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5 de dezembro de 2011 às 7h01
Sócrates (1954-2011)
A notícia da morte do doutor não foi fácil de digerir nem veio num momento tranqüilo. Às vésperas de um clássico Corinthians x Palmeiras com cheiro de final, entre perceber que a situação de Sócrates parecia irreversível durante o sábado e deparar-me cético com seu triste fim no mesmo dia do jogo que consagraria o pentacampeonato do time indissociável ao seu nome, a notícia da morte de Sócrates inevitavelmente engatilhou uma série de flashbacks na cabeça de milhões de corintianos pelo Brasil que certamente funcionou como um momento coletivo sobre a natureza do corintianismo de cada um.
Não costumo demonstrar meu apreço pelo meu time por aqui, mesmo porque o futebol já não faz parte da minha vida há anos (costumava ir ao estádio com freqüência, ainda que morando em Campinas, entre 1994 e 1996), mas ser corintiano é algo indissociável à minha personalidade e olhando em retrospecto, a escolha consciente entre torcer pelo bando de loucos no início dos anos 80 estava intrinsecamente associada à presença de Sócrates. Ele e Casagrande foram personagens que me pareciam melhores heróis e ideais a ser perseguido do que outros ícones da época. Pareciam mais humanos porque erravam, porque traziam o futebol para a rotina fora do campo, para o dia-a-dia, para a rua, para o bar, para a noite. É claro que essas referências foram se calcificando à medida em que fui crescendo e entendendo melhor o significado de coisas tão diferentes quanto o fato de ser formado em medicina, de gostar de beber e de ser o irmão mais velho do Raí. Mais que seu futebol preciso, era sua presença como líder em campo e fora dele que me fez corintiano. Ele vestido com o uniforme listrado preto e branco é a imagem mais próxima que a de um super-herói que já devo ter acreditado. Nem ele vestido com o uniforme da seleção tinha um impacto tão foda quanto a caráter corintiano.
O mínimo que posso fazer nesse momento é vir publicamente agradecer ao doutor (“eu não me engano…”) e declarar-me seu devoto. E linkar algumas homenagens que ele recebeu durante o domingo.
Uma das primeiras delas, do Bressane, já havia sido escrita antes mesmo de sua partida, quando a saúde de Sócrates havia piorado:
Hoje aposentado dos campos – embora vez ou outra tirando onda nos churras dos amigos; quase imóvel joga mais do que todo o atual escrete alvinegro –, o Doutor é raríssimo representante do clube dos ex-craques que pensam com a própria cabeça e ainda sabem escrever. Bom, fora o também médico Tostão, você lembra de mais alguém? Mas, ao contrário do abstêmio ex-10 do Cruzeiro, Sócrates descende da nobre estirpe de atletas e artistas boêmios, sempre viveu assim e tem orgulho de seu lifestyle. Se, jogando, o Magrão já parecia um homem de outro tempo – do tempo em que homens não fugiam da responsa e usavam a inteligência para driblar de beques a censores –, por que não o seria na arte de jogar conversa fora? Na tal entrevista que deu ao Fantástico, ao ser perguntado pelo repórter se seria alcoólatra, respondeu com um misto de bonomia e desfaçatez: “Sim, claro”. Certeza de que por pouco não mandou um “Tá me tirando, véio?”.
Flavio Gomes mata a pau (leia o texto todo, termina fiel):
Aí quando eu estava lá embaixo no meio daquele milhão de pessoas pedindo para votar para presidente, o cara sobe lá no palanque, em cima do viaduto, ergue o punho direito, ou o esquerdo, e grita que queria a mesma coisa. Do meu lado, gente de todas as cores e credos ludopédicos erguem seus punhos, também, e aplaudem o cara, que resolveu não jogar na Europa porque queria estar aqui para ver de perto o fim daqueles anos em preto e branco.
Não deu nada certo, não votamos para porra nenhuma, e dias depois, ou semanas, não me peçam para lembrar os quandos e ondes, mas acho que era no Morumbi, e o cara enfia a bica da intermediária, nosso goleiro sem pescoço pula e não pega nada, ele ergue o punho de novo e eu xingo o cara com todas as minhas forças, doutor do caralho, filho da puta, vai tomar no cu.
Antes, Copa do Mundo na Espanha, Brasil versus União Soviética. Estamos lá na zona leste, num puxadinho junto com um monte de gente que eu também não conhecia direito, uma TV com bombril na antena, umas brahmas, gol dele, o empate, se bem me lembro. Abraços e beijos, doutor do caralho, filho da puta, joga demais, vamos, porra.
O Arnobio Rocha lembra da importância política de Sócrates:
O Corinthians já tinha experimentado uma primeira revolução democrática com o surgimento da Gaviões da Fiel em 1969, que nasceu como forma de combater Waldih Helu, presidente do time e um dos comandantes da Arena o partido da ditadura. Com os métodos do regime perseguiu torcedores com repressão aberta e cacetetes policial. Alguns membros fundadores da Gaviões foram vítimas do regime militar.
Esta centelha de clube/torcida contestador, terá grande desdobramento no começo dos anos 80. Depois de péssimos resultados em 1980/81 caiu a gestão Mateus e sobe Waldemar Pires, o sociólogo Adilson Monteiro Alves vira Diretor de Futebol, em abril começa uma pequena revolução de costumes no futebol brasileiro: A Democracia Corintiana. Em plena ditadura, quebrou paradigmas, time era bom demais, ganhava títulos, tinha compromisso social e político. As decisões do futebol eram discutidas e votadas pelos jogadores, comissão técnica, roupeiro, massagistas.
Sócrates, Vladimir, Zenon, e o jovem Casagrande, eram os maiores expoentes da Democracia Corinthiana, fruto das célebres greves do ABC, movimento pela anistia, o país começava a respirar novos ares pelas liberdades e um dos maiores times de massa, no estado mais rico do país entra em plena sintonia com este momento, as célebres mensagens nas camisas, ou faixas carregadas na entrada ao gramado pedindo, por exemplo, Diretas já ou Eu quero votar para Presidente, ou ainda o lema do time: “Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia” foi revolucionário demais.
Os gols de Sócrates comemorados com punho cerrado, símbolo da esquerda, da necessidade de se insurgir contra os milicos, festa da Democracia, aqueles tempos de 1982 a 1984 foram os mais importantes da história do Corinthians, o time foi capaz de galvanizar o sentimento social e o Doutor Sócrates com sua maestria e genialidade se tornou um líder natural. A participação dos maiores ídolos do Corinthians nos comícios das Diretas Já, a faixa prendendo os cabelos de Sócrates até me emociona, quase leva às lágrimas.
O mesmo fator é sublinhado num post do Edmundo, no blog do arquivo do Estadão, que resgata a foto abaixo:
A postura política é indissociável ao Magrão, como nos lembram os gêmeos Moon e Bá…
…e essa homenagem feita por Henfil, tirada de uma série de outras caricaturas de Sócrates reunidas pelo Universo HQ.
E ainda há essa entrevista feita no ano passado pela revista Susak Press, em que Sócrates fala porque acha que o futebol se parece mais com arte que com um confronto:
E, pra finalizar, um pout-porri de alguns de seus mais belos gols…
…e sua inconformação ao constatar que, no primeiro jogo do Brasil na Copa de 1986, colocaram para tocar o Hino da Bandeira no lugar do Hino Nacional…
Esse era o cara. Valeu, doutor!
PS – E não custa lembrar que o vascaíno Dodô cogitou homenagear o nome do novo estádio do Corinthians com o nome do Doutor Sócrates Brasileiro, instantaneamente apelidado de “Magrão”.
21 de julho de 2010 às 9h18
Tatu descobre o Corinthians
O cara dá início à sua saga pelo campeonato brasileiro deste ano indo ao Pacaembu pela primeira vez. Vale ver a hora do gol.
16 de abril de 2010 às 10h47
Sabrina Sato + Corinthians
Eis um zap: a primeira t-girl brasileira vestindo uma homenagem ao meu time do coração.
Parabéns, Vincíus, mas vou ter que cangar com a próxima.
3 de julho de 2009 às 19h12
Airbusão
Vale conferir também o texto que acompanha esse vídeo. Bonzão.
6 de fevereiro de 2009 às 10h23
“E se eu fumo ninguém tem nada com isso”
E o Ronaldo sai em defesa de Phelps:
“É lógico que todos os esportistas têm que passar exemplo para os jovens, mas vai cobrar o quê do cara, que chegou nas Olimpíadas e ganhou tudo que disputou. Como ele mesmo assumiu, teve um momento de fraqueza. Vai cobrar o quê do cara?”
“As pessoas compram essas notícias, essas revistas, não é porque sou gente boa, bonito ou feito, mas sim porque joguei muita bola, ganhei Copa do Mundo e fiz bastante gols”
Aê, Timão!
9 de dezembro de 2008 às 22h15
Leitura Aleatória 215

Foto: mcewans
1) Blur vai voltar mesmo
2) Redação da Nature advoga a favor do uso de drogas recreativas
3) Discos que nem a redação da Wire conseguiu escutar esse ano
4) Prefeitura dá ultimato para fãs de Madonna saírem do Morumbi
5) Ator de Roma deve ser o Thor
6) Mouse, 40 anos
7) Esqueça tudo que você sabe sobre Tron 2
8) Brinquedo permite andar sobre a água
9) Katy Perry pede desculpas a Lily Allen
10) “Vou fazer parte de um bando de loucos”, diz Ronaldo, sobre sua chegada ao Corinthians
14 de outubro de 2008 às 9h06
HD esperto
Mas dá pra perdoar os Meninos que fizeram os porta-copos do iPhone, depois que você vê essas capas pra HD externo…
São carinhas, mas são foda.









































Profissão: autobiógrafo.


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