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Foto: Christiane B
Warren Ellis, falando sobre a própria filha, dá um pequeno panorama de uma nova geração:
“Minha filha agora tem 13 anos. Dá pra perceber pelo jeito que ela se apronta para jantar fora vestindo luvas sem dedo listradas de vermelho e preto, saia balonê preta, uma camiseta que é materialização diluída de uma idéia que Vivienne Westwood rabiscou nas costas de um maço de cigarros em 1976 e um par de botas que parece ter sido criado a partir das pernas ocas de um urso preto particularmente azarado. E também pela forma que deixei de ser chamado de “papai” para ser chamado de “cala a boca, Ellis”. Ela reclama que só pode mandar 500 mensagens de texto em seu KRZR horroroso (três dias de uso, ao que parece) e reclama que “não é justo” que meu Nokia tenha 8 giga. Eu estou indo muito além da mãe dela, que sequer consegue entender a última frase (o telefone dela é tão velho que é, essencialmente, um digitador de código Morse). Quando ela realmente liga para alguém, ela vai para o jardim de forma que não a ouçamos em suas Conversas Secretas e Importantes. Que quase sempre soam assim: “é… legal… é… tosco… é…”. Ela usa seu MP3 player no carro para que não tenha que ouvir às bandas “velhas e toscas” que tocam no CD player. E me repreende por não ouvir “música de pai” no escritório. Que também é referida como sendo “tosca”. Tudo é “legal” ou “tosco”. Ter contas em redes sociais é “deprê”. Ela esqueceu sua senha de email e fala com suas amigas usando sites de games e de moda. Ela usa o YouTube para ouvir música. Substantivos se tornaram opcionais: “Eu preciso coisar aquela coisa com aquela coisa e aquela outra coisa”. Sua mãe entende tudo, eu não. Deve ser por isso que ela é “legal” e eu sou “tosco”
Eu amo cada minuto disso.
E também, graças a algum problema na conexão do acesso à internet da escola dela, alguém lá pode ler este site (é, eu sei, certo?). Por isso, um dia, Lili e suas amigas encontrarão esse post.
Lili, você é uma sapinha insuportável com o poder mutante de peidar fazendo tanto barulho que pode fazer disparar os alarmes dos carros na rua.
Eu te amo, meu anjo.
A vida dela vai ser um INFERNO quando elas encontrarem isso….”
E parece que Juno e Superbad deram a largada pruma nova geração de filmes-adolescentes - e o tom, quase sempre, é indie. Detalhe: American Teen é um documentário.
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