22 de julho de 2010 às 7h22
Bom dia lóki
Tirando remelas do cérebro…
Como você avalia o som dos Mutantes hoje?
Eu acho que tá mais… gay (risos gerais). É um papel carbono dos Mutantes de antigamente, sem orquestra e com sintetizador. O Sérgio nunca foi de estudar, sempre foi meio rebelde, mas ultimamente, nos ensaios, ele vinha tentando dar uma de professor. Fica dando ordem, bronca, parece uma escola de música, não mais um conjunto. Eu cansei de convidá-lo pra vir até a minha casa, mas ele nunca foi. A humildade pra ele é muito difícil de entender. Mas isso já passou.
A Kátia foi atrás de uma história que todo mundo sabe de ouvir falar: a paixão de Arnaldo Baptista por motocicletas e sua histórica viagem de moto do Brasil aos Estados Unidos em pleno auge da carreira dos Mutantes. Ela juntou Arnaldo com seus velhos companheiros de viagem para um papo nostálgico e ao mesmo tempo revelador sobre qualidades desconhecidas do Lóki-mor (pelo menos do grande público). Na foto que ilustra esse post, Rita Lee cronometra o então marido no autódromo de Interlagos.
Instituíram que hoje é dia do rock e o pessoal do Radioteca, da rádio Oi, me convidou pra caçar três exemplares desta espécie e exibi-los no rádio. Além de seu correspondente querido, a rádio também convidou bambas do naipe do Arnaldo Baptista, Cardoso, Curumin, BNegão, Allan Sieber, entre outros, pra fazer suas escolhas. O programa vai ao ar neste domingo, às 15h, e dá pra ouvir online (mas não sei se reprisa).
No programa de hoje temos a vocalista do Yeah Yeah Yeahs virando o Mick Jagger (enquanto seu hit torna-se folk e inofensivo), a faixa que batiza o disco do ano passado de uma das melhores bandas instrumentais do Brasil, uma das músicas do Sensational Fix, novas do MSTRKRFT, Rômulo Fróes e Mulatu Astatke, Erasmo vintage, Hot Chip com Robert Wyatt, Arnaldo ao vivo, Booker T. tocando Beatles, Wilco tocando Costello, tributo a Lux Interior, Spoon, Momo, Of Montreal e Paul McCartney.
Arnaldo Baptista & Patrulha do Espaço – “Feel in Love One Day”
Rogue Wave – “Maps”
Paul McCartney – “Check My Machine”
N.A.S.A. (com Karen O, Fatlip e Ol’ Dirty Bastard) – “Strange Enough”
MSTRKRFT (com Lil Mo) – “It Ain’t Love”
Smokey Robinson & the Miracles – “Tears of a Clown (Action Jackson Remix)”
Booket T. & the MG’s – “I Want You (She’s So Heavy)”
Mulatu & The Heliocentrics – “Chinese New Year”
Sonic Youth – “Rats”
Of Montreal – “And I’ve Seen a Bloody Shadow”
Pata de Elefante – “Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha”
Wilco – “Peace, Love and Understanding”
Rafael Castro e os Monumentais – “TV”
Momo – “Fin”
Rômulo Fróes – “A Anti-Musa”
Hot Chip com Robert Wyatt – “We’re Looking for a Lot of Love (Remixed by Geese)”
Erasmo Carlos – “Grilos”
Spoon – “The Way We Get By”
Cramps – “Sunglasses After Dark”
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Falei outro dia da Patrulha do Espaço, a banda que o Arnaldo Baptista teve depois dos Mutantes, e o Pena veio me avisar que o Oswaldo Gennari, o Kokinho, baixista original e membro-fundador da banda, passou pro outro lado antes do ano novo – e me mandou o link desse saite, com mais informações sobre sua passagem, além de homenagens de amigos.
Sempre que se fala na carreira solo de Arnaldo Baptista, pula-se do visceral Lóki para o Singin’ Alone, o disco que inaugurou a Baratos Afins – é uma lacuna de mais de meia década que poucos comentam o que o velho mutante estava fazendo. Isso porque ninguém mais se interessou pela Patrulha do Espaço, com quem Arnaldo tocou no final dos anos 70 e gravou dois discos, o primeiro, de 77, coincidentemente batizado de O Elo Perdido e o ao vivo Faremos Uma Noitada Excelente, de 78. No documentário Lóki, o próprio Arnaldo, em imagens da época, comenta que a diferença entre os Mutantes e seu trabalho com a Patrulha é a pegada mais funky, groovy – o que, traduzindo, quer dizer que ele estava farto do rock progressivo e queria voltar à pegada crua e suja do rock dos anos 70, de bandas como Rolling Stones, Kiss e, por que não?, Tutti-Frutti.
Nos dois discos, o repertório é basicamente o mesmo que voltaria a aparecer em Singin’ Alone, com a diferença crucial que as letras, aqui, são em português, enquanto no disco de 82, passaram pro inglês. Além disso, nos discos com a Patrulha a base é bem mais pesada que a do disco solo (embora o arranjo de algumas músicas sejam idênticos nas duas épocas) e que Arnaldo, nos anos 80, já não tinha a voz que tinha antes e passa a cantar com o timbre mais grave, dando a seu segundo disco solo um ar de introspecção inexistente nas gravações com a Patrulha do Espaço.
O primeiro disco, em estúdio, começa com uma versão power de “Sunshine”, que em Singing Alone se tornaria a balada “Hoje de Manhã Eu Acordei” e é seguido por versões bem parecidas para “Emergindo da Ciência” (que viraria “Coming Through the Waves of Science”), “Corta Jaca”, “Raio de Sol” (“Sitting on the Road Side”), “Fique Aqui Comigo” (“O Sol”) e “Trem” (“Train”), além de faixas que definem o termo rock setentão, como a sensacional “Sexy Sua” e o power blues “Um Pouco Assustador”. O disco ao vivo ainda conta com uma sessão de Arnaldo ao piano (“Arnaldo Solista”), a triste “I Fell in Love One Day” e “Cowboy” (as duas últimas apareceram em Singin’ Alone, sendo que a versão da segunda, quase instrumental no disco de Arnaldo, tem direito até a solo – ruim – de bateria no disco da Patrulha). O blog Flyinghard Land descolou os dois discos pra baixar: Elo Perdido está aqui e Faremos Uma Noitada Excelente aqui.
E o programa de hoje fala sobre a disputa eleitoral nos EUA e como ela já mudou as relações entre política e a realidade eletrônica, de como tirar melhor proveito das ferramentas do YouTube, do novo Windows, da Futurecom 2008, além de um papo com Felipe Massa. No som, ouvimos Rolling Stones, Arnaldo Baptista, MGMT, Adriana Calcanhoto tocando Madonna e muito mais. O Link Eldorado vai ao ar todo domingo, na rádio Eldorado e São Paulo, às 21h.
"Faça um ritual, mentalizando seus anseios" - Barbara Abramo. Desde 1995
Profissão: autobiógrafo.
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alexandrematias [@] gmail.com


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