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E a revista em quadrinhos mais vendida do mundo é…

A DC encheu o peito pra falar que a revista de reestréia da Liga da Justiça (que deu início ao reboot digital da editora) era o gibi mais vendido no mundo em 2011, com tiragem de 200 mil e aí vem o Bleeding Cool e saca essa maravilha brasileira:

Sim: Turma da Mônica. Sim: Jovem. Sim: “Em estilo mangá”. Sim: o dia em que o Cebolinha ficou com a Mônica. Sim: tiragem de 500 mil revistas. E o detalhe que diz que é “história completa” na capa? Tá na hora do mundo saber a real: Stan Lee é uma moça perto do Maurício.

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Impressão digital #0062: DC Comics digital

Minha coluna no Caderno 2 desse domingo fala sobre o fato da DC ter dado um boot em sua cronologia – pra sobreviver na era digital. Será?

Dilema digital
Quadrinhos no século eletrônico

A encruzilhada digital é implacável. Indústrias estabelecidas no século 20 graças à cultura de massas penam, no novo século, para se adaptar a uma realidade que celebra a cultura do nicho. Mais que isso, numa cultura digital, em que tudo pode ser copiado e reproduzido sem que o autor tenha controle da distribuição, fica cada vez mais complicado gerir um negócio que lide com a produção de conteúdo feita para milhões de pessoas.

A indústria do disco sentiu isso na pele ao servir de boi de piranha digital quando assumiu o papel de primeiro antagonista da web e processou quem baixava MP3 sem pagar. Hollywood sente dolorosamente essa mudança, quando o download de filmes via torrent a obrigou a apostar em superproduções e em novas tecnologias, como as salas Imax e 3D. Emissoras de TV do mundo inteiro veem suas programações escoarem para fora da grade rumo ao YouTube.

Música, cinema e TV estão sempre nas notícias quando se fala nesse assunto, mas uma indústria que é a cara do século 20 e está quase sempre à margem dessa discussão vem penando para retomar sua importância na era digital: os quadrinhos.

E quando se fala em indústria dos quadrinhos, dois nomes se destacam: Marvel e DC, editoras que criaram o conceito de super-herói moderno. A primeira tem se mexido drasticamente para continuar relevante nos dias de hoje, principalmente longe das revistas. Seu principal feito foi se transformar em estúdio de cinema para levar seus personagens para um público que não lê páginas em papel. A Marvel também pulou no iPad na primeira hora, criando um dos aplicativos mais festejados logo que o tablet apareceu. Mas a conta ainda não fechou – e a Marvel continua em busca de alternativas para fazer suas histórias em quadrinhos sobreviverem no século 21.

Sua principal rival, a DC, começou a se mexer de verdade na semana passada, quando anunciou que iria zerar sua linha de super-heróis e recomeçar a contagem de suas revistas, todas com um novo número 1. Não é a primeira vez que a editora que inventou o Super-Homem e o Batman tenta isso. Nos anos 80, conseguiu reiniciar seu universo com a saga Crise nas Infinitas Terras, em que permitiu que seus heróis pudessem fazer sentido no fim do século passado.

O novo reinício mira no digital. Além dos novos números 1, a editora deverá publicar, digitalmente, as mesmas histórias exatamente no dia em que elas chegam às bancas. O preço deverá ser mais barato que o das versões impressas, pois a editora quer que seu novo público volte para o papel uma vez que sentir o gosto dos novos títulos online.

Mas isso pode dar bem errado, já que, assim, eles podem matar um de seus principais redutos, que são as lojas de quadrinho – como a música online fez com as tradicionais lojas de disco. A estratégia trará novos leitores se der certo. Mas se der errado, pode afugentar até os velhos. Ninguém disse que seria fácil.

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Marvel x DC: breakdance!

Na real isso era apenas um teste para ver se uma câmera nova estava funcionando, mas olha que foda…

Dica do Klaus, via Videogum.

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Wanted

Mark Millar e o futuro do super-herói

Tou pra falar desse filme há um tempão, mas sempre vou deixando passar. O Procurado – um título sem graça, mas ao menos não é um clichê e se aproxima do título original sem precisar simplesmente ser mantido em inglês – parece ser só mais um filme de ação desses pra executivos de Hollywood faturarem um troco no meio da temporada, mas por trás daquilo que parece ser mais um blockbuster que o cinemão americano produz sem precisar ter um protagonista convincente (James McAvoy é um anônimo, ainda mais se o compararmos com seus coadjuvantes, Angelina Jolie e Morgan Freeman) há uma história e tanto.

Não apenas a história contada na tela. Originalmente uma minissérie em quadrinhos (Wanted, escrita por Mark Millar), ela poderia ser mais um dos vários casos de autores originais que se frustram com adaptações de suas obras para o cinema americano. Afinal, a história original do gibi fala de uma fraternidade secreta de supervilões que, em comum acordo, exterminam os super-heróis e passam a conduzir uma série de assassinatos para escrever a História ao seu dispor. No cinema, esta irmandade torna-se secular e com outras motivações – e só isso já seria motivo para muito escritor espernear.

Millar, não. Ainda viu, sem medo, sua história transformada em filme simplesmente abolir as referências a mitologia de super-heróis. No Wanted em quadrinhos, cada personagem era uma citação de um herói ou vilão estabelecido, às vezes com mais de uma personalidade fundida em sua descrição – o líder da fraternidade originalmente era uma mistura de Lex Luthor com Dr. Silvana, por exemplo. No cinema, tudo isso se foi. E Millar, em vez de lamentar e chutar o sofá de raiva, preferiu contemplar a mudança de mídia. Entrou como produtor no filme e deixou o diretor Timur Bekmambetov (“o David Fincher russo”, como ele sublinha) reescrever sua saga para virar um filme de ação.

E, orra, que filme. Wanted é de assistir inteiro às gargalhadas, de tanto que as cenas de ação são exageradas. Mas isso não é ponto negativo – a correria desenfreada e a ação fantasiosa são pontos a favor do filme, que é pra ser visto no cinema, com suas perseguições e balas que fazem curva sendo acompanhadas na telona, com som cheio. É uma homenagem ao movimento superlativo levado às últimas conseqüências, no mesmo tipo de megalomania-desastre do quarto Duro de Matar, por exemplo – só que com a velocidade de um Matrix.

Divertidíssimo, é claro que o filme não vai agradar o pessoal da “profundidade” cinematográfica. Vão ficar dizendo que as cenas são impossíveis, como se a história de um moleque zero à esquerda que descobre, do nada, que ele é um super-herói, fosse algo plausível, pronto para acontecer todo dia. Se você quer realismo, vai passear na rua – cinema é só diversão.

E Wanted tira onda nesse quesito. É um filme tão divertido quanto o último Batman ou o primeiro Homem de Ferro, sem precisar das grifes de Nolan ou Downey Jr. ou sequer das próprias lendas dos super-heróis. Ele inventa uma mitologia própria, que o Millar ousa dizer que foi “melhorada” pelo diretor.

É claro que ele não está dizendo isso de graça – e sim, tá levando grana. Mas eis um novo paradigma: em vez de um estúdio parceiro de uma franquia de quadrinhos para reinventar super-heróis do passado, temos um autor conversando com um estúdio para criar super-heróis para os dias de hoje. O escocês Mark Millar é um dos escritores de quadrinhos mais importantes da atualidade e nasceu sob o signo de dois mestres: Alan Moore e Grant Morrison (foi contratado pela DC nos anos 90 para escrever o Monstro do Pântano ao lado de Morrison e assumiu o texto de Authority quando Grant Warren Ellis saiu). Ele é responsável por uma das histórias mais fodas do Super-Homem (Red Son, que cogita que o meteoro de Krypton caiu na União Soviética) e fez os Ultimate X-Men e os próprios Ultimates, que é versão fodona para os Vingadores da Marvel (foi ele quem transformou o Nick Fury no Samuel L. Jackson, ainda em quadrinho, fazendo Jon Favreau acatar a idéia no final do filme do Homem de Ferro), além de já ter escrito para o Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e criado os Marvel Zombies, a Guerra Civil Marvel e o boato de que o Orson Welles faria um filme do Batman.

Não bastasse isso, desde que o século virou ele anda criando sua própria grife, que inclui Wanted. Além dela, que ele apostou com o estúdio que teria seqüências caso faturasse mais de 50 milhões de dólares, Millar ainda é autor de Kick-Ass (com John Romita Jr.), que foi lançada em abril deste ano e já está com um filme em produção; Unfunnies e Chosen, que ele diz ser a continuação da Bíblia. Todos os títulos estão sendo negociados para virar filme e Millar ainda pode virar consultor num possível filme dos Vingadores. Fora a história dele com o Super-Homem, que eu conto daqui a pouco.

Mas quando você ver o protagonista de Wanted se vingando do pseudo-amigo que come sua namorada enquanto ele estar no trabalho, você vai entender porque o nome de Millar tende a crescer. E muito.

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