Começo a terça maluca com sua faixa de comentários favorita sobre o grande evento televisivo de 2010. Eu e Ronaldo tivemos opiniões distintas sobre este último episódio, mas no fim concordamos: foi o melhor flashsideways até então, com o paralelo da vida de Ben (e Locke, e Arzt, e Locke, e Alex…), ao mesmo tempo em que a ação na ilha quase congelou de tão estática (tirando a questão dos candidatos no Black Rock, toda história do Ben foi chata praca). Com isso, passamos o episódio conversando sobre outros assuntos, ainda que minimamente relacionados à série, mas pouco foi conspirado ou cogitado sobre a grande teoria ou detalhes por aí. Ainda falamos sobre Spaced, a série que apresentou o trio Simon Pegg, Edgar White e Jessica Stevenson (hoje Hynes) ao mundo.
Ronaldo Evangelista & Alexandre Matias - Comentando Lost: Dr. Linus (MP3)
Conforme prometido, eis a segunda faixa da coletânea OViolão que eu disponibilizo aqui no Sujo. “Nighttime in the Backyard” era inédita quando pedimos para o Lucas, no ano passado, mas a gente demorou e a faixa acabou saindo no disco dele desse ano, Sem Nostalgia. A foto que ilustra o post, você sabe, é da Caroline Bittencourt. Do outro lado, o Bruno vai de Wado.
Lucas Santtana & Seleção Natural - “Nighttime in the Backyard“
A gente toca hoje lá no Sonique, na terça do Thiney, junto com os Killer on the Dancefloor. Invadimos a pista às 23h (ou seja, neca de Lost ao vivo pra mim), mas se eu fosse você, colava lá. Sonzeira e de graça, não é todo dia.
A combinação acima apareceu num post do Freaky Show Business, que ainda incluía um Dom Casmurro desses “filmes brasileiro pós-retomada” que só crítico de cinema suporta. Mas pense bem: Narizinho = Alice? Seria Rabicó um coelho branco dos trópicos? E a Cuca? A Rainha de Copas? Se o Chapeleiro Maluco é o Visconde, logicamente o Gato é Emília - e é só enfileirar os personagens de cada lado e deixar a imaginação fazer a correspondência biunívoca. O problema é que se você pára pra pensar, lembra do Lost Girls do Alan Moore (em que ele faz uma relação entre as viagens de Alice, Dorothy e Wendy com a puberdade feminina) e é inevitável achar que o Sítio é uma grande parábola sobre a iniciação sexual de dois irmãos adolescentes…
Não aquelas que ainda estão em andamento, mas as originais, que colocaram a cidade no mapa das grande cidades com metrô com quase um século de atraso.
Tem outras aqui.
A idéia original era uma mixtape de verão, chamando alguns DJs brasileiros para remixar hits gringos naquele final de 2008 hoje distante. Mas já era verão no Brasil e os DJs estavam soltos pelo país - impossível achar alguém que pudesse dar uma certeza sobre a data de entrega das versões, fora a possibilidade de deixar o projeto banguela caso algum artista remixado se incomodasse com o resultado ou com o fato de estarmos deixando sua faixa para download em MP3. Depois de algumas madrugadas pendurados no Gtalk, trocando emails e um ou outro telefone, eu e o Bruno desvirtuamos completamente o conceito original a partir das limitações: em vez de pedir para mexer em músicas alheias, pedimos versões para músicas próprias; em vez de remixes que inevitavelmente daria ao disco um clima meio esquizofrênico, pedimos versões acústicas, minimalistas, usando apenas o violão. E antes de começarmos a pedir músicas para músicos e artistas que são mais amigos e comadres do que propriamente astros e estrelas (prefiro assim), percebemos que o formato acústico tinha mais a ver com aquele verão que ia acabando do que uma mixtape para dançar. Mais do que isso: à medida em que os artistas demoravam para entregar o material (alguns, houve quem entregasse em fevereiro), percebíamos o quanto a compilação ganhava ares de fim de verão, quase outonal. E, ouvindo as faixas no inverno do ano passado, decidimos lançá-la quase na Páscoa, como se o clima das “Águas de Março” de Tom Jobim pudesse ser espalhado por toda uma compilação.
Decidido o nome, chamamos a querida Caroline Bittencourt para bolar uma capa para a coletânea. Ela foi além: propôs um ensaio na oficina de um luthier conhecido dela, o Murilo. Ao vermos as fotos, nem tivemos dúvida: o instrumento era tão central ao trabalho que não havia outro nome para dar à coletânea, juntando artigo e substantivo só para fazer o paralelo com OEsquema. Pelo meio do segundo semestre do ano passado, OViolão estava completo.
OViolão é o terceiro lançamento dOEsquema. Mas não somos um selo, não nos estranhe. Depois de termos lançado discos de amigos - o Bruno sugeriu o Big Forbidden Dance do João Brasil e eu desenterrei o Alguma Coisinha do Dodô, ambos discos coalhados por samples -, resolvemos ampliar o conceito só pelo prazer do lançamento. E apesar de ser um trabalho de dedicação minha e do Bruno, ele vem sendo acompanhado, de perto, por nossos dois outros sócios, Mini e Arnaldo, que sugeriram nomes, fizeram convites e propuseram soluções.
A forma de distribuição dOViolão é simples: durante os próximos dias, despejaremos, tanto no Trabalho Sujo quanto no Urbe, cada uma das faixas da compilação, numa média quase diária. Elas estarão apresentadas tanto num vídeo embedado do YouTube, sempre com uma foto diferente de Caroline, e num link para download da canção. Ao final, juntamos tudo num arquivo compactado para quem quiser ouvir o disco na ordem que imaginamos. Não ganhamos um tostão para fazer isso - nem nós, nem os artistas envolvidos. Pagamos apenas o custo das fotos de Caroline. É um trabalho coletivo feito principalmente com carinho. E nessa época de volume no talo e enxurrada de informações, estamos propondo algo para ouvir baixinho. Sob o sol, mas baixinho. Não tem release, nem rodada de entrevistas com os artistas, não tem foto de divulgação, nem assessoria de imprensa. Vamos blogar e twittar: linka quem quiser, baixa quem tiver vontade. Pra que pressa, né?
Começo a semana com a inédita de Lulina “Mentirinhas de Verão”, gravada em fevereiro do ano passado. Ela explica: “É uma versão com som de fim de verão da música ‘Mentirinhas’, composta por mim e lançada no final do ano passado (2008), no disco caseiro Aos 28 Anos Dei Reset Na Minha Vida. Quem produziu esta nova versão foi Missionário José, nos estúdios da Jardel Music, tocando todos os instrumentos e fazendo um arranjo tão melancólico quanto voltar para a realidade depois de umas boas férias”. O produtor completa dizendo que a faixa “se destaca pelo aspecto Led Zeppelin do final“. Do outro lado da linha, o Bruno apresenta uma inédita da Ava Rocha, veja lá.
E amanhã tem mais.
Lulina - “Mentirinhas de Verão“
Essa é pra você que reclama do Brasil hoje: olha como já foi pior.
Vimos grandes homenagens devido à passagem de Glauco pro outro lado na última sexta. O JT dedicou quase toda sua capa ao Geraldão, personagem-síntese do cartunista. A Folha, por sua vez, fez um bom especial com diversos tributos ao cara (a bela ilustração abaixo feita pelos Dos Amigos restantes, Angeli e Laerte, inclusive), mas matou a pau traduzindo o respeitoso minuto de silêncio em imagens, ao tirar todas as ilustrações da edição de sábado, deixando apenas espaços em branco em memória.
O pai do Geraldão e do Geraldinho morreu na madrugada desta segunda-feira, durante uma tentativa de assalto. Acima, a última tira que publicou na Folha.
Não dá pra culpar os caras…
24) Gossip - Music for Men
É, o blog Beatles to the People conseguiu tirar essa informação do filho (e possivelmente clone) do George: talvez ele venha para o Brasil este ano com sua banda thenewno2. Talvez seja só cortesia, talvez haja mesmo o interesse de alguém em trazê-lo para cá, mas não custa colocar mais esse post-tijolinho nesse princípio de especulação. Afinal, é assim que essas coisas funcionam. E, como todo filho de beatle (fora a Stella), a música dele não fede nem cheira, mas, tudo bem.
Via Mellin.
Vi lá no Cinema de Rua.
A pedidos: Comentando Lost mais cedo, pela manhã - e no capítulo da semana passada vimos Sayid assumir sua má personalidade ao mesmo tempo em que o falso Locke reuniu seu exército, não sem antes matar geral. Episódio arrastado e que só foi engatar lá pelo final, Sundown parece apenas antecipar a primeira noite na ilha depois que Jacob morreu. No blábláblá, tentamos entender a função dos flashsideways ao mesmo tempo em que cada vez fica mais claro que tudo é um jogo. E a Kate, hein? Aí tem…
Ronaldo Evangelista & Alexandre Matias - Comentando Lost: Sundown (MP3)
Perguntei como tinha sido o show da Bat for Lashes no Brasil e não me surpreendi que a Kátia (que é megafã da menina) conseguisse trocar esse dedo de prosa com ela.
Lançada no aniversário de São Paulo deste ano, a coletânea São Paulo is Burning foi organizada pelo Rodrigo Brandão, do Mamelo Sound System, para o selo francês Tazart e reúne bambas do hip hop da primeira década do século na cidade, como Kamau, Contra Fluxo, Espião, Projeto Manada, Akin, Elo de Corrente, Prof. M.Stereo e o próprio Mamelo. Para baixar a compilação - ou apenas ouvi-la online - clique aqui.
A RG Vogue descobriu porque Beth Ditto desmarcou mais uma vez seu encontro com o Brasil: culpa de um coração partido.
Uma das poucas entrevistas de Monteiro Lobato deu para o rádio (na verdade, sua última, dada à Record em 1948), rara oportunidade de ouvir um dos principais brasileiros do século vinte falar, apareceu no YouTube. Há algo na dicção, na pausa, no humor e na pronúncia que me lembrou meus dois avôs - os sujeitos mais diferentes entre si do planeta -, o que me leva a crer que esta fluência oral, anterior à padronização de timbres e cadências de falas promovida pela massificação do áudio falado (seja no rádio, na TV ou no cinema), já morreu. Não conheço mais ninguém que fale desse jeito. Ouvi no Sérgio Rodrigues.
O compadre Ramiro está apresentando um programa na Cultura AM chamado Brasa Rara que, como o nome sugere, pinça pérolas da música brasileira. E a primeira edição foi dedicada às músicas de Jorge Ben com nomes de mulher. Dá pra baixar aqui.
Lucas Santtana - “Cira, Regina e Nana”
Passion Pit - “Little Secrets”
Superpose - “Sometimes”
Mess - “Don’t Mess with My Heart”
Vampire Weekend - “Giving Up The Gun”
E o Hominis Canidae disponibilizou mais uma pérola pra download: o único disco do pós-punk carioca do Black Future, nunca reeditado em CD e dificílimo de encontrar em vinil. Go on faith.
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