Tag: arnaldo baptista


segunda-feira, 28 de setembro, 2009

Os diários de motocicleta de Arnaldo Baptista

A Kátia foi atrás de uma história que todo mundo sabe de ouvir falar: a paixão de Arnaldo Baptista por motocicletas e sua histórica viagem de moto do Brasil aos Estados Unidos em pleno auge da carreira dos Mutantes. Ela juntou Arnaldo com seus velhos companheiros de viagem para um papo nostálgico e ao mesmo tempo revelador sobre qualidades desconhecidas do Lóki-mor (pelo menos do grande público). Na foto que ilustra esse post, Rita Lee cronometra o então marido no autódromo de Interlagos.

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domingo, 12 de julho, 2009

Eu na Oi

Instituíram que hoje é dia do rock e o pessoal do Radioteca, da rádio Oi, me convidou pra caçar três exemplares desta espécie e exibi-los no rádio. Além de seu correspondente querido, a rádio também convidou bambas do naipe do Arnaldo Baptista, Cardoso, Curumin, BNegão, Allan Sieber, entre outros, pra fazer suas escolhas. O programa vai ao ar neste domingo, às 15h, e dá pra ouvir online (mas não sei se reprisa).

Postado por Alexandre Matias às 13:02 | 4 Comentários | Permalink

segunda-feira, 16 de fevereiro, 2009

Vida Fodona #145: Numa Bowa

No programa de hoje temos a vocalista do Yeah Yeah Yeahs virando o Mick Jagger (enquanto seu hit torna-se folk e inofensivo), a faixa que batiza o disco do ano passado de uma das melhores bandas instrumentais do Brasil, uma das músicas do Sensational Fix, novas do MSTRKRFT, Rômulo Fróes e Mulatu Astatke, Erasmo vintage, Hot Chip com Robert Wyatt, Arnaldo ao vivo, Booker T. tocando Beatles, Wilco tocando Costello, tributo a Lux Interior, Spoon, Momo, Of Montreal e Paul McCartney.

Arnaldo Baptista & Patrulha do Espaço - “Feel in Love One Day”
Rogue Wave - “Maps”
Paul McCartney - “Check My Machine”
N.A.S.A. (com Karen O, Fatlip e Ol’ Dirty Bastard) - “Strange Enough”
MSTRKRFT (com Lil Mo) - “It Ain’t Love”
Smokey Robinson & the Miracles - “Tears of a Clown (Action Jackson Remix)”
Booket T. & the MG’s - “I Want You (She’s So Heavy)”
Mulatu & The Heliocentrics - “Chinese New Year”
Sonic Youth - “Rats”
Of Montreal - “And I’ve Seen a Bloody Shadow”
Pata de Elefante - “Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha”
Wilco - “Peace, Love and Understanding”
Rafael Castro e os Monumentais - “TV”
Momo - “Fin”
Rômulo Fróes - “A Anti-Musa”
Hot Chip com Robert Wyatt - “We’re Looking for a Lot of Love (Remixed by Geese)”
Erasmo Carlos - “Grilos”
Spoon - “The Way We Get By”
Cramps - “Sunglasses After Dark”

Vambora?

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sábado, 14 de fevereiro, 2009

Hoje só amanhã: a sexta semana de 2009

Leitura Aleatória mudou para o Twitter
• Mashups de Pet Sounds com Sgt. Pepper’s, J-Dilla, Kanye West e Rubber Soul (quer dizer, esse último não é mashup) •
• Fellini recapitula a carreiratá pra download e tem vídeo ao vivo no YouTube •
• Patrulha do Espaço, a banda de Arnaldo depois dos Mutantes (e a morte de um de seus integrantes) •
• Como era um show dos Mutantes (e um filme com eles) •
• Todos os palavrões dos Sopranos •
• Michael Phelps na High Times? •
• Henry Rollins lembra Lux Interior •
• Leia esse filme e jogue esse livro •
• Sete episódios para o fim de Battlestar Galactica •
• E o Paul McCartney fingindo que não fala inglês? •
• Dilma Roussef no carnaval? •
• Obama sobre maconha •
• Nova do Arctic Monkeys •
Camelo viral
Rápido comentário sobre o terceiro episódio da quinta temporada de Lost
Globo OWNED
Fernando Naporano
A Coca-Cola do Justice
David Lynch cantando
A volta do Cara de Cavalo
Federico Fellini e o LSD
Um produto que vai revolucionar o mercado de tecnologia
• A demo de “Live Forever” •
• O problema da Comic Sans •
• Transformers 2 •
• Battlestar LOLactica •
• Thee Butchers’ Orchestra sábado passado e há mais de cinco anos • 
Tarantino 2009
Camisinha do Watchmen?
Comerciais feitos pelo público
Maconheiros boicotam Kellog’s
Radiohead no Grammy
• David after divorce •
Donnie Darko 2?
Pereio pergunta: sabe aquele homem?
• Britney com Britney •
• Lost: The Little Prince deschavado •
• “Lucy in the Sky with Diamonds” no céu •
Bloco do Bruno Aleixo
Comentando Lost: The Little Prince
Los Hermanos tocando Little Joy?
FHC quer legalizar a maconha
• Cardoso no Twitter •
• Museu de super-heróis de brinquedo •
• O adeus do Little Joy •
MP3 com o Trio Esmeril tocando os Afro-Sambas
Spot-Motion
Watchmen na capa da Mad
Beach Boys remixado
Roberto Carlos 2009
Watchmen 8-bit
Um blog de comidas gigantes
Humanos entre nós
Carmen Miranda, 100 anos

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quarta-feira, 11 de fevereiro, 2009

Um patrulheiro a menos

Falei outro dia da Patrulha do Espaço, a banda que o Arnaldo Baptista teve depois dos Mutantes, e o Pena veio me avisar que o Oswaldo Gennari, o Kokinho, baixista original e membro-fundador da banda, passou pro outro lado antes do ano novo - e me mandou o link desse saite, com mais informações sobre sua passagem, além de homenagens de amigos.

Postado por Alexandre Matias às 9:23 | 2 Comentários | Permalink

segunda-feira, 9 de fevereiro, 2009

Dos Mutantes pro Arnaldo

Sempre que se fala na carreira solo de Arnaldo Baptista, pula-se do visceral Lóki para o Singin’ Alone, o disco que inaugurou a Baratos Afins - é uma lacuna de mais de meia década que poucos comentam o que o velho mutante estava fazendo. Isso porque ninguém mais se interessou pela Patrulha do Espaço, com quem Arnaldo tocou no final dos anos 70 e gravou dois discos, o primeiro, de 77, coincidentemente batizado de O Elo Perdido e o ao vivo Faremos Uma Noitada Excelente, de 78. No documentário Lóki, o próprio Arnaldo, em imagens da época, comenta que a diferença entre os Mutantes e seu trabalho com a Patrulha é a pegada mais funky, groovy - o que, traduzindo, quer dizer que ele estava farto do rock progressivo e queria voltar à pegada crua e suja do rock dos anos 70, de bandas como Rolling Stones, Kiss e, por que não?, Tutti-Frutti.

Nos dois discos, o repertório é basicamente o mesmo que voltaria a aparecer em Singin’ Alone, com a diferença crucial que as letras, aqui, são em português, enquanto no disco de 82, passaram pro inglês. Além disso, nos discos com a Patrulha a base é bem mais pesada que a do disco solo (embora o arranjo de algumas músicas sejam idênticos nas duas épocas) e que Arnaldo, nos anos 80, já não tinha a voz que tinha antes e passa a cantar com o timbre mais grave, dando a seu segundo disco solo um ar de introspecção inexistente nas gravações com a Patrulha do Espaço.

O primeiro disco, em estúdio, começa com uma versão power de “Sunshine”, que em Singing Alone se tornaria a balada “Hoje de Manhã Eu Acordei” e é seguido por versões bem parecidas para “Emergindo da Ciência” (que viraria “Coming Through the Waves of Science”), “Corta Jaca”, “Raio de Sol” (”Sitting on the Road Side”), “Fique Aqui Comigo” (”O Sol”) e “Trem” (”Train”), além de faixas que definem o termo rock setentão, como a sensacional “Sexy Sua” e o power blues “Um Pouco Assustador”. O disco ao vivo ainda conta com uma sessão de Arnaldo ao piano (”Arnaldo Solista”), a triste “I Fell in Love One Day” e “Cowboy” (as duas últimas apareceram em Singin’ Alone, sendo que a versão da segunda, quase instrumental no disco de Arnaldo, tem direito até a solo - ruim - de bateria no disco da Patrulha). O blog Flyinghard Land descolou os dois discos pra baixar: Elo Perdido está aqui e Faremos Uma Noitada Excelente aqui.

Postado por Alexandre Matias às 16:10 | 10 Comentários | Permalink

domingo, 2 de novembro, 2008

Link Eldorado - 2 de novembro de 2008

E o programa de hoje fala sobre a disputa eleitoral nos EUA e como ela já mudou as relações entre política e a realidade eletrônica, de como tirar melhor proveito das ferramentas do YouTube, do novo Windows, da Futurecom 2008, além de um papo com Felipe Massa. No som, ouvimos Rolling Stones, Arnaldo Baptista, MGMT, Adriana Calcanhoto tocando Madonna e muito mais. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, na rádio Eldorado e São Paulo, às 21h.

Postado por Alexandre Matias às 21:32 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 31 de outubro, 2008

Vida Fodona #131: Aumenta o volume que esse cara merece

Aproveitando o lançamento do documentário sobre o Arnaldo Baptista, fiz um VF Soundsytem dedicado a um dos meus artistas brasileiros favoritos. Arnaldo é mais do que um mito para mim, é um referencial pop tão importante quanto Syd Barrett ou Jimi Hendrix - isso em termos pessoais, claro. E o programa é só uma desculpa pra enfileirar provas do talento do cara, seja ao lado dos Mutantes ou sozinho. Não liga pros primeiros segundos em silêncio - esqueci de cortar fora do arquivo.

Arnaldo Baptista - “Não Estou Nem Aí”
Mutantes - “Ave Lúcifer”
Arnaldo Baptista - “Ciborg”
Mutantes - “Trem Fantasma”
Arnaldo Baptista - “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
Mutantes - “Virginia”
Mutantes - “Desculpe, Babe”
Arnaldo Baptista - “Desculpe”
Arnaldo Baptista - “Te Amo Podes Crer”
Arnaldo Baptista - “Coming Through the Waves of Science”
Arnaldo Baptista - “Bomba H Sobre São Paulo”
Arnaldo Baptista - “Vou Me Afundar na Lingerie”
Mutantes - “Beijo Exagerado”
Mutantes - “Saravah”
Mutantes - “Uma Pessoa Só”
Arnaldo Baptista - “Uma Pessoa Só”
Rita Lee - “Superfície do Planeta”
Arnaldo Baptista - “Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?”
Arnaldo Baptista - “Hoje de Manhã Eu Acordei”
Arnaldo Baptista - “Sitting on the Road Side”
Arnaldo Baptista - “É Fácil”
Mutantes - “Dom Quixote”
Mutantes - “Dia 36″

Vamos para longe… Vamos pra onde eu vou…

Postado por Alexandre Matias às 15:51 | Sem comentários | Permalink

“Não tenho nada com isso”

Uma bula para entender o mito Arnaldo Baptista

Lá fui eu em pleno domingo pós-Tim Festival assistir à última sessão da Mostra de São Paulo dedicada ao incensado Loki, o documentário de Paulo Henrique Fontenelle sobre o mutante Arnaldo Baptista. Sou de uma geração posterior à que consumiu Arnaldo in natura, em tempo real, cronologicamente. O conheci basicamente graças aos heróicos relançamentos que a Baratos Afins fez, ainda em vinil, de toda discografia do grupo, incluindo aí os dois primeiros discos solo de Rita Lee (Build Up, que contava com Mutantes espalhados por todo o disco, e Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o “sexto disco” dos Mutantes, cronologicamente posicionado após o quinto - Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets - mas registrado como solo de Rita) quanto o mítico primeiro disco do cérebro do grupo, o denso e emotivo álbum que batiza o documentário.

(Vale um parêntese curto aqui para falar do paralelo entre o rock independente brasileiro como cena e a carreira do mutante, uma vez que a gravadora Baratos Afins, que era - e ainda é - uma loja de discos na Galeria do Rock de São Paulo, começou a existir graças à decisão, vista por muitos como kamikaze, de Luiz Calanca em lançar um segundo disco de Arnaldo. Perdido e isolado ao final dos anos 70, ele juntou seus cacos criativos - e brilhantes - para lançar outro disco igualmente denso e sentimental [embora menos emotivo] quanto Lóki, Singin’ Alone. Este lançamento também é o primeiro disco independente lançado por uma gravadora independente diretamente influenciada pelo punk inglês. Não foi à toa que o escolhi como o marco zero do rock independente brasileiro, nesta lista que fiz há tempos.)

E a história que ouvi a partir daqueles discos foi a de que o Brasil tinha um grupo tão disposto a experimentos no estúdio e tão afeito ao pop redondo quanto os Beatles. Batizados por Ronnie Von, como rezava a lenda, o grupo era de onde havia saído a Rita Lee, que surgia no rock brasileiro dos anos 80 do mesmo jeito que Iggy Pop apareceu no meio dos punks. Além dela, dois irmãos formavam o núcleo central de um grupo que ainda tinha em sua formação o mesmo Liminha que transformava bandas de moleques em novos popstars (o “nono Titã”) e o irmão do repórter de Fórmula 1 na Globo, o Reginaldo Leme. Era um grupo cujos personagens ainda habitavam o imaginário daquela década, mesmo que os Dias Baptista não produzissem mais nada que chamasse atenção dos jornais de então.

A lenda que a minha geração ouviu naqueles nove vinis (cinco dos Mutantes, dois de Rita e dois de Arnaldo) era a saga de uma amizade adolescente pirando na própria felicidade (em que a comparação com os Beatles realçava tanto o humor preto no branco de 1964 quanto as roupas coloridas de 1967) que continha a história de um casal que, graças ás drogas, deu ao filme dos Mutantes um desfecho sombrio. Em três discos perfeitos, a banda foi o melhor intérprete e compositor de um gênero fabricado, o tropicalismo, ao mesmo tempo em que assumiam o papel de principal banda de rock da história do Brasil - posto que, ainda nos anos 80, não era almejado por nenhum dos protagonistas daquela década. O contato com as drogas fez o grupo aos poucos se desintegrar em solos intermináveis e seriedade forçada - ainda mais para uma banda que era naturalmente divertida.

No centro da banda, o casamento de Arnaldo e Rita funcionava como principal ponto de equilíbrio artístico e musical da banda, mesmo que ele fosse o mais próximo de um líder que os Mutantes podiam ter - e à medida em que o rock progressivo contaminava a agenda do grupo, Rita aos poucos se via fora da brincadeira original. Partiu a banda e separou-se de Arnaldo - a ordem, na verdade, ninguém sabia dizer -, e isso fez com que os Mutantes deixassem de vez de ser uma banda pop, afundando-se no atoleiro do virtuosismo e composições épicas. E a separação de Rita foi definitiva para dar início à derrocada de Arnaldo, que ainda teve uma sobrevida entre o fim dos Mutantes e o começo dos anos 80, mas foi drasticamente abalada após a queda de quatro andares sofrida na noite do reveillon de 1981 para 1982. Meses em coma, Arnaldo foi salvo por uma fã que tornou-se namorada e parceira. Lucia Barbosa, a Lucinha, o faz mudar-se de São Paulo para um sítio em Juiz de Fora, onde as seqüelas de sua queda passavam a ser tratadas lentamente, usando a pintura como um talento descoberto, para tentar voltar a fazer música pouco a pouco.

Isso era o resumo do que, nos anos 80, sabíamos sobre a banda mais formidável da música pop brasileira, um grupo de músicos, compositores e intérpretes que pouquíssimas vezes encontraram par no século passado. Assim, longe do mainstream que um dia freqüentaram (e freqüentavam, vide Rita e Liminha), a história dos Mutantes e a saga de Arnaldo tornaram-se objeto de culto. E, lentamente, esta história começou a perder seu lado informal e lendário para dar início a um processo finalizado com o recente retorno da banda, fazendo os Mutantes finalmente assumir, com méritos, seu posto de lenda viva da cultura brasileira.

Do final dos anos 80 e durante os anos 90, a partir do relançamento dos discos pela Baratos Afins, vimos uma série de acontecimentos que, pouco a pouco, traziam à tona o mito dos Mutantes: entrevistas feitas por Sonia Maia, o fraco terceiro disco solo de Arnaldo (Disco Voador, raríssimo hoje em dia), uma primeiríssima e heróica tentativa de biografia do grupo feita por Thomas Pappon na Bizz, o disco-tributo Sanguinho Novo (com a nata do rock alternativo da época e que inaugurou a carreira de jornalistas que se tornaram produtores de universos bem diferentes durante os anos 90, Alex Antunes e Carlos Eduardo Miranda), a biografia udigrudi de Marcos Pacheco e a convencional de Carlos Calado, a chegada dos discos ao formato CD (que desenterraram o prog O A e o Z, primeiro disco dos Mutantes sem Rita, que não havia sido relançado nos anos 80), os relançamentos de discos de Arnaldo pela recém-chegada Virgin no Brasil (que republicaria Singin’ Alone e os discos da Patrulha do Espaço, ficando apenas no primeiro álbum), a descoberta de Mutantes por Kurt Cobain, outro disco-tributo (Triângulo Sem Bermudas, com artistas mais conhecidos do público em geral, como Gil, Lulu Santos, Planet Hemp, Pato Fu, Ney Matogrosso e Barão Vermelho), a coletânea lançada pela gravadora de David Byrne (Everything is Possible), uma capa (a primeira na história do grupo!) na penúltima encarnação da revista Bizz, a participação de Arnaldo no show de Sean Lennon no Free Jazz do ano 2000 e no festival Com:Tradição (também de Alex Antunes) em 2003 e, finalmente, a reformulação da banda com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee.

Graças a esta série de eventos - e outros que aconteceram no meio do caminho -, as atenções sobre a obra da banda cresceram e atingiram outras gerações, que, graças à sua indefectível qualidade, se deslumbravam com a história do grupo de amigos que, brincando, eletrificou a MPB e ampliou os horizontes da música pop no Brasil como nenhum outro artista depois dele - e também com a trágica história de seu fim, que vê uma banda ceder ao lado mais pomposo do rock ao mesmo tempo em que seu romance central desmorona, dando início à queda de uma das melhores cabeças da música brasileira.

E Fontenelle faz seu Lóki a partir disso. Reconta a história da banda e de Arnaldo a partir do show de volta em Londres, voltando para a infância de Arnaldo, entrevistando amigos pessoais, sua mãe Clarisse, seus colegas de banda (menos Rita, que não toca no assunto Arnaldo praticamente desde sua saída da banda) e outros músicos da época. A história é amparada por entrevistas recentes com o mutante e por imagens de arquivo que, verdade seja dita, são o que fazem o documentário merecer as notas 10 que tem recebido.

É um trunfo monumental. São imagens que valem ouro, ainda mais quando se cresceu à sombra de uma lenda cujo imaginário era estático. Os pouquíssimos registros em vídeo dos Mutantes - ou mesmo de Arnaldo solo, antes da queda - que haviam aparecido até os anos 90 eram vistos com solenidade e espanto. Afinal, a banda, diferentemente de seus colegas de geração, havia desaparecido do inconsciente coletivo nacional e seu registro em vídeo mais memorável era como coadjuvante de Gilberto Gil na apresentação de “Domingo no Parque” no festival da TV Record em 1968. Assim, à medida em que se desenterraram fitas de Super-8 ou velhos programas de TV, a imagem em movimento dos Mutantes era montada como se recuperasse um afresco da Idade Média: era um vídeo de “Fuga nº2″ aqui, uma aparição num filme nacional esquecido, comerciais feitos para a Shell, imagens caseiras sem som. Cada vez que se desenterrava um pequeno filme desses, o retrato dos Mutantes tornava-se menos sombrio e mais parecido com seu próprio som, alegre, ensolarado, jovem, divertido.

O filme de Fontenelle, nesse sentido, é praticamente uma revelação. Só a cena de Arnaldo Baptista tocando uma música de seu primeiro disco solo num piano posto na carroceria de um caminhão em movimento já vale todo o documentário. Mas Lóki vai muito além. Há entrevistas com a banda em seus primeiros dias de Mutantes e Arnaldo vem com uma inocência quase caipira quando fala em fazer rock no Brasil. Há vários trechos de apresentações ao vivo, além de uma série de fotos raras, trazendo imagens ainda mais diferentes da banda no palco (que levava seu nome ao pé da letra, ao apresentar-se cada vez fantasiada de uma forma). E várias entrevistas com Arnaldo depois dos Mutantes, cada vez mais avoado e mais sério, claramente sentindo a dor de carregar uma carreira que não parece fazer tanto sentido.

Da mesma forma, há fotos impressionantes - e a forma como o diretor as apresenta quando fala da relação entre Arnaldo e Rita sublinha um aspecto pouco lembrado quando se fala em Mutantes: como os dois formavam um belo casal.

(Como comentou o Pedro, é incrível que essas imagens existam, pois fomos educados sabendo que parte considerável da memória audiovisual brasileira havia se perdido naqueles famosos e mal contados incêndios em arquivos de canais de TV. Ou seja: tem gente escondendo o ouro aí… Quando é que isso vai vir a público? Será que ninguém se dispõe a lançar isso em DVD?)

Aliado às imagens, vêm os depoimentos. A princípio variados, eles, à medida que o documentário avança, vão sendo resumidos a uns poucos amigos recorrentes, como os mutantes Sérgio Dias, Liminha e Dinho, o artista plástico Antonio Peticov, o amigo de infância Rafael Vilardi e o produtor Roberto Menescal. Outros vêm e vão, sem muito acrescentar - o próprio Gilberto Gil é muito mais eficaz numa entrevista de arquivo (quando conta como conheceu os Mutantes, numa cena em que o cinegrafista está mais interessado em mostrar Caetano Veloso e Nara Leão ao fundo do que acompanhar a entrevista principal). Além destes, o grande depoimento é do maestro Rogério Duprat que, sem pestanejar, tasca que “Arnaldo é a figura mais importante da música brasileira desde que ele mesmo apareceu”.

Os depoimentos pouco acrescentam à história que já conhecíamos, funcionando basicamente como fio condutor do filme - à exceção dos momentos mais emotivos, como o mea culpa de Sérgio Dias, a parte em que Dinho fala sobre o fim dos Mutantes e a forma como Rafael se refere ao Arnaldo como um amigo, não como mito.

E é assim que Lóki funciona. O documentário, na verdade, não vai além da história que já conhecíamos nos anos 80, ele apenas põe imagens e vozes numa saga que segue no campo lendário. A certa altura do filme, Sérgio comenta um dos motivos da saída de Rita da banda, galvanizada pela lenda como sua pouca habilidade com instrumentos musicais, se comparada aos outros mutantes - e fala que a única garota do grupo prefere adotar a lenda ao fato, quando o fato em si é sem graça.

O documentário também. Cita por diversas vezes uma série de problemas que a banda teve por causa de Arnaldo, mas não vai além de comentar isso. Seu envolvimento com drogas o tornou uma pessoa difícil de lidar. Mesmo sabendo que Rita Lee não iria participar da produção, não há uma tentativa de ir além sobre o que Arnaldo teria feito de tão ruim para ela, a ponto de ela guardar essa mágoa até hoje. Em certa altura do filme, cita-se o único filho de Arnaldo e como era a relação dele com o garoto em sua infância, mas ele depois simplesmente some.

E nem é preciso ir nos pontos mais polêmicos ou críticos para mostrar os defeitos do documentário. Há uma contextualização histórica é mínima, não sabemos como os Mutantes se conheceram, onde ensaiavam, onde fizeram os primeiros shows, quem eram seus companheiros de geração e o que uns achavam sobre os outros (afinal, do mesmo jeito que trazer a guitarra para a MPB era considerado herético para os tradicionalistas da bossa nova, uma banda de rock tocar música brasileira era igualmente condenável pelos pares roqueiros). Onde gravaram seus discos, que instrumentos tocavam no estúdio, como Duprat trabalhava com a banda ou a própria questão das fantasias no palco. Não se toca no assunto das experimentações sonoras, o irmão Cláudio César Dias Baptista é citado de forma muito superficial e há depoimentos de artistas estrangeiros sobre a importância do grupo no exterior que são pesos pena na constelação mundial, como o filho de John Lennon ou Devendra Banhard. Lobão e John, do Pato Fu, que estiveram ao lado do Mutante em seu disco solo mais recente, Let it Bed, de 2004, também não acrescentam muito, como a entrevista de Zélia Duncan ou toda a parte sobre o show da banda em Londres.

Mas, há de se convir, Fontenelle pode não ter sido crítico, mas fez. Criou uma bula perfeita para entender a história dos Mutantes e a trajetória de Arnaldo, embora pouco tenha acrescentado à lenda que conhecíamos quando os discos do grupo começaram a reaparecer em vinil, nos anos 80. Neste sentido, seu filme é tão importante quanto a volta do grupo sem Rita Lee - é mais uma coroação de uma carreira, um feito construído sobre nostalgia e consagração do que algo que acrescente alguma novidade à história.

Mas talvez o documentário definitivo sobre Arnaldo não possa ser realizado ainda. Do mesmo jeito que Rita não dá entrevistas sobre Arnaldo, Arnaldo não falaria caso tivesse de cutucar feridas mais sérias. Mas, por outro lado, isso não quer dizer que Lóki seja falho ou genial - as emocionantes imagens resgatadas contrastam com detalhes imperdoáveis (como mostrar as edições em CD dos dois primeiros discos solo de Arnaldo em vez de exibir as capas dos vinis - sendo que Calanca, que tem várias cópias dos discos em vinil em sua própria loja, foi entrevistado).

Lóki, do jeito que está, funciona para explicar Arnaldo Baptista de uma forma linear e concisa para pessoas que sequer sabem de sua existência. A ênfase no impacto do grupo no exterior também sublinha um possível desdobramento do documentário: shows solo de Arnaldo Baptista no Brasil e fora dele. Não é nada má a idéia de assistir a discos como Lóki ou Singin’ Alone serem tocados ao vivo e na íntegra, como reza uma das regras de shows na primeira década desse século. Pelo contrário, pode render apresentações históricas.

Se servir só para isso, Lóki, o documentário, já tem uma razão para existir. E mesmo com todos seus defeitos, consegue, nem que por alguns minutos, tirar o manto de mito das costas do mutante para mostrá-lo como pessoa. O último depoimento de Rafael Vilardi é, neste sentido, o ponto central do documentário. Todos nós amamos Arnaldo - acredito que até mesmo Rita Lee.

Pra quem não conseguiu assistir, amanhã o documentário será reexibido na repescagem da Mostra. Vale ver, porque, até agora, não há previsão para que o filme volte tão cedo para as telas de cinema.

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domingo, 26 de outubro, 2008

“Cê tá pensando que eu sou lóki?”

…eu é que não perco a última seção do Loki na Mostra de São Paulo, hoje, às 17h, no Frei Caneca. Corre, compra, depois pensa em almoçar e votar. Porque existem prioridades na vida de cada um…

Postado por Alexandre Matias às 12:33 | 1 Comentário | Permalink

domingo, 19 de outubro, 2008

Leitura Aleatória 172


Foto: *Frankiie

1) Arnaldo Baptista é aplaudido na estréia de ‘Loki’ em SP
2) Na merda, Pepsi muda logotipo pra ver se sai do buraco
3) Como identificar um CD pirata (veja que útil)
4) Hit dos Bee Gees ajuda a salvar vidas, diz estudo
5) Príncipe da Inglaterra descobre ‘bug’ em visita ao Google
6) Black Lips comentam as exigências frescas dos Raconteurs (tipo “não pode cuspir no palco”)
7) Cobertura de tragédia no ABC deixa Record em 1º e Globo em 2º
8) Silvio Santos diz que Raul Gil é gay
9) YouTube apela para games e músicas para aumentar faturamento
10) Pedro Cardoso diz que foi mal compreendido ao atacar nudez

Postado por Alexandre Matias às 23:08 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 15 de outubro, 2008

4:20

“Não Estou Nem Aí”, no Com:Tradição, em 2003. Nem acredito que eu vi isso ao vivo…

Postado por Alexandre Matias às 16:20 | Sem comentários | Permalink

domingo, 12 de outubro, 2008

Sete dias de Trabalho Sujo

- Lula baixa MP3;
- Mercado financeiro quase derretendo: Malg deschava o economês, marmanjos pedem penico, a Economist não perde a fleuma nem quando afunda; Liniers manda a real e o He Man explica a moral da história;
- Música: Documentários do Justice e sobre o Arnaldo Baptista, a primeira-dama da França grava dueto com o vencedor do Ídolos local (e a música escolhida foi a do Juno), Beyoncé começa mal, Britney tira a roupa, Lúcio mostra a capa da Mallu, Mombojó e China lançam disco ao vivo pra download,
- Eleições: Marta fail, Sarah Palin aparece sem maquiagem na Newsweek e FoxNews chia, o freak show brasileiro (eita!) e o bom saldo do primeiro turno;
- Cultura Inútil: Marcos Mion treta com Thiago Ney (quevida.jpg), como cachorro bebe água, olha o press-kit da edição nova do Megaman, como instalam ar condicionado na Rússia, Caetano blogueiro, Dan Ackroyd e a vodka sobrenatural, o Da Vinci do Traço Mágico, outra sextape na área, Johnny Rotten vende manteiga, TOC Breakfast (com torrada customizada via USB)? Que tal um sucrilhos de eleição americana? Carro do Caça-Fantasmas à venda no eBay, vinho Sopranos, viral de pornô brasileiro, psicodelia matemática, “Take on Me” ao pé da letra, Ghetto Blaster Hall of Fame, Renata Vasconcellos baixa a guarda (que gata), recriando a parada do Curtindo a Vida Adoidado e como não ir com a cara de um programa de culinária que berra “Oswald de Andrade”? O iPhone e a pedra (ao menos não é como o iPhone na Rússia), escritores desenhados e se a Bíblia fosse uma revista;
- O Link fala sobre áudio e toca Wado e R.E.M., rolou Gente Bonita no Inferno (foi bonzaço) e Vida Fodona 128;
- Uma sexta-feira, um mashup: Radiohead com Dave Brubeck, Cinco Vídeos para o Meio da Semana: Common com Pharrell, Friendly Fires, Mombojó, Kanye West e 3 na Massa, Palavras para o Domingo: Arquivo X fala de amor, Mixtape de sábado 130: MMMathias;
- Leitura Aleatória números 156, 157, 158, 159, 160, 161, 162, e 163.

Postado por Alexandre Matias às 12:40 | Sem comentários | Permalink

segunda-feira, 6 de outubro, 2008

Só Lóki

O homem, o mito, o documentário. Será que só vai passar em mostra? E o trailer, cadê? Já me disseram que só pelas imagens de arquivo o filme é de chorar…

Postado por Alexandre Matias às 16:47 | 3 Comentários | Permalink

terça-feira, 29 de abril, 2008

Antes “Antes” que “Depois”

mutantes_2008.jpg

Com uma pequena ajuda dos amigos (Hector e Frá, Luciano e Mariana), cheguei na tal música impossível de baixar, a nova dos Mutantes. Que tosqueira. Em poucas palavras: é o Sérgio Dias tentando compor como o Arnaldo Baptista. E quem conhece o trabalho de Sérgio solo ou dele comandando os Mutantes após a saída do irmão sabe o nível da tragédia. A música é uma tentativa de psicodelia a partir de andamentos de acordes e arranjos de instrumentos específicos e temas. Temo crer que se a dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas resolvessem emular os Mutantes não sairia algo tão tosco, com trechos de puro constrangimento alheio como “você é os mutantes depois”, “o bruxo do luxo chorou” e “eles disseram que eu me perdi/ na balada do louco na noite” - fora o coda com “burnin’ it” que clona (ao menos tenta) descaradamente o encerramento das faixas psicodélicas dos Beatles. Tudo é vergonhoso.

(E antes que alguém venha dizer que “no chão vê folhas secas de jornal” ou “não há mais dia 36, tudo começa outra vez” também são letras bestas, eu peço para ouvir as músicas - a interpretação é a chave da história. Sérgio Dias canta com empolgação de jingle da Unesco.)

Tudo bem, o cara quer dizer que “é os Mutantes”. Ele tava lá, ele era um deles mesmo. Quer ganhar dinheiro com isso, ótimo. Justo. Muitos não puderam assistir ao grupo na época, muitos sequer eram nascidos e se deliciaram com a oportunidade de ver clássicos ao vivo (eu mesmo, o show no aniversário de São Paulo no ano passado foi antológico), mas é só nostalgia, parque temático sobre um passado distante. É o que une os novos Mutantes ao Roger Waters tocando Dark Side of the Moon, ao Pixies tocando toda discografia melhor que qualquer banda cover de Pixies, os Sex Pistols gordaços tocando juntos de novo (”a maior picaretagem do rock’n'roll - indeed”), o Ian Atsbury encarnando o Val Kilmer com dois ex-Doors ou o Brian Wilson regravando Smile.

Mas os Beatles pegaram um recado da secretária eletrônica do John Lennon para fazer sua “música nova” enquanto David Gilmour chamou a mulher para dar uma mão nas letras do Pink Floyd pós-Waters. Já Sérgio Dias juntou sua galera e gravou uma tentativa de tributo ao próprio grupo e à nova geração de fãs. A intenção é boa, mas você conhece o ditado. E a música é só isso: intenção (gringo compra, mas gringo compra qualquer merda, né?). Aperte o “play” por sua conta e risco.

Postado por Alexandre Matias às 12:49 | 2 Comentários | Permalink

quinta-feira, 23 de março, 2006

Indie 25

Lista complicada, o critério definido para determinar o que é ou o que não é rock independente é curto e grosso: se tem dinheiro de empresa grande, não é indie. Assim, os altos e baixos do rock nacional no mercado de discos dão a tônica da produção independente nos últimos vinte anos. Até o começo dos anos 80, ser independente era uma atitude, um manifesto - como foram os discos da fase Racional de Tim Maia e a idéia original do selo de Luís Carlos Calanca, a Baratos Afins. Mas a explosão do rock na década de 80 praticamente extinguiu a produção indie, tamanha era a demanda das grandes gravadoras - e grupos independentes por definição musical tiveram seus discos lançados por majors. A estréia de Lobão, Cena de Cinema, de 1982, por exemplo é uma demo gravada em vinil. Nos anos 90, a chegada da MTV e o sucesso do Sepultura no exterior impulsionam o faça-você-mesmo e o rock independente vive o nascimento de um mercado que começaria a se organizar nos anos seguintes. O sucesso do plano Real, em 94, determina o futuro deste mercado: se por um lado abre a possibilidade de se adquirir tecnologia graças à paridade com o dólar, por outro exclui o elitismo musical do mercado de discos, voltado apenas para classes populares. Isto aumenta a produção caseira e equipa uma primeira geração de computadores que, graças à internet, passa a se comunicar com mais agilidade e para um público específico. Chegamos ao século 21 com uma produção madura e plural, disposta a conquistar o Brasil e o planeta.

Os 25 discos abaixo são as pedras fundamentais na formação de um mercado independente, tanto do ponto de vista comercial como artístico. Cada um deles marca uma etapa concluída, um novo patamar e uma novidade no complexo jogo do rock brasileiro indie, cada vez menos abaixo e mais ao lado do pop endossado por patrões abonados, mesmo aqueles lançados sob uma chancela “indie” (como o selo Plug da BMG, o Banguela da Warner, a Tinitus que era distribuída pela PolyGram ou o Chaos da Sony). Para facilitar a compreensão e não confundir a história, o foco fica apenas no formato rock, excluindo outros agentes cruciais para a formação do mercado independente (como hip hop, heavy metal, eletrônico e hardcore). Se não, era assunto para páginas e mais páginas…


1) Singin’ Alone - Arnaldo Baptista (1982)
Marco zero da produção independente como nós conhecemos, é o primeiro lançamento da Baratos Afins e o alerta “o sonho acabou” para a geração que cresceu à sombra dos Mutantes. Um novo rock estava começando a tomar conta do Brasil (à base do chopp e batata frita) e Arnaldo Baptista chorava as próprias mágoas ao piano, atormentado emocionalmente, com baladas cruas e muito rock’n'roll. Bem distante do sol carioca que começava a bronzear o rádio.


2) 3 Lugares Diferentes - Fellini (1987)
MPB maldita, cool wave, pós-punk, bossa nova, África, cult band, art rock… Conceitos que fervilhavam no underground oitentista se encontraram numa mesma banda. Formada pelos jornalistas Cadão Volpato e Thomas Pappon, o Fellini contava com a participação de Ricardo Salvagni para gravar seu álbum menos enigmático e mais, er, pop. Entre o rock europeu e a melancolia brasileira, eles sintetizavam sentimentos que anos depois seriam traduzidos em um único adjetivo: indie.


3) O Ápice - Vzyadoq Moe (1988)
Na Sorocaba pré-Wry, o clima europeu era mais alemão do que inglês. Culpa do noise dada do Vzyadoq Moe, performáticos orgânicos que partiam pra cima do público. Menores de idade e fartos de punk rock, abraçavam o drone, o cabecismo, o ritmo kraut e o industrial desplugado, especialmente na percussão ferro-velho. O Ápice vale seu título por optar pela independência, enquanto irmãos de sonoridade do grupo (o mineiro Sexo Explícito, os cariocas Black Future e Picassos Falsos) fecharam com a certeza do contrato com grandes patrões.


4) Cascavelettes (1988)
Antes de serem banalizados por um hit na novela Top Model, pelos mimos do superstarismo e muito antes do forróck boca-suja dos Raimundos, os Cascavelettes inauguraram a fase moderna do pop gaúcho, separando os contemporâneos do Liverpool e a geração Rock Grande do Sul como farinha do mesmo saco. Usando o palavrão com motivos rock’n'roll (o rock brasileiro só os usava com motivos punk, ressaca da Censura), o grupo era um misto de Ramones pornográficos com New York Dolls machistas e seu primeiro disco (lançado um ano antes do sucesso de “Nega Bom-Bom”) mostra a disposição para injetar algo mais do que energia no indie nacional. As demos da época, todas batizadas com o nome da banda, mantém o “nível”.


5) You - Second Come (1991)
Este é o único disco do selo Rockit!, do guitarrista da Legião Dado Villa-Lobos, que pode ser considerado independente - já que o sucesso underground que fez esgotar a tiragem inicial de 3 mil discos fez crescer o olho da inglesa EMI-Odeon, que abduziu a marca. A estréia do Second Come, influenciada diretamente pelo sussurrado rock inglês pós-Madchester e pelas convulsões noise pré-grunge do underground americano, abre a segunda fase do indie brasileiro que, devido à onipresença do instrumento, começa a ser definido, anglofonamente, de “guitar” (as duas pronúncias são permitidas).


6) Little Quail and the Mad Birds (1992)
Depois de tentar seguir os passos da geração Legião-Plebe-Capital (em vão, culminando na geração do seminal Rock na Rampa, em 1987), o rock de Brasília volta-se para dentro e a capital do Brasil começa a ebulir culturalmente. Disputando cabeça-a-cabeça o título de melhor banda com o Low Dream e o de melhor demo com o Oz (a excelente Trés Bien Mon Ami), o Little Quail ganha por não soar derivativo de ninguém (nem de My Bloody Valentine, nem de Pixies). A fita é uma ótima desculpa para caçar os registros sonoros do rock candango do começo da década, que vão da fase rock do Pravda aos primórdios dos Raimundos, passando pelas excelentes, e esquecidas, Succulent Fly e Sunburst.


7) Killing Chainsaw (1992)
São os piracicabanos do KC que colocam o rock do interior de São Paulo no mapa da década de 90. O LP homônimo, lançado pela loja de discos Zoyd e sampleando o anime Akira na capa, é o ponto inicial de uma geração que deu ao Brasil instituições célebres do underground, como a casa noturna Hitchcock (em Santa Bárbara d’Oeste), o zine Broken Strings, o festival Juntatribo, a rádio Muda e o estúdio Arenna (todos estes em Campinas), além de bandas que iam do punk pop do No Class ao samba-noise do Linguachula e o industrial nerd dos Concreteness. Além de iniciar a fase caipira do indie nacional, o Killing ainda se orgulhava de seu inglês brasileiro, com sotaque “tchu” em vez de “to” e sem brit-frescuras. O rock aqui é ligado na tomada e na distorção, de pai Sonic Youth e mãe J&MC.


8) Rotomusic de Liquidificapum - Pato Fu (1993)
O disco mais esquisito da gravadora mineira Cogumelo (que já contava com esquisitices como o disco sub-Red Hot do DeFalla ou o caos sônico do Holocausto) também é o disco de estréia do Kid Abelha dos anos 90. Estranho, não? Que nada. Estranho é ouvir a versão speed para “Sítio do Picapau Amarelo” ou um hino mosh baptchura cuja citação da Unimed levou o grupo a tocar no comercial do plano de saúde. E que tal o medley esquizofônico que batiza o disco, que cita, sem pudor, os Flintstones, Kiss, baião, funk metal e beats eletrônicos? Muito mais John do que Fernanda Takai, é o disco do trio mineiro que os fãs de Mike Patton mais gostam. Com razão.


9) Scrabby? - Pin Ups (1993)
Lançado pela Devil e produzido por João Gordo, o terceiro (ou segundo, se não contarmos o LP do projeto Gash) disco dos pais do indie 90 é também seu disco mais sombrio e pesado. Fora as referências inglesas, entra o lado mais caótico e, hm, “visceral” da banda. Gravado com sua formação clássica, é uma mistura de Funhouse (dos Stooges) com Berlin (do Bowie). É o ápice das guitarras de Zé Antônio. “Acho que esse foi o disco que mais teve briga no estúdio”, lembraria o vocalista Luís Gustavo anos depois”, eu nunca vi tanta gente chorando, berrando, a Alê chorando num canto, o Marquinhos no outro”.


10) Mod - Relespública (1993)
Curitiba tem a péssima reputação de não produzir registros sonoros à altura das apresentações ao vivo de suas bandas. Discos e fitas funcionam mais como “guias” sobre o que esperar de determinado grupo do que reproduções in vitro de suas performances instantâneas. Da mesma forma, a cidade não possui rock de laboratório, aquele feito para viver em estúdio. Talvez isto explique o paradoxo fundamental da capital do Paraná: quanto mais bandas a cidade produz, menos elas se destacam em nível nacional. O primeiro compacto da Relespública (ainda com o enfant terrible Daniel Fagundes, vocalista, morto aos 16 anos) pertence à primeira safra do indie rock da cidade, custeado pela gravadora Bloody que pertencia ao mesmo JR que é dono do lendário club 92 Degrees. Com três faixas (”Capaz de Tudo”, “Preciso Pensar” e “Quem é Que Entende o Mundo?”), o vinil fala mais do rock de Curitiba do que todas compilações lançadas em seu nome.


11) Nunca Mais Vai Passar o Que Eu Quero Ver - Doiseu Mimdoisema (1994)
A influência que a Graforréia Xilarmônica, uma das dissidências dos Cascavelettes, teve sobre o rock gaúcho é muito maior que o séquito de fãs que o grupo preserva até hoje. Graças ao improvável gosto musical de seus líderes, Frank Jorge e Marcelo Birck, despertou-se no pop riograndense o prazer em redescobrir a Jovem Guarda, encravada na memória genética do estado. Esta redescoberta trombou irresistivelmente com os prazeres de uma recém-descoberta paixão gaúcha, o experimentalismo no estúdio em tempos de gravação caseira. Diego Medina fez a fita para um amigo de farra, mas a contagiante “Epilético” pulou do som da sala de estar para as ondas do rádio e virou hit local instantâneo. Medina continuaria suas experiências pop no futuro (Grupo Musical Jerusalém, Video Hits, Senador Medinha), mas sem conseguir reencontrar a ingenuidade da primeira fita, que está para o rock gaúcho atual como Angel Dust, do Faith No More, está para o novo metal.


12) Uh-La-La - Dash (1995)
Antes de provocar suspiros com seu baixo Danelectro a bordo dos Autoramas (e ao lado do ex-Little Quail Gabriel Thomaz), Simone do Vale era a líder de um supergrupo indie carioca. Gritalhona e com jeito de moleque, ela era uma das guitarrista do grupo, ao lado de Diba Valadão (na outra guitarra), Formigão (que depois entrou para o Planet Hemp, no baixo) e Kadu (ex-Second Come, na bateria). O hit “Sexy Lenore” transformou a demo Sex and the College Girl num hit do underground do Rio e fez com que o grupo fosse sondado pela misteriosa gravadora Polvo, que lançou o único CD da banda, pra ninguém. Com a capa desenhada por David Mazzuchelli, o disco passou por uma série de empecilhos que o tornaram item de colecionador. O ano era 1995, as grandes gravadoras tinham dado as costas para o rock, as pequenas perdiam ilusões de vendagens altas e vários picaretas apareceram no meio da história. O disco do Dash é apenas um dos muitos exemplos de uma geração pega com as calças na mão.


13) 100 Km c/ 1 Sapato - Lacertae (1995)
Ao mesmo tempo, o Lacertae, no Sergipe, abria uma em muitas possibilidades. Depois da seca de 1995, o mercado independente passou por uma brusca horizontalização, e sua pluralidade tornava-se sua principal qualidade. Assim, bandas de lugares sem tradição passavam a ganhar espaço no cenário, quebrando o eixo Rio-SP-BH-Brasília-PoA-Recife que já havia quebrado o RJ-SP original no começo da década. A cena começa a fragmentar-se não apenas em lugares diferentes (cidades como Goiânia, Londrina, Salvador, Fortaleza, Florianópolis, Vitória e Maceió reivindicam na marra seu próprio espaço, nos anos seguintes) mas em gêneros improváveis. Se a MTV e o Sepultura criaram um hiato noise/guitar/heavy com bandas cantando em inglês e tentando, sem sorte, o mercado exterior, a fita de estréia do Lacertae é o elo perdido entre o pop dos anos 90 e o experimentalismo dos dias do Vzyadoq Moe. Hendrix, discursos concretos e uma bateria com berimbau também mostravam que o Nordeste estava em plena ebulição artística depois do mangue beat.


14) Carbônicos - The Charts (1996)
Com a fragmentação da cena independente, São Paulo entrou numa onda retrô semelhante à gaúcha, disposta a resgatar valores sessentistas a um pop perdido entre a rádio e o anonimato. Antecipando a onda kitsch que veio com Austin Powers e o box-set do disco Nuggets, a cena paulistana passou por uma estilização visual e sonora que mais tarde seria referida, de forma irônica, como a cena “churly”. Os responsáveis pela popularização desta nova fase seria o grupo comandado por Sandro Garcia, que teve seu único disco lançado pela loja Suck My Discs dos jornalistas/músicos Alex Antunes e Celso Pucci (outra ponte dos anos 90 com o cult rock dos 80). Garcia, dono do famoso estúdio Quadrophenia, mais tarde fundaria o Momento 68 com o vocalista da banda gaúcha Lovecraft, Plato Divorack, selando assim a paixão de São Paulo e Porto Alegre pelos anos 60. (Plato aliás é a grande ausência desta lista, talvez por nenhum disco sintetizar toda a complexidade do artista).


15) Learn Alone Or Read The User’s Manual - Sleepwalkers (1996)
Aqui vamos ter motivos de sobra para reclamações. Afinal, muitos vão falar dos tempos do baterista Farmácia ou da clássica Sick Brain in Sue’s Coffee, gravada um ano antes, quando muitos sequer reconhecerão a presença da banda. O fato é que os Sleepwalkers foram a melhor banda de indie rock, em todos os sentidos, que o Brasil já teve, deixando para trás concorrentes de peso como os goianos Grape Storms, a carioca PELVs e o Grenade de Londrina. A sonoridade lo-fi, o tratamento de guitarras, o senso melódico, os refrões, o apelo pop - as qualidades do grupo catarinense podem encher parágrafos e mais parágrafos. Mas além de sua qualidade, sua importância se dá por tirar o pop catarina da vibração riponga de bandas como Phunky Buddha e Dazaranhas. Depois deles, vieram o Feedback Club (da ex-sleepwalker Sabrina), o Superbug, os Pistoleiros, o Pipodélica e as gravadoras Low Tech e Migué Records, dando força à cena ilhéu de Floripa.


16) Baladas Sangrentas - Wander Wildner (1997)
Luminar do punk brasileiro para as massas dos anos 80, o ex-vocalista dos Replicantes seguiu os passos da primeira safra dos anos 90 (comprada pelas majors) e o moldou para o underground. Como os Raimundos tinham o forró, o Planet Hemp tinha a maconha e o mangue beat, os caranguejos; Wander inventou uma máscara para facilitar sua absorção pelo mercado - e com o rótulo “punk-brega” vendeu-se para uma nova geração ao mesmo tempo em que amadurecia sua personalidade pública. Mas, mais importante, a carreira solo do velho WW era uma prova cabal que o rock independente pouco tem a ver com juventude ou faixa etária.


17) Menorme - Zumbi do Mato (1997)
O Zumbi do Mato é o som que Fausto Fawcett e Arrigo (ou Paulo) Barnabé fariam juntos se tivessem alguma afinidade. Mas, mais do que isso, é o ponto de convergência de diversos aspectos do pop carioca, representados por diversas instituições. Há o humor doentio do Gangrena Gasosa, a explosão cênica de Piu-Piu & Sua Banda, a podreira das primeiras fitas do Pólux, as gravadoras Tamborete (do jason Leonardo Panço) e Qualé Maluco (dos planet hemp B-Negão e Formigão), a repetição do Stellar, o choque de Rogério Skylab e o som metal da segunda vinda do Second Come. Além disso, o grupo continua o legado experimental retomado pelo Lacertae que resultou na safra de vanguarda da virada do século, com nomes como Objeto Amarelo, os Jersssons (São Paulo), Os Legais (SC) e Vermes do Limbo (Londrina).


18) A Sétima Efervescência - Júpiter Maçã (1998)
O disco de estréia do ex-cascavelette Flávio Basso é um passo adiante nos conceitos vendidos pelos Charts e por Wander Wildner. Rock adulto, retrô e psicodélico, A Sétima Efervescência sagrava a maturidade da mesma geração que havia tomado a porta-na-cara das gravadoras depois da efervescência do biênio 93/94 e a independência do formato perseguido pelas gravadoras, sem deixar de soar pop, brasileiro e cantando em português e inglês. É o primeiro blip no radar de um mercado que viria, em menos de um ano, a galinha de ouros do trio sertanejo-axé-pagode começar a dar com os burros n’água.


19) Chora - Los Hermanos (1999)
A segunda fita do quinteto Los Hermanos escancarava um pop estritamente radiofônico que foi forjado longe do universo do mercado fonográfico. O grupo liderado por Marcelo Camelo era a continuação do trabalho de uma geração de bandas cariocas que misturavam ska, funk, reggae e samba (nomes como Los Djangos, Acabou La Tequila e, mais tarde, Pedro Luís & A Parede). Mas o grupo ia além e se alinhava ao ecletismo chique de bandas de sua geração, como 4-Track Valsa, Vibrossensores, Vulgue Tostoi, entre outros. Fora os maneirismos apaixonados (que levaram a banda receber rótulos como romanticore e pop brega), a fita mostrava que as possibilidades cogitadas por Júpiter Maçã poderiam ser exploradas a fundo, tanto artística quanto comercialmente. Mas o mercado, acostumado com seu próprio toque de Midas, comprou a banda e forçou “Anna Júlia” a fazer sucesso, overdosando o público do que poderia se tornar os Paralamas do século 21 (e ainda pode, apesar de tudo).


20) Astromato (1999)
Continuação dos experimentos noise e industrial da época do Waterball (92-95), o Astromato era filho direto do Weed, banda de pop guitarreiro britânico que, brincando com as palavras, passou a compor em português e se deu bem. Sua primeira fita era mais um degrau na escalada que o indie brasileiro dava rumo à sua auto-suficiência artística. Se gaúchos e cariocas ajudavam o rock a perder o jeito de moleque, os campineiros explicavam que algumas qualidades (como sensibilidade e timidez) não pertenciam à adolescência. Além disso, a dupla de guitarras Armando e Pedro tramavam texturas sônicas à moda das bandas inglesas que tanto influenciaram o indie no começo dos anos 90 (e que ainda repercutiam, graças a bandas como os mineiros Vellocet, o carioca Cigarettes e os catarinenses Madeixas). Aos poucos, o ciclo vai se fechando.


21) De Luxe 2000 - Thee Butchers’ Orchestra (1999)
Cru e direto, o TBO é a melhor banda de rock’n'roll brasileira na ativa e sua existência se deve à dissidência garageira que rompeu com o indie no meio dos anos 90. Seu núcleo central era o trio da gravadora Ordinary (a produtora Deborah Cassano, seu marido Marco Butcher, ex-Pin Ups, e o guitarrista e produtor Adriano Cintra), que, além dos Butchers’ foi responsável pelo lançamento de bandas como Ultrasom (de Adriano), Red Meat, Spots, Grenade, entre outras. Mais do que agitar o underground com duas guitarras e uma bateria, o Butchers’ está ligado à fase de ouro do indie anos 90, quando o rock brasileiro começou a conversar com os gringos, sem passar pelos veículos oficiais.


22) It’s An Out of Body Experience - Grenade (1999)
O Grenade era o próximo patamar. Fruto dos experimentos lo-fi do ex-Killing Chainsaw Rodrigo Guedes, o grupo nascia em Londrina e logo se tornava um dos maiores nomes do indie nacional. A repercussão se dava graças à sensibilidade de Rodrigo, pai de riffs memoráveis, melodias pop ao extremo e pirações em estúdio. O som ia do rock clássico ao hardcore, passando por folk e indie rock. Lançado no exterior, Out of Body Experience poderia é a conclusão lógica do longo passeio que o rock independente fez durante a década de 90.


23) Brincando de Deus (2000)
O terceiro disco destes baianos deveria ter o título que Experience, do Grenade, levou. Afinal, seria lançado um ano antes e produzido por Dave Friedmann (Flaming Lips, Mercury Rev, Mogwai) caso todo seu equipamento e pré-produções não fossem perdidos num incêndio. O grupo se refez e, ao lado do talentoso produtor e tecladista André T. (responsável pela sonoridade de novos baianos como Rebeca Matta e a banda Crac!), gravou seu álbum definitivo, imbatível. Um disco que poderia ser lançado no mercado exterior sem dificuldades e que, apesar da anglofilia, é essencialmente brasileiro.


24) Peninsula - PELVs (2000)
Completando dez anos de banda e dez anos do selo carioca Midsummer Madness, a PELVs faz um disco igualmente robusto como o do Brincando de Deus, mas cheio de ganchos pop e melódicos. Uma obra-prima do indie nacional, Peninsula soa como todos os independentes querem soar: profissa, autêntico, despreocupado e livre, como se o mercado de discos brasileiro permitisse isto. Se ele não permite, a deixa fica para o indie.


25) O Manifesto da Arte Periférica - Wado (2001)
Além de coroar a recente produção de Maceió (a saber, Varnan, Mopho e Sonic Junior), o disco de estréia do ex-Ball Oswaldo Schlickmann é o auge da produção independente brasileira dos últimos 20 anos. Tem todas as qualidades dos discos citados nesta lista, além de falar em português, compor letras certeiras e experimentar à vontade no estúdio. Se chegamos até aqui com este nível, daqui pra frente é só crescer.

Não lembro pra quem eu escrevi esse texto… Acho que foi pra Zero.

Postado por Alexandre Matias às 16:52 | 15 Comentários | Permalink

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