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Arquivo: david lynch

Duna sem palavras

Rob Beschizza resolveu por em prática um dica sugerida por John Waters (“Por quê só fazem remakes de filmes bons? Por quê não tentam consertar filmes ruins?” – algo nesse naipe) e resolveu retrabalhar um dos piores filmes de David Lynch, sua bisonha adaptação para o filme Duna. Sua premissa? Tirar os diálogos do filme. Todos. O resultado, que não dá pra embedar no post, é uma espécie de Moebius steampunk, um Cronenberg rococó, um Jodorowski felliniano, dirigido por um sueco com poucos amigos, e a primeira cena do filme pode ser assistida aqui. TENSO.

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Tumblr do dia: If you don’t, remember me

Esse If You Don’t, Remember Me é uma obra de arte.

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O Club Silencio, de David Lynch, sai do cinema e vira uma casa em Paris

Mais um capítulo da série: na genialidade de Lynch, o cinema é só um detalhe.

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A grande obra de David Lynch: seu cabelo

Eu já falei e o HTMLGiant materializou.

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A filmografia de David Lynch em menos de 140 caracteres, por David Lynch

No final do ano passado, David Lynch deu uma entrevista ao Guardian através do Twitter e, no meio do papo, foi desafiado a resumir seus filmes na quantidade máxima de caracteres permitidos pela rede social do passarinho. Mestre da autopromoção, o melhor topete da história do cinema, esmerilhou:

Inland Empire:
I told Laura Dern during Wild at Heart that I wanted to make a 3-hour DV tribute to her face, but she thought I was joking :)

Mulholland Drive:
Began as documentary about bum behind LA diner carrying odd box. He was gone the next day, so I guessed how it would’ve turned out.

The Straight Story:
An old man makes a long journey by tractor to mend his relationship with an ill brother.

Lost Highway:
The key to the entire film is during the scene where Bill Pullman wails on the sax. That’s f*cking crazy man! LOL!

Twin Peaks: Fire Walk With Me:
About America’s dependence on TV and benefits of meditation. Thought this was obvious in the scene with Bowie.

Wild at Heart:
For some reason I think about Nicolas Cage every time I watch The Wizard of Oz. He won’t leave my head! This film was therapeutic.

Blue Velvet:
Kyle MacLachlan = me, Dennis Hopper = The Producers of Dune who wouldn’t give me final cut. It is a film about good and evil.

Dune:
Actually this was a very explicit summary of my thoughts on God, the human condition and the meaning of life. But that cut wasn’t released.

The Elephant Man:
A metaphor for inhumanity of ivory trade. Thought the title made this clear?

Eraserhead:
People think this film is oppressive, but I say that it is the most spiritual movie I’ve made, and I’m going to tell you why. It’s because w

Gênio, gênio. Seu cinema é quase um detalhe.

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Twin Peaks, 20 anos

A emblemática série de David Lynch para a televisão completa duas décadas este ano, com direito a exposição em Los Angeles e tudo mais – tudo mais, no caso, é uma série de matérias que começarão a sair até o resto do ano elogiando a série por seu pioneirismo e por poder ser considerada um marco da televisão moderna e blablablá. Mas tentei rever Twin Peaks há uns anos e quase morri de tédio. Não por conta da série em si, mas pelo fato de seu ritmo pertencer a uma outra época. O andamento é parado e não por estética, mas porque assim caminhavam os anos 80 (Twin Peaks, como Seinfeld e Friends, é do início dos anos 90 mas é completamente impregnada por oitentismos). Tire o elemento freak que é o tempero azedo que Lynch deu à TV e Twin Peaks tropeça anestesiada como um filme qualquer do Super Cine, “baseado num crime que abalou a opinião pública norte-americana”.


Scott C explica como fez sua colaboração para a exposição sobre Twin Peaks em seu blog

Mas leve em consideração que eu admiro David Lynch apenas como um picareta – um mestre picareta, já escrevi sobre isso (vale também ver os inacreditáveis comerciais que ele já dirigiu). E fico feliz de ter presenciado pessoalmente uma de suas principais obras: seu cabelo.

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Schrödinger Produções

Filmes de um universo paralelo

Matrix dirigido por John Boorman (com Bruce Lee como Neo), Tron feito por Cronenberg, Inception de Samuel Fuller (com trilha de Sun Ra!), Tobe Hopper e John Carpenter juntos, 2011 de Kurosawa, Guerra nas Estrelas de Jodorowski, 1984 de Paul Verhoeven e Kill Bill com Marilyn Monroe e Russ Meyer. Esses são só algumas das pérolas (há dúzias) de filmes imaginários criados pelo site Hartter. Lá tem mais.

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Sonho/Realidade

Se liga:

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Slavoj Zizek e David Lynch

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“Nem do bem que me fizeram”

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É permitido fumar: David Lynch

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Esqueceram de Mim, versão David Lynch

Do Picture is Unrelated.

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Vida Fodona #201: É sério que eu preciso falar mais algo?

Vamos à nossa viagem semanal por emoções cortantes e sensações dançantes.

Flirtations – “Nothing But a Heartache”
Hail Social – “Anna Belle”
Angelo Badalamenti – “Laura Palmer’s Theme”
Egberto Gismonti – “O Gato”
Pixies – “Here Comes Your Man”
Why? – “Early Whitney”
Javiera Mena – “Yo No Te Pido La Luna”
Marcos Valle – “Cricket Sing for Anamaria”
Stereolab – “Spark Plug”
Sebadoh – “Forced Love”
Pavement – “Type Slowly”
George Harrison – “Beware of Darkness”
Fagner – “Traduzir-se”
Supergrass – “Je Suis Votre Papa Sucre”
Queen – “You’re My Best Friend”
Jards Macalé – “Anjo Exterminado”
Dave Brubeck Quartet – “Blue Rondo a la Turk”
Cure – “Lullaby”
U2 – “Zooropa”

Venha.

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David Lynch comercial

O lado picaretagem enquanto arte de David Lynch (um personagem de Entourage, melhor dizendo) fica mais evidente quando analisamos os comerciais que ele dirigiu para todo tipo de produto durante os anos 90. Vai dizer que não parece paródia. Olha esses da Calvin Klein:

Aí tem esse feito para a prefeitura de Nova York, sobre não sujar as ruas da cidade. Podia ser do Funny or Die ou do College Humor.

Tem esse feito para um perfume de Giorgio Armani, cujo convite veio do próprio. TV Pirata?

Outro comercial de perfume, dá-lhe clichê:

Lynch até dirigiu comercial pra disco do Michael Jackson:

E esse pras massas Barilla, com o Depardieu? Muito ridículo.

Mais comercial de perfume, desta vez com a Daryl Hannah:

E tem esses quatro que ele dirigiu pra série de comerciais Ever Wonder?, do Scifi Channel. Um chama-se Nuclear Winter:

Outro chama-se Rocket (e os outros dois – Aunt Droid e Dead Leaves – eu não achei no YouTube):

O cara fez até anúncio para teste de gravidez. Supercine feelings:

E essa série inacreditável pro PlayStation 2:

E, pra finalizar, tem esse de carro:

E vai dizer que ele não é consciente da própria picaretagem? Mas o melhor de todos não é dirigido por ele – ele só atua:

Demais.

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David Lynch, mestre picareta

Aproveitando a deixa, aproveito para falar rapidamente de Lynch, um diretor que me desperta sentimentos dúbios. Nem chego perto de questionar seu valor cinematográfico – tanto técnica quanto esteticamente o cara é um mestre, isso sem contar a forma como ele está abraçando o cinema digital, que talvez seja o principal movimento de um bastião do cinema atual em abraçar o novo formato. Nem George Lucas – que, cinematograficamente falando, é uma nulidade – é tão empolgado com a mídia e o formato digital quanto David Lynch.

O que me incomoda é que toda sua mitologia, seu universo de estranheza e desconforto, sempre me pareceu uma tremenda ironia com todo o chamado cinema de arte. Uma ironia grosseira, beirando o ridículo, uma grande picaretagem em que, à medida em que ele vai deixando as coisas mais confusas, apenas vai conduzindo o espectador a uma espécie de estado de sonho que não deve ser racionalizado – mas que boa parte dos fãs de Lynch insiste em racionalizar. Não há explicação, não tente entender – mas tentam. E tentam.

Percebo David Lynch como um artista completo, além de apenas um diretor. Um sujeito que transformou-se em sua própria obra de arte – e nisso o sentido de sua filmografia é quase uma paródia do conceito de autoria cinematográfica. Tirando Eraserhead, um trunfo inicial que poucos diretores podem chegar perto, seu início de carreira é um jogo de tentativa e erro que só chega a um consenso no final dos anos 80, quando inventa seu noir-bizarro americano, entre Veludo Azul e Twin Peaks, e começa a curtir uma tensão surrealista misturada com uns Estados Unidos idealizados, à Norman Rockwell, pelos anos 50 imortalizados em áudio e vídeo em comerciais de eletrodomésticos, filmes de Billy Wilder e Alfred Hitchcock e comédias de Cary Grant e Doris Day. É quase uma caricatura, um quadro do Monty Python ou do Saturday Night Live sobre um diretor de cinema americano que acha que pode criar um senso de cinema europeu com as matizes dos EUA.

Mas como personagem de si mesmo, Lynch é impecável. E que cabelo.

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