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Arquivo: cultura digital

Julian Assange no TED

A entrevista é de julho deste ano, boa parte dela explica um monte de coisas que você já deve ter lido, visto ou ouvido sobre o site, mas não deixa de ser uma ótima oportunidade para ver quem é o pai do Wikileaks e saber um pouco mais sobre o que ele pensa em relação a liberdade de expressão, jornalismo, cultura digital, política e os rumos da humanidade, além de contar umas histórias bem boas sobre o site.

O vídeo está em inglês, mas ao clicar em “view subtitles”, você pode ativar legenda em vários idiomas, inclusive português.

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2004 em 1999

Mais auto-arqueologia: escrevi esse texto pra uma coluna que eu mantinha em alguns sites (entre eles, o CardosOnLine, o London Burning, o Senhor F e o Scream & Yell, não tenho certeza), chamada Tudo ou Nada. Rola o otimismo de sempre (tanto na parte do avanço tecnológico quanto no acesso pago), mas o futuro que eu imaginei em 1999 não é tão diferente do presente que vivemos… Acho engraçado o “walkman apropriado”, antes do iPod existir…


O Rio PMP300, um MP3 player lançado em 1998

Hora de trocar a música

Hoje tem uma festa. Uma festa mesmo, não essas noites organizadas por casas noturnas em que você precisa manusear dinheiro para pagar o triplo do preço de mercado (e o sêxtuplo do valor real) de qualquer coisa… Ou essas aglomerações de galera para arrecadar fundos cobrando álcool de cozinha como se fosse pinga ou bola como se fosse ácido. Uma festa mesmo: um monte de amigos e amigas conversando, dançando e rindo sobre tudo quanto é tipo de assunto, insumos complementares à disposição, sem horas pra começar ou acabar, sempre naquele ambiente meio sala de estar/meio beira da piscina, gente desconhecida querendo conhecer outras cabeças e aqueles desdobramentos típicos de qualquer boa festa, que podem ir do vexame em público a um prazer em particular. Pois é, tem uma festa dessas hoje.

Numa festa dessas, sabemos, não existe DJ. Não, o som praticamente se toca sozinho, à medida que cada enxerido dá uma zapeada pelos discos ao lado e coloca uma ou outra faixa, às vezes mudando radicalmente o ambiente com uma simples troca de música. É aí que todo mundo que se preocupa com a trilha sonora em um acontecimento destes (acredite, há quem não esteja nem aí pro que está tocando…) coloca um ou outro disco dentro do casaco (ou do porta-luvas) ou deixa aquelas fitinhas prontas pra ocasião bem à mão (na bolsa da esposa ou no bolso de trás). A festa dá aquela queda no astral e você saca o cartucho de som como uma arma secreta e – tcha-nã! – a bolsa volta a subir. Felizes são os momentos em que a música escolhida por um dos convivas é o equivalente sonoro das ações da Netscape em 1997, deixando todo o pregão social em polvorosa.

Mas aí tem aquelas horas em que você sabe exatamente que música tocar (“a faixa 5 do disco 2 daquela coletânea de funk da capa vermelha!”), mas – merda! – não está ali por perto. Você sabe bem: não dá pra colocar um remix legal da Nação Zumbi ou um Pixies velho de guerra na hora que a moçada tá dançando funk. O cérebro começa a se agitar, dá um looping nas possibilidades e te propõe uma salvação McGyver: baixar a música na internet e ligar as caixas de som da festa no computador. Nada que uma conexão de banda larga, uns dois metros de fio e um conhecimento incipiente de engenharia elétrica não possa resolver, mas, temos de convir, é preciso quase uma conjunção astral para isso acontecer. Sorte que a música anterior – “Melting Pot”, dos MGs – segura quase oito minutos de groove derretido, o tempo preciso para a tal conjunção de fatores entrar em ação e – sim – dar certo. Tá certo que o baixo e o grito do começo de “Play the Funky Music”, dos branquelas do Wild Cherry, é quase covardia e que o refrão proporciona uma reação bem próxima a uma chuva de dinheiro, mas tem horas que você sabe que certas coisas podem dar certo.

Pensando nisso, imaginei como essa conjunção de fatores (internet de alta velocidade + músicas de graça pela internet) poderiam facilitar a vida de muita gente. Quantas vezes você não olha para aquele punhado especial de discos e não leva nas festas porque sabe que sempre tem um gatuno de olho nos discos que dão sopa? Quantas vezes você até estava afim de colocar umas músicas para o povo dançar mas não tem a menor paciência de sair de casa? Quantas vezes você não quis fazer um programa de rádio só pra sua galera? Pois é, mil vezes. Mas, desenvolvendo melhor, o conceito “DJ remoto” (o cara fica em casa e transmite todo o setlist online, tendo uma recepção do público via webcam, sei lá) é só uma das primeiras possibilidades – e talvez a mais óbvia – do que vem por aí. E nem é tão “vem por aí” assim: o Future Sound of London já faz shows desse jeito, só pra citar um exemplo que me vem à memória. O grande barato é que a tal equação no parêntese da primeira frase deste parágrafo joga isso numa esfera mais popular e mais ampla, afinal, você não precisa nem tocar pra fazer os seus “shows”.

Mas, pense melhor: se baixar uma música na internet para tocar numa festa já é uma realidade, imagine isso daqui a cinco anos (que é o tempo médio – hoje – para essas mudanças bruscas surtirem efeito). Será que as pessoas ainda vão comprar discos? Quando eu digo “as pessoas”, eu não tô falando de eu e de você, que crescemos manuseando discos de vinil, passeando por capas e encartes como se fossem livros, encarando artistas de música como se fossem intelectuais orgânicos ou super-heróis de nossa época, filósofos e deuses contemporâneos que se revelavam pra gente em capas quadradas de discões de acetato. Eu tô falando dessa rapaziada que cresceu com CD, computador, MP3. Pra que você vai comprar 50 discos se você pode compactar tudo num CD-R e ouvir num walkman apropriado? Coleções de discos, pra essa molecada, são como aquelas pilhas de jornais e revistas que guardamos na parte de cima do armário, aqueles livros que temos certeza que um dia iremos reler mas que por enquanto ficam no quartinho do fundo, aqueles cadernos especiais que serão úteis algum dia, com certeza, mas que por hora param debaixo da cama. E isso hoje, não daqui a cinco anos.

Daqui a cinco anos, tudo estará online. Bastará que você tenha um código de acesso (mediante o pagamento de uma mensalidade, que pode ser descontada do seu salário, garantindo assim – no papel – o status social para cada categoria de emprego) que você pode desfrutar à vontade de todas ou de parte de todas as informações que flutuam no espaço virtual. Discos raros, livros em todos os principais idiomas (que serão, no máximo, uns dez), procuradores, receitas de bolo e poemas de Camões, noticiários, passatempos eletrônicos, filmes, enciclopédias, tradutores simultâneos, tabuadas, corretores ortográficos, websites, bibliotecas e cursos de faculdade inteiros, teses, teoremas e hipóteses, vídeos caseiros e diários particulares – todo este tipo de informação (em grande parte já disponível online) estará muito mais acessível, uma vez que ela será direcionada para um determinado público-alvo, que se molda uniforme à medida que a internet cresce. O passado será totalmente de graça, arquivado e usado de forma emblemática, como uma grife, da mesma forma que o Cartoon Network se vangloria do acervo Hanna-Barbera, a Rhino exibe orgulhosa suas caixas de discos e coletâneas ou a Globo requenta seus produtos no Video Show. O conhecimento – como já acontece hoje – não será aprendido e sim adquirido. Cada um será seu próprio editor de conteúdo – cortando, justapondo, inserindo, superpondo, penteando, afiando, contrapondo, realçando informações.

O que significa que, dentro de um tempo, não precisaremos mais levar discos ou fitas para festas. Ou livros para aulas. Ou pastas para o trabalho. Ou papéis para reuniões. Cada pessoa terá seu próprio acesso pessoal à internet, ao alcance da mão, como um minibrowser portátil que permite conectar-se com qualquer aparelho, seja ele um retroprojetor, um processador de texto ou um aparelho de som. Indo um pouco além, podemos imaginar uma festa – o exemplo-chave deste texto – onde cada um dance sua própria música, numa integração social/individual um tanto bizarra para nossa compreensão atual. Mas pense bem e veja como é simples: provavelmente DJs colocarão programas online de festas, medindo o entusiasmo das pessoas na hora e o gosto musical de cada uma delas, fazendo assim com que cada festa tenha sua própria discotecagem customizada por um DJ robô criado a partir de um DJ de verdade. Aí, se toca uma música lenta e o sujeito quer continuar pra cima, basta clicar em seu minibrowser portátil que o DJ automático toca outra música do jeito que você quer.

Imagine então uma festa, com cada um dançando de um jeito, cada um tocando sua própria trilha sonora dentro de sua cabeça, remixando músicas à sua própria vontade. Parece uma metáfora dos tempos que vivemos, não? Cada pessoa em sua casa, em seu computador, em seu cérebro, vivendo seu universo conceitual individual, com sua própria página de bookmarks, seus top 10, seus gostos e desgostos impedindo a aproximação dos outros que vivem em igual situação. Mas esta imagem é criada por gente que não está a par nem 10% do que acontece hoje, aqueles que ainda acham que computador é uma coisa muito impessoal – como se a máquina fosse alguém.

Isolados em grupo? Pra quem está olhando tudo de fora, pode ser. Mas estamos indo em direção a uma nova coletividade, onde interesses pessoais e públicos têm o mesmo peso. O nosso desafio é justamente equilibrar o coletivo e o privado, em detrimento tanto do gosto individual quanto o da massa. Talvez este seja um dos grandes desafios da História. Mas agora parece estar mais palpável, mais próximo. O que não dá é pra ficar na mesma, continuar do jeito que está. Vai lá e muda a música que está tocando. Não dá? Dá sim, dá um jeito. Basta você saber que música você quer ouvir e pensar rápido o suficiente para tê-la na agulha assim que a que está tocando acabar. Ação, bicho: ação.

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International TENSO

Um monte de gente já tinha me avisado, mas a preguiça e vontade de ficar ouvindo música no YouTube fizeram que eu deixasse pra postar esse vídeo só agora – deixo o crédito pro Guilherme, que se dignou a deixar o link num comentário (boa, vou falar sobre a área de comentários, velho assunto digital que merece sempre ser revisitado). O TENSO foi um meme que eu descobri quase sem querer online (e cuja paternidade depois foi requerida pelo VT do UOL Games, a versão brasileira do 4chan, que a gente já até falou no Link há uma cara). Não vou explicar o que é o TENSO, o vídeo acima faz justamente isso (ainda que em inglês) e basta dar uma fuçada na tag pra ele que eu criei no Sujo há quase dois anos para entendê-lo. O legal do vídeo feito pelo sensacional Know Your Meme, do Rocket Boom (Ellie Rountree <3!) é que ele consolida justamente o que eu havia acusado em março do ano passado, quando comecei a trazer o TENSO à baila – que é uma mania de internet tipicamente brasileira que abriu a trilha para tropicanalhices digitais como Cala Boca Galvão, os botões de Instantrimshot que disparavam frases e sons velhos conhecidos de nossos ouvidos e as abomináveis gírias do Twitter. O microdocumentário ainda arrisca uma árvore genealógica que concatena memes da mesma natureza nascendo em lugares diferentes da rede. Parece uma bobagem (e, em grande parte, é), mas é um retrato instantâneo de uma transformação comportamental que está em curso: a forma como o brasileiro se relacionará com o ambiente digital. Isso não é nem o começo direito…

Leia mais:
- Tag TENSO
- Um meme essencialmente brasileiro e uma nova forma de comunicação

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Cultura binária

O Bruno foi estagiário no Link até o final do ano passado (hoje está na Istoé Dinheiro, e segue cobrindo tecnologia) e seu trabalho de conclusão de curso foi sobre as mudanças que o meio digital vem impondo à cultura – e A Cultura Na Era Digital é tanto um blog quanto um livro de entrevistas. Fui entrevistado para sua publicação e ele finalmente põe no ar o longo papo que tive com ele (que, editado sem as perguntas, ficou com cara de artigo, a seguir):

A Cultura na Era Digital, por Alexandre Matias

“Pra cultura, pro público, pra uma nova geração de artistas e pra humanidade como um todo as mudanças pelas quais a indústria cultural vem passando nos últimos anos tendem a ser mais benéficas, pois abrem maiores possibilidades de criação e de imaginação e permitem que cada vez mais gente possa ter a experiência de ser artista, antes restrita a um grupo pequeno de celebridades e executivos, que são justamente os que estão sofrendo com essa mudança – e para quem os efeitos são mais negativos, pois mudam a forma como eles lidam com a própria remuneração. Mas as mudanças do mundo digital não são exclusivas do meio cultural e atingem toda a sociedade a ponto d reinventar o próprio ser humano. As primeiras manifestações do digital nesta virada de século são mínimas se comparadas com o seu potencial. E negar essa mudança é pior até para aquele que mais sofre com a mudança neste momento inicial, pois ele não irá saber como lidar com a transformação que já aconteceu.”

“Ainda não vimos a maior transformação, que é a superação destes formatos (disco, filme, livro) rumo a uma integração maior entre os diferentes suportes – o tal transmídia. Mas acho que isso ainda deve levar um tempo para se consolidar, mesmo porque existem algumas gerações que ainda vão consumir livros, filmes e discos como coisas separadas. Mas acho que a tendência maior inclui a participação da publicidade na narrativa. O fim do espaço comercial como conhecemos hoje inevitavelmente fará com que empresas busquem novas formas de mostrar o que querem vender para seu público. Se hoje a publicidade vem em forma de banners em videogames ou empresas que bancam obras de determinados artistas (modelos que já estão aí há algum tempo, mas que estão longe de serem estabelecidos), acredito que, no futuro, as marcas irão se associar a produtores de conteúdo que tenham alguma afinidade para desenvolver projetos e obras culturais que se desdobrem em diferentes áreas. O consumidor, no entanto, não deverá ficar refém de uma história que, para ser compreendida em sua totalidade, deve ser absorvida à exaustão. Pelo contrário: o conteúdo cultural do futuro deverá oferecer tanto pequenos aperitivos quanto universos narrativos complexos. O leitor/ouvinte/espectador é que escolhe o quanto deve se aprofundar.”

“Acho que não existe regra, mas, como antes da internet, acho que o principal é definir o que o artista quer da vida – se é reconhecimento público, ter um salário, se satisfazer pessoalmente ou fazer sucesso. Acho que a última opção é a mais tênue hoje em dia, uma vez que o conceito de sucesso mudou drasticamente – ou, pelo menos, deixou de ser mensurável. Acredito que o principal para qualquer artista hoje seja definir o que ele considera sucesso. Para muitos, produzir arte sem interferência de patrocinadores ou concessões ao público já pode garantir o sucesso pessoal. Para outros, sobreviver a partir da própria arte é outro novo parâmetro de sucesso. A decisão cabe ao artista e pode determinar o resto de sua carreira”.

“A principal contribuição do meio digital para a indústria – e não apenas cultural – é inverter a mão-única que era a regra da era industrial. Hoje não existe uma fórmula para fazer sucesso, uma regra para ser bem sucedido artística e comercialmente, um modelo de negócios padrão que deve ser seguido. Cada um deve descobrir o modelo de negócios que melhor se adeque a seu parâmetro de sucesso”.

“Pela legislação atual, a troca de arquivos pela internet é pirataria. O problema é que quando a sociedade muda, as leis devem mudar. As leis são feitas para se adequar ao comportamento das pessoas – e não o contrário. Já foi permitido, um dia, ter escravos humanos, por lei. E até o começo do século XX a mulher tinha menos direitos legais do que o homem. As leis relacionadas a esses assuntos mudaram porque a sociedade mudou. A troca de conteúdos digitais via internet é um fenômeno muito recente e as leis ainda não se adequaram a ele. Por isso mesmo, a definição de pirataria nesta época é vaga – da mesma forma que definir quem perde ou quem ganha com ela. Como você mesmo citou, o próprio Paulo Coelho advoga a favor da pirataria de seus livros. E há uma frase de Hermeto Paschoal que ilustra bem esse dilema: ‘Por favor, me pirateiem – se não ninguém vai ouvir minha música’.”

“Do mesmo jeito que a tendência para produtos fabricados em escala industrial tende a cair, existe uma série de outras soluções que estão sendo pensadas para estes profissionais que não existiam antes e hoje já são fonte de renda. A troca de arquivos via internet não fez as pessoas pararem de comprar disco – e, sim, ofereceram outras formas de você conhecer e pagar pela obra dos artistas – grande parte deles que sequer tinham o mínimo de visibilidade que a internet lhes proporcionou. Não sei responder sobre fontes de renda alternativas para estes profissionais porque: 1) o novo mercado está mudando o tempo todo; 2) cada artista deve descobrir qual melhor forma de conseguir transformar sua arte em seu sustento; 3) não sei se essas novas fontes de renda são alternativas ou se serão a regra vigente”

“Do mesmo jeito que a produção cultural será acessível de forma gratuita. O artista vai ganhar dinheiro com o contato direto com o público, com produtos impossíveis de serem digitalizados que acompanhem uma obra digital, com licenças de acesso a seu conteúdo que podem liberar sua obra para o espectador à medida que ela for sendo realizada, achando um patrocinador que queira associar sua marca àquele artista. Se for bom, as pessoas vão querer pagar. O problema é saber quando isso irá acontecer.”

“A indústria de tecnologia tem ganhado muito dinheiro com download, veja que, entre os sites mais acessados do mundo, figuram vários que permitem o compartilhamento de arquivos (como Rapidshare, Megaupload, etc.). E empresas como Google, Amazon, Microsoft, Apple e outros nomes do mercado digital também – seja com venda direta ou com anúncios atrelados aos downloads. Concordo que a tendência é que o streaming supere o download em relação à presença online (mesmo porque senão, todo mundo teria de ter HDs gigantescos para armazenar tudo que produz – fora o que consome), mas não acho que o streaming ou o download sejam mais ou menos vantajosos para a indústria cultural do passado, acostumada a ganhar dinheiro sobre cópias físicas de um produto que hoje não precisa mais de cópia física.”

“Acho ruim ficarmos lamentando as vantagens e desvantagens disso ou daquilo para essa indústria cultural, pois parece que ela é especial e não está suscetível a essas mudanças, como o resto da sociedade. Quando a fotografia foi inventada, os pintores reclamaram que iam perder a função de retratistas. Felizmente, não havia uma indústria que representasse os pintores para fazer campanhas contra o uso da fotografia. Felizmente porque, se isso acontecesse, talvez o impressionismo e o modernismo – as soluções que os artistas, e não a indústria, propuseram – demorariam mais tempo para acontecer”.

“É crucial [a participação do fã neste contexto]. A principal mudança para o artista tradicional que estamos vendo é o fato de a indústria cultural não servir mais como intermediário entre artista e consumidor – seja numa sala de chat, num fórum de discussão, ao pagar pela arte de outra forma ou no contato após o show. É a principal mudança porque faz com que o artista se pergunte sobre quem ele deve agradar e responder – se ao empresário, ao produtor, à gravadora, à editora de direitos autorais ou a quem consome apaixonadamente sua música. Vendo desta forma, é fácil entender porque a indústria estabelecida se volta tão ferozmente contra o digital – ela está perdendo o controle da redoma que havia criado ao redor do artista. E, principalmente, o artista está deixando de ser esse alguém iluminado, que precisa de tempo para se inspirar, para ser encarado como um profissional e ponto.

“O que estamos vendo é um movimento que permite que a humanidade, como um todo, possa ter acesso ao que ela mesma produz, todo dia, o tempo todo. Artistas estabelecidos e indústria cultural são só obstáculos no meio dessa comunicação total que estamos começando a assistir“.

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Hackers no cinema

Me incomoda tanto ver cenas como essa acima, de Swordfish, que é um bom filme, mas que, ao tentar explicar visualmente todo o processo de hackear, põe tudo a perder – transformado não só o personagem como o próprio ator em um marionete ridículo de uma excitação que não existe. Fico com medo de como será a cena do Zuckerberg criando o Facebook em seu quarto pelos olhos do David Fincher…

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Daniel Pádua (1980-2009)

“Tecnologia é mato, o importante são as pessoas”
@dpadua

Não conheci o mineiro @dpadua pessoalmente, mas há quase dez anos acompanho e admiro seu trabalho, seja na militância de causas relacionadas à liberdade no mundo digital (dos protestos anti-Lei Azeredo ao trabalho no Metareciclagem), como na criação de dispositivos e ferramentas que inspiravam a criação coletiva e a organização 2.0, como o blogchalking (um plugin que permite localizar blogs por regiões geográficas, que foi o responsável por colocá-lo no mapa em 2002, quando pautei matéria com o criador para a falecida revista Play) e o Xemelê (linguagem baseada no protocolo XML, que facilitava a troca de informações para desenvolver um projeto coletivo, desenvolvido ainda no projeto Metáfora e adotado pelo Ministério da Cultura de Gilberto Gil). Envolvido com a criação do Blog do Planalto, ele estava afastado há dois meses do trabalho para lidar com a doença que lhe levou na quinta de noite. Mas, raízes firmes no campo fértil do mundo digital, é fácil prever que seu legado começa a entrar em ação a partir de agora e que seu nome será muito maior do que quando em vida. Valeu, rapá!

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Link – 7 de setembro de 2009

A virtude de deletarNovos HDs externos funcionam sem o PCSaiba como estocar e recuperar seus arquivosBill Tancer: “Somos o que clicamos”Nokia vê o fim da fronteira entre PC e celularNovo netbook impressionaN900 é ‘penúltimo passo da evolução’Será que os Beatles vão virar MP3?Livros brasileiros podem ser lidos de graça no celularEleição afegã é monitorada por celular e e-mailO mundo digital cada vez mais perto da cultura popRadiohead 2.0

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Polêmica gratuita


Malcolm Gladwell, Chris Anderson e Seth Godin

Pensadores pop discutem sobre o preço do futuro

Em Free, Chris Anderson diz que era digital tornará serviços gratuitos

Nem bem o novo livro de Chris Anderson saiu e ele já causa polêmica. Editor da revista Wired, Anderson criou o conceito da “cauda longa” no livro de mesmo nome (publicado pela editora Campus), em que adapta preceitos econômicos para a era digital. Nele, o autor compara os estágios da indústria cultural antes e depois da internet para sacramentar que estamos saindo da era do mercado de massas para a do mercado de nichos.

Free (trocadilho de “livre” e “gratuito” em inglês), o novo livro de Anderson que será lançado amanhã nos EUA, vai além. Vislumbra que a batalha dos preços dos produtos está passando por uma mudança radical, em que a disputa deixa de ser entre quem tem o preço mais baixo e passa a ser entre quem cobra algo e quem não cobra nada. A partir de exemplos que vão do valor estipulado pelo consumidor para o disco mais recente do Radiohead à publicidade em videogames, passando pelos serviços do Google e a briga entre a Microsoft e o Linux, Anderson profetiza que o futuro não terá preço.

Um dos primeiros comentários sobre o livro veio do escritor Malcolm Gladwell, autor dos best-sellers O Ponto de Virada e Fora de Série (publicados pela editora Sextante). Colunista da revista New Yorker, ele dedicou um longo texto ao livro, em que desancava as teorias de Anderson, perguntando se um jornal como o New York Times seria produzido nos moldes dos grupos de voluntários que alimentam sem-teto.

Anderson rebateu em seu blog na Wired, mas não foi incisivo – limitou-se a dizer que se o que Gladwell dizia era verdade, seus leitores não poderiam ler aquele texto online gratuitamente.

A discussão está longe do fim, afinal o livro sequer foi lançado, mas outro pensador pop entrou na discussão. Seth Godin, um dos principais pensadores do universo digital hoje e autor de livros como O Futuro Não é Mais o Mesmo, A Vaca Roxa e Sobreviver Não é o Bastante (publicados no Brasil pela Campus), comentou a discussão em seu blog, num post batizado “Gladwell está errado“: “Como todas indústrias que estão morrendo, os velhos modelos irão reclamar, criticar e demonizar o novo. Não vai funcionar. A razão é simples: Num mundo livre/gratuito, todos podem participar. E isso é uma mudança enorme”.

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Hipster Cafona

Não curto essa onda online de neguinho que faz site só pra esculhambar desavisados. É um desdobramento gigantesco do comportamento online e abrange desde os inocentes que povoam o Pérolas do Orkut aos blogs de desconstrução de celebridades (onde, não custa elogiar, o Te Dou um Dado dá uma aula de edição para essa era pós-reality show) e inclui famosos anônimos, anônimos famosos e personagens como Katylene e Felina, só pra ficar na superfície do assunto. Não desaprovo (parte da reinvenção da época em que vivemos está saindo daí), mas sequer assino os feeds. Mas confesso que há alguma coisa além nesse tumblr carioca chamado Você Não é Hipster, Você é Cafona. Afinal, o braço do “moderno/cool” também está se desfazendo nos dias de hoje e seu poder vem sendo igualmente pulverizado como o de qualquer detentor de autoridade do século passado. E, em crise, passa a conviver na fronteira entre o velho e o novo (que, neste caso, é o cada vez mais subjetivo limite entre o brega e o chique), caindo numa espécie de loop de ironia que, felizmente, começa a ser desmascarado.

Tem a ver com o culto ao Animal Collective, mas isso é papo pra outro dia.

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Link – 30 de março a 5 de abril de 2009

A primeira década da cultura digitalO papel da ficção científica1999: o ano que não terminou10 anos depois, Matrix ainda vivePopularização do digital levou até Bill Gates à foliaEscolha o plano de celular de acordo com o seu usoA próxima revolução virá dos países emergentesResident Evil 5O Vale do Silício e o carro elétricoVida Digital: Hermeto Paschoal

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