Tag Archives: beatles

A capa de Rubber Soul sem distorção

Você sabe porque a imagem da capa de Rubber Soul, o álbum de 1965 que funcionou como o primeiro passo dos Beatles rumo ao amadurecimento, foi distorcida sem querer, né? Paul McCartney conta essa história no Anthology:

A novidade é que agora apareceu a imagem original, em versão endireitada:

rubber-soul-before

Não é melhor que a capa original, mas é uma senhora foto. Vi aqui.

O dia em que os Beatles tocaram “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga

Tudo mentira, mas essa história que o Edmundo publicou no Estadão é genial.

Não era mais possível falar das flores no país tropical, mas ainda havia algum alento. Se quatro rapazes ingleses mostraram que era possível existir sargentos preocupados com corações solitários, o sonho ainda não havia acabado. Esperar o próximo disco dos Beatles era uma válvula de escape prazerosa. O que poderia vir depois de Sgt. Pepper’s? Conseguiria o grupo superar a obra em todo revolucionária?

Com as notícias da tensão entre os integrantes, as especulações sobre o que viria a ser o Álbum Branco causava ansiedade geral. Foi quando veio a bomba: os Beatles gravariam Asa Branca, lançada pelo velho Luiz Gonzaga.

“Ninguém sabia ao certo de onde veio a informação, mas sei que me disseram por aí e foi gente séria que falou”, garantiam todos que contavam a história num telefone sem fio que não demorou para ganhar destaque no rádio e na TV e páginas de quase toda a imprensa brasileira.

O próprio Gonzagão e seu parceiro Humberto Teixeira na autoria do lamento contra a desgraça da seca na vida dos caboclos do norte se surpreenderam. O velho Lua, que não se cansava de destilar ressentimento contra o iê-iê-iê que coroou outro rei em um trono que fora seu, mostrava um autêntico orgulho de tamanha honraria. “Os meninos ingleses têm muito sentimento e não avacalham a música. A toada deles parece bastante com as coisas do Nordeste. Até as gaitas de fole lembram a nossa sanfona”, publicou a revista Veja numa reportagem sobre a volta ao sucesso do sanfoneiro por causa da gravação de sua canção pelos artistas mais famosos do planeta. “Agora que eu quero ver se os Beatles vencem mesmo”, provocou, evocando os mais de 2 milhões de discos em quase 30 anos.

O clima era de festa e o orgulho brazuca foi às alturas. Mas cadê a Asa Branca tocada pelos Beatles? Após a euforia inicial, a imprensa começou a fazer o seu dever e foi perguntar à gravadora. Ninguém sabia de nada e um desmentido publicado alguns dias depois no Estado dava mais um toque surreal: “O empresário dos Beatles, Don Kass, desmentiu ontem que o conjunto inglês tivesse gravado Asa Branca, de Luiz Gonzaga, ou mesmo convidado Baden Powell para ensinar-lhes a tocar berimbau, como foi diversas vezes noticiado. Explicou que Paul McCartney compôs um samba, ainda sem nome, que será incluído no próximo long-play do conjunto”.

A essa altura, Gonzagão já sabia que tudo não passava de uma cascata inventada pelo agitador cultural, compositor e pai da pilantragem, Carlos Imperial, como conta Denilson Monteiro na biografia do homem que era mestre em espalhar lendas, nem sempre com a melhor das intenções.

Mas dessa vez, a causa de Imperial era nobre: resgatar o prestígio de Gonzaga ante um público que o desprezava. Imperial tinha uma tese de que havia semelhanças musicais entre o rock e o baião e depois de convencer um desconhecido grupo de rock que acompanha Ronnie Von a gravar Asa Branca, usou o tape para espalhar a notícia sobre os Beatles. Vendo que a mentira ficara fora de controle até para um pilantra de primeira grandeza como ele, procurou Gonzaga para contar a verdade e esclarecer a coisa publicamente. O sanfoneiro, que também gostava de contar das suas, não quis nem ouvir. Agradeceu ao Gordo, mandou às favas os pudores e aproveitou a maré. “Aquilo foi mentira, foi cascata bem favorável para mim”, declarou à edição brasileira da revista Rolling Stone: “Ganhei dinheiro, ganhei programa, dei entrevistas”.

Muito bom. A foto da página saiu do Instagram dele.

Como foi a Noite Trabalho Sujo especial Beatles

Mais uma Noite Trabalho Sujo memorável, daquelas que vão ficar na cabeça e no coração por um bom tempo – pois além de tocarmos apenas Beatles (sem versões, sem carreira solo, sem remix), eu, o Danilo, o Mutley, o Wilsera e a Babee tivemos a manha de não repetir nenhuma música sequer por toda a madruga. Foi épico, como dá pra sacar pelas fotos da Bárbara, aí embaixo. A próxima festa tem o Pattoli tocando junto com a irmã dele, a Bia, e a Noite Trabalho Sujo está na eleição de Melhor Noite de 2012 segundo o Guia da Folha. Vota lá!

Continue reading

Noites Trabalho Sujo apresenta Noite Beatles!

Há 50 anos a banda mais importante do século 20 saía do estúdio de Abbey Road após gravar seu primeiro disco, que seria lançado três meses depois. Há 17 anos eu lançava uma coluna chamada Trabalho Sujo num jornal de Campinas chamado Diário do Povo. Há um ano, as Noites Trabalho Sujo começavam no Alberta 3. Juntando as três comemorações, resolvi dedicar a melhor sexta de São Paulo de hoje à causa Beatle – por isso convido-os todos a uma festa em que só se ouvirá Beatles. Nada de remixes, versões ou carreira solo – só gravações com John, Paul, George e Ringo. Para me ajudar nessa saga, convidei dois residentes dessa sexta florida – Danilo Cabral e Babee Leal – além dos ilustres Wilson Farina e Fabio Bianchini para uma noite épica de tripla comemoração. As coordenadas, pra quem ainda não sabe, estão no site do Alberta e na página do evento no Facebook. Para mandar o nome para a lista de desconto, é só mandar para o email noitestrabalhosujo@gmail.com. It’s getting better all the time!

Grey Album remasterizado

Peça fundamental na evolução do conceito de mashup no início do século, o álbum cinza que mistura base do Álbum Branco dos Beatles com vocais do Black Album de Jay-Z também é um dos marcos da cultura do remix e foi o veículo que nos apresentou ao mestre contemporâneo Danger Mouse, em 2004. E acaba de ser remasterizado pelo engenheiro de som John Stewart e pode ser baixado aqui. Dica da Fact.