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On the Run 54: DJ Yoda – How To Cute And Paste The Thirties Edition

E por falar no Pedrada, a Babee pinçou do site essa mixtape do DJ Yodaaquele mashupeiro hip hop que veio no Timfa do ano passado – que ele fez usando apenas discos dos anos 30. Ele nem mexe muito nas músicas, só dá uma ou outra acelerada no beat e cola trechos de diálogos e propagandas antigas (e alguns samples modernos). Como se mandar “Cheesecake” e “Reefer Man” já não fosse o suficiente… Fico pensando o resultado de um experimento desses com discos de música brasileira do mesmo período.

DJ Yoda – How To Cute And Paste The Thirties Edition

Danny Kaye – “Beatin Bangin Scratchin”
Benny Goodman – “One O Clock Jump”
Danny Kaye – “Ballin The Jack”
Louis Armstrong – “Cheesecake”
Cab Calloway – “Minnie The Moocher”
Thelonious Monk – “Black And Tan Fantasy”
Thelonious Monk – “Caravan”
Moondog – “Lament 1, Birdss Lament”
Jeri Southern -”An Occasional Man”
Duke of Iron – “Ugly Woman”
Slim Gaillard – “Yip Roc Heresy”
Benny Goodman – “Ding Dong Daddy”
Champion Jack Dupree – “Walking The Blues”
Fats Waller – “Reefer Song”
Cab Calloway – “Reefer Man”
Duke Ellington – “Dont Mean A Thing”
Henry Thomas – “Red River Blues”
Harry McClintock – “Big Rock Candy Mountain”
Vera Ward Hall – “Trouble So Hard”
Bessie Jones – “Sometimes”
Robert Johnson – ‘”Hellhound On My Trail”
The Marx Brothers – “Hello I Must Be Going”

Aproveito a deixa para ressuscitar e liberar a seção On the Run, que começou com o nome de Mixtape de Sábado, pulou para o domingo e ganhou esse título em inglês em homenagem ao Pink Floyd, mas que, desde que eu diminuí o número de posts no fim de semana, parou de ser publicada. Como a regra da seção é linkar mixtapes, DJ sets ou podcasts que enfileirem várias músicas sem a intromissão vocal de um locutor, apresentador ou radialista, incluí os últimos posts que tinham essa pegada na seção e renomeei todas as antigas Mixtapes de Sábado para seguir com a mesma numeração. E agora o On the Run não tem dia: pintou algo legal, aparece.

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OEsquema no Timfa

Pra quem não acompanhou durante o fim de semana, aí vai a cobertura dOEsquema para o Tim Festival deste ano. Nosso primeiro trabalho em conjunto, sem ter nenhuma reunião de pauta ou definição de funções. Por isso, ficou assim:

- Falei da possível importância do show do Kanye West no Brasil horas antes de assistir a uma fuleiragem sub-escola de samba que se passava por “grande espetáculo da Terra” (que ainda contou com um estranhamento entre os Racionais e D2, no público). The Great Hip Hop Swindle, isso sim. No segundo dia teve o show dos Klaxons, no terceiro Gogol Bordello e DJ Yoda salvaram a pátria enquanto o último dia foi bem equilibrado com um showzaço do National e um show mediano do MGMT. Fiz um monte de vídeos do festival.
- No Rio, o Bruno falou que o Camelo funciona melhor em show do que em disco, curtiu o Gogol Bordello, achou o Klaxons mais ou menos, linkou uma mixtape nova do Sany Pitbull (que só tocou no Rio), entrevistou o MGMT e comentou, ao assistir ao show de Sonny Rollins, sobre a carência de eventos como o festival da Tim podem fazer com uma cidade com o Rio. Ele também fez uns videozinhos;
- Também no Rio, o Mini assistiu ao Yoda, Gogol Bordello, Klaxons e Neon Neon e fez algumas considerações sobre sua ida ao evento;
- Arnaldo não foi a show nenhum e também não perdeu grande coisa, mas faz uma pergunta pertinente: você compraria um cinzeiro do Capitão Presença?

Eu compraria.

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Finalmentes

Quantos bons shows precisa ter um festival?


MGMT – “Time to Pretend”

Culpe o fechamento lá no jornal na sexta-feira ou o fato da terceira noite do Tim Festival deste ano ter começado cedo demais. Eu não culpo nada, perdi o Dan Deacon e o Junior Boys, mas paciência. Do primeiro eu ouvi relatos como “festa junina” ou “aula de ioga” e vendo os vídeos no YouTube deu pra sacar que o produtor induziu o público a um transe taichichuan lúdico – e quem participou mais ativamente da performance foram os velhos freqüentadores das quartas e quintas no Milo (deu pra reconhecer vários nos vídeos e fotos que apareceram). Tocando no meio do público, ele incitou os presentes a uma série de joguinhos, que iam do proverbial túnel junino a um concurso de dança. O som me pareceu aquela discotecagem desconexa e zen feita para indies se esticarem enquanto imaginam que sua realidade-túnel seja possível – é quando o RPG (reeducação postural global) e o RPG (role playing game) se encontram. Do Junior Boys, não soube nem se foi bom ou ruim.

Cheguei no meio do Gogol Bordello que, já falei, fez um grande show – só não me peçam para gostar. E os ucranianos bêbados pulando feito bandoleiros do deserto ao som de música do leste europeu nem precisaram de muito mais do que só isso para incendiar o público, que delirou. Mas duas dançarinas do Tchan vestidas com uniformes do Santos e a citação de “Morena Tropicana”, do Alceu Valença, foram suficientes para saber que em um ou dois anos esses caras tão de volta no Brasil, por uma, duas, três vezes – até se mudar pra cá de vez. O amálgama de som colide folclores específicos que se mistura com facetas diferentes da música pop com aparato cênico e movimentação de palco é algo que já ouvimos tantas vezes (Karnak, Mano Negra, Móveis Coloniais de Acaju, Brasov, Manu Chao fase Proxima Estación, Cordel do Fogo Encantado, Farofa Carioca, Teatro Mágico) que eu sempre tenho preguiça quando surge um grupo novo desses. Há, claro, um elemento inevitável da consciência de uma globalização paralela, cultural, que abandona fronteiras em favor do ritmo e do hedonismo, mas não é algo que se conecta comigo além da sociologia. Musicalmente falando, sinto-me a poucos passos de distância de uma micareta.

Depois do Gogol veio o set insuportável do Switch, que eu já conhecia de uns remixes e esperava bordoadas boas para balançar o corpo. Em seu lugar veio um bate-estaca sem graça, com acelerações de ritmo que oscilavam entre o house e um princípio de trance. Não conseguia parar de pensar em como um publicitário brasileiro bolaria a trilha sonora para um filme de aventura que se passa no futuro – nem esse som imaginário conseguia ser tão monótono e anônimo quanto a apresentação do sujeito. Não foi à toa que muita gente saiu durante o set dele: estava realmente chato.

Quem foi embora, perdeu o Yoda, DJ/VJ na linha do Mike Relm e Eclectic Method – ou melhor, um meio-termo entre os dois. Enquanto o set de Relm exagerava no nerdismo e o da dupla EM pesava a mão no hip hop, Yoda equilibra-se entre os dois multiversos: o lado nerd chamava Guerra nas Estrelas, Indiana Jones e Super Mario Bros. para a briga enquanto o lado rap vinha de Ol’ Dirty Bastard, Biz Markie, Snoop Doggy Dogg e beats precisos, que iam do beatbox velha guarda ao andamento tranqüilaço do rap mais riponga e os graves pesados do gangsta. No meio, tudo: raggamuffin, Austin Powers, programas de ginástica, Fringe, Tom Jones, a velhinha que ensina o que é mashup, Chemical Brothers, Richard Pryor no Superman III, Ini Kamoze, Simpsons, Rocky Balboa, Yo Gabba Gabba, Vila Sésamo, Run DMC – misturado, scratchado, mashupado, mixado e remisturado. Yoda é uma metralhadora de referências pop, cuspidas com uma velocidade que, ao mesmo tempo, nunca saía do ritmo; é possível assistir às suas interferências de vídeo e cair na dança sem que uma atividade não interferisse na outra. E assim Yoda mexia cabeças e quadris ao mesmo tempo – e gastando, provavelmente, um centésimo do que o Kanye gastou.

Pra mim, foi ele quem salvou a terceira noite do festival. Pena que pouquíssima gente viu.

(Fazer o que, né… Mesmo contra todo o preconceito, o mashup ainda impera.)

Perdi o Cérebro Eletrônico por puro desleixo (preguiça, melhor dizendo, mas não da banda em si). A quarta e última noite do festival pra mim começou com o National, que eu já tinha visto tocar esse ano em Lisboa. Vi os caras num lugar fantástico, chamado Aula Magna, que é onde doutores vão defender suas teses na universidade local. Como não havia comprado ingresso com antecedência, só consegui a entrada mais cara para o show daquela noite, o que me colocou numa poltrona em que cabiam umas três pessoas com folga, de tão confortável. Fiquei a quatro fileiras da banda e assisti à apresentação literalmente de camarote – e ali já dava pra perceber que a banda havia atingido um outro patamar. Se Boxer, seu disco mais recente, consagrava sua saída da adolescência anunciada no disco anterior, Aligattor, o show não poderia acontecer em um lugar mais apropriado – e era possível não apenas embarcar na viagem emocional do vocalista Matt Berninger (que se jogava, andando pelas poltronas do auditório a certa altura) como perceber a coesão e cuidado de um time de músicos que ia da introspecção à muralha de microfonia com uma disciplina rara em show de rock. Na época, filmei “Brainy” e “Secret Meeting”, além de um trecho de “Fake Empire”.


The National – “About Today”


The National – “Fake Empire”

O show em São Paulo repetiu a mesma ótima apresentação de Lisboa, com um pequeno diferencial – em Portugal, todos sabiam de cor as letras das músicas, no Brasil, poucos sequer sabiam os refrões. E foi aqui que a banda mostrou que é boa – afinal, parte do público desconhecia completamente a banda que ia abrir para a dupla psicodélica MGMT e foi tragado pelo rock sério e adulto do National. Desta vez de óculos, Matt igualmente se entregava ao público, conversando com as pessoas, sendo gente boa de uma forma natural, nada populista. Quando cantava, com seu timbre grave e emotivo, era hiptonizado pela música e deixava-se levar, carregando o público para dentro do emaranhado de som cuidadosamente tecido por um grupo formado por dois pares de irmãos, os gêmeos Bryce (guitarra) e Aaron (baixo) Dessner e Scott (guitarrista) e Bryan (baterista) Devendorf, que ainda se revezavam nos teclados (e contavam com a participação de um sexto músico, que ia do piano ao violino). E assim o grupo alinha-se ao outro lado do pós-punk, o inglês, de bandas como Echo & the Bunnymen, Joy Division, Cure e U2. Showzaço, aconteceu num momento crítico para o National que, se fizer o disco certo, passa para o primeiro escalão do rock mundial em breve. Se o mundo fosse justo, eles venderiam mais que o Coldplay e seriam mais respeitados que o Tindersticks.

Para encerrar, a dupla nova-iorquina MGMT se afogou na psicodelia e descambou pro prog. Esse é o drama do gênero. O negócio começa a ficar viajandão demais e aí os caras começam a viajar que são músicos de primeira linha, solo de guitarra vira uma coisa transcendental e trips instrumentais viram apenas bad trip. Também, né, nova-iorquino pagando de californiano é tipo paulista querendo tirar onda de carioca. E o público – o mais cheio dos quatro dias na tenda, além do mais florido – que veio para ouvir os hits (especificamente três, “Kids”, “Time to Pretend” e “Electric Feel”), achando que eles eram uma banda pop com cores tie-dye, desanimou-se em todas as músicas que não eram essas três (e “The Youth”, também bem recebida). “Kids”, que veio no final, lavou a alma de um show curto mas demorado, mas que deixou um gosto de “quero mais”.


MGMT – “4th Dimensional Transition”


MGMT – “Of Moon, Birds and Monsters”


MGMT – “Electric Feel”


MGMT – “The Youth”

No fim, esse Tim Festival, apesar de tudo, teve seus acertos. Mas dava pra reuni-los todos em uma mesma noite com National, Klaxons, MGMT e o Yoda – de preferência num lugar que pudesse terminar mais tarde, sem ter os seguranças empurrando o público pra desarmar o circo. Pagando ingresso, bebida e estacionamento apenas uma vez aposto que o público viria em mais peso, ficaria mais feliz e o festival sairia com o filme menos queimado.

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On the Run 32: DJ Yoda Fabric Live 39

Yoda quebrou tudo no show de ontem no Timfa, então segue um consolo pra quem não esteve por lá – é o trigésimo nono lançamento das coletâneas da Fabric. Não serve como lembrança para quem foi para os que estiveram lá porque o set aí embaixo é mais centrado em hip hop (enquanto o que ele fez aqui foi pros lados da soul music e do funk carioca) e tem menos da avalanche de mashup – até porque, diferente da apresentação ao vivo, aqui ele não tem o suporte vídeo. Mas quando a discotecagem do sujeito começa com Violent Femmes e termina com Wiley (misturando Ice Cube, Bonde do Rolê, Run DMC, Chemical Brothers, Salt N Pepa, Coral, Minnie Ripperton e Handsome Boy Modelling School, dá pra saber que não tem muito mistério.

DJ Yoda – Fabric Live 39

The Thunderclaps – “Judgement Day (Donkey Work Re-Edit)”
Violent Femmes – “Blister In The Sun”
Skibadee – “Tika Toc”
Handsome Boy Modeling School – “Holy Calamity (Bear Witness II)”
Ice Cube – “Jackin’ For Beats”
Ghost – “It’s All Love”
Jurassic 5 – “Swing Set”
The Hot 8 Brass Band – “Sexual Healing”
D Nice – “Crumbs On The Table”
Gang Starr – “Just To Get A Rep”
Jean Jacques Perry – “EVA”
Chemical Brothers – “Salmon Dance”
The Coral – “In The Morning”
Bell Biv Devoe – “Poison”
Run DMC – “It’s Tricky”
Salt N Pepa – “Push It”
DJ Class – “Tear Da Club Up”
Bonde Do Rolê – “Marina Gasolina”
Minnie Ripperton – “Lovin’ You”
Collie Buddz – “Come Around”
DJ Yoda Ft. Sway – “Chatterbox”
Adam F – “Circles”
DJ Zinc – “Super Sharp Shooter”
Wiley – “Gangsters”
Skream – “Make Me”Lord Kitchener”

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E hoje?

Perguntei os horários pro Amaury, que agora no G1, e ele colou como se já tivesse na área de transferência:

Junior Boys – 19:00 às 20:00
Dan Deacon – 20:00 às 21:00
Gogol Bordello – 21:10 às 22:00
Switch – 22:00 às 23:00
DJ Yoda – 23:00 às 24:00

Tou indo mais pelo Switch e Yoda, não gosto do Gogol Bordello (não gosto do tipo de som, me lembra uma mistura de Karnak com Farofa Carioca, prefiro o Móveis Coloniais de Acaju se for pra ficar nessa praia), mas sei que a banda é boa e é certeza que vão fazer um bom show. Mas, pelos horários, acho que vou perder o Dan Deacon. Paciência.

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