela justiça…”.

A reunião com fins a questionar a validade de uma lei é legítima — ainda que a lei diga que não. E também não me venham com essa palhaçada de “apologia”. Nos EUA existe uma revista chamada HIGH TIMES, onde o leitor encontra dicas de como plantar maconha, informações sobre as variedades mais potentes, fotos de plantas saudáveis e entrevistas com pessoas que curtem fumar.

Isso é liberdade de expressão. O resto é desculpa pra moralismo conservador.

Responder

Comentário por Ana Carolina
24 de maio de 2011 às 13h52

Eu acho que o governo deveria liberar as drogas mesmo pra esse bando de drogados morrer bem rápido e parar de ficar enchendo o saco de quem trabalha e pensa no futuro!

Responder

Comentário por Fred Costa
24 de maio de 2011 às 15h58

Até onde sei os próprios manifestantes foram até a Justiça solicitar um habeas corpus preventivo para que a marcha acontecesse. Foram eles que solicitaram a dita “autorização”, que foi negada. Mesmo assim não respeitaram.

E o direito de ir e vir da população paulistana que usa a via pública, que está fechada pra fazer apologia de crimes? Também é moralismo?

“Quem defende a Constituição é legalista e quem desrespeita as normas é progressista.”
Quanto maniqueísmo! Veja, que este movimento busca a legalização da coisa. Busca o amparo da Lei. Se isso for aprovado, terá que ser cumprido também! Não se pode escolher quais normas vamos cumprir, ou não.

Eu só faço uma pergunta: Aquele que acreditam nesta tesa, não creem que seja possível realizar este debate, respeitando as leis?

Responder

Comentário por Antonio
24 de maio de 2011 às 22h56

Fred, teu comentário é confuso… Não sei se entendi direito.

Direitos sempre se entrechocam. Por exemplo: não pode mais fumar em lugar fechado. O cara que é dono de boate argumenta que isso é um desrespeito ao direito dele de fazer o que bem entender com sua (dele) propriedade. O garçom que trabalha na boate dá graças a deus, porque não aguentava mais ser fumante passivo.

Ou seja: o Estado decidiu que deveria priorizar o direito dos indivíduos que não querem se intoxicar com o vício alheio, em detrimento do direito dos proprietarios de casas noturnas e bares de gerenciar esta questão como bem entendessem.

Não existe algo como O UNICO DIREITO, diante do qual todos os outros devam se curvar em obediência. Direitos são conflitantes. Quem ganha e quem perde é algo que está sempre sendo revisto, e modificado. Do contrário, estaríamos até hoje na Idade Média.

O que determina a mudança de um direito é, cada vez mais, um consenso formado por sobre a opinião de especialistas. A ciência descobriu que o fumo passivo mata — daí proibiu-se o cigarro em lugares fechados. A mesma ciência também tem boas evidencias, retiradas de pesquisas empíricas, de que fazer sexo com uma criança é extremamente prejudicial à sua formação. Por isso — felizmente — não devemos nos preocupar com uma possível mudança de lei no sentido de legalizar a pedofilia. It’s not going to happen.

No caso da maconha, há bons argumentos cientificos que mostram a total incoerência do fato de a canabis ser proibida, enquanto o álcool (substancia muito mais perigosa, sob todos os critérios), ser perfeitamente legal. Sendo assim, o que os participantes da marcha da maconha pedem não é uma mera porralouquice derivada de um egoísmo burro, adolescente. O que eles pedem é a alteração de uma lei incoerente — e tem bases científicas em sua reivindicação.

E sim, as vezes é preciso desrespeitar sim as leis — ganhar as ruas é o jeito mais rapido de conseguir chamar atenção, de reverberar uma reivindicação. Imagina só: se os negros, homossexuais e trabalhadores não tivessem desrespeitado as leis de suas epocas e ido às ruas protestar, até hoje estariam lutando pelo reconhcimento de seus direitos. Reconhecimento: esta é a palavra. Debate dentro de faculdade é ótimo, mas dificilmente move o mundo. Quer fazer acontecer? Vá para as ruas.

Abs

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Comentário por danieljorgeazevedo
19 de janeiro de 2013 às 14h15

com inumeras calsas nobres foram apoiar as drogas o maior cancer social da historia da civilizaçao pois vamos por milhoes de pessoas as ruas para dizer gue nao gueremos este lixo em nossa terra adorada leglizaçao da maconha so se for no inferno no nosso brasili varonil nao 10000 de vezes nao

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