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Lou Reed e uma garrafa de Coca-Cola

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Durante os anos 60, enquanto inventava a pop art, Andy Warhol transformou o simples teste de câmera sobre o rosto de um protagonista em uma expressão artística encerrada em si mesma. Seus screentests ficaram célebres por reunir, entre 64 e 66, nomes que circulavam o núcleo criativo na Factory em sessões mudas de closes em primeiro plano (Dean Wareham e Britta Philips transformaram esses pequenos curtas em espetáculo, que passou inclusive por São Paulo). O screen test de Lou Reed é especialmente memorável por tratá-lo como um ícone norte-americano tão clássico quanto a garrafa de Coca-Cola que exibe durante o filme:

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4:20

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Tom Zé fala sobre o anúncio da Coca-Cola

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Comentei outro dia a participação do Tom Zé na nova campanha do refrigerante mais popular do mundo e, nessa sexta, ele respondeu sobre o caso na sua página do Facebook. Com a palavra, o mestre Tom Zé:

Pois é, pessoal, estou preocupado.

Eu dou importância à opinião de vocês. Essa alegria sempre me acompanhou.

Quando o anúncio saiu na tv, imaginei que até as opiniões contrárias eram uma espécie de comemoração por eu aparecer com status de locutor de uma propaganda grande. Mas agora, quando perco o sono por causa do assunto… não, agora eu estou preocupado!

O apoio de vocês sempre foi uma base de sustento. Será que uma alegria nascida do privilégio de até hoje, aos 76, ter vivido dessa profissão de músico e cantor, me fez pensar que eu poderia afrontar essa sustentação?

É curioso que quando fui consultado sobre o anúncio nem pensei nessa probabilidade. No ano passado meu disco fora patrocinado pela Natura e como eu nunca tinha recebido patrocínio desse tipo – nem de nenhum outro – , cara, eu me senti como um artista levado em conta!

Para profissionais de meu tipo as gravadoras são agora inalcançáveis. A Trama, de João Marcello Bôscoli, me deu grande apoio nos anos 90 e até Estudando o Pagode, em 2004. Mas em Danç-Êh-Sá”, já dividimos as responsabilidades. Em 2008 Estudando a bossa foi muito ajudado pela Biscoito Fino; Agradeço, mas ficou difícil continuar lá. No ano passado o apoio da Natura me deu tanta confianca pessoal que ousei fazer o Tropicália Lixo Lógico.

No lançamento de Danç-Êh-Sá, em 2005, o resultado foi de extremos. A gravadora francesa teve um ódio tão grande do disco que quase perco até a amizade de Henri Laurence, que lá me lançava pela Sony. Nos E.U.A. houve comentários apaixonados na crítica, mas Yale Evelev recusou o disco na Luaka Bop. Logo a seguir a mesma Luaka Bop me respondeu com entusiasmo ao Estudando a bossa de 2008 e depois lançou o super set box de vinis com os 3 Estudando…

E o … Lixo Lógico recuperou também a amizade de Henri Laurence.

Toda essa dança de lançamentos e esse céu-e-inferno com os editores-lançadores é própria desse setor onde não devo nem quero relaxar o arco-tenso-da-ousadia. Mas nos dias atuais vivemos a era da internet e a venda de disco passou a ter um peso insignificante. Já o papel desses lançamentos, em termos de divulgação, é muito eficiente.

* * *

Voltemos ao presente. Atualmente sinto paixão pela retomada do projeto dos instrumentos experimentais de 1972. Com a eficiente colaboração do engenheiro Marcelo Blanck, começamos a desenvolver alguma tecnologia, mas com recursos parcos, insuficientes. Os resultados estão nos animando muito. Aí entrou o anúncio da Coca-Cola que, mesmo sem ela saber, patrocinaria boa parte da pesquisa.

Será que o uso dos recursos obtidos com o anúncio muda a avaliação de vocês?

Madrugada de sexta, 8 de março, 6h22. tom zé

Pronto, basta explicar. Esse papo de “as contas não param” é muito reacionarismo.

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Tom Zé no comercial da Coca-Cola

tomze

Ouçam só:

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Jack White + Coca-Cola

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Isso me fez lembrar do jingle que o Jack White fez pra Coca-Cola na Austrália.

Lembro que perguntei sobre isso pra ele, quando o entrevistei pra Rolling Stone há uns cinco anos:

Pra mim, escrever uma música para a Coca-Cola foi como se fosse uma afirmação sobre essas pessoas que se importam em ser cool e hipster, que se importam com estilo, que eu não tenho nada a ver com esse tipo de gente. Eu não quero ter nada a ver com eles. Eu amo Coca-Cola de verdade, não estou mentindo! E fiz o comercial porque eu quis! Eu não fiz isso por dinheiro, recebo ofertas como essa 15 vezes por semana, para escrever músicas para comerciais de carro, filmes, programas de TV… E isso tem tudo a ver com esses caras do underground, que são tão melhores do que todo mundo, esses roqueiros de garagem, porque eles sempre dizem que você deve fazer o que quiser e não se importar com o que as outras pessoas pensam. Foi exatamente o que eu fiz com essa música.

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Oasis x Coca-Cola

Você lembra dessa música?

Ou lembra porque parece essa?

Na real, essa comparação é tão antiga que até o Nowaysis (banda cover de Oasis que existia nos anos 90) já fez uma versão do jingle à Oasis num Top of the Pops do século passado.

Não invalida a qualidade de “Shakermaker”, mas eu não conhecia essa comparação.

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E se fizessem filmes inspirados em memes?

O mesmo Van Zoggel que fez os selos de Guerra nas Estrelas já tinha imaginado pôsteres de filmes sobre memes da internet, veja abaixo…

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Um abraço que vale uma Coca-Cola

Me chamem quando bancos fizerem caixas eletrônicos assim.

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Um refrigerante de Deus para lutar contra a Coca-Cola do demônio

Mais religião? Vamo lá. Conheça o Leão de Judá e descubra a verdade por trás do logotipo do refrigerante mais consumido do mundo.

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Malditos ninjas

Do New York Times.

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