Eis a estréia da minha coluna sobre cultura digital ontem. A coluna Impressão Digital completa o meu blog no Link e sai todo domingo, no Caderno 2.
Depois de muita espera, o trailer da sequência do clássico de ficção científica Tron (1982) foi “decifrado” nesta semana. Explico: em vez de ser apenas lançado, o trailer do filme anunciado em 2008 na feira de cultura pop Comic Con (com nomes de peso como a dupla francesa Daft Punk na trilha sonora e Jeff “Lebowski” Bridges no elenco) teve de ser desvendado em uma espécie de competição online. As pistas foram espalhadas por sites com mensagens cifradas. Coletivamente, os fãs solucionaram os enigmas que, reunidos, revelavam o caminho para encontrar o trailer do filme.
O formato não é novo. Chama-se “narrativa transmídia” e é usado em quase todo grande lançamento hoje em dia. Filme, série, disco e livro ganham vida para além de seus formatos originais para se espalharem por outras mídias. O aclamado disco In Rainbows (2007), da banda inglesa Radiohead, só foi disponibilizado gratuitamente para download depois que pistas enigmáticas foram deixadas pelo grupo em seu site. O mesmo acontece com a série Lost, em que dicas deixadas pelos produtores tanto nos episódios quanto em sites estimulam a interação com o telespectador.
Toda esta complexidade parece intransponível para quem apenas observa de fora. A chegada do computador e da internet à indústria cultural fez que este processo múltiplo fosse acelerado. E o que estamos assistindo nestes novos anos 10 é a maturidade da cultura pop.
O pop surgiu durante a Depressão norte-americana, quando diversões baratas como quadrinhos, cinema, discos, literatura pulp e fliperamas se difundiram como opção de entretenimento para as massas.
No pós-Guerra, esta mesma cultura tornou-se jovem, e o adolescente - encarnado em nomes como James Dean e Elvis Presley -, público-alvo. Desde os anos 60, contudo, este mercado já não é composto apenas por sucessos descartáveis. E graças a nomes como Beatles, Bob Dylan, Zappa, Velvet Underground, Crumb e as revistas Mad e Rolling Stone, o pop foi engrossando a sua voz.
Diferentes autores localizam momentos específicos em que o que parecia ser banal ficou sério. O escritor Steven Johnson define que este momento é a série policial Hill Street Blues, dos anos 80, em que pela primeira vez os protagonistas não tinham a obrigação de aparecer em todos os episódios. O crítico Chuck Klosterman aponta para os anos 90, quando, na terceira temporada do reality show Real World, da MTV, o elenco começou a perceber que poderia atuar num programa que primava pela espontaneidade. Há outros: a chegada da geração inglesa (Neil Gaiman, Alan Moore) à HQ americana, a ida de David Lynch para a TV (em Twin Peaks), o momento em que DJs tomaram consciência do que poderiam fazer com a música alheia e o excesso de referências de Matrix, além da própria contracultura.
A era digital fez que os muros entre os nichos do pop desabassem e a paisagem cultural se tornasse eletrônica no novo século. Nela, todos estão conectados entre si e os polos emissores e receptores da comunicação se confundem. Não é à toa que Lady Gaga lançou nesta semana um clipe (”Telephone”) que não é só um vídeo promocional mas um curta, com direito a citação literal de Tarantino - e que foi lançado, como o trailer de Tron Legacy, direto na internet.
“I’m out and I’m gone!”
Beastie Boys x ‘Galactica’
O dono do login katamaran78 no YouTube fez um mashup reeditando o clipe de “Sabotage”, dos Beastie Boys, com imagens do seriado de ficção científica Battlestar Galactica. Busque pelos termos “Sabotage” e “Galactica” no site. Ele ainda editou um vídeo em que mostra as versões - o clipe original e seu mashup - para comparar as duas.
“Play it again”
A segunda vinda do Keyboard Cat
Fatso, hit no YouTube tocando teclado, morreu vinte anos antes de virar mania. Esta semana seu dono revelou sucessor para o bichinho, chamado Bento.
Vi no Charles. E depois encontrei esse vídeo, comparando quadro a quadro o clipe original e o remake.
Dublaram episódio de Battlestar Galactica com as vozes do Laboratório Submarino 2021…
Um dos grandes momentos da última temporada de Battlestar Galactica transformado em delírio 8-bit. Assista em tela cheia.
Não bastasse o box dos Beatles, olha o que apareceu essa semana…
Fodona, hein. Mas o box não tem sequer um encartezinho com um texto sobre a série, limitando-se a 20 discos com as quatro temporadas e os episódios paralelos como Razor e The Resistance - embora não conte com o DVD de Caprica (que já saiu esse ano) e a websérie Face of the Enemy, que antecipou a última parte da quarta temporada. O box ainda vem com um robôzinho Cylon, mas pelo que disseram é meio tosco. E como The Plan, o filme sobre a série do ponto de vista dos cylons, ainda vai sair, não duvide se lançarem ainda mais um outro box logo, logo - incluindo esses extras que eu falei.
E, sim, eu sei que eu tou devendo falar sobre o final da série - é que tem muita coisa rolando no Link (em breve umas vêm a público) e é natural que ele seja prioridade. E, pelo jeito, vou misturar com a resenha do Lost e do Tru Blood - séries que, aparentemente, têm pouco em comum, mas que optaram por elementos épicos para alimentar suas próprias mitologias. Mas pode ficar tranqüilo que eu falo de cada uma delas, em separado. Como se não bastasse isso, ainda tem a retrospectiva, que está em processo…
É isso mesmo: quatro anos e meio de seriado revistos do ponto de vista do inimigo. E o Caprica, você já viram? A solução que eles encontram pra inteligência artificial é genial… Semana que vem eu falo disso.
Era, não mais. Mas Caprica aos poucos toma forma…
E, sim, eu sei que tou devendo o comentário sobre o final da série, que aconteceu exatamente no mesmo dia do show do Radiohead no Rio - aí, já viu… Mas além do final de BSG, devo retomar a retrospectiva de vez na semana que vem, que é minha última semana antes das minhas férias, quando fico três semanas fora (será que vocês agüentam?). Se eu vou conseguir zerar a contagem regressiva de 2008 eu não sei, mas vou dedicar a semana a isso - além de comentar alguns discos que eu deixei de falar desde o início do ano, e, claro, comentar o próximo episódio de Lost.
Mas antes de sair de férias, tou preparando uma coisinnha pra deixar de presente pra vocês.
E por falar em Watchmen, Assisti aos tais extras do filme que acabaram de sair em DVD lá fora. Um é uma bomba gigantesca, já o outro…
Primeiro, a bomba. Contos do Cargueiro Negro, como eu já disse, é uma história em quadrinhos dentro da história em quadrinhos. No Watchmen original, ela é lida por um personagem mais do que secundário, mas sua narrativa aos poucos vai sendo superposta à história original, contrapondo aspectos do gibi de piratas com a saga de Watchmen. Toda a discussão sobre como ela poderia ser encaixada na versão para o cinema (será que, em vez de ler uma HQ, o tal personagem teria um DVD player portátil) ficou para trás depois que Zack Snyder anunciou que a transformaria em uma história à parte, num desenho animado. Aí a dúvida mudou: em vez de perguntarmos como ela coexistiria no filme, agora é a vez de saber se ela se sustenta sozinha.
Eu achava que não, mas a animação consegue ser ainda pior do que eu supunha. Pra começar, não existe relação nenhuma da história com Watchmen (a única sugerida, quando o sobrevivente do naufrágio ergue a vela de sua jangada mórbida, é de uma tosquice descomunal). Depois, principalmente, pelo fato da história ter sido completamente modificada. Se no quadrinho ela era um monólogo tétrico e sem esperança, no desenho surge personagens que dialogam com o protagonista. Qual o sentido dessas alterações? Não bastasse a falta de lógica, a mudança não melhora a narrativa - pelo contrário, piora e muito. E mesmo com trechos inteiros citados diretamente da obra de Alan Moore, ela agora é piegas e chinfrim, sem o peso depressivo que tinha originalmente. Para finalizar, a animação é um anime bem meia-boca e a voz do protagonista, cortesia do ator Gerard Butler, não passa sentimento algum.
Já Sob o Capuz é outra história. A princípio, o média metragem parecia ser mais um dos trocentos vídeos virais feitos para divulgar o filme, só que com a extensão prolongada. E é isso - mas não apenas isso. Os três capítulos da autobiografia do primeiro Coruja, Under the Hood, originalmente vinha no final das três primeiras edições de Watchmen, como se fosse um livro. Servia para contextualizar a história do time de super-heróis que precedeu Watchmen, os Minutemen.
Quando torna-se um filme, no entanto, a mudança de linguagem valoriza o novo formato. Assim, assistimos a um programa de TV nos anos 70 que, devido à recente lei que proibira heróis mascarados, resolve reprisar trechos de uma reportagem feita pelo próprio programa dez anos antes, quando Hollis Mason - o Coruja original - foi entrevistado devido ao lançamento de sua autobiografia - que, por sua vez, tem boa parte dos acontecimentos ocorridos nos anos 50.
Então temos um filme que superpõe três décadas - tanto em termos de comportamento quanto estética - com maestria televisiva (afinal, não é um filme, e sim um programa de TV), ao mesmo tempo em que se aprofunda na história dos Minutemen, que foi apenas aludida no primeiro filme. De fato, é um um vídeo da mesma natureza das dezenas de virais que apareceram antes do filme vir à tona. Mas também é parte crucial da história de Watchmen - se conseguimos entender a idéia geral de realidade levemente paralela cogitada no universo criado por Alan Moore no filme, em Sob o Capuz conseguimos ir além sem necessariamente tornar a história (ainda) mais densa. O extra é um filme leve e divertido, com algumas cenas e passagens que aludem à violência e depressão do filme de Snyder, mas que olha para os lados para tentar explicar o que aconteceria se super-heróis - com superpoderes ou não - realmente existissem em nossa realidade.
Sob o Capuz poderia ser, muito mais do que o Cargueiro Negro, tranqüilamente diluído na edição do filme original, tornando-o ainda maior do que as três horas e dez minutos proposta pela versão definitiva de Zack (que, se tudo der certo, chega aos cinemas no meio do ano ou, se tudo der errado, vai direto pro DVD). Intercalando cenas de um programa de TV com as diferentes histórias paralelas poderia dar um certo ar Frank Miller para o filme (vocês lembram do papel da mídia como narrador em O Cavaleiro das Trevas, que foi surrupiada por Paul Verhoeven no primeiro Robocop, né?), mas certamente funcionaria - incluindo seus comerciais setentões (meu favorito é o da Seiko, lançando o relógio digital).
Mas talvez seja melhor deixá-lo à parte. Assim o filme não torna-se ainda mais demorado e podemos entrar num hiperlink da história. E eis um salto narrativo considerável, primo do própria forma artesanal com que a história original foi concebida - escrita por uma pessoa, desenhada por outra, colorizada por mais uma para, só então, ir para o processo industrial. Sem querer, Watchmen abre uma possibilidade de ampliar ainda mais um único produto. Se a produção se esmerasse nisso, talvez teríamos ainda mais desdobramentos num leque de produtos e formatos ainda mais amplo do que o que está sendo usado.
Falando só em Watchmen: se o filme fosse um sucesso, poderia ver outros subprodutos ainda mais complexos da franquia, com a publicação da própria autobiografia de Hollis Manson, uma série de programas de TV sobre super-heróis nos anos 60 e 70 (e não apenas um extra), a transformação do New Frontiersman num blog com notícias de verdade, gibis pornô estrelando Sally Jupiter (referido no filme e sublinhado em Sob o Capuz) até a materialização de uma franquia do restaurante Gunga Din (ou, se sua megalomania não pode conceber isso, a transformação mensal de uma franquia de fast food em um Gunga Din).
O mesmo poderia ser feito em relação a Lost - todos os personagens poderiam ter subprodutos com suas vidas anteriores ao acidente com o vôo 815. Na verdade, a própria ABC já ganha um bom dinheiro vendendo vários produtos com a marca Dharma (uma grife fictícia). Battlestar Galactica vai além - após o uso de determinadas roupas, cenários e apetrechos, eles vão simplesmente à leilão através do site Sci-Fi Channel.
O pop do futuro será consumido em camadas cada vez mais profundas e interconectadas, seja ficção ou não-ficção. Fora do material ficcional é fácil desdobrá-las: afinal os personagens de reality shows todos têm suas próprias vidas e as receitas e hotéis em programas de gastronomia e turismo existem de verdade. Mas é na ficção que reside o maior desafio: se antes Tolkien ou Roddenberry eram considerados excêntricos e nerds por inventarem as linguagens élfica e klingon, no Senhor dos Anéis e em Jornada nas Estrelas, respectivamente, hoje essa é a regra para quem quiser começar a conceber ficção. O começo, meio e fim têm de estar arquitetados de tal forma que explorar o universo fictício não seja apenas possível, mas inspire o leitor/espectador/ouvinte a mergulhar cada vez mais e, claro, participar. Lost, Watchmen e Battlestar Galactica (entre muitos outros) são apenas alguns degraus no rumo disso - a década seguinte, aposto, será dedicada a este tipo de descobrimento.
E no aquecimento pro final do seriado hoje, que tal assistir ao Battlestar Galactica: The Last Frakkin’ Special, que o Sci-Fi Channel fez em homenagem ao final do seriado e foi exibido segunda passada? O torrent tá aqui.
Como o final de Battlestar Galactica pode antecipar o final de Lost
E por falar nisso, será veiculado hoje nos EUA o último capítulo de Battlestar Galactica. Na verdade, Daybreak começou na sexta passada, quando a primeira parte do final da série foi exibida, embora seu criador, Ron D. Moore, insista que estas três horas (a parte final do episódio tem duas) sejam vistas como um filme.
O que isso tem a ver com Lost? A princípio, nada. Afinal, Battlestar Galactica é uma série de ficção científica clássica, com robôs, sistemas solares e naves espaciais usados como metáforas para questões que fazem sentido fora daquele universo fictício. Renascida após o 11 de setembro, a série aproveitou as nuvens negras que pairavam sobre o imaginário mundial para ir além do trivial, politizando os roteiros sem separar mocinhos de bandidos.
Mas Lost também é uma série de ficção científica, embora não discorra sobre temas clássicos ao gênero e use (por enquanto) o artifício das viagens no tempo como recurso narrativo, além de moer os miolos dos espectadores menos afeitos aos mistérios e enigmas da ilha.
Battlestar Galactica, por sua vez, tem seus mistérios e sua mitologia. Além das referências militares, filosóficas e religiosas, seus criadores bolaram uma trama que tem início muito antes dos acontecimentos exibidos na série (como Lost), que conta com alguns pontos-chaves nublados em sua genealogia (como Lost), como a origem de toda a história (como Lost) e a natureza de alguns personagens (como Lost). E também como Lost, a série não faz muita questão de ser didática nas explicações, empilhando roteiros paralelos e novos personagens sem sequer dar uma luz sobre as principais questões feitas pelos fãs.
E eis que chegamos ao capítulo final com uma série de dúvidas. No começo do ano, o blogueiro Alan Sepinwall conversou com Ron D. Moore a possibilidade destas questões serem respondidas ou não até o final da série. E, em certo ponto da entrevista, Alan traça um paralelo entre Lost e BSG:
One of the things I find interesting is, on “Lost,” Cuse and Lindelof have always claimed they have a master plan and know where it’s all going, and fandom has been skeptical at times and said, “Yeah, right.” Whereas you’ve been pretty candid about the fact that you’ll throw stuff out there and figure it out later, and yet people assume there’s some cohesive plan to “Galactica.” How do you pull that off to make it seem like there’s a plan?
To me, that’s the job. The job is to figure a way along in a story but make it all feel like it’s seamless, to make it all make sense. Hopefully, if I’ve done my job right, when all is said and done and the story’s been put to bed and you’ve got the entire set of DVDs before you and you watch them, that it feels like a cohesive narrative — that stuff we just threw up and decided to take a flier on without ultimately knowing where it would pay off, when you look at in hindsight, that it all tracks. You’re painting this large painting on this big canvas, and you may not know what it’s going to look like at the end, but when you’re done, you want it to feel like it’s a cohesive vision and makes perfect sense.
E continua:
One of the things I’ve always liked about your storytelling style is that you let a lot of things just be assumed: “Oh, the fans are going to understand this, we don’t need the technobabble or whatever. I just want to hit the parts of the story that are interesting to me, even if we don’t explain everything.”
I like doing it that way. On some level, I write the show for me and what I like, and I flavor everything in that light. “This is how I would like to tell a story.” And I just assume that the audience is as smart as me, easily and they’ve seen a lot of TV and seen a lot of stories, and they can fill in the blanks and make the leaps with me on certain things.
Voltando para Lost, é como se a questão sobre os ursos polares em uma ilha tropical já tivesse sido respondida. Afinal, sabemos que para “mover” a ilha, é preciso ter muita força (Ben e Locke penaram) e girar uma roda que fica em uma câmara gelada. Como sabemos que a Iniciativa Dharma fazia testes com animais (vide as jaulas da terceira temporada), podemos dizer que eles trouxeram os ursos para a ilha apenas para girar a roda secreta. E aí, Alan volta a perguntar:
A lot of times in the podcast, you’ll say things like, “I know people are interested in this, but that’s really not where the story’s going.” You didn’t really deal with the toasters becoming sentient again, that sort of thing. After I watched “Revelations,” I thought it was a great ending, but I jotted down a list of things that still had to be dealt with. I’m wondering, without you giving it away, whether these things are going to be addressed or whether these are things that we’re thinking a lot more about than you were.
Do you have a list?
Sim, Alan tinha uma lista com as principais questões relacionadas ao seriado. Como a entrevista foi feita no início do ano, algumas questões ainda estavam em aberto - e já foram respondidas nesta temporada. Outras, no entanto, seguem sem resposta até o último episódio. Vamos recapitular com Alan e Moore (uops), que eu comento o que já foi respondido até aqui nos parênteses.
Obviously, the identity of the final Cylon, we will find this out?
Yeah. (Soubemos logo no início do ano)The origin and nature of the Final Four and how they’re different from the rest of them?
Yes. (Também já respondido)The origin of the rest of the skinjobs?
Yes. (Outra resposta que já foi dada)What happened to Earth and what happened to the 13th Colony?
Yes. (Só sabemos da metade)Who, if anyone, is orchestrating all of this?
Basically, yeah. I don’t know if it’s going to be wrapped up in a neat bow. The show has an answer for it, whether it’s a satisfying answer, I don’t know. (ainda não sabemos isso)Will “All this has happened before and it will happen again” be explained in some way?
Yes. (Parcialmente respondido)The opera house?
Yes. (Nada ainda)What happened to Kara when she went through the Malestrom?
Pretty much. (Ainda em aberto)Identity and nature of the “head” characters?
Yes. (Sem resposta)Tigh and Six’s baby, and whether that means Cylons can breed?
Yes. That’s not a “yes” to whether they can breed — the question will be answered. (Já foi respondida)The fate of Boomer and whether there are other 1’s, 4’s and 5’s floating out there?
Yes. (Também respondida)Roslin’s health?
Yes. (em aberto)Okay, that’s a “yes” on all of them.
See? We knew what all the questions were! I’m kind of proud of myself. “Yes”es to all of them. I thought you were going to throw a curve at me, like, “Oh, (bleep).”
Ou seja, a última temporada de Battlestar Galactica começou com 12 questões em aberto e chega a seu último epísódio com cinco perguntas sem resposta - e são grandes questões, como “o que é a ilha?” ou “o que é o monstro de fumaça”? Vamos ver como o seriado responde aos pontos obscuros e, principalmente, se suas respostas são convincentes. É claro que são duas produções distintas, de emissoras diferentes, mas pode ter certeza que J.J. Abrams, Damon Lindelof, Carlton Cuse e toda a equipe de roteiristas de Lost estão acompanhando o final da série hoje. E, dependendo do paradigma estabelecido, ele pode influenciar diretamente o final de Lost.
Vamos torcer para que o episódio de hoje ser fenomenal - assim, Lost vai ter que se esforçar para superá-lo.
E hoje é a última vez que isso será dito, pois a saga chega ao fim. O episódio passado foi ótimo, tenso e enigmático, mas apenas preparou para um final que promete responder às muitas perguntas deixadas pra última hora. Ou horaS - afinal de contas, o episódio é duplo.
Noite histórica, essa de hoje.
Esse top ten é do ano passado, mas ainda tá valendo.
Hoje é o dia do penúltimo episódio - é a primeira parte de Daybreak, que encerra a grande saga. E você sabe que quando eles anunciam “You Will Know the Truth” no teaser é porque lá vem porrada (e não duvide se esse “Who will survive?” já estiver anunciando mortes no horizonte).
Clica na imagem pra sentir o drama:
E tu achava que Lost era complicado…
Falando nisso, vocês sabiam que em 98, quase ressuscitaram a série? Antes do Ron D. Moore? Sente o drama…
Caprica começa a ganhar forma…
A nave parece que está indo pro saco mesmo - e depois do episódio de hoje, faltarão apenas DOIS para a série terminar.
Olha o cachorro-cylon que tinha no seriado original…
Tá achando que é brincadeira? O nome dele era Daggit.
E nego acha que o George Lucas foi longe demais com o marketing…

Pois é, é o que tão falando. Mas o detalhe fortuito - ou talvez mórbido - não é a possibilidade de esticarem uma saga inicialmente fadada a encerrar em menos de um mês (fato que o criador da nova versão da série, Ronald D. Moore, e sua equipe insistem em negar categoricamente) e sim que o novo filme seja uma outra versão ainda da série original. Clone de Guerra nas Estrelas feito para a TV, o Battlestar Galactica original é uma pilha enorme de clichês de ficção científica dos anos 50 (como também eram os filmes de Lucas) que foi magistralmente reinventada para a TV do início do século 21. Às vésperas do encerramento da nova versão, não é de espantar que esse tipo de rapinagem aconteceria - resta saber o quanto o novo filme vai roubar as idéias da nova versão da série, em que os clichês são apenas pano de fundo para uma série de discussões sobre política, ética, guerra, religião e filosofia se misturam. E será que Starbuck vai ser homem ou mulher na nova versão?
Hoje é o dia de descobrir o que há com Starbuck. E depois que o episódio “Someone to Watch Over Me” terminar, faltarão apenas três para o fim do seriado.
Quando conhecemos metade da história
Uou. O último gole de uísque dado pelo Almirante Adama após autorizar o recém-reintegrado chefe Tyrol a utilizar a gosma com nanorrobôs cylon para recuperar a carcaça decadente da velha Galactica funcionou também como um gole de uísque televisivo, uma talagada de álcool forte transmitida em raios catódicos rasgando os neurônios como se pudesse desopilar a torrente de informação que foi No Exit, episódio da sexta passada da fase final de Battlestar Galactica. Tudo culpa da publicidade, que nos deixou anestesiados em relação a frases de efeito e não nos preparou quando os primeiros teasers do episódio anunciavam que “Você saberá a verdade”. Mais do que um chavão para atrair a audiência, a chamada do sexto capítulo da última parte da série deveria ser enfatizada para refletir melhor o teor das revelações. Mas antes de falarmos delas, vamos a duas informações periféricas que em outros episódios teriam importância central, mas devido às duas tramas principais de No Exit, foram sussurradas timidamente, como notas de rodapé.
Em ambas, um Adama e uma líder que morre. A tal “dying leader” profetizada nas escrituras de Pítia sempre foi associada à personagem de Mary McDonnell, a presidente Laura Roslin, que, pela metade da série, descobre-se vítima de um câncer terminal. Ao se ver nas profecias místicas, Roslin cresce como autoridade e figura-materna perante a humanidade e seu personagem ganha contornos densos e teatrais. Mas desde o episódio anterior a No Exit, descobrimos que há outra líder enfrentando seus últimos dias: a própria Galactica astronave de combate, que foi diagnosticada com uma enorme rachadura em seu casco que revelou-se uma das muitas cicatrizes de um problema estrutural. Ao ver a nave com que guiou o restante da humanidade de volta à Terra caindo aos pedaços, o Almirante Adama primeiro cede à resistência pessoal de ter um cylon como mecânico-chefe e devolve ao chefe Tyrol seu antigo cargo. Mas depois de proibir o uso de tecnologia cylon para recuperar os ferimentos da nave, o velho comandante acaba cedendo e entregando sua “garota”, como ele mesmo se refere à nave, aos cuidados e medicamentos de seu antigo inimigo.
Na nave Colonial I, Roslin se recompõe da chacina que exterminou o conselho presidencial e, percebendo que seus dias estão no fim, passa o bastão para o filho de Bill Adama, Lee, que gagueja mas não titubeia em assumir o cargo de vice-presidente. Pontos para a atuação de Jamie Bamber, que desde que largou o uniforme militar para assumir o papel político conseguiu deixar a fragilidade dramática em segundo plano, mostrando-se cada vez mais seguro no papel - ainda mais se lembrarmos que ele sempre é confrontado com os dois melhores atores da série, McDonnell e Edward James Olmos, que interpreta seu pai.
Como disse, essas duas histórias seriam suficientes para tecer um bom episódio de Battlestar Galactica, ainda se fizermos o paralelos entre as ajudas que a nave e Laura receberam - seu câncer foi aplacado devido a substâncias encontradas no organismo dos cylons. Mas No Exit não foi apenas um bom episódio - foi a primeira parte da explicação final sobre os principais enigmas do seriado. Ela foi dada por dois personagens: Ellen Tigh, a misteriosa quinta cylon, ressurge na nave da ressurreição logo após seu próprio marido sacrificá-la, ainda em Nova Caprica e passa a discutir seu papel com o cylon de número 1 (Harry Dean Stanton, em sua melhor atuação em toda série), e Sam Anders, que após ser baleado na cabeça, começa a lembrar de uma série de memórias que haviam sido deletadas no passado.
Sam nos guia pelo lado racional da história e começa a lembrar-se da origem dos chamados Final Five, os cylons que não haviam sido revelados até o final da terceira temporada. Quatro deles recobram parte de suas consciências ao mesmo tempo, em plena Battlestar Galactica, quando ouvem, de dentro de sua cabeça, uma versão para “All Along the Watchtower”, de Bob Dylan. E todos são personagens com fácil acesso ao comando da frota: o assistente de Adama, Saul Tigh, o piloto Sam Anders, a assistente da presidente Tory Foster e o mecânico-chefe Galen Tyrol. Todos, ao chegar a uma Terra devastada pelo apocalipse nuclear, têm lembranças vívidas de que viveram naquele planeta, há mais de dois mil anos. É neste momento em que Saul lembra-se de quem era o quinto cylon - sua própria mulher, Ellen, a quem, ironia das ironias, tragédia das tragédias, envenenou ao descobrir que ela colaborava com os robôs (antes de ele mesmo descobrir-se um cylon).
Sam explica que os cinco cylons reinventaram a tecnologia de ressurreição ainda na Terra e que, prevendo o apocalipse-robô, preparam-se para cair fora caso aconteça algo - é quando as bombas começam a explodir e eles reencarnam em novos corpos colocados em uma nave na órbita do planeta. Tendo visto seu próprio planeta destruído, eles rumam às doze colônias - o sistema solar dos protagonistas de Battlestar Galactica - para avisar sobre os riscos de se criar inteligência artificial. Mas sem a tecnologia dos saltos intergaláticos, eles levam 2 mil anos - sempre se ressurgindo - para chegar e chegaram atrasados, pois a guerra entre humanos e cylons já havia começado. Mas isso nunca é contado de forma linear ou racional - Sam lembra sempre em ondas, misturando memórias com alucinações, delírios febris e a sensação de poder esquecer de algo que lembrou-se subitamente, entrecortado por baforadas de fumaça do rabugento Dr. Cottle, sempre mais preocupado com a saúde de seu paciente do que por revelações místicas (cabe abrir um parêntese para a participação do ator John Hodgman no papel do neurocirurgião que opera Sam - além de ator, Hodgman também é comediante embora seja mais conhecido pelo papel de “PC guy” nas clássicas propagandas da Apple. Sua participação, no entanto, é insípida e não acrescenta nada ao seriado, tirando o fato de que Hodgman é notório fã de Battlestar).
Do outro lado do universo, vemos Ellen recobrar suas memórias após renascer 18 meses antes da ação que acontece em Galactica, quando Tigh a envenenou em Nova Caprica. Durante esse um ano e meio assistimos a um diálogo quase arquetípico entre criador e criatura - que nos conta a segunda parte da saga narrada por Sam. Quando os cinco cylons chegam às dozes colônias, o próprio número 1, o primeiro cylon de aparência humana (ou, no jargão da série, o primeiro “skinjob”), os assassina e os faz renascer com suas memórias apagadas, para que possam assistir à destruição da humanidade de camarote e os coloca em diferentes planetas. Só que algo fez com que os cinco sobrevivessem ao primeiro ataque massivo e pudessem, sem ter consciência, se reencontrar na própria astronave de combate Galactica. E depois reprogramou os cylons restantes para não lembrarem que eles existiam - daí o fato de ele ter “encaixotado” a linha do número 3, D’Anna (pois ela lembrou dos “final five”).
Mas essa história é contada no meio de um debate rude entre Ellen e John Cavil, o nome de batismo do cylon número 1, que recusa sua humanidade. Segue um discurso instantaneamente clássico, pronto para entrar no bastião das frases de efeito da ficção científica filmada, em que John lamenta aspirar à perfeição da máquina ao mesmo tempo em que está preso ao corpo limitado do ser humano, num texto que mistura ironia, nerdismo, poesia e senso de epicidade, resumido em uma frase emblemática: “Eu quero ver raios gama, quero ouvir raios X, quero sentir o cheiro da matéria escura”. É muita referência pop embutida em uma frase dita quase como choro manhoso, sem o menor senso de ridículo, ao mesmo tempo em que avança o discurso final do replicante Roy Batty (Rutger Hauer, em Blade Runner) alguns passos adiante e encerra um discurso que lamentava perceber uma supernova com o equipamento sensitivo humano.
Toda ênfase do discurso de Cavil é aplacada pela calma de Ellen. A forma como Ellen reage à reclamação de Cavil traz uma nova - e densa - psicologia para o seriado. Afinal, ela é a figura materna, a cientista cujo trabalho foi crucial para a existência dos seres que hoje tentam exterminar os humanos por considerá-los erros. E não consegue se encantar com a vontade da criatura que inventou querer tudo, mais, melhor, mais rápido.
Mas todos os habitantes da Terra eram cylons? O que deu início à guerra que dizimou a vida no planeta? E as profecias de Kobol? E Starbuck, o que - ou quem - é ela? Ainda foi citado o nome de um novo cylon, o oitavo, aumentando aí o número de skinjobs para o mítico 13 e tornando ainda mais complexo o jogo de quem-é-quem. Chamado de Daniel, o novo cylon teria sido um dos criadores dos skinjobs, como os final five (final six, então?) e que ele teria tendências artísticas. Ao lembrar que a própria Starbuck também pintava, não demorou para surgirem especulações de que ela seria Daniel num corpo de mulher. Ou que poderia ser o pai dela, até hoje não referido na série. Ou um dos personagens de Caprica, a nova série do universo BSG que estreará no ano que vem e se passa 50 anos antes dos acontecimentos do seriado principal. Ou todas alternativas ao mesmo tempo. Mas tanto faz.
Porque, diferente de Lost, Battlestar Galactica não é apenas um jogo em que o espectador é convidado a especular - e sim um palco. Um tabuleiro em que diferentes facetas da humanidade são confrontadas umas às outras sempre em situações limite, quase sempre colocando em risco a vida de muitas pessoas ou do resto da humanidade. Toda mitologia e elementos religiosos ou icônicos disponíveis no seriado estão ali para aumentar o espectro de certezas e dúvidas de nossos personagens. E aos poucos parecemos chegar à conclusão de que essa vai ser a separação cogitada para homens e cylons - não o material de que eles são feitos, mas justamente sua natureza espiritual, em que, aparentemente, ser humano representa uma evolução em relação ao robô, e não o oposto, como dizem as máquinas.
So say we all.
Ela voltou! E ainda hoje resenho o episódio da semana passada. E passado esse de hoje, chamado de “Deadlock”, ficaremos a quatro episódios do fim.
É que o episódio de sexta passada foi, fazendo um paralelo com o Lost, como se o Jacob aparecesse e contasse a história da ilha desde o princípio dos tempos. Foi tanta informação, tanto detalhe, tanta mitologia sendo explicada - e tanta resposta pela metade - que preciso assistir o episódio No Exit de novo antes de começar a escrever sobre o assunto. Mas foi, fácil, o melhor episódio dessa temporada e também um dos melhores episódios da história do seriad.
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