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Link – 23 de abril de 2012

Solar • FotofiliaDepois da SOPA, a CISPAImpressão Digital (Alexandre Matias): Como a tecnologia molda nossa concepção de culturaP2P (Tatiana de Mello Dias): Governo aberto é tendência, mas ainda não é realidadeTudo em todo lugarVida Digital: Howard Rheingold: Como o online muda o offlinePiratas no poderSamsung Store, Rapidshare lança guia antipirataria, Apple usa ‘energia suja’, leilão 4G

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Impressão digital #0101: Um salão de jogos de papelão

Minha coluna na edição do Link dessa semana foi sobre o arcade de Caine.

A internet ajuda até quem não está conectado a ela
A história do menino Caine Monroy e seu salão de jogos

Caine Monroy tem nove anos de idade, mora na zona leste de Los Angeles, nos Estados Unidos e tem uma paixão desde cedo: máquinas de jogos. Não de videogames – Caine é fascinado por um gênero de jogos que não é tão popular no Brasil, e que em seu país é rotulado como “arcade”. Embora por aqui o termo esteja vinculado a fliperamas e máquinas de pinball, nos EUA os arcades reúnem máquinas acionadas por fichas que não necessariamente são eletrônicas e que lembram as brincadeiras em quermesses por aqui, como tiro ao alvo, argola, aquela garra que pega bichos de pelúcia numa gaiola de vidro.

Fissurado por desmontar aparelhos para ver como funcionavam, Caine começou a fazer suas próprias máquinas de jogo na garagem de seu pai. Detalhe: as máquinas eram de papelão. E, à medida que criava as máquinas, transformava a garagem de casa em seu próprio arcade. O Caine’s Arcade. Ali, não apenas exibia suas invenções como criou até um programa de fidelidade. Por um dólar, o jogador poderia ter quatro chances de jogar em qualquer máquina. Pelo dobro disso, ganhava o que ele chamava de “Fun Pass”, que garantia a possibilidade de jogar 500 vezes.

Por mais feliz que estivesse com seu pequeno empreendimento, Caine tinha apenas um cliente, Nirvan Mullick. Empolgado com o entusiasmo do menino, Mullick não só comprou um “Fun Pass” como também passou a usá-lo com frequência, visitando-o quase todos os dias sempre com uma câmera, que usava para registrar as explicações de Caine em relação ao funcionamento de suas máquinas.

O fato de ter um único cliente não incomodava o pequeno empreendedor, mas frustrava Mullick, que resolveu fazer uma surpresa para Caine. Reuniu um grupo de amigos e, com a ajuda do pai de Caine, tirou o garoto da garagem enquanto armava um flash mob para recebê-lo. Usou a internet para contar a história que havia descoberto e para reunir interessados em conhecer o autor e sua obra de papelão.

O resultado da visita abriu um sorriso gigantesco no rosto do menino e é o auge do vídeo que Mullick publicou na segunda-feira passada e que virou um sucesso online, atingindo um milhão de views em menos de uma semana.

O sucesso do vídeo não apenas garantiu o status de celebridade instantânea para o garoto, mas também funcionou como uma forma de arrecadar dinheiro para sua formação escolar – e em três dias, já havia quase US$ 100 mil em sua poupança para a universidade.

A lição dessa história é que ela provavelmente não será a única. Há muita gente – crianças, adultos, idosos – fazendo coisas apenas porque gostam, sem sequer esperar que alguém possa gostar do que fazem. A internet pode – e deve – ser o canal para difundir o trabalho de gente assim. Vamos ver isso acontecer cada vez mais, repare.

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Link – 16 de abril de 2012

Aaron Swartz: Hacker réuFacebook e Instagram: Feitos um para o outro • Alan Turing: Big bang binário • Homem-objeto (Camilo Rocha): Bem do seu tamanhoImpressão Digital (Alexandre Matias): A internet ajuda até quem não está conectado a elaNo Arranque (Filipe Serrano): Compra do Instagram é modelo para futuro dos negócios digitais • Brian Chesky, CEO e cofundador do AirbnbCinemagram e outros gramsGoogle no tribunal, Facebook mais transparente, e-book combinados e Macs infectados

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Link – 9 de abril de 2012

República eletrônica: Três anos de Casa de Cultura DigitalLaboratório de vivênciaA voz do futuroTVs também ‘entendem’ portuguêsImpressão Digital (Alexandre Matias): A ‘orkutização’ do Instagram e a natureza gregária da internetHomem-Objeto (Camilo Rocha): Filmes na parede • P2P (Tatiana de Mello Dias): Punição contra a pirataria não reverte prejuízo da indústriaGoogle e a visão além do alcanceNotas

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Miguel Nicolelis e eu

Conversei com o cientista mais importante do Brasil hoje pra capa da edição do Link dessa segunda:

‘Ninguém associa ciência com soberania nacional’
O neurocientista Miguel Nicolelis fala com exclusividade ao Link sobre a próxima etapa de seu projeto para transformar a criação de um exoesqueleto robótico em um programa de educação e saúde para estimular o desenvolvimento tecnológico e científico do País

“A renúncia a um investimento maciço de formação de um corpo de cientistas e de atuação em diferentes áreas – tecnologia de informação, microengenharia, biomedicina, nanotecnologia, engenharia biomédica… – é uma renúncia à soberania do País.”

Miguel Nicolelis, um dos cientistas mais importantes do Brasil, é enfático sem se exaltar. Mesmo quando fala do Palmeiras – uma de suas paixões, que havia perdido de virada para o arquirrival Corinthians no dia anterior à entrevista, realizada no bairro de Higienópolis há uma semana –, ele mantém a calma e a clareza características de quando expõe suas ideias. Até quando reclama de como seu time achou que o jogo estivesse ganho no intervalo do clássico.

Futebol à parte, a conversa foi sobre outras duas paixões: ciência e educação. E ele conta, com exclusividade ao Link, mais um passo de seu projeto Câmpus do Cérebro – o início de uma parceria entre o Hospital Sabará, de São Paulo. “Com a abertura da Escola do Câmpus do Cérebro, no ano que vem, vamos poder fechar o ciclo completo, unindo o Centro de Saúde Anita Garibaldi à escola”, explica.

Ele se refere ao trabalho que iniciou há seis anos no Rio Grande do Norte, que começa pelo tratamento de mulheres grávidas no Centro de Saúde (e que reduziu a mortalidade materna da região de Natal e Macaíba a zero) para garantir que os futuros alunos de sua escola possam ser acompanhados desde antes do nascimento. “As crianças que nascem lá já são alunas da escola no pré-natal. Depois elas entram no berçário e seguem estudando em período integral até o ensino médio”, diz.

José Luiz Setúbal, presidente da Fundação Hospital Sabará e responsável pela aproximação do hospital a Nicolelis, explica que a parceria começa com a troca de experiências em saúde materna e de recém-nascidos, mas Nicolelis frisa que não deve parar por aí. “Estamos discutindo a possibilidade de evoluirmos a relação para uma parceria clínica.” O que, na prática, significaria que o hospital paulistano é candidato a ser o primeiro lugar em que o projeto dos sonhos de Nicolelis, o Walk Again, possa ser testado em humanos.

Andar de novo. Walk Again é o projeto de criar um exoesqueleto robótico controlado pelo cérebro. O grande sonho de Nicolelis é fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial no primeiro jogo da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, como disse em entrevista ao Link no ano passado. “Testamos um protótipo nesta semana que são pernas mecânicas. Vestimos um macaco e elas se mexeram, não com o pensamento, mas com um programa de computador”, explica. “O próximo passo é anestesiar a medula espinhal do macaco, para, finalmente, testarmos se a veste consegue fazer movimentos. Faremos isso até o meio do ano. E, mais ou menos no ano que vem, nesta época, já estaremos trabalhando com pacientes em potencial. Mas isso ainda está em fase de discussão.”

Mas o Walk Again não é um fim em si mesmo. Nicolelis o compara ao programa espacial norte-americano, que estabeleceu a meta de levar o homem à Lua, mas que, no processo, alavancou outras tecnologias que surgiram durante a pesquisa. “Há várias aplicações que surgem desta meta, que chamamos de ‘spinoffs’. Até mesmo para entretenimento, como o videogame. Quando os executivos da indústria de games veem um macaquinho imerso num mundo virtual jogando videogame com a mente, eles veem o futuro.”

E antecipa, sem entregar: “Eu não posso contar agora, mas estamos perto de divulgar três novas ideias que ninguém nunca tinha tido – e que não tínhamos a menor ideia que iriam acontecer. As grandes descobertas são acidentes. Na hora em que a gente estava fazendo um experimento com macacos, vimos isso e pensamos ‘não é possível’… Essas novas ideias são tão fora do esquadro que quando a gente publicar as pessoas vão achar que estão num filme de ficção científica.”

Mas Nicolelis quer menos ficção e mais ciência. E reforça a importância do Walk Again em seu projeto científico-educacional. “O Walk Again é a semente de uma nova indústria no Brasil, a da tecnologia de reabilitação. Gostaríamos de usar o Walk Again como projeto-âncora para lançá-la aqui no Brasil com a construção da infraestrutura do parque neurotecnológico do Câmpus do Cérebro”, diz.

O projeto visa criar uma geração de cientistas no Brasil para tratar futuros alunos no pré-natal e ensinar ciência, na prática, numa escola de período integral. “Nossa abordagem de ensino de ciência é prática. As crianças aprendem a lei de Ohm descobrindo como funciona um chuveiro. E contratamos nossos ex-alunos para trabalhar conosco. Na prática, estamos pegando crianças que nunca tiveram contato com ciência, colocando-as em um programa de educação e em cinco anos elas estão trabalhando em um laboratório de ponta. E são crianças que, até os 10 anos, não tiveram oportunidades. Imagina quando pegarmos as crianças que tiveram um pré-natal ótimo…”

Isso tudo é para reverter o quadro científico brasileiro. “Nossa situação é dramática. O déficit de engenheiros que o Brasil tem é gigantesco. E esse é um assunto estratégico. A indústria deste século, sem dúvida, é a do conhecimento e estamos em grande desvantagem. Se não acordarmos agora, não precisamos mais acordar. A janela de oportunidade está se fechando – e rápido.”

Contudo, o neurocientista é otimista. “As coisas estão mudando. Esta nossa conversa seria impossível há dez anos. O governo federal está ouvindo. Presido uma comissão – a Comissão do Futuro – que está preparando um relatório para mostrar todos os indicadores internacionais sobre a verdadeira situação do ensino de ciência e da produção científica brasileira. O relatório deve ficar pronto em junho.”

E conclui: “Meu intuito diz respeito à criação de uma nova geração de brasileiros. Produzindo não apenas cidadãos – muito mais felizes, engajados, competentes – mas também engenheiros, médicos, cientistas, professores… Pessoas que têm outra visão de mundo. E de Brasil.”

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Link – 2 de abril de 2012

Miguel Nicolelis: ‘Ninguém associa ciência de ponta com soberania nacional’Draw Something: Rascunho milionárioHomem-objeto (Camilo Rocha): Em busca do tempo perdidoImpressão Digital (Alexandre Matias): Por uma ficção científica menos pessimista e apocalípticaNo Arranque (Filipe Serrano): Para empreender online, é preciso sair do filtro pessoalMarco Civil da Internet: Vem aí uma longa brigaAngry Birds: Um estranho no ninhoVida Digital: Cory Doctorow Tim Cook na China, ‘Curtir’ à venda, Banda larga via satélite, e mais

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Link – 23 de março de 2012

• Raspberry Pi: Isto é um computador • Shopping Center Facebook • Vida Digital: Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas do Google Brasil • P2P (Tatiana de Mello Dias): Ana não gosta da internet, mas seus companheiros gostam • Homem-objeto (Camilo Rocha): Novo iPad – sensível melhora • Impressão Digital (Alexandre Matias): Uma geração inteira que cresceu jogando videogames • Angry Birds: Porcos – e pássaros – chegam ao espaço • Conectando e andando • Amazon no Brasil, roubo político, Chrome de domingo e Israel amando Irã • 

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Impressão digital #0097: Keep Calm & Carry On

E na minha coluna no Link dessa semana, eu falei sobre a história do Keep Calm & Carry On, além de suas implicações com o mundo digital…

“Keep Calm and Carry On”: duas lições e uma conclusão
O que um cartaz da Segunda Guerra Mundial nos ensina sobre a era digital

Você já deve ter lido este slogan em algum lugar – ou alguma variação dele. “Keep Calm & Carry On” (mantenha a calma e siga em frente) é um dos inúmeros memes que, uma vez online, ganhou vida própria e foi remixado, ganhando variações como “Keep calm and Call Batman”, “Keep Calm and Caps Lock”, “Keep Calm and Blog On”, “Keep Calm and Pass It On”, além dos brasileiros “Keep Calm o Caralho” (com foto do Dadinho, de Cidade de Deus) e “Keep Calm and Segure o Tchan”.

A frase faz parte de uma série de cartazes que o Ministério da Informação inglês bolou logo no início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, para apaziguar a tensão de um país que se tornaria um dos principais alvos dos bombardeios nazistas. Eram três cartazes, todos com a mesma tipologia, um ícone representando a coroa britânica, duas cores e frases de impacto. O primeiro trazia o texto “Your courage, your cheerfulness, your resolution will bring us victory” (sua coragem, sua alegria, sua resolução nos trará a vitória) e teve uma tiragem de 400 mil exemplares. O segundo vinha com a frase “Freedom is in peril, defend it with all your might” (a liberdade está em perigo, defenda-a com toda sua força) e teve sua tiragem dobrada. 800 mil exemplares.

O último da série – “Keep Calm…” – foi pensado para ser divulgado caso as coisas realmente ficassem mais complicadas – e a Alemanha invadisse o Reino Unido. Foram impressos 5 milhões de cartazes, que ficaram estocados caso o pior cenário se concretizasse. Como isso não aconteceu, os pôsteres foram destruídos. Restaram apenas sete. Seis foram encontrados em 2009 e foram para o Museu Britânico da Guerra e um foi encontrado em uma livraria em Alnwick , no norte da Inglaterra.

Stuart Manley, proprietário da Barter Books, descobriu o cartaz no fundo de uma caixa de livros velhos que havia comprado em um leilão, no ano 2000. Gostou de tudo – do layout, da mensagem, da história – e pendurou o cartaz em sua loja. Aos poucos, seus clientes repararam nele e Manley foi percebendo que seria possível vender reproduções. Foi o que fez – e os cartazes começaram a vender. Muito. Manley estipula que, até 2009, já havia vendido mais de 40 mil cópias do pôster. A própria Barter fez um vídeo de três minutos em que conta esta história – lançado no último dia do mês passado, ele já tem mais de 800 mil visualizações.

A popularidade deslocou o layout para outros formatos: logo ele aparecia em canecas, bandeiras, camisetas e, claro, foi parar na internet, onde começou a ser remixado, parodiado e misturado com várias outras referências.

Esta história ensina duas coisas. Uma delas é que a “viralidade” é anterior à internet. O pôster só ficou conhecido porque as pessoas foram à loja, gostaram do que viram e quiseram ter aquilo em casa. A outra é que, por mais cômodo que seja comprar coisas via internet, há um elemento crucial nas compras offline, que é a surpresa. A história do pôster funciona como uma pequena parábola a favor da existência de lojas fora da internet. O fator comunitário que transforma um ambiente em uma comunidade é crucial para a sobrevivência destes pontos de venda.

Mas por que “Keep Calm and Carry On”? Porque talvez o mundo esteja sob um bombardeio diferente do que assolou os ingleses na década de 1940, mas que também desnorteia. Posts, tweets, likes no Facebook, mensagens por celular, links via Gtalk, câmeras filmando tudo o tempo todo. A mensagem do cartaz parece vir como um alívio para quem é soterrado diariamente pela avalanche de dados digitais.

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Kony 2012: Vilão Viral

Escrevi o texto da capa do Link (sobre o Kony 2012, que ainda teve o vídeo dissecado pela Tati e uma extensa matéria feita a quatro mãos pelo Camilo e pelo Murilo) dessa semana junto com a Helô.

Vilão viral
A campanha Kony 2012 transformou-se no maior viral da história e leva política e informação para outro patamar

No dia 5 de março, entrou no ar, no canal da ONG Invisible Children, no YouTube, o vídeo Kony 2012. Em seis dias, ele já tinha sido visto 100 milhões de vezes. É o maior viral da história.

Com meia hora de duração (uma eternidade, se comparado à duração de outros virais), o curta apresenta uma campanha cujo objetivo é capturar e levar ao Tribunal Penal Internacional o criminoso de guerra ugandense Joseph Kony , líder do Exército de Resistência do Senhor, que há mais de vinte anos, sequestra crianças, transformando-as em escravas sexuais ou soldados.

O objetivo da campanha é fazer que o maior número de pessoas saiba quem é Joseph Kony e, a partir disso, cobre das autoridades medidas para capturá-lo e levá-lo a julgamento. Para tanto, propõe que o espectador peça a celebridades e autoridades que apoiem a causa, sugere a doação de “uns dólares” e a compra de um kit de mobilização, com pôsteres, adesivos e braceletes. Mas acima de tudo, pede a quem vê o filme que o mostre ao maior número de pessoas. Basta “compartilhar” no Facebook.

Além dos 100 milhões de visualizações em seis dias, esgotaram-se kits vendidos pela ONG a US$ 30 cada um. E, na mesma velocidade que se tornava popular, o vídeo recebia críticas.

Críticas de todos os lados: de questionamentos sobre os reais interesses da ONG a acusações de desinformação. E a cada nova crítica publicada, surgia uma nova defesa. A própria ONG, em seu canal no Vimeo, começou a responder aos questionamentos em vídeos conduzidos pelo CEO da organização, Ben Keesey, que termina o vídeo pedindo “pergunte qualquer coisa”. Basta twittar a pergunta, em inglês, com a hashtag #askICanything.

Além de artigos e ensaios escritos por jornalistas e intelectuais ocidentais, houve também forte reação vinda de Uganda, país escolhido pela ONG como área de atuação, embora Joseph Kony não esteja mais lá – o seu exército hoje encontra-se espalhado pelo Sudão do Sul e pela República Centro-Africana. Um vídeo da blogueira Rosebell Kagumire, postado no dia 7, foi visto mais de 500 mil vezes até sexta, 16 – mesma quantidade de views que a versão legendada em português do vídeo Kony 2012 teve.

Uma projeção ao ar livre em Lira, cidade na região norte de Uganda, gerou revolta entre as vítimas das atrocidades do Exército da Resistência do Senhor. “Se as pessoas lá fora realmente se preocupam com a gente, elas não deveriam usar camisetas do Joseph Kony em nenhuma hipótese. Isso é celebrar nosso sofrimento”, diz um homem que foi raptado pelas forças de Kony. A reportagem pode ser vista no canal da Al-Jazira no YouTube.

Pró. Em quase todas as críticas à campanha, no entanto, é feita uma ressalva: apesar de todos os problemas, uma coisa é fato, o vídeo trouxe à pauta global um assunto que é sempre deixado de lado. Em uma semana, o mundo tomou conhecimento da existência de Joseph Kony, que, enfraquecido ou não, em Uganda ou no Sudão do Sul, é acusado pelo Tribunal Penal Internacional de 12 crimes contra a humanidade e 21 crimes de guerra.

Contra. Por outro lado, é muito fácil confundir as pessoas online. Principalmente quando a forma usada para divulgar a causa simplifica questões sérias para ter maior alcance. Ainda não estão claros quais são os interesses da ONG, além de transformar Kony em celebridade. E tudo fica mais confuso depois da prisão do narrador do vídeo, Jason Russell na quinta-feira, durante um surto. É preciso ter calma e não se deixar levar pela emoção, que é o alvo deste tipo de campanha.

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Link – 19 de março de 2012

• Vilão viral • Dissecando Kony • Causa e consequências • Avaaz: “Ativismo online funciona” • Servidor: Fim da Encyclopaedia Britannica de papel e downloads ilegais na mira dos provedores • No arranque (Filipe Serrano): São Paulo poderia se tornar um Vale do Silício? • Homem-objeto (Camilo Rocha): Peso-pesado • Impressão Digital (Alexandre Matias): “Keep Calm and Carry On”: duas lições e uma conclusão • SXSW e a nova ordem • 

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